Blog do Sakamoto

O fim de uma era na esquerda brasileira

Já postei este texto no blog antes. A pedido de leitores, resgato-o novamente para dar um pequena contribuição à reflexão nesta virada do ano. Não só ele continua atual, como acho que estamos caminhando mesmo nessa direção.

Não sei se todos se deram conta, mas estamos vivendo tempos interessantes – para usar a expressão do professor Hobsbawn – no que diz respeito ao “ser” de esquerda no Brasil. Um período de mudanças em que um dos efeitos é a falta de entendimento entre grupos que, teoricamente, defendem o mesmo objetivo. A questão ambiental é um dos palcos principais dessa batalha, em que a razão tem sido morta e enterrada – principalmente pelo grupo que está no poder.

Tivemos três grandes ciclos da esquerda no país durante o século 20. Grosso modo, o primeiro deles, anarquista, foi fomentado pelos imigrantes europeus que vieram trabalhar na então nascente indústria paulista e difundiram seus ideais. O segundo, com os movimentos comunistas e socialistas, da intentona à resistência à ditadura militar dos anos de chumbo. O terceiro veio com o processo de redemocratização do país e a liberdade de organização civil e tem um forte tom partidário.

Ou seja, a esquerda durante o século 20 variou de acordo com a relação que firmava com o Estado. Do anarquismo, que não acreditava que ele fosse fundamental para o desenvolvimento da sociedade, passando pelo comunismo, que defendeu a necessidade de destruir o Estado para depois reconstruí-lo sob a direção do proletariado, até o “petismo” em que a esquerda acreditou que seria possível tomar o Estado dentro das regras do jogo da classe dominante, ou seja através da disputa político-eleitoral.

Veio o século 21 e uma das poucas certezas que tenho é que o paradigma do sistema político representantivo está em grave crise por não ter conseguido dar respostas satisfatórias à sociedade. Bem pelo contrário, apesar de ser uma importante arena de discussão, ele não foi capaz de alterar o status quo. Apenas lançou migalhas através de pequenas concessões, mantendo a estrutura da mesma maneira e a população sob controle. O Estado, assim como há 100 anos, continua servindo aos interesses de alguns privilegiados detentores dos meios de produção. E a maioria das disputas relevantes no seio do Estado são eminentemente intra-classe, no caso a elite.

Os atores desse terceiro ciclo da esquerda, que tem seu cerne no petismo, fracassaram em sua idéia original de mudar o Estado por dentro. Grande parte do PT (deixando claro que há notáveis exceções) adotou práticas que ele mesmo abominava. Bem, todos conhecem a história.

Onde está a força da esquerda hoje? Nos movimentos sociais e nos grupos de base. Ou seja, atores que dialogam com o Estado, mas que estão fora dele, atuando na transformação da sociedade pelo lado de fora. Creio que isso deve-se à desilusão com a política partidária tradicional, à incapacidade dessa velha esquerda em dar alternativas para os jovens e ao fortalecimento de grupos que nunca adentraram no sistema partidário por não acreditarem em sua natureza ou por serem dele alijados.

O mais importante grupo político hoje no país, concordando ou não com seu modus operandi, é o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que através da luta pela reforma agrária tenta alterar o modelo de desenvolvimento econômico. Ou seja, faz política.

E não é só a luta pela terra. A incapacidade do sistema representativo de gerar respostas satisfatórias levou também ao fortalecimento da luta da sociedade civil em outras frentes, como trabalho, comunicação, direitos humanos e meio ambiente. Ressalte-se, apenas, que sociedade civil não é a mesma coisa que organizações não-governamentais, pois, a despeito das ONGs comprometidas com mudanças estruturais, muitas delas são de ordem cosmética e apenas reforçam as condições atuais.

O interessante é que esse quarto ciclo de esquerda, dos movimentos e da sociedade civil organizada ou não, tem muito a ver com o primeiro, lá no início do século 20. Ao questionar o papel do Estado e agir por conta própria, adota nuances de anarquismo. Alguns podem falar que o que chamo de nuances de anarquismo seria, na verdade, um processo de aprofundamento do Estado mínimo em que o governo se exime de suas responsabilidades entregando ao mercado a gestão da sociedade.

Há de se ter cuidado com isso e não confundir programas como “Amigos da Escola” – que, na verdade, são mais daquelas migalhas que falei acima – de um processo sério de organização popular pela transformação da realidade social, econômica, cultural, política. Mas essa separação é fácil de ser feita, basta verificar quais são os impactos da ação de determinado grupo. Se elas não se encaixam em um panorama maior, de transformação real, e limitam-se à sua pontualidade, estamos falando de migalhas.

Por exemplo, ocupações de reitorias pelos estudantes, de terras improdutivas pelos sem-terra ou de prédios abandonados por sem-teto têm um objetivo muito maior do que apenas obter concessões de curto prazo. Elas não servem apenas para tapar as goteiras das salas de aula, desapropriar uma fazenda ou destinar um prédio aos sem-teto. Os problemas enfrentados pelos movimentos envolvidos nesses atos políticos não são pontuais, mas sim decorrência de um modelo de desenvolvimento que enquanto explora o trabalho, concentra a renda e favorece classes de abastados, deprecia a coisa pública (quando ela não se encaixa em seus interesses) ou a privatiza (quando ela se encaixa). Ou seja, as ocupações são uma disputa de poder feita simultaneamente em âmbito local e global que, no horizonte histórico, poderá resultar na manutenção da pilhagem econômica, social e cultural da grande maioria da sociedade ou levar à implantação de um novo modelo – mais humano e democrático.

O problema é que toda mudança leva a um enfrentamento. No caso da questão ambiental, por exemplo, há uma disputa sendo travada entre pessoas da velha e da nova esquerda via mídia. O discurso de que o desenvolvimento é a peça-chave para a conquista da soberania (o que concordo) e que, portanto deve ser obtido a todo o custo (o que discordo) tem sido usado por pessoas que foram comunistas, tornaram-se petistas e hoje fazem coro cego ao PAC do governo federal. Mantém viva a parte ruim do pensamento do genial Celso Furtado que, na prática, significa que é necessário sacrificar peões para ganhar o jogo.

Do outro lado, os movimentos sociais e ONGs sérias que atuam nesse campo defendem que o crescimento não pode ser um rolo compressor passando por cima de pessoas e do meio ambiente. Por suas ações, que impedem um laissez-faire generalizado, são taxados de entreguistas e de fazerem o jogo do capital internacional. Nos últimos tempos, presenciamos isso nas críticas levantadas contra o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), que ocupam hidrelétricas, ou nos impropérios lançados às comunidades que protestaram contra as obras de transposição de parte das águas do São Francisco.

É claro que os países do centro querem que nós arquemos com o ônus da preservação do planeta. O mercado de carbono, na prática, é isso: compra-se créditos de terceiros (que vão adotar práticas ou projetos que absorvam carbono da atmosfera) para que se possa poluir. Ao mesmo tempo que isso acontece, esses países se beneficiarão do alargamento da já grande distância de desenvolvimento entre o centro e a periferia.

Mas o atual modelo, gestado no seio do capitalismo, e em plena vigência no Brasil tem um potencial destruidor muito grande, além de ser extremamente concentrador. Ou seja, o resultado da pilhagem dos recursos naturais e do trabalho humano, mantendo o padrão adotado até aqui, continuará nas mãos de poucos, sejam eles brasileiros ou estrangeiros. Não faz sentido defender algo que também está nos afundando.

Como se resolve esse enfrentamento? Na minha opinião, não se resolve. O problema entre a velha e a nova esquerda está no contexto histórico em que seus atores foram formados. Não adianta mostrar fatos novos ou uma nova luz para a interpretação da realidade, há grupos que fecham e não abrem com o padrão de desenvolvimento forjado na ditadura – paradoxalmente a mesma ditadura que os torturou. A meu ver a solução se dará através de renovação geracional, ou seja, os mais antigos se retirando com a idade para dar lugar aos mais novos. É triste que seja assim, mas tendo em vista os últimos embates, não acredito em conciliação possível.

Tudo o que foi discorrido aqui, é claro, diz respeito à esquerda internamente. Agora, como diria o professor Garrincha, falta combinar com o inimigo. Porque a história mostra que apesar da esquerda ter capacidade de influenciar a realidade no país, ela não foi capaz de transformá-la. E a menos que algum dos novos ciclos traga respostas para romper com a estrutura atual, continuaremos vendo eles se repetirem nos fracassos. Para a alegria da direita.

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Comentários

24 Responses to “O fim de uma era na esquerda brasileira”

  1. Manoela A. disse:

    Boa, guri! é por aí mesmo.

  2. Tatiana Aoki disse:

    Concordo plenamente com suas ponderações e, de fato, 2009 será um ano em que a esquerda deve se unir e traçar planos concretos para não ser derrotada novamente…

  3. Caim disse:

    Saka, também concordo com sua bela reconstrução da história da esquerda no Brasil. Porém, como é comum em qualquer ferramenta informativa, você cometeu um deslize interpretativo. A terceira geração da “velha” esquerda não conseguiu romper com o “entreguismo” e o sistema político, tendo, como você bem escreveu, mudado a estratégia de operação, porque, no fim da conta, percebeu que é impossível transformar radicalmente as estruturas de uma sociedade, ou seja, REVOLUCIONAR, quando as raízes do entreguismo já atingiram o lençol freático. Ou seja, depois de Dutra, do JK, da Ditadura Militar e de FHC como cortar a raíz do entreguismo num país em que, até a classe média, apoia essa idéia.

  4. carlos disse:

    a esquerda nunca venceu em lugar nenhum do mundo. me digam um país livre comunista , EU DISSE LIVRE!!!.

  5. Excelente texto. Muito equilibrado nas idéias, mas soa como apelo.
    A esquerda não se une pois seus vetores não se cocentram num ponto específico. Diferente da direita, que em boa parte das vezes, independente do ‘modus operandi’ tem seu objetivo convergido para o ponto central que é o dinheiro. Este sim o poderoso ponto de ligação.
    O pensamento ‘PURO’ da esuqerda tem um fundo de bondade, divisão e equilíbrio. Conceitos fracos para o nosso nível de evolução centrada no egoísmo. A direita pensa na mola mestra da humanidade, e por isso conseguem se unir.
    Tudo que for bem intencionado mas gerido por um grupo de homens, onde o interesse final e a melhoria do ser humano, está fadado ao insucesso. Que quero dizer com isso…? Falar em ‘O PRÓXIMO’ sem dar nada em troca soa patético numa sociedade consumista.
    Acho que estudamos muito pouco a trajetória e história dos nórdicos. Como esse povo conseguiu chegar onde chegou, valorizando o ser humano???
    Pois é Sakamoto, por isso é que entendo seu belo texto como apelo à consciência humana. Esteja certo que enquanto nossa bárbara sociedade não encontrar um benefício em se preservar valores como ética, divisão, solidariedade, etc, ela sempre irá encarar a esquerda como um conjunto de boas intenções que não levam a lugar nenhum.
    Um grande abraço e Feliz Ano Novo
    Blog de Um Brasileiro

  6. Júlio Oliveira disse:

    Engraçado como é o mundo. Onde ainda existem os exploradores capitalistas, muitos reclamam mas parece sobrar um pouco de prosperidade para todos. Onde a esquerda venceu de forma completa, o povo ingrato parece não medir esforços para fugir do paraíso na Terra, pulando muro ou enfrentando tanques de mãos vazias ou se lançando ao mar em embarcações improvisadas.

  7. Cassi disse:

    Parabéns! Adorei o texto, é a primeira vez que leio um texto sobre a esquerda nacional e concordo plenamente. Vou sair por aí procurando suas publicações.

  8. Alvaro Conrado da Costa disse:

    e toda riqueza

  9. ari braga da luz disse:

    o único lugar onde a esquerda sempre esteve unida é atras das
    grades. planos do comunismo sempre deram errado em todos
    os lugares do mundo. o que me admira nos esquerdistas brasi-
    leiros é nunca explicarem porque não gostavam da ditadura bra-
    sileira e eram fãs da ditadura cubana, que hoje faz 50 anos e é
    uma imensa porcaria. aqui a esculhambação da esquerda é tão
    grande que tinhamos 2 partidos comunistas – pcb e pc do b – e
    nenhum deles tem qualquer serventia.

  10. simas disse:

    Olá!
    Gostei, Saka. Mto boa a colocação. Vc foi perfeito no parágrafo em q situa a decepção com a atual faceta de nanutençao do status da organização socio-produtiva… Só q o Caim (?) foi mais objetivo, apontando o caráter limitador e impossibilitador de mudança estrutural mais profunda.
    De qq forma, mto bom o q se leu, aqui. Parabéns!…
    Ah! Acho q o Caim matou com pau… risos.
    Feliz Ano Novo.

  11. FERD disse:

    O que é ser livre? Para os idiotas arautos do neoliberalismo e adoradores do Deus Mercado¨¨ , ser livre é apenas ser um fantoche acefálo da sociedade de consumo.

  12. Moisés disse:

    Eu acho que no trecho: “Por suas ações, que impedem um laissez-faire generalizado, são taxados de entreguistas”, no lugar do termo “entreguistas” cairia melhor o termo “obtusos” ou similar.
    Bom texto.

  13. Marcio disse:

    Ai, ai… Lá vem mais um esquerdopata sutilmente sugerindo uma ditadura: “uma das poucas certezas que tenho é que o paradigma do sistema político representantivo está em grave crise por não ter conseguido dar respostas satisfatórias à sociedade.”

    Humm, se o sistema político representativo não serve, imagino que uma ditadura do MST seja melhor, né?

    Se pretende novo, mas com ideias tão empoeiradas…..

    Em tempo: falta de satisfação para a sociedade? Vc é cego? A maior prosperidade dos povos desde o início da raça humana coincide com o capitalismo. Vai estudar e descubra quantas pessoas deixaram a linha da pobreza nos últimos 20 anos, mané.

  14. vicente firmino arruda disse:

    tentamos justificar de todas as maneiras, o ranso contra o periodo militar. Eu sou um jovem estudante em 1964, vivi a revolta de minha geração contra o regime. Não fui ativista porque minha familia precisava de meu trabalho, e lembrando o ruy barbosa A PATRIA É A FAMILIA AMPLIFICADA, voltei-me para ela e trabalhei, criei, provei que este país tem mão de obra para ser altamente produtivo, o que o Brasil não tem é Gerenciamento, os politicos não importa que sejam , neoliberais, comunistas, petistas, são iguais, não tem nenhum senso de patria, não tem objetivos. O pos revolução, é uma vergonha, infelizmente, se não fosse o regime militar, o Brasil estaria desfacelado, talvez tão ruim como outros sulamaricanos, os neoliberais durante oi anos pisaram no freio do país, petistas e comunistas, enganaram a todos, tinham apenas teorias de que o país era rico e que eles dariam pão e vinho e graças, dividindo as riquezas de quem tinha, quando assumiram descobriram que era uma tarefa muito maior do que as cabecinhas deles imaginavam, a prova é que seguiram a mesma politica dos neoliberais, fazendo um governo que esqueceu que um país precisa de infra-estrura para crescer, uma administração que se tornou incompettente até mesmo para aplicar o orçamento, estradas destruidas, apagão aereo, saude matando os doentes, educação dando diploma por cota, mesmo sem a devida instrução, formando incompetentes, mais tarde teremos apagões nas comunicações, aí sim os dados de bancos, empresas ed governo sendo destruidos. Vivemos uma orgia de enganação, é facil enganar o povo, é facil até mesmo levar um povo a auto-destruição, basta termo coragem de subir num palanque e ter garganta para se levar um povo a LOUCURA e isto a esquerda foi bem treinada durante o regime militar, só que os tempos mudaram, mas eles continuam com a mesma filosofia aprendida, foram treinados para dominar as massas e não para gerenciar, e não se governa sem gerenciamento, seja qual for o regime. O Brasil está precisando de um governo sem ideologia, que coloque a familia a patria acima de tudo, enganamos alguns por algum tempo, mas não engamos ninguem por todo o tempo. MST, MSTETO, MSNADA, estes movimentos se profissionalizaram em apenas criar situações, nenhum tem realmente objetivos, precisamos criar um sistema que pense no país, ou chegaremos ao ponto de perdermos até a soberania. Não existe futuro sem se cumprir a sequencia plantar e colher, o cidadão só senhor do seu lar quando ele trabalha para manter sua familia. Cesta basica, renda familiar é um sistema, para momentos de catastrofes e é sempre uma emergencia, um cidadao que se conforma e aceita viver disto é uma vergonha para seus filhos, nenhuma nação existe e propera, quando seus cidadões aceitam tão pouco. Concordo com sua colocações, mas a realidade é bem pior, a esquerda perdeu seus profetas pelo mundo afora e não sabe o que fazer de seu aprendizado, o neoliberalismo esta´no desespero entrando na pior crise financeira, sem daber como sair, talvez o bush tenha a receita e de para o obama, invadir a india ou china e criar um grande conflito, aí sim o que restar vai tentar sobreviver.

  15. Reinaldo disse:

    Ser de esquerda, é entender acima de tudo e sobre tudo, que politica só faz sentido, se for verdadeiramente feita pra pobre. Eu pessoalmente não preciso do estado, alias na maioria das vezes eu prefiro que o estado me esqueça. Seja quem estiver no poder, a minha vida muda mto pouco, ou seja, o cloro da piscina é o mesmo, a cerveja é exatamente a mesma etc, etc…..
    Agora, tem uma grd parte do mundo que precisa da politica. Vivemos hoje uma grd crise mundial, crise essa que não é nossa, e sim de uma direita ai sim falida. E o pior, é que estamos vendo trilhões e trilhões de dolares sendo jogados nos bolsos de banqueiros e empresarios irresponsaveis, tudo em nome do bem estar mundial, só que ai, ninguem chama isso de assistencialismo, usando adjetivações canalhas do tipo bolsa miséria ou bolsa esmola. Ou seja, salvar rico pode, agora pobre vira chacota…..
    Essa é a grd diferença entre esquerda e direita. Quanto as mudanças, é obvio, hoje vivemos uma disputa politica, onde todos os personagens são escalados pelo povo. Ja houve epoca em que eu só acreditava em luta armada, hoje cairia no ridiculo. Já na questão da corrupção, faz parte do meu sonho de democracia, discutir tudo, vou ficar mto preocupado, se no proximo governo, não se falar mais em corrupção, assim como foi no governo FHC, onde tivemos denuncias, sobre tudo na venda de nossas empresas.
    REPUBLICA DAS BANANAS, NUNCA MAIS! E isso é sim evolução……….

  16. Gisele disse:

    Acho um grande problema a propaganda anti-socialista. As pessoas tem medo do socialismo porque associam o modelo à ditadura e à supressão total do individualismo e da propriedade privada. Não entendem que o socialismo prega, fundamentalmente, a socialização dos MEIOS DE PRODUÇÃO, que não poderiam pertencer a uma pequena elite, como é atualmente, e poderiam ser geridas por cooperativas no modelo socialista. Dessa forma, por exemplo, o profissional liberal continuaria sendo dono do seu escritório ou consultório, do seu próprio apartamento e do seu carro, o comerciante continua sendo dono da sua loja, e os fazendeiros de pequenas e médias propriedades continuam sendo donos de suas terras. Isso é o que eu entendo por modelo de esquerda viável.

  17. Antonio Galvão disse:

    O que falta à esquerda, é a inteligência, por isto mesmo é-
    -a esquerda. Só consegue algo, pela força, pela violência,
    pelo conflito. É um cancro que está sendo abandonado
    pelos povos desenvolvidos. Quanto aos países latinos,
    ora, ora, ora… falta muito. -Poderia faltar menos, mas…

  18. Antonio Galvão disse:

    Ia “me esquecendo”. Os de esquerda, brasileiros, repudiam
    veementemente as ditaduras, mas aplaudem a de Cuba, de
    Fidel, que fuzilou seus conterrâneos e continua massacrando
    seu próprio povo.

  19. Elisabeth Toledo disse:

    Eu não entendo qdo se referem a Cuba como um país não livre.
    Cuba é livre dos EUA, porque não admite exploração sexual de suas mulheres(Cuba era o destino de turismo sexual preferido de 100% dos americanos) e nem exploração capitalista. Só porque lá não tem os produtos americanos, embargados pelo próprio em represália a sua forma de governo, quer dizer que não são livres? Acho que independente da forma de governo todo país deveria ter o direito de comercializar com todos, mas como não se permite exploração…

  20. gesiel disse:

    A falta de informação, ou falta de acesso à ela, talvez tenha sido, a parte fundamental para que a esquerda não tenha alcançado a sua forma plena em todo o Brasil. Os maiores meios de comunicação do Brasil, que sempre estiveram a serviço dos tiranos brasileiros, deveriam, juntamente com tudo aquilo que ficou, o que faça mensação a qualquer coisa dos tempos da ditadura, deveriam ser EXTINTOS; Por exemplo: COBRAR TODOS OS IMPOSTOS EM ATRASO DA REDE GLOBO, DA FOLHA DE SÃO PAULO, DO JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO e ETC, sob pena de FECHAMENTO; ABAIXAR AS ALTAS APOSENTADORIAS DESSES CARAS QUE GANHAM MAIS DE 200 SALARIOS MINIMOS, pois estes valores SÃO IMORAIS diante da realidade brasileira, e PRINCIPALMENTE, porque FORAM CONQUISTADOS A CUSTA DE SANGUE, DE PESSOAS QUE APENAS QUERIAM MOSTRAR A SUA OPINIÃO. Por fim a PROPRIA ESQUERDA, deveria informar melhor a população, e parar com esta BOBAGEM DE CAMPANHA ELEITORAL ETICA; Campanha eleitoral TEM QUE SER VERDADEIRA. A população precisa saber que FHC, foi APENAS FAZER TURISMO, QUE NUNCA FOI EXILADO POLITICO, VISTO QUE ELE É DE FAMILIA DE MILITARES, e QUE FEZ PARTE DE UM “ACORDO COM A FORD E A CIA”, conforme DENUNCIADO NOS DOIS LIVROS DOS AMERICANOS, onde ja estava PREVISTA A VENDA DO BRASIL, PARA OS ESTADOS UNIDOS. Também é PRECISO QUE SE FALE MAIS ÀS PESSOAS, sobre: ANTONIO CARLOS MAGALHÃES, PAULO MALUF, FERNANDO COLLOR DE MELLO, RONALDO CAIADO, JORGE BONHANSEN, ESPERIDIÃO AMIN e etc.

  21. JOAO BATISTA disse:

    A direita é unida porque o que a une é realmente o dinheiro e o querer de se manter no primeiro escalão do poder.
    A Esquerda deveria ter o objetivo de evitar sempre a direita e o neoliberalismo chegarem ao poder. Ai sim talvez conseguissimos uma esquerda unida. O maior inimigo da Esquerda é a direita e o neoliberalismo. Tenhamos isso sempre em mente para conseguirmos seguir unidos e em frente.

  22. Antonio Amaral disse:

    O texto é excelente tanto pelo conteúdo quanto pelo resultado de provocar uma discussão à cerca do papel das esquerdas no Brasil e no mundo.De todos os debates dos quais participei sobre esse tema, e a experiência, me levam à certeza de que o capitalismo não é definitivamente o caminho para a paz no mundo, e que as classes dominantes, em algum momento, de algum modo,entendam que a paz (principalmente delas) e a properidade universal está na educação e na distribuição de renda, e nesse sentido as esquerdas, em todo o mundo, em que pese os seus erros e acertos, cumprem um papel fundamental no equilíbrio de forças que tentam evitar, mesmo que mínimamente, a completa degradação da raça humana no nosso sofrido planeta. De minha parte sempre estarei cerrando fileira com as esquerdas, enquanto existir um só ser humano sobrevivendo das sobras que caem da mesa dos abastados.

  23. José Martins da Silva disse:

    Gostei bastante do texto, aliás procurava alguém que escrevesse sobre esta questão, pois me identifico com o que foi escrito, tenho pensado a respeito, mas sem eco, esse texto abre uma discussão importante para o futuro, bom que os esquerdistas de diversos matizes o lessem e refletissem, mas só os esquerdistas, a direita deve ficar de fora, não contribui em nada, a não ser escrever asneiras. Acredito que um encontro para discutir sobre este pensamento possa trazer luz a experiências novas.

  24. Sergio disse:

    Olá Sakamoto. Bom ano novo. Gostei do texto em si e o resultado dos comentários. Sempre me pergunto porque a esquerda não consegue ser unificada? A melhor abordagem para o problema que tenho é a origem de classe da maioria de seus dirigentes, todos pequeno burgueses com vícios de formação (autoritários, amantes inconscientes do poder, vaidade, etc.). Essa origem de classe dos dirigentes gera uma ausência crítica da prática partidária e do autoritarismo que impede a formação de uma consciência crítica dos militantes. John Holloway (Mudar o mundo sem tomar o poder, ed. Viramundo, Porto Alegre, 2003)caracterizou isso como uma fetichização das direções partidárias e autoritarismo das mesmas. Tocando na mesma questão, tem a Célia de Castro ( A Armadilha – Incorporação e exclusão na sociedade do trabalho. ed. Educam, Rio de Janeiro, 2000), com outras palavras, descrevendo a pós libertação de Moçambique organizada por uma frente de esquerda, que burocratiza as forças vivas da independência. Não perdi a esperança no surgimento duma nova direção para tarefa de reorganizar uma Nova Esquerda. De Paris vejo uma esqueda ecossocialista se organizando, tenho escutado gupos debatendo a validade da desobediência civil como método de combate ao consumismo. Como te chamas um comentarista acima, SaKa, já passou a perplexidade da queda do muro, agora a roda da fortuna de Darwin está girando e testes estão sendo feitos em milhares de regiões. Saudações.