Senado prepara desagravo para empresa flagrada com escravos
A subcomissão de biocombustíveis do Senado aprovou uma audiência pública para discutir o que os senadores chamaram de “rescisão direta do contrato de trabalho” de mais de mil pessoas na fazenda Pagrisa, localizada em Ulianópolis (PA). Na verdade, trata-se de uma reunião para massacrar o grupo móvel de fiscalização do governo federal, responsável por apurar denúncias de trabalho escravo, tentando desmoralizar a ação coordenada pelo auditor fiscal Humberto Célio Pereira, que retirou da Pagrisa trabalhadores em condições degradantes no dia 30 de junho.
João Tenório (PSDB-AL) e Kátia Abreu (DEM-TO), ambos da bancada ruralista, preparam uma farra do boi para detonar Humberto nessa audiência. Ele foi a único dos convidados que defende a fiscalização. Todos os demais já se manifestaram publicamente a favor da empresa. Convidaram até o dono da Pagrisa. Mas não chamaram ninguém do Ministério Público do Trabalho e da Polícia Federal, que também participaram da ação.
Kátia Abreu é uma das mais fervorosas opositoras do combate ao trabalho escravo no Brasil, sendo uma das responsáveis por travar no Congresso a lei que prevê o confisco de terras em que forem encontrados escravos.
Ainda não há data para a audiência, mas assim que ela for acertada, divulgaremos aqui neste espaço, convidando as organizações de trabalhadores rurais e as entidades governamentais e da sociedade civil envolvidas na luta pelo trabalho decente para estarem presentes na discussão.
Se os parlamentares da bancada ruralista querem entender tecnicamente o caso, o que é justo e salutar em uma sociedade democrática, que isso seja feito de forma correta, convidando para o debate opiniões de ambos os lados, com pesos semelhantes. Caso contrário, o encontro será visto apenas como orquestração para dar apoio a uma determinada empresa.
Para mais informações sobre o caso Pagrisa e de outros relacionados à cana de açúcar, sugiro que acessem o Especial: O avanço da cana-de-açúcar da Repórter Brasil.
Segue a aprovação da audiência.
29/8/2007 EXTRA-PAUTA: Requerimento nº 15, de 2007 – CRA-BIO
Requer seja realizada audiência pública na Subcomissão Permanente dos Biocombustíveis, no âmbito da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado Federal, para debater a respeito das condições da rescisão direta do contrato de trabalho de 1.180 empregados da empresa Pará Pastoril e Agrícola (Pagrisa), localizada no município de Ulianópolis, nordeste do Estado do Pará, com a presença dos seguintes convidados:
· Humberto Célio – Auditor do Ministério do Trabalho;
· Delegacia Regional do Trabalho do Estado do Pará;
· Federação da Agricultura do Estado do Pará;
· Federação das Indústrias do Estado do Pará;
· Ordem dos Advogados do Brasil – Subseção Pará;
· Proprietário da Empresa Pagrisa.
AUTORES:SENADOR JOÃO TENÓRIO e SENADORA KÁTIA ABREU
Resultado: APROVADO

Mas, como assim??? A OAB tbm tá sustentando a palhaçada? Tão do lado dos bandidos? Vc disse que só o auditor defende a fiscalização…
Por que a surpresa? E a OAB de SP, não viu o que ela aprontou?
Caro Sakamoto, entre essas organizações de trabalhadores rurais que você convoca para ajudar na defesa do auditor Humberto Célio, cuidado para não convocar a Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Pará, esta entidade divulgou relatório recentemente contrariando a alegação de trabalho escravo na Pagrisa. Será que só um auditor está certo e todas as demais instituições estão erradas, isso está muito estranho não está?
O pouco que eu posso ajudar,é me colocando ao lado de todos aqueles que lutam contra o trabalho escravo.A propósito,num futuro não muito distante,seja considerado trabalho escravo:limpar banheiro,varrer rua,linhas de montagem…E punido!!!!
Caro reporter, moro na Empresa a 23 anos, já fui funcionária da mesma, e hoje meus filhos trabalham aqui e residem com meus netos, que estudam. todos. Temos até suporte universitário. não tem nenhuma criança ou adulto fora da escola, a não ser os que realmente não querem estudar. e tudo o que esse fiscal fez de arbitrariedades aqui vcs não tem idéia. Os trabalhadores que queriam continuar trabalhando, ele não permitiu. Até um que estava em leito de hospital na cidade de Ulianópolis, ele fez o funcionário do escritório acompanha-lo até o hospital para ele assinar a rescisão. Se querem a verdade, porque não vem ver com os proprios olhos? jogar pedras e julgar é fácil! apurar a verdade e divulglar é mérito de minoria que tem compromisso com a verdade. Esse senhor, que hoje é visto como “o libertador”, não é bem esse cordeiro heroi como divulgam não, a verdade escondida debaixo do tapete é bem diferete!. Eu acompanhei toda a ação deles aqui”
A verdade Sakamoto é que tem muita gente aqui em Ulianópolis que lucra com a exploração de centenas de trabalhadores lá na Pagrisa. Tem duas categorias de trabalhadores: os bem pagos pela usina, normalmente de cargos melhores, e aqueles safristas, que são tratados como lixo. Cansei de ver histórias de gente que saía de lá, depois de trabalhar meses e receber 100,00 no total. Aqui é assim, cada um defende o seu quinhão. Mas eu achei muito bem feito isso ter acontecido, finalmente o governo federal olhou para a gente pobre daqui. Só que a gente não fala na rua porque tem medo. O prefeito e os vereadores são mancomunados com o pessoal da usina. No comércio, se você reclama, é capaz de tomar tapa. Ulianópolis é assim, terra de atirar primeiro e discutir depois. Mas se tiver garantia de segurança, garanto que a gente coloca milhares de pessoas na rua para apoiar essa fiscalização.
No início do século passado o Brasil vivia a nefasta Política do Café com Leite, onde quem não votasse nos candidatos indicados pelos coronéis sofria algum tipo de represália e castigo. Muitos dos trabalhadores da tal empresa chamada Pagrisa não podem dizer a verdade sob pena de serem castigados. Outros trabalhadores são obrigados a dizerem que a Pagrisa é uma empresa social, que ajuda na educação, inclusive universitária ( ! ) de seus trabalhadores. Os sócios dessa Pagrisa devem ser adeptos do Socialismo Utópico…ou então essa região do Pará entrou somente agora na época da Política do Café com Leite!
Leo, tudo bem? como vai? Lembra-se de mim?
Envio esta mensagem apenas em solidariedade a você e a Repórter Brasil. O desagravo feito pelo senador José Nery a você e a ONG são mais do que correção à falta e abuso da senadora Kátia Abreu, na verdade, revela o reconhecimento e o agradecimento pelo seu trabalho.
Continue firme na luta.
Abraço