Blog do Sakamoto

Diários do Paquistão: cara de terrorista

Islamabad – Gostaria de fazer um pequeno flash back para contar algo pitoresco. No caminho para cá, fui impedido de entrar na Inglaterra.

“Por que e para que o senhor está indo para o Paquistão?; Que interesse teria um brasileiro no Paquistão?; O que o senhor foi fazer em Frankfurt no ano passado? Trocar experiências sobre o combate ao trabalho escravo? Sei…; O senhor tem alguma prova disso que está me dizendo?”

No final, optaram, educamente, pela minha não-saída da área de embarque do aeroporto de Heatrow.

A sacanagem não está no tempo, foram apenas algumas horas até a conexão, mas a intenção. Não fui o primeiro nem serei o último a ser rejeitado pelos súditos da rainha. Mas, com certeza, tem um quê de paranóia pós-11 de setembro nessa recusa.

OK, a favor deles está o fato que um sujeito com cara de indonésio e passaporte brasileiro indo para o Paquistão para discutir trabalho escravo soa mais como desculpa esfarrapada para alguma coisa ilegal. O que talvez seja reforçado pelo fato de meu companheiro de viagem, o francês Xavier Plassat, ter passado direto pela imigração paquistanesa, enquanto eu tive que esperar… e responder perguntas.

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Comentários

3 Responses to “Diários do Paquistão: cara de terrorista”

  1. Fabio T Filho disse:

    A lingua mais falada entre os oficias de imigtacao em Heatrow e’ o paquistanes (ouve-lhes falando entre si o tempo todo). Como o governo britanico paga uma miseria a seus “civil servants” a maioria dos empregados do aeroporto vem de uma comunidade paquistanesa proxima. Sao os quase-ex-escravos (vieram para ganhar 1p/dia ha poucas decadas atras) dazendo o trabalho sujo …e o fazem com gosto. Fosse um funcionario idoso ( portanto ingles-ingles) o tratamento teria sido diferente. Pequenas autoridades ha em qq lugar do mundo mas aqui no Reino, sao piores, quando imigrantes. Vao para o trabalho descontar a humilhacao diaria de serem chamados de “pakis” e podem afinal serem “ingleses de verdade”, representando o Reino.
    Apos o trabalho viram abobora…mas naquelas 32 horas sao deuses

  2. Fabio T Filho disse:

    mais uma coisita
    Trabalho escravo?
    O Reino e’ o lugar certo para achar. Desde chineses forcados a trabalhar pescando (e morrer, 11 morreram3 anos atras) na baia de Morecambe aos poloneses no lancashire a toda gama de imigrantes em Londres. A polcia as vezes pega um ou outro caso e tudo e’ resolvido discretamente. Jornais nunca consideram trabalho escravo e sim imigrantes ilegais que vieram desfrutar um pedaco do paraiso

  3. antonio bunchaft disse:

    Caro Sakamoto,

    parabéns pelo BLOG. QUando voltar quero discutir com você a questão dos catadores de materiais recicláveis. Estamos desenvolvendo projeto de Direit. Humanos para este segmento em parceria com o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis e gostaria de construir uma parceria com vocês…
    Abraços

    Antonio Bunchaft
    Diretor PANGEA