Blog do Sakamoto

Quem Lula vai colocar no lugar de Marina Silva?

Marina Silva entregou uma carta de demissão ao presidente da República nesta terça (13).

Ela conseguiu ficar no cargo heróicos cinco anos e quatro meses. À frente do Ministério do Meio Ambiente sofreu tenebrosas pressões de dentro e de fora do governo, vozes que defendiam o desenvolvimento predatório, a pilhagem ambiental como instrumento de crescimento econômico e o “progresso” a qualquer preço. Isso sem contar com quadrilhas de funcionários corruptos do próprio ministério, que colocavam o patrimônio público à venda. Funcionários que consideram assuntos como o tamanho da reserva legal a ser protegida uma questão passível de di$cu$$ão.

A pergunta que já ressoa em Brasília – “Quem Lula vai colocar no lugar?” – faz estragos no meu já combalido estômago. A gestão de Marina tinha seus defeitos, é claro (ter consentido com o que não concordava para garantir a “governabilidade”, foi um deles), mas era uma trincheira dentro de um governo que vive em lua-de-mel com o agronegócio e o setor industrial. Como namorado apaixonado, só vê as coisas boas da relação, jogando os problemas para baixo do tapete. Marina trazia um pouco de bom senso para essa relação, batendo de frente com padrões de desenvolvimento que lembram o período da ditadura militar. Função que era reconhecida dentro e fora do Brasil.

Se entrar um ministro mais complacente com as “necessidades de crescimento do país”, “aberto ao diálogo amplo em qualquer área” ou ligado ao agronegócio, a trincheira vai ser removida de vez. E tá cheio de “quadros” com esse perfil e disponíveis para o cargo.

Aí ninguém segura a qualidade de vida neste país – ladeira abaixo.

Compartilhe:

Por que a Lei Áurea não representou a abolição definitiva?

O fim da escravidão legal no Brasil não foi acompanhado de políticas públicas e mudanças estruturais para a inclusão dos trabalhadores. Por isso, os escravos modernos são herdeiros dos que foram libertados em 13 de maio de 1888.

Hoje, comemora-se os 120 anos da Lei Áurea, quando o Estado brasileiro passou a considerar ilegal o direito de propriedade de um ser humano sobre outro. Contudo, o ato da princesa Isabel não foi a causa do fim do regime escravista no país, mas o final (postergado, ao máximo) de um processo que começou com a proibição do tráfico negreiro entre a África e o Brasil. E contou com a instituição de garantias prévias para que os proprietários rurais tivessem mão-de-obra farta e à disposição mesmo após a assinatura que condenou o trabalho escravo à ilegalidade.

Para entender esse processo, portanto, é necessário voltar no tempo e recoorrer aos acontecimentos do início do século 19. Não apenas àqueles decorrentes da mudança da família real para o Brasil, mas também à expansão da Inglaterra industrial pelo mundo.

Para continuar lendo o texto (ele é longo, mas vale a pena), clique aqui.

Compartilhe:

Para alguns, nem sempre interessa o outro lado da notícia

A Ponte Octavio Frias de Oliveira, já carinhosamente apelidada de “Estilingão”, devido ao seu formato, foi inaugurada ontem em São Paulo. A Globo deu longa reportagem no Jornal Nacional, mostrando a trajetória do publisher da Folha da S. Paulo, que batiza a obra, morto no ano passado. Discursos de familiares, de políticos, exposição de carros antigos. Mas nada de falar do protesto que reuniu algumas dezenas de pessoas, que antecipei dois posts atrás.

Dava para ouvir os protestos ao fundo na matéria da Globo. Por isso mesmo era de se esperar que o jornalismo da emissora desse um espaço, por menor que fosse, ao “outro lado”, ouvisse o que gritavam os manifestantes. Mas nenhuma palavra foi gasta para falar disso, fazendo com que a reportagem parecesse com um release, um comunicado de assessoria de imprensa. Nesse caso, de José Serra e Gilberto Kassab, governos estadual e municipal, presentes à inauguração. Quem quis saber mais sobre o protesto, teve que buscar outras saídas, como a internet.

Em tempo: Moradores da região disseram que, com a inauguração, o trânsito da região voltou a ser o mesmo de antes da obra.

Compartilhe:

Um admirável ornitorrinco da exploração do trabalho

O governo de Pequim está encorajando empresas chinesas a comprarem terras em países da América do Sul e da África para garantir segurança alimentar para o seu povo, tendo em vista a possibilidade real de ser agravada a escassez de alimentos em um futuro não muito distante. Na verdade, querem garantir que o preço da comida não fique proibitivo.

Há, inclusive, a possibilidade deles enviarem trabalhadores chineses para atuar nesses empreedimentos, caso a idéia prospere.

Perguntar não ofende: será que eles vão exportar também as formas de tratamento desumano dispendido contra seus trabalhadores rurais? No ano passado, denúncias internacionais de trabalho escravo levaram a ações puramente piroténicas de Pequim para dar uma satisfação pública, mas que não tiveram nenhum resultado mais duradouro.

O Brasil rural já tem seus métodos de exploração grotesca do trabalhador, trazidos pelos portugueses, maturados na colônia, império e república, e exponenciados pelo capital ganancioso. Agora poderemos fundir com as técnicas chinesas de roubo da força de trabalho no campo. Seria ótimo! Teríamos um admirável ornitorrinco novo.

Compartilhe:

Ponte Octavio Frias representa o individualismo de São Paulo

Neste sábado (10), durante a inauguração da ponte Octavio Frias de Oliveira, sobre o rio Pinheiros, entidades sociais farão um ato paralelo, um protesto cultural contra a política urbana de exclusão social que essa obra simboliza. Segue o convite que está sendo distribuído.

São Paulo pra debaixo da ponte

Neste sábado, 10 de maio, a cultura do individualismo e da segregação será homenageada em São Paulo. O ato pela inauguração da ponte jornalista Octavio Frias de Oliveira representa o símbolo máximo da São Paulo higienista, especuladora, corrupta e voltada ao transporte individual.

O “Estilingão”, que mais do que uma ponte é um monumento, custou aproximadamente R$275 milhões. Esse dinheiro seria suficiente para construir 1000 quilômetros de ciclovias em São Paulo ou para fazer a ligação por trilhos entre o aeroporto de Congonhas e o metrô. Também poderia ser usado para manter faixas de pedestre pintadas em todas as esquinas da capital durante uma década, construir 100 quilômetros de corredores de ônibus, além de muitas praças e inúmeras habitações populares. Mas nada disso será feito.

Enquanto todos esses projetos para uma cidade mais humana são jogados pra debaixo da ponte, a inauguração do estilingão dá mais um passo mais rumo à consolidação de um mega-projeto urbanístico-financeiro, elaborado em parceria por especuladores imobiliários e poder público, com o objetivo de transferir o coração do capitalismo brasileiro para as margens do rio Pinheiros (e ganhar muito dinheiro com isso).

A conta, paga por todos os que não estão lucrando com isso, inclui a expulsão dos moradores das várias favelas da região (Jd. Edith, Real Parque, Jd. Panorama, Jd. Colombo, Paraisópolis), do povo que realmente construiu todos esses mega-empreendimentos, mas que jamais foram nem serão convidados para nenhuma das inaugurações.

No dia 10 de maio, enquanto as elites endinheiradas comemoram a criação de mais um “monumento” para a São Paulo, nós, que não fomos convidados para a festa, vamos ocupar o espaço da maneira que nossa cidade deve ser, com poesia na praça, bicicleta na rua e gente no centro.

O convite está sendo distribuído pela Favela Atitude, Coletivo Ecologia Urbana, Bicicletada, Coletivo Epidemia, Sarau do Binho, Expedición Donde Miras.

Compartilhe:

Caso Dorothy mantém licença para matar na Amazônia

Vitalmiro Bastos de Moura foi inocentado ontem, em Belém, de ter encomendado a morte da missionária Dorothy Stang, em fevereiro de 2005. A história ocupou o noticiário nacional e internacional durante um bom tempo, então não vou retomá-la. No primeiro julgamento, ele havia sido condenado, mas agora, devido a mudanças nos depoimentos de testemunhas, o juri o liberou por cinco votos a dois. Fogoió, o pistoleiro executor, desta vez, disse que fez tudo sozinho, da sua própria cabeça, ao contrário do que afirmou nos outros julgamentos. OK, faz de conta que eu acredito.

O promotor considerou um insulto post mortem contra Dorothy. Os movimentos sociais e pequenos agricultores presentes ficaram chocados. Deve haver recurso.

Enquanto isso, proprietários rurais ou grileiros que acreditam deterem o monopólio de violência em regiões em que o Estado é totalmente cooptado, subjulgado ou parceiro do poder econômico mantém sua licença para matar. Pois terão a certeza de que só peixe pequeno é condenado. Como é na maioria das vezes no Brasil.

Um lembrete: Vitalmiro Bastos de Moura continua na “lista suja” do trabalho escravo – cadastro oficial do governo federal que mostra quem cometeu esse crime em suas propriedades. Bancos públicos, algumas instituições financeiras privadas e empresas que assinaram o Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo evitam relacionamento com os listados. Bida foi flagrado com 20 escravos na fazenda Rio Verde, em Anapu (mesma cidade em que Dorothy foi morta), que desenvolve criação de bovinos. A fazenda foi desapropriada apenas no ano passado. Ou seja, tem gente que financiou as atividades ilícitas de Vitalmiro. Direta ou indiretamente. Mesmo após ele ter sido apontado como mandante.

Em tempo: falando em licença para matar, sabiam que apesar de milhares de fazendas já terem sido palco de libertações de escravos, não há um fazendeiro sequer que tenha sido julgado, condenado, preso e cumprido pena na cadeia por esse crime? Isso, apesar do Código Penal prever de dois a oito anos de reclusão.

Compartilhe:

A bizarra defesa dos arrozeiros na Raposa Serra do Sol

A desocupação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, instaurou um debate acalorado na sociedade. De um lado, os arrozeiros que invadiram a área indígena, anos atrás, quando já sabiam que aquela terra pertencia a terceiros. Do outro lado, povos indígenas que não querem nada além de seus direitos. Apoiando o primeiro grupo, temos políticos ligados ao agronegócio – que vêm nas reservas indígenas um entrave ao progresso [do lucro de proprietários rurais], alguns ministros de tribunais superiores (me pergunto quantas chances Marco Aurélio Mello perdeu de ficar quieto e não falar besteira), empresários gananciosos e jornalistas reacionários.

O debate está assumindo níveis de ignorância explícita. Já ouvi jornalistas afirmarem que se trata de uma “interdição” de uma área do tamanho de Sergipe para uma populaçao indígena de alguns milhares, comparando a situação com a de trabalhadores rurais sem-terra que esperam a reforma agrária. Primeiro, é um grande erro comparar culturas tão diferentes e tão díspares. Índios caçam e para isso precisam de uma grande área, enquanto nós podemos escolher nossos produtos industrializados e com conservantes nas prateleiras de qualquer supermercado. Isso sem falar das mudanças de roçado e nas suas áreas místicas. E não são as reservas indígenas o entrave da reforma agrária no Brasil. Sabemos que o problema está mais para a política do que a para a antropologia.

Não vemos a mesma indignação de jornalistas, juízes e políticos contra agricultores que possuem centenas de milhares de hectares de terra sob o nome de suas famílias. Há latifúndios do tamanho de países, com uma taxa ridicularmente baixa de produtividade e não cumprindo sua função social – prevista na Constituição.

Vale lembrar que os indígenas ajudaram o Brasil a ser o soberano daquelas terras, quando no início do século passado eles se disseram brasileiros durante a disputa com a Inglaterra/Guiana. Se reserva em área de fronteira fosse um risco para o país, o território Ianomami, de área bem maior, criado há tempos, já teria virado um país.

Ainda há os que acreditam que é necessário levar o índio brasileiro da idade das trevas da perdição para a luz de nossa sabedoria ocidental, chegando a ponto de sugerir a eles o “american way of life” como linha de comportamento. É uma questão de tempo até os valores ocidentais chegarem aos índios isolados – sim, eles ainda existem.

Podemos ficar sentados e esperar acontecer o que houve em outros lugares do Brasil, onde índios pedem esmolas na porta de bancos, em Rio Branco, ou se vestem especialmente para dançar para crianças da classe média alta de São Paulo. Ou podemos procurar soluções para que essa convivência seja a menos traumática possível, a fim de que sejam preservados sua cultura e, principalmente, sua dignidade.

Para isso é necessário que lhes seja garantido não só o direito de usar a sua própria terra, mas também apoio para encarar esse mundo novo que avança assustadoramente na velocidade de uma onça.
Na Região Norte, os imbecis cunharam a idéia de que índio é sinônimo de atraso no desenvolvimento. Há os que possuem o discurso ensaiado, como as empresas de extração mineral da Amazônia – que babam em cima de reservas indígenas ricas em ouro, diamantes e até urânio.

O conceito de desenvolvimento sustentável ainda é incipiente, para não falar quase inexistente em várias partes do Brasil. E é mais fácil ignorar o que se aprendeu com os erros do passado do que pegar um atalho para obter dinheiro fácil. Não é destruindo o ecossistema que o desemprego será solucionado. E depois, quando a madeira acabar também nas reservas, o que irá se fazer? Atravessar a fronteira e atacar a Bolívia? Bem, não se está muito longe disso, uma vez que guardas florestais do Parque Noel Kempf Mercado, uma reserva boliviana bem cuidada e estruturada, acusam brasileiros de roubar madeira.

O futuro do desenvolvimento sustentável passa por uma reformulação nos projetos para a região. Talvez seja a hora de repensar a pecuária e a monocultura.

Por conseguinte, disso depende o futuro de todos grupos indígenas não só de Roraima, mas de todo o país. Abandonados, desprezados, encurralados na terra que um dia já foi sua, como mostra matéria sobre o tema publicada recentemente na Repórter Brasil. Trocados por boi com o apoio e a conivência da sociedade civil. Ou servindo de atração circense nas grandes capitais.

Índios vem sendo mortos freqüentemente. Assim como árvores são transformadas em tábuas. E nunca ninguém precisará saber ao certo quem faz isso porque, na verdade, não estamos mesmo interessados. Que a vida siga como ela sempre foi: nós com nossas reservas intocadas sem gente, os estrangeiros com suas mesas de madeira maciça, carne em abundância e soja barata, os latifundiários com grandes pastos, políticos com férias em Angra e os trabalhadores com seus empregos efêmeros. Do que nos interessa a vida de um grupo de índios, empurrado de um lado para outro, cumprindo pena por ter subvertido a ordem nacional?

Compartilhe:

Amazônia, uma “road story” em construção

A construção de grandes rodovias para interligar a Amazônia aos grandes centros nacionais e aos portos e, de lá, para o mundo foi uma das principais políticas da ditadura militar para a região. Através delas, chegaram trabalhadores, máquinas e insumos para os empreendimentos e, é claro, a produção teve um meio de ser escoada.

Cada uma dessas estradas guarda uma história de destruição, morte e ilusões de desenvolvimento. O governo militar (e os do período democrático) venderam a idéia de que a Amazônia é um grande deserto verde a ser ocupado (lembra do lema “homens sem terra para uma terra sem homens”?), o que não condiz com a verdade – considerando que a região já era ocupada por povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, camponeses. As estradas passaram por cima deles, construídas de forma irracional sem preocupações com meio ambiente (que era visto como coisa de bicho-grilo na década de 70). Tanto que a floresta deu o troco e muitas estradas foram engolidas pela mata e pela terra, sendo intransitáveis em determinadas épocas do ano até hoje.

OK, tudo isso já conhecemos. O problema é que a história se repete e, nesse exato momento, o governo brasileiro está colocando em prática a revitalização dessas estradas. A intenção é colocá-las em condição de uso pleno nos próximos anos. A terraplanagem e o asfalto vão facilitar a vida de alguns contudo, ao mesmo tempo, vão possibilitar o aumento do desmatamento, a expulsão de comunidades tradicionais, a grilagem de terras, a mineração irregular, a biopirataria, o trabalho escravo, a prostituição infantil, a contaminação ambiental, a formação de centros urbanos precários, o desvio de recursos públicos. Além de conflitos pela terra entre grileiros, posseiros, camponeses, governos e grandes empresários, que certamente resultarão em mais mortes.

As principais estradas que estão na mira dessa expansão são: BR-163 (Cuiabá-Santarém), BR-319 (Porto Velho-Manaus), BR-230 (Transamazônica) e uma que não está nos mapas, mas é real: a Transiriri, que liga o Sudeste ao Sudoeste do Pará.

O número de trabalhadores rurais, camponeses, indígenas, posseiros, ambientalistas e religiosos vítimas de violência na Amazônia tem sido grande, do tamanho das possibilidades de ganhos vislumbrados pelo capital nacional e estrangeiro e pelos coronéis locais. Essas rodovias cruzam áreas de conflito ou que são consideradas de alto risco a esses grupos.

Nos últimos meses, o impasse sobre a concessão da licença ambiental para usinas hidrelétricas na Amazônia trouxe à tona a discussão sobre o impacto dos grandes projetos de infra-estrutura na região. As rodovias, personagens principais desta pauta, são, é claro, alguns dos melhores exemplos. Mas a ampliação da oferta de energia, necessária para o crescimento do país, através da construção de usinas são os projetos mais polêmicos por terem maior potencial de alteração das realidades social e ambiental locais. Algumas das rodovias, como a Porto Velho-Manaus e a Transamazônica, cruzam áreas em que serão construídas as principais hidrelétricas planejadas no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC).

A gente boa que mora por aquelas terras está sendo atropelada, sem nem ter tempo para anotar a placa do caminhão. Que pode ser de madeira, gado, arroz ou soja.

Compartilhe:

E o Palmeiras massacrou a Ponte Preta

Poooooooorco! – Ganhamos um Campeonato Paulista após 11 anos (seria 12 se não levássemos este). No princípio, achei que ia ser mais difícil, influenciado pelo bando de abutres que fizeram previsões catastrofistas ao longo da semana – ainda mais depois da nossa derrota acachapante para o Sport. Por mais que este time seja bem melhor que o de 1986, carrego sempre aquele trauma de decisão diante de time pequeno do interior criado pela Inter de Limeira.


As fotos não estão lá grande coisa e o texto também pois ambos foram feitos do celular no meio de uma turba verde e branca.

Depois de uma hora na fila (um sussurro de espera se comparado com os anos de jejum), conseguimos entrar no Parque Antarctica. O jogo já havia começado, mas deu para pegar os 2 a 0. Na nossa frente, na arquibancada, o grande Veloso, que deu alegria no gol do Palmeiras na década de 90, era ovacionado pela torcida. O cara merecia ser mais lembrado, mas o problema é que o maior goleiro da história do Palmeiras continua na ativa.

Atrás de nós, uma pré-adolescente só tinha três palavras em seu vocabulário estridente: “sai”, “vai” e “chuta”. Houve chutes, é claro, independente da gritaria. No segundo tempo, Valdívia lascou um golaço, limpando a zaga da Ponte Preta na intermediária, chutando direto, para a tristeza do goleiro Aranha e para calar a boca daqueles que dizem que ele amarelava em decisões. Os quase 28 mil torcedores (ok, faz de conta que eu acredito que só tinha isso de pagantes) ainda viram o time completar cinco antes da volta olímpica.

É apenas um Paulista, mas aguardem: este ano será verde.

PS: Nada pode ser perfeito. Durante o jogo, houve dois momentos de tensão com a polícia militar, que fazia a segurança do jogo: uma com a torcida da Ponte e outra com a do Palmeiras, no meio da Mancha Verde. A confusão maior se deu na saída, com torcedores que assistiram o jogo do lado de fora querendo entrar para comemorar. Por sorte, saímos antes de começarem a lançar pedras e paus na polícia. Mas a culpa não é só de um grupo de torcedores extremamente imbecis. A PM revidou com truculência indiscriminada, atingindo quem não tinha nada a ver com a história, como mulheres e crianças. Pelo o que fiquei sabendo no momento, o ambulatório do Palmeiras ficou cheio com o pessoal ferido na confusão.

Isso mostra que o clube precisa melhorar – e muito – sua estrutura para receber jogos importantes como esse no seu campo. E que a polícia de São Paulo continua tendo em suas fileiras gente despreparada para lidar com o povo.

Quanto ao Palmeiras, se ele quer ampliar o estádio e torná-lo apto a concorrer a uma das sedes da Copa de 2014 precisa mostrar, desde já, que consegue controlar sua arena.

Compartilhe:

Maradona, Pelé e dois ingressos contra a Macaca

Pelé pode ter jogado mais bola (não estou afirmando isso, apenas conjecturando), mas Maradona é, sem dúvida, uma biografia muito mais interessante. Uma vida de altos e baixos, mas intensa o suficiente para irritar aqueles que pregam a pasteurização do futebol e da vida. Ser comparado com o segundo é anos-luz melhor do que com o primeiro. Moralistas trazem essa comparação à tona para criticar Ronaldo devido ao imbrólio com os travestis. Eu, particularmente, considero um elogio e a certeza de que não sou um mala sem alça.

Me chamem de “porco” que eu morro feliz! Quando a possibilidade de assistir ao meu Palmeiras parecia perdida, devido à guerra campal em que se transformou a compra de ingressos do segundo jogo da final do Paulista contra a Macaca, eis que minha namorada me presenteou com dois ingressos para a arquibancada. Como ela, que é sãopaulina (ok, ninguém é perfeito), conseguiu, prefiro não saber. Mas estarei neste domingo no Templo do Futebol, vulgo Palestra Itália, para ver o fim do jejum. Ainda que seja com um magro paulistinha. Se, é claro, o espírito da Inter de Limeira de 1986 não encarnar na Ponte Preta.

Para quem reclamar que este não é o assunto deste blog, paciência. Sair da fila também é um direito fundamental do ser humano.

Compartilhe: