Pamonhas, pamonhas, pamonhas somos nós
Final da tarde de ontem. Um Beetle (o Fusca reestilizado da Volkswagen) cor-de-rosa pára no cruzamento da avenida Henrique Schaumann com a rua Cardeal Arcoverde, área nobre da cidade de São Paulo. No interior, apesar dos vidros fechados, dá para ver uma moça por volta de seus 20 anos e um rapaz da mesma idade, ambos aparentando alta classe social. Um velho homem, sem-teto, se aproxima do carro para pedir uma esmola. A idade pesa e ele encosta no capô enquanto faz o pedido aos ocupantes.
Pânico rosa-choque. A menina gesticula freneticamente. Aperta um botão no painel de seu carro e liga um alto-falante para falar com o mundo exterior: “Tire as mãos do carro!”
O velho, surpreso, obedece. O semáforo abre e o carro arranca.
Ações explícitas de preconceito social no trânsito, travestidas do verniz de “temor por segurança”, não páram de me surpreender. De início, foram os carros blindados, que levam para as ruas da cidade a sensação de encastelamento dos condomínios fechados ou das mansões muradas. Sentimento falso, pois não são muros, chapas de aço ou um sisteminha de microfone/alto-falante de carro de pamonha que garantirá segurança aos moradores de uma metrópole como São Paulo. É bom como efeito placebo, para se enganar, mas, mais dia ou menos dia, as “hordas bárbaras” vão engolir a “civilização”. Uma hora a bomba estoura.
São Paulo tem mais de 11 milhões de habitantes, apenas uns 10% têm acesso a todos os seus direitos previsto em lei. Lembra a antiga Atenas, com uma democracia para uns poucos iluminados e o trabalho pesado para o grosso da sociedade, composta de escravos. Enquanto uns aproveitam uma vidinha “segura” dentro de clubes, restaurantes, boates, residenciais e carros com alto-falantes, outros penam para sobreviver e ser reconhecidos como gente. A Folha de S. Paulo noticiou hoje que para cada assassinato ocorrido em Moema (renda média de R$ 5.576,78), 130 são mortos no Grajaú (renda média de R$ 597,70). Só que a morte de uma jovem em Moema causa mais impacto do que a de 130 na periferia, como já aconteceu em outros tempos. Tem vida que vale mais que outras, por causa do dinheiro.
Qual a causa da violência? A resposta não é tão simples para ser dada em um post de blog, mas com certeza a desigualdade social e a sensação de desigualdade social está entre as principais razões.
O preconceito da proprietária do Fusca estiloso vai no sentido contrário a uma solução, isolando os ricos ainda mais, deixando-os alheios ao sofrimento do resto da cidade. E, pior, dando aos mais pobres a sensação de que são lixo. Corta-se com isso a dimensão de reconhecer no outro um semelhante, com necessidades, e procurar um diálogo que construa algo e não destrua pontes. Há riscos de assaltos? Sempre há e eles vão acontecer. Mas deve se ter em mente que há atitudes que pioram o quadro. Ou a cidade será boa para todos ou a aristocracia que sobrar após o caos não conseguirá aproveitar sua pax paulistana.
Sou contra a violência, mas não culparia o velhinho se resolvesse revidar a bordoada social que levou atirando uma pedra no fusquinha.

Posso entender o sentimento de revolta.Mas o revide ,como jogar a pedrinha no carro, é a pequena diferença entre se revoltar e se tornar violento, é o que faz começar a explosão de raiva por um dos lados e a de medo do outro. É o suficiente para começar qualquer conflito.A solução passa hoje em dia necessàriamente pelos governos, exatamente pelo grande Nº da população carente,onde é preciso + casas,+serviço social,+qualificação+educação+ saúde. Lembre que no Brasil nunca houve e ainda não existe um programa de compra de casa própria com financiamento de 50 anos, para baixa renda. O País sempre foi Padrastro para seus cidadãos . Pai só para os políticos!
Isso me lembra do caso recente de uma mocinha tb de classe média alta que ao pegar o carro da vovó atropelou em alta velocidade alguns passantes, alguns com resultados graves, e se esborrachando logo em seguida.
Comentário da mocinha após sair do carro:
” Vai demorar muito? Tenho que pegar um vôo mais tarde para os EUA.”
E os feridos?
“Nada disso me importa. O importante é que EU estou bem.”
Saudades de madame guilhotina…
Achei muito interessante a sua postagem,mas não acredito em vilões da alta sociedade.Na verdade,acho que vivemos em uma verdadeira confusão social,pois valores estão se perdendo,e a qualidade das pessoas passou a ser medida de acordo com sua conta bancária,e assim não podemos culpar os mais ricos de buscarem na tecnologia,uma determinada defesa,nem à garota do fusca,pela grosseria com o velhinho,que também não pode ser culpado pela sua própria situação.Ou seja,não se deve começar uma guerra entre as classes,e sim é preciso reaver os valores da sociedade,necessário que todos tenham a oportunidade de vida,ao invés de sobrevivência e que os muros da desigualdade sejam superados,mas eu não apoiaria o velhinho a jogar uma pedra no fusca.
Senão mudar a visão das classes mais favorecidas da sociedade haverá o dia em que os pobres não durmirão por causa da fome, e os ricos não durmirão de medo dos que tem fome. é nescessário repensar nossa sociedade.
Você, é claro, pegou o velhinho na rua e levou pra sua casa! Eu acho bonito assim, gentileza com o chapéu próprio! E também deve ter dado um banho nele, roupas limpas. uma cama pra dormir e jantou ao lado dele, na mesma mesa, sem se incomodar com com o dedão na boca pra tirar os fiapos de carne presos nos cacos de dente…
É de gente como você que o mundo precisa! Que não espera que os outros façam, mas que fazem vocês mesmos.
Parabéns!
Esse Paulinho é devoto de São Francisco de Assis…
Sabem qual é um dos maiores exemplos de incoerência e hipocrisia neste país? Chico Buarque de Hollanda. Exilado pelo governo militar, foi morar em Cuba. Será que ele foi ter uma vida sem privilégios, como os cidadãos cubanos? Ele, já naquela época, era um artista reconhecido internacionalmente, e, como declarado simpatizante de Fidel Castro, foi morar em Havana sob a proteção do mesmo, já que, para caudilhos, para os amigos, tudo, para os outros, a lei. No Brasil, o “simpatizante comunista” mora numa casa tão grande que tem até campo de futebol soçaite, onde joga “peladas” com seus amigos, evidentemente ricos e famosos, sem chance para pobres. Claro, tudo regado a Champgne francês e uísque escocês. O que isto a ver com o tópico? Hora, neste país, o que mais tem é gente que mostra preocupação com o social, mas que é tão ou mais burguês do que aqueles a quem atacam. Ou seja, aqueles que denunciam coisas como o que está escrito nesse blog, jamais convidariam este ou qualquer outro mendigo para jantar.
Ele falou em jogar pedra no fusquinha pra chamar a atenção, para gerar polêmica e provocar a participação no blog. Se não fizer isso não terá nenhum comentário sobre esse tipo de matéria piegas e ele fica sem emprego. Sacaram!!
Não concordo,em termos gerais,com o autor.No caso específico,segundo o que entendi,era um senhor idoso e a moça não precisava fazer o que fêz.Mas quem vive no Rio,como eu,vive com medo.Não sou rica mas tenho nivel superior.Trabalhei como médica,por muitos anos,na extinta FUNABEM e sei muito bem o que é bandido e penso que marginal não deve ser tratado como pessoa de bem,pois ,nas ruas ,eles são extremamente cruéis.
Gostaria de dizer também que com esta sugestão de que o idoso deveria ter jogado uma pedra no carro da garota,o autor está incitando a violência que já é terrivel hoje em dia.
Assim como o blogueiro, sou contra a violencia. Mas ha atos que entendemos. O que nao entendo eh o argumento fraco de alguns comentarios. Ninguem falou aqui que alguem tem levar outra pessoa para casa, mas sim que estado e sociedade devem garantir condicoes, ou seja, acesso aos direitos basicos presentes na Constituicao, para que todos possam ser cidadaos. Sacaram?
Assim como o blogueiro, sou contra a violencia. Mas ha atos que entendemos. O que nao entendo eh o argumento fraco de alguns comentarios. Ninguem falou aqui que alguem tem levar outra pessoa para casa, mas sim que estado e sociedade devem garantir condicoes, ou seja, acesso aos direitos basicos presentes na Constituicao, para que todos possam ser cidadaos. Sacaram?
EU nasci ha dez mil anos atras::::::::::::e sempre ouvi falar de mendigos que nao tem nem o que comer e continuam fazendo muitos filhos para perpetuar a especie responsabilidade social e voce ter filhos que vc possa dar uma formaçao de alto nivel e ai nos poderemos comparar a nossa sociedade com os paises europeus
O Estado ao qual o To se refere eh o chamado Estado democrático de direito, aguém conhece isto? Outro ponto: historicamente o povo já se rebelou no RJ as formas da dominação/segregação podem ter mudado mas a gota dágua para pessoas que vivem sem moradia, sem assistência médica, sem direito a educação sob uma opressão brutal pode ser algo como uma simples vacina!
A sociedade brasileira reclama tanto de todo esse quadro social, da violência, da insegurança, que esquece de observar as verdadeiras raízes que geraram esses problemas. Sem dúvida alguma, que a desigualdade social é o grande combustível para esse “onda” de criminalidade que corrói nossas trincheiras sociais. A vida não é mais respeitada. A grande maioria da população se sente um lixo, diante de tanta injúria e descaso. Ou revisamos nossa visão ridícula de sociedade feliz ( estilo o modo de vida americano parasita ), ou estaremos nos trancafeando, cada vez mais, em carros blindados e vultuosos esquemas de segurança. Pura utopia. O problema permanece a sua porta.
Cara Elia,
Acho que devo alertar que não existens duas raças distintas, sendo uma chamada pessoas de bem e outra chamada marginais, tanto quem uma pode ser convertida na outra de acordo com seu contexto e motivações.
Não é o fato de fulano estar dentro ou fora do carro, ou da posse dessa que determina sua classificação.
Uma ser humano, sob o prisma do Estado de direito, tem que ser tratado com certas garantias básicas de bem estar, mesmo quando criminoso.
Um criminoso pode ser punido severamente sem que essas garantias sejam retiradas.
Desconfio que o grande desejo da classe média(CM) por penalidades crueis e desumanas na certeza de que elas nunca serão aplicadas aos seus pares, mesmo eles cometendo crimes.
Acredito tb que a CM nunca pensa que comete ou pode cometer crimes, numa auto-ilusão bem interessante, pelo fato de poderem apelar tanto para burocracia como para o suborno e escaparem da aplicação da lei.
Em, suma.
Um bandido não deve ser tratado como uma pessoa honesta, sendo ele punido com correção, no entanto ele deve ter garantido os mesmo direitos de dignidade básica que uma pessoa honesta.
É, racer-X.
São Francisco de Assis realmente é o The Must!
Acho que perdemos a noção do que é ser gente. Vivemos como seres perdidos numa civilização cuja elite predominante tem como príncipios sustentados no valor da conta boncária. Um dia pagaremos a conta do nosso egoísmo e superficialidade.
achei bem legal o seu post. dá uma olhada aqui… http://www.muiloko.com.br/ref5
Segundo o que me consta, a rua é para os carros, o velhinho deveria atravessar pela faixa, assim não precisaria ter sido chamado atenção. O governo tem sido ótimo, tem amparado a sociedade e temos uma perfeita distribuição de renda, Aqui na Suiça, nada disso tem acontecido.
Acho que algumas pessoas nunca estudaram história ou filosofia na vida. É o que pareçe porque o conceito de LUTA de CLASSES é bem ignorado. Tenho que dizer que o comentário sobre direitos humanos cujo autor não recordo foi bem preciso! E um acréscimo, certas pessoas supostamente são contra a violência, quando física e praaticada contra elas, mas td bem se for verbal ou social e praticada contra qualquer um que não tenha condições de exercer qlqr tipo de poder…
nossa, mas esse sakarroto é chato pra %!@$&@# hein? típico esquerdistinha de butique politcamente correto, que acha que todo mundo tá errado e só ele tá certo. Meio leticia sabatella, só que feio pra %!@$&@# Vai crescer, babaca. ou jogar rpg com seus amiguinhos nerds.
Butto confiou muito em Bush, que acrediotu em Musharraf, que não perfes a segurança de Butto. Será que Musharraf desta vez perfaserá a segurança do filho da Butto?
Eu, por minha vez, atiraria uma pedra em sua cabeça.