Blog do Sakamoto

Financiamento escravagista

A Repórter Brasil publicou hoje uma reportagem de André Campos que mostra que um doador de campanha do deputado federal Abelardo Lupion (PFL-PR), incansável no combate ao combate ao trabalho escravo, utilizou esse tipo de mão-de-obra.

Faz parte das regras da democracia grupos, categorias ou classes elegerem representantes que defendam os seus interesses. Não é crime ser financiado por empresas que utilizaram mão-de-obra escrava ou expulsaram índigenas. Também não é crime, uma vez eleitos, defenderem essas empresas. Em 2006, grandes companhias, como a Companhia Vale do Rio Doce, elegeram bancadas através de suas doações maiores do que muitos partidos políticos.

Não é ilegal, mas dependendo do comportamento desses representantes pode ser imoral e anti-ético. Pois estes, na defesa do interesse de poucos, acabam passando por cima de leis, convenções internacionais e dos mais básicos preceitos dos direitos humanos para beneficiar os seus doadores. Para saldar a dívida, mantêm milhares de pessoas à margem da cidadania.

No limite, podem cometer um crime se a defesa desses interesses tornar-se a razão de ser do parlamentar ou administrador público. Nesse caso, não se trata de atuação legal, mas sim da compra de serviços de mercenários em função pública.

É importante, portanto, os eleitores acompanharem o comportamento de seus eleitos durante o mandato para cobrá-los apropriadamente. Afinal de contas, ninguém é escolhido só com votos de mineradoras e escravagistas.

A matéria pode ser lida no link:
http://www.reporterbrasil.com.br/exibe.php?id=904

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A Web 2.0 e o fim da propriedade

Vou fugir um pouco do tema principal deste blog para sugerir um vídeo no YouTube sobre a Web 2.0 e as ferramentas que estão reinventando a forma como a gente se comunica.

São bons ventos esses que chegam, derrubando cercas que tornam o conhecimento prisioneiro de alguns, quando ele deveria ser livre, construído coletivamente e não refém de meia dúzida de especialistas. Todos podem ser protagonistas na produção e irradiação de informação e não meros expectadores das ações de governos, empresas e academias.

Do alto do meu otimismo, espero que isso seja um indício de que é possível a humanidade viver sem a propriedade privada, abstrata ou concreta, digital ou física. Ainda que isso esteja em um horizonte histórico distante.

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O que o aquecimento global pode causar ao Brasil

Post de André Campos, da Repórter Brasil:

Hoje, foi publicado o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, em Paris, mostrando que a temperatura do planeta deve subir entre 1,8ºC e 4ºC até o final do século. Com base nisso, vale a pena fazer algumas considerações do que, nós brasileiros, poderemos enfrentar.

Com o aumento da temperatura, projeções feitas em diversas partes do mundo indicam que o clima fica mais variável. Nesse contexto, secas, chuvas intensas e enchentes devem acontecer com mais freqüência.

Para o Brasil, país com ocupação do solo notoriamente desordenada, essa é uma péssima notícia. Somente no Estado de São Paulo, existem 1,5 milhões de pessoas vivendo em áreas de mananciais. São vítimas em potencial das inundações e histórias de tragédia familiar que, invariavelmente, inundam os meios de comunicação a cada verão. Isso sem falar das populações nos morros, que devem tornar-se ainda mais suscetíveis aos deslizamentos de terra provocados por fortes chuvas.

No semi-árido brasileiro, onde o regime hídrico já é bastante traiçoeiro à ocupação humana, o aquecimento do planeta pode dificultar ainda mais a vida dos sertanejos. O cálculo é simples: com o aumento da temperatura, evaporam com mais intensidade as águas do solo e dos milhares de pequenos açudes que abastecem a região. Estudos têm demonstrado que, já nos dias atuais, aproximadamente 40% das águas armazenadas nesses açudes se perdem devido à evaporação.

Em 2005, a Floresta Amazônica sofreu a mais severa seca registrada na região em 40 anos. Não se sabe ao certo o quanto dela pode ser creditada às mudanças climáticas, mas, ao menos, a situação deixou claro como a intensificação de eventos do gênero pode trazer impactos profundos na vida da população local. Num lugar onde os rios são as principais estradas, foi a falta de água que deixou milhares de pessoas ilhadas.

O aumento do nível dos mares, uma das principais conseqüências do aquecimento global, também pode trazer impactos significativos para o país. Carlos Nobre, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e um dos principais estudiosos do tema no país, acredita que tal realidade pode provocar um avanço de centenas de metros do mar em cidades litorâneas muito baixas – como, por exemplo, Recife. Obras de engenharia tornar-se-iam imprescindíveis, inclusive para evitar a intrusão salina em lençóis freáticos que abastecem as cidades. Ou seja, salgar a já tão escassa água potável.

Pesquisas capitaneadas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) mostram que o aumento da temperatura pode ter influência drástica no mapa agrícola do país. Em cenários extremos, o território nacional propício o cultivo de arroz pode reduzir-se em mais de 30%, enquanto que outras culturas, como o milho e o feijão, também sofreriam perdas substanciais. As plantações de café em Minas Gerais e São Paulo podem estar com seus dias contados: em busca de temperaturas mais amenas, elas tenderiam a ir para o sul do país.

Para quem não se lembra, há pouco mais de dois anos o litoral de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul foi atingido pelo primeiro furacão já registrado em águas do Atlântico Sul. Na ocasião, milhares de pessoas ficaram desabrigadas. Trata-se de um evento isolado ou representa a entrada do Brasil na rota dos furacões? Não há pesquisas conclusivas a respeito, porém vale lembrar que há estudos do Met Office – o centro de meteorologia da Grã-Bretanha – mostrando que o fenômeno ocorreu justamente em uma área onde é esperado um aumento significativo de ciclones extra-tropicais ainda para este século. O Catarina originou-se exatamente a partir de um desses ciclones.

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Um escravocrata na segunda vice-presidência

Em dezembro passado, postei um aviso “Um escravocrata na presidência?” quando circulou em Brasília o balão de ensaio sobre uma possível candidatura de Inocêncio Oliveira (PR-PE) à chefia da Câmara. O balão não decolou, é claro, mas na eleição desta quinta (01), o deputado conseguiu se manter na mesa diretora (há mais de década), agora como 2o vice-presidente.

Será o corregedor, tendo a função de relatar denúncias contra parlamentares. Além disso, irá controlar o reembolso de despesas médicas.

Não é que a Câmara não tenha memória. A Câmara não tem pudor. Político influente, Inocêncio é proprietário da fazenda Caraíbas, da qual, em março de 2002, foram libertadas 53 pessoas mantidas em situação análoga à de escravo. Ele vendeu a propriedade, que fica no município de Gonçalves Dias, no Maranhão, mas isso não o livrou de constar da primeira “lista suja” – o cadastro do governo federal que relaciona os que foram comprovadamente flagrados utilizando esse tipo de mão-de-obra.

Inocêncio já foi condenado em segunda instância pelo Tribunal Regional do Trabalho da 16a Região e está recorrendo da decisão.

Mas tendo em vista o desgaste do Congresso Nacional no quesito ética perante a opinião pública, isso é apenas um mico a mais.

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Motivo da mudança

Como vocês podem ver, mudei para o Blig.

A opção foi editorial, pela necessidade de desvincular minhas opiniões e análises da Repórter Brasil. Mas apesar da saudável separação igreja/Estado deste blog, continuo como coordenador e articulista do site.

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