Uma promessa Vale o maior lucro da América Latina?
Em novembro do ano passado, a Companhia Vale do Rio Doce declarou que deixará de vender minério de ferro para siderúrgicas suspeitas de usar carvão vegetal produzido com desmatamento ilegal e trabalho escravo. Considerando que a Vale detém o monopólio de fornecimento de minério para as indústrias da região dos Carajás, entre o Maranhão e o Pará, a ação seria equivalente a decretar o fechamento de quem atua à margem da lei.
A afirmação da exclusão de clientes foi feita à Agência Bloomberg em um momento em que o país era pressionado pela possibilidade de embargo comercial devido à incidência de escravidão contemporânea na cadeia produtiva do aço. Passada a comoção, até agora, a empresa não divulgou à sociedade como pretende fazer um monitoramento independente do comportamento das siderúrgicas.
As indústrias de ferro gusa do lado maranhense do pólo Carajás melhoraram as condições ambiental e trabalhista de seus fornecedores devido à intensa fiscalização, pressão da sociedade civil e a projetos próprios de regularização. Hoje, o problema é mais preocupante no Estado do Pará, que vê crescer o número de usinas, que estão contribuindo para a diminuição da área florestal e a superexploração de carvoeiros. O estado é a imagem mais perfeita da fronteira agrícola: tem muita madeira para ser cortada ilegalmente, terras griladas ou a grilar e é o recordista em número de escravos libertados durante ações de resgate do governo federal. Vale lembrar que 12% dos empregadores que estão “lista suja” do trabalho escravo, cadastro do Ministério do Trabalho e Emprego que reúne esses infratores, são produtores de carvão para a siderurgia.
O problema não é saber se a Vale continua fornecendo ou não para uma indústria que opera com fornecedores ilegais. Isso é relativamente simples de ser verificado pois são poucas usinas na região. O difícil vai ser se desvencilhar de clientes e seus contratos milionários de compra de minério, que ajudaram a companhia a obter um lucro de US$ 2,485 bilhões apenas no primeiro trimestre deste ano, passando a Petrobras e ficando em primeiro lugar entre as mais lucrativas empresas da América Latina.

