Blog do Sakamoto

Troféu Frango vai para Jair Bolsonaro

“O grande erro foi ter torturado e não matado.”

A frase é do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), dita após seminário no Clube Militar, no Rio de Janeiro, nesta quinta, contra manifestantes do Grupo Tortura Nunca Mais e da União Nacional dos Estudantes. Segundo ele, essa teria sido a melhor solução para evitar que, hoje, pessoas perseguidas pela ditadura peçam indenização ou reclamem a justa e correta abertura dos arquivos que contam o que aconteceu na época.

(Com isso, o deputado se mostra menos “humano” que o seu colega de partido Paulo Maluf, que outrora sugeriu aos criminosos “estupre, mas não não mate”. Ou que seu outro partidário Celso Russomano, que defende a redução da idade mínima para trabalho, possibilitando que crianças de 12 anos peguem no batente).

É claro que Bolsonaro (que era quase uma criança na época dos Anos de Chumbo, mas que defende a Gloriosa como se dela fosse pai e mãe) e o refugo militar da reserva (com a ajuda de alguns “estrelados” da ativa)querem que o direito à verdade e à memória permaneça enterrado em cova desconhecida junto com assassinados pela ditadura.

Fazem muito bem os ministros da Justiça (Tarso Genro) e dos Direitos Humanos (Paulo Vannuchi) defenderem publicamente o julgamento de torturadores e a revisão da Lei de Anistia. A Argentina está limpando suas feridas para que possam cicatrizar, passando por um doloroso mas necessário processo de lembrança, exposição, julgamento. O Brasil apenas tapa com gaze, achando que o tempo vai cuidar do resto. Não vai. Aquele refugo militar vai passar mas, se nada for feito, a mentalidade de que a vida humana é lixo continuará sendo passada de geração em geração. E torturar ainda será algo banal, seja em quartéis, seja em delegacias.

Quem não se lembra do senador Agripino Maia (DEM-RN) questionando o caráter de Dilma Roussef, em depoimento da ministra no Senado, por ela ter mentido diante de torturadores? Uma imbecilidade.

Criei o Troféu Frango para premiar bizarrices. Mas, se continuar assim, vou ter que mudar o nome do prêmio para Troféu Jair Bolsonaro – tamanha a quantidade de besteiras que diz o nobre deputado.

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Al Jazeera faz reportagem sobre o etanol brasileiro

A rede de TV Al Jazeera fez uma série de reportagens sobre o etanol brasileiro. Esta, abaixo, trata da questão do trabalho na cana-de-açúcar. No final, há uma declaração minha sobre a questão da superexploração dos bóias-frias. A Al Jazeera é uma emissora do Catar, país rico em petróleo.

Como não falo árabe, não tenho idéia se a dublagem que ganhei está correta ou não. A voz, pelo menos, é de locutor de rádio, melhor que a original.

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Abaixo-assinado pede que Supremo respeite povo indígena

Recomendo a todos que assinem este abaixo-assinado não só para garantir o direito das populações indígenas, mas também contra a paranóia militar e a xenofobia – cada vez maiores no Brasil. O original do texto abaixo está no site Repórter Brasil.

Organizações não governamentais como Greenpeace, Instituto Socioambiental e Centro de Trabalho Indigenista, além de importantes núcleos de estudo da temática indígena como o NHII, da Universidade de São Paulo, e o Nuti, do Museu Nacional, estão entre os apoiadores do abaixo-assinado on-line que pede ao Supremo Tribunal Federal (STF) o respeito à demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima.

A petição foi organizada pelo coletivo Makunaima Grita, formado por representantes de diversos segmentos da sociedade civil, e será entregue aos ministros do STF.

O tribunal deve votar em plenário (no próximo dia 27, segundo informação divulgada na última semana) ao menos uma das 33 ações que tramitam em questionamento à Raposa, terra indígena que envolve uma disputa de pelo menos três décadas entre os índios de diversas etnias que habitam a região e colonos brancos apoiados pelo Estado de Roraima, os chamados “arrozeiros”. O julgamento do Supremo deve servir de referência para demais processos. Pontos que colocam em xeque a demarcação contínua, em vez de “em ilhas”, são considerados perigosas fontes potenciais de jurisprudência para novas ações contra outras terras indígenas por todo o país.

O presidente Lula homologou a demarcação da reserva em 15 de abril de 2005. De lá para cá, a Funai conduziu negociações para a retirada dos não-indígenas que ocupavam parte da terra, indenizando e oferecendo novas áreas para os agricultores. Uma parte se recusou a sair e, em abril deste ano, a Polícia Federal enviou 150 agentes a Roraima para executar a retirada dos resistentes, que utilizaram táticas de guerrilha para enfrentar os policiais. Os conflitos levaram o STF a aceitar liminar que pedia a suspensão da operação de retirada. Dez índios chegaram a ser alvejados por pistoleiros, e o debate sobre Raposa ganhou destaque nacional, depois que o general Augusto Heleno, do Comando Militar da Amazônia, questionou publicamente a demarcação de terras indígenas em região de fronteira, considerando-as uma “ameaça à soberania nacional”.

Para assinar o abaixo-assinado, clique aqui.

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O robô Wall.e, a ignorância consumista e o futuro do planeta

“Wall.e” é uma animação produzida pela Disney e a Pixar que conta a história de um robozinho cuja missão é organizar o lixo em que se transformou o planeta devido ao consumismo desenfreado dos habitantes e à ganância de grandes corporações. No futuro, a Terra terá se transformado em um lixão impossível de sustentar vida e os seres humanos terão se mudado para uma nave espacial à espera de que os robôs limpem as coisas.

Não vou contar o resto para não estragar o filme que, na minha opinião, é a segunda melhor animação que vi no ano – em primeiro lugar está “Persépolis” sem sombra de dúvida.

Na cadeira do cinema, fiquei matutando que Wall.e seria um bom instrumento para discutir com os mais novos a diferença entre consumir para viver e viver para consumir. Mas, na saída, conversando com alguns amigos, veio uma preocupação: será que os produtores teriam a pachorra de vender quinquilharias sobre os personagens do filme. Da mesma forma que fazem em outros casos, indo na contramão da história contada na tela?

Vale ressaltar que os brinquedos inspirados em filmes têm vida curta – duram o suficiente até o próximo sucesso de bilheteria trazer novos bonecos. Ou seja, dentro de pouco tempo viram lixo de plástico e ferro.

Ontem, passando por um loja, vi meu pesadelo virar realidade quando me deparei com uma prateleira inteira de produtos do filme. A vendedora me mostrou um Wall.e que funciona à corda e canta e dança, um outro Wall.e para bebês (na verdade, para os pais dos bebês…) Explicou que a versão de controle remoto havia acabado, tamanha a procura.

Disso, abstraio que:

a) Há pessoas que viram o filme e não entenderam a mensagem
b) Há pessoas que viram o filme e não se importaram com a mensagem
c) Sabendo, de antemão, que há milhões de pessoas nos grupos “a” e “b”, as empresas se aproveitam e lucram em cima. Afinal de contas, já que a contradição é inerente ao capitalismo e à sociedade de consumo, por que ter pudores ao explorar isso?

Dessa forma, o futuro desenhado pelo filme deixa de ser fantasia e vai se tornando uma perigosa profecia autocumprida.

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Gosto amargo no café

Nota de hoje no jornal Folha de S.Paulo diz que a multinacional Illycaffè preparou e distribuiu aos cafeicultores um manual de metodologia de cultivo de café. O compêndio traria informações relevantes às técnicas sustentáveis na cafeicultura, que reduzem custos e garantem lucratividade, sem danos ao ambiente.

A nota não diz, mas fiquei curioso em saber se o manual também alerta para que fornecedores não utilizem mão-de-obra escrava em suas fazendas. No ano passado, foram detectados problemas na cadeia produtiva da Illycaffé mas, até agora, a empresa não aceitou dialogar com o comitê gestor do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo, que reúne empresas para atuar no combate a esse crime, apesar dos repetidos convites.

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