Quero fazer uma aposta com Paulo Skaf
O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, reclamou ontem das críticas feitas por outros países contra o etanol brasileiro. Ele estava em Brasília para a reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, onde o tema foi discutido, e desafiou quem consiga provar que fazendas de cana mantêm mão-de-obra escrava.
Fico até constrangido que o presidente da mais importante federação de indústrias do país mostre que está tão alienado da realidade como parece.
“O Brasil tem alta competitividade. Não podemos aceitar que digam que o país pratica o trabalho escravo”, disse Skaf, segundo o site da Gazeta Mercantil. Como bom administrador, ele deveria saber que é exatamente na busca pela competitividade que o grau de degradação do trabalho tem crescido em áreas e setores periféricos da produção e o trabalho escravo aparecido. Para aumentar sua margem de lucro, há produtores rurais que cortam custos onde é mais fácil. Já que não é possível enganar as indústrias de insumos e equipamentos, subtrai-se direitos dos trabalhadores em uma escala crescente até que, em última instância, seja tolhida sua liberdade e sua dignidade.
Convido Skaf a participar de uma reunião da Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo, que reúne o governo federal e a sociedade civil, na qual poderemos mostrar vídeos, fotos, depoimentos, relatórios, provas documentais, tudo o que ele precisar para perceber o tamanho da besteira que proferiu. Verá, por exemplo, que as duas maiores libertações de escravos ocorreram no setor sucroalcooleiro: a usina Pagrisa, em Ulianópolis (PA), e a Destilaria Gameleira, em Confresa (MT) – ambas com mais de mil trabalhadores resgatados. A Gameleira está, inclusive, na “lista suja” do trabalho escravo – cadastro do governo federal que mostra quem utilizou esse tipo de mão-de-obra. Verá também que as grandes distribuidoras de combustível, como a Petrobras, Ipiranga, Texaco, Esso e Shell, reconhecem a existência de trabalho escravo na produção da cana – tanto que assinaram o Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo e cortaram relacionamentos comerciais com quem se vale desta prática.
É uma burrice sem tamanho se defender de ataques protecionistas da União Européia dizendo que o problema não existe. Ele poderia ter evitado essa síndrome do avestruz e dado uma declaração melhor, dizendo a verdade: que temos casos de trabalho escravo na cana, apesar dela não ser a principal atividade a utilizar esse expediente (papel exercido pela pecuária bovina). Que o problema é pequeno em comparação com a economia brasileira. Que mesmo sem a exploração do trabalho, temos preços competitivos devido à nossa geografia e ao clima. Que temos também muitos casos de superexploração do trabalhador na cana (20 pessoas morreram nos últimos três anos de tanto trabalhar nessa lavoura só no Estado de São Paulo). Mas o Brasil vem atuando para combater a situação e que, cada vez mais, se torna necessária a união entre setor empresarial, governo e sociedade para retirar os maus empregadores do mercado e procurar adotar um padrão de desenvolvimento que não seja feito em cima do sangue e da liberdade de pessoas.
Ou produzimos mercadorias com dignidade para o trabalhador ou não venderemos nada lá fora. Para que ganhar dinheiro se ele não se reverte em melhoria da qualidade de vida do país e sim em lucro para o bolso de fazendeiros e industriais? Crescer o bolo sem distribuir era o lema da ditadura militar – da qual a nossa elite era aliada. A manutenção desse tipo de pensamento só me faz crer que certos empresários têm saudade daquela época.
Caro Paulo Skaf, vamos fazer uma aposta. Não queremos seu dinheiro, longe disso. Mas se a gente provar que há trabalho escravo na cana brasileira, o senhor promete que vai parar de proteger os usineiros e ajudar na solução do problema?

Até agoraó senhor foi só falação, inclusive com acusações pontuais.
Ninguem em sã conciencia pode admitir o trabalho escravo, e acho que o sr. Skaf é um dos que regeitam o trabalho escravo. Porem ha tres pontos fundamentais:
1-A caracterização do trabalho escravo em lei, que não ha, depende da avaliação de individuos comprometidos ideologicamente com o marxismo;
2-Num universo de centenas de empresas e fazendas de cana de açucar, muito poucas ou nenhuma apresenta caracteristica de presença de trabalho escravo;
3-Acusar toda uma atividade economica de usar trabalho escravo, por alguma que supostamente a utilizam é o mesmo que dizer que todos os médicos são criminoso por praticarem a eutanasia, por uma meia duzia o fazerem.
Portanto caro articulista o senhor na minha opinião, supostamente é muito mal intencionado ou está supostamente à serviço de interesses internacionais.
Preciso saber o e-mail desse sr. pra mandar seu artigo e meus comentários. Alienado por puro interesse. Seria melhor assumir os problemas e mostrar que estamos empenhados em debelá-los do que negar. Ô anta, com todo respeito que tenho aos animais.
Paulo, trabalho escrravo está previsto e caracterizado no artigo 149 de um tal Código Penal. Você já ouviu falar? uauauauaua Cara, esse seu papo é de usineiro mesmo ou de capanga de usineiro.
Queria saber quem banca a ONG do sakamoto? Se é com o dinheiro de meus impostos ou é com o dinheiro do Chaves ou do Fidel. Alias o Fidel é o cara mais rico do mundo, tem 11 milhões de escravos.
Esqueci-me, logo os trabalhadores no ramo de colheita de cana serão demitidos, pois a mecanização do setor está em ritmo acelerado, ai voces arrumam emprego para eles ou serão sustentado pela bolsa miséria?
Olha, Paulo, a Repórter Brasil é financiada por doações, apoios e parcerias de organizações não-governamentais nacionais e, internacionais, do governo federal, de governos estaduais, de organismos do sistema das Nações Unidas e, inclusive, de grandes empresas nacionais. Dessa forma, com pluralidade de captação, não ficamos refém de um grupo específico ou de seus interesses. Nossas contas passam por periódicas auditorias de instituições privadas e públicas, que têm aferido a lisura de nossa atuação. Não somos ligados a partidos políticos ou governos nacionais e internacionais, o que é demonstrado pelas nossas parcerias com administrações municipais que vão da esquerda à direita e o nosso intercâmbio com governos estrangeiros, que vão dos Estados Unidos, passando pela Alemanha até chegar a países da periferia. Ao mesmo tempo, somos respeitados pela iniciativa privada nacional, como as empresas signatárias do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo devido ao nosso trabalho sério. Entendo que você não queira confiar em “ONGs de esquerda”, mas com certeza terá interesse em ouvir de instituições brasileiras como Coteminas, Petrobras, Ipiranga, Vale do Rio Doce a respeito da atuação da Repórter Brasil por um país melhor. Caso tenha curiosidade, convidamos a visitar os projetos da Repórter Brasil onde são aplicados esses recursos, nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, para garantir o protagonismo de comunidades e trabalhadores, bem como nossa sede, onde poderemos explicar melhor a você o que é trabalho escravo e como o atual modelo de desenvolvimento está condenando uma geração de trabalhadores não ao desemprego, mas à subexistência.
Só um detalhe: este blog é independente da Repórter Brasil, e expressa a minha análise pessoal, como você pode ver. E, como você pode ver, até agora ele foi feito sem apoios e patrocínios (não há banner, por exemplo). Pois certas opiniões não podem ter preço.
alguém presta atenção em alguem que escreve reGeitam? besta