Novo plano contra a escravidão é lançado em Brasília
Demorou, mas saiu. Foi lançado ontem o 2º Plano Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo em evento no Ministério da Justiça, em Brasília. Elaborado pela Comissão Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae), conta com 66 ações para prevenir e punir esse crime. As metas estabelecidas têm como responsáveis diversos órgãos do governo, sociedade civil, setor empresarial e organizações internacionais.
Coube a mim a relatoria desse novo plano. Perguntaram-me se o considerava ideal. Não, longe disso. Mas ele é um importante avanço para o combate à exploração de seres humanos no Brasil, construído ao longo de um ano de discussão democrática entre os membros da comissão.
Este plano traz mais ações de prevenção – muitas das quais foram sugeridas pelos cerca de 200 representantes de organizações sociais, que se reuniram na cidade de Açailândia, Sul do Maranhão, em novembro de 2006, para discutir propostas para o combate ao trabalho escravo. Mas também ações de repressão econômica para responsabilizar quem lucra com esse crime e de enfrentamento à exploração de imigrantes latino-americanos, como os bolivianos que trabalham em oficinas de costura no Centro de São Paulo.
É claro que entre o papel e a ação temos um longo caminho pela frente. Prova disso é a dificuldade de aprovar a PEC 438/2001, que prevê o confisco de terras flagradas com escravos e que é posta para escanteio no Congresso pela bancada ruralista. A aprovação é uma das ações previstas no plano.
Mas é importante que exista esse compromisso público, para que possamos cobrar e ser cobrados pelas futuras gerações. Que, espero, não sofram da mesma forma que seus pais sofreram nos campos desse país.
