Blog do Sakamoto

Decidam, deputados!

Escrevi o artigo a seguir junto com Xavier Plassat, da Comissão Pastoral da Terra. Quem quiser assinar o abaixo-assinado é só clicar aqui.

Circula pelo país um abaixo-assinado promovido pelos integrantes da Comissão Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae) e por vários movimentos sociais sob o lema “PEC do Trabalho Escravo, aprovação já!”. O problema levantado é vergonhoso para qualquer brasileiro. A solução proposta é cristalina.

Aos 120 anos da Lei Áurea e aos 60 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, brasileiros continuam sendo traficados para trabalho escravo: 6 mil deles foram libertados em 2007 de um total de 30 mil encontrados nessa situação desde 1995 pelo governo federal. Nesse período, a Comissão Pastoral da Terra registrou denúncias envolvendo mais de 50 mil trabalhadores “aprisionados por promessas”, obrigados a trabalhar em fazendas e carvoarias, em condições desumanas e impedidos de romper a relação com o empregador. Vidas roubadas no altar da competitividade.

Sua maior concentração está nas regiões de expansão agropecuária da Amazônia (coincidindo com o Arco do Desflorestamento) e do Cerrado. O trabalho escravo é com freqüência associado a desmatamento ilegal, na formação de pastos ou instalação de lavouras. Contudo, há também casos no Sul e no Sudeste do país. Em 2007, metade dos trabalhadores foi resgatada na Região Centro-Oeste e em canaviais.

Empregadores adeptos desse sistema são, em sua maioria, grandes proprietários, produzindo com tecnologia de ponta lá mesmo onde exploram essa “gente descartável”. Arcaico e moderno convivem em busca do lucro fácil e abastecem o comércio nacional e internacional.

É teoricamente fácil punir quem ameaça a liderança do Brasil no mercado mundial de commodities agrícolas e envergonha cada brasileiro: indenizações milionárias são aplicadas contra escravistas modernos; assinantes do Pacto Nacional das empresas pela erradicação do trabalho escravo têm cortado negócios com eles. Porém muitos persistem e até reincidem. Nenhum deles foi para a cadeia. Nenhum perdeu sua propriedade. Os criminosos permanecem livres, ricos proprietários, e até elogiados pelo tributo que trazem aos cofres nacionais.

Um meio simples de acabar com isso está nas mãos do Congresso. Chama-se PEC 438/2001. A Proposta de Emenda Constitucional do confisco da terra acrescenta a questão do trabalho escravo ao artigo da Constituição que prevê a expropriação das terras com plantio de psicotrópicos. As propriedades confiscadas seriam destinadas à reforma agrária, uma das medidas mais urgentes para gerar alternativas decentes de trabalho no campo.

No dia 12 de março cobrou-se da Câmara a aprovação da PEC, que já foi votada no Senado e, em primeiro turno, pelos deputados. Continua ali, parada, sob resistência da bancada ruralista. Dá para tolerar que nossos representantes continuem sentados em cima de uma questão como essa?

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Comentários

5 Responses to “Decidam, deputados!”

  1. Antonio Carlos disse:

    Assinei, vou divulgar e pedir às pessoas que conheço para fazerem o mesmo.
    Vamos lutar para que essa mancha seja definitivamente removida do nosso país.
    Chega de tolerar esses desmandos!

  2. Luís Carlos disse:

    Parabéns pela iniciativa Sakamoto.

    Toda terra com trabalho escravo confirmado deve ser expropriada para o programa de reforma agrária, mesmo se o dono desta terra for um grande contribuinte para o fisco do governo, mesmo se pertencer a deputados de qualquer partido político.

  3. cidadao brasileiro disse:

    Sakamoto
    Sou totalmente favoravel que sejam expropriadas não somente fazendas, mas tambem outras propriedades de empresarios que explora o trabalhador, aplicar idenizações milionarias, não resolvem, pois o poderio economicos desses senhores é enorme, e eles recorrem ao judiciario, que como se sabe, é tão celere que um processo para ser julgado demora no minimo vinte anos; a expropriação dessas terras e a utilização para assentamento de milhares de sem terra é a solução mais viavel, porque libertar os trabalhadores que estão em regime de escravidão, por si só não resolve o problema, porque eles serão explorados por outros já que necessitam trabalhar, é preciso tambem criar leis mais rigidas, para que estes fatos não venham acontecer, mas os nossos legisladores, a grande maioria, não tem muito interesse em votar tais leis, porque dependem de grandes latinfundiarios, empresarios que irrigam com recursos suas campanhas politicas, e ao poder judiciario só resta cumprir as leis aprovadas por nossos legisladores e brandas demais para com os infratores.

  4. wellington disse:

    Meu, isso não pode parar por ai não ,tem que continuar firme por todo Brasil . Abraços

  5. Priscila disse:

    Sakamoto, desde 2006 acompanho seus artigos sobre trabalho escravo no site Repórter Brasil em razão de ter escolhido o tema trabalho escravo contemporâneo, naquela ocasião, para ser o tema de minha monografia na faculdade. Hoje estou fazendo outra monografia(para a pós-graduação)que tem por base esse mesmo tema, tamanha a admiração que adquiri após buscar documentos sobre o assunto e, dentre esses, os seus artigos. Vc não faz idéia de quantas já citações fiz suas..(seu nome aparece a todo momento nela! rs)
    Parabéns pela iniciativa e dedicação!! Vc merece todo reconhecimento pelo esforço e eloquência empregada nos artigos que escreve!!! e é claro, assinei o abaixo-assinado referente a PEC!
    Grande Abraço,
    Priscila.
    Vitória -ES