Blog do Sakamoto

O jornalismo do gato por lebre

De Salvador - Anúncios com cara de reportagem têm sido cada vez mais comuns na mídia impressa. Hoje, comprei uma revista da Editora Abril e me deparei com uma matéria, bem produzida, diga-se de passagem, sobre a produção de eucalipto, matéria-prima da celulose. Ao final, em um quadradinho acanhado, menor que um papel de bala, aparece que aquele conteúdo foi feito sob encomenda da Aracruz Celulose.

Cadê o “Informe Publicitário” que aparecia no topo das revistas antigamente quando elas publicavam anúncios com cara de matéria? A ganância comeu, provavelmente.

Até entendo a crise financeira pela qual passam muitos veículos de comunicação, mas há certas concessões que parecem ser uma boa idéia, e no longo prazo jogam a credibilidade do veículo na lama. Vender uma marca como se fosse informação independente é enganar o leitor. Até porque a “matéria” defendia que o eucalipto não causa impacto ambiental, o que é contestado por pesquisadores da área.

É papel da Aracruz (sem trocadilhos) tentar limpar sua imagem, que sofreu sérios danos por conta de sua invasão de terras pertencentes a comunidades indígenas e quilombolas aqui no Sul da Bahia. Mas é dever de uma empresa que faz jornalismo não deixar ser usada para lavagem de reputação de empresas – ainda mais oferecendo ao leitor gato por lebre.

Trabalhei na Abril e lembro que era distribuído aos jornalistas um código de ética interno, que proibia, por exemplo, receber presentinhos. O que é correto. Mas essa fusão de igreja e Estado, de que falei acima, passa a idéia de que o jabá lá não é proibido. Desde que o beneficiário seja o cofre da empresa.

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Comentários

4 Responses to “O jornalismo do gato por lebre”

  1. Funcionário da Abril disse:

    Jornalista não pode. Patrão pode. É… Por que será que não me espanto???

  2. Tiago Doria disse:

    Se isso eh a luz do dia imagine o que nao vai por baixo do pano…

  3. Andre Deak disse:

    Saka, não sei se foi (só) a Superinteressante que usou esse “recurso”… Lá eu vi, comentei a mesma coisa: até as fontes e os infográficos são do tipo usado pela revista. Lá, quando trocaram o Flávio Diegues por um publicitário na chefia da redação, ficou bem claro a que se destinava o futuro deles… Não sei se viu um texto que publiquei faz algum tempo, Luana, a Igreja e o Estado. Dá uma lida quando der, fala exatamente sobre isso. Tá lá no meu blog, e também nesse link:
    http://www.overmundo.com.br/overblog/luana-a-igreja-e-o-estado

  4. Tiago disse:

    Bom essa mensagem não tem muito haver com o tema,mas peço que repassem….
    Eu no momento estou residindo no Japão, hoje me deparei com um video na internet que me deixou um pouco tanto intrigado,vejam este video onde a bandeira brasileira esta servindo de tapete para japoneses,eu como brasileiro morando fora do pais nao aceitei ao ver tal cena, se passa no minuto 2:18 ———-> http://br.youtube.com/watch?v=w6c0LuFEMME&mode=related&search=