Sobre os esqueletos guardados no Congresso Nacional
Brasília - Finalmente li a íntegra da entrevista do senador Jarbas Vanconcelos (PMDB-PE) à revista Veja. Com relação às denúncias de fisiologismo e corrupção de seu partido, disse o que todo mundo que acompanha a política nacional já sabe. Mas que, é claro, isso ganha um sabor diferente vindo de uma pessoa de dentro. Faltou só os nomes, que infelizmente o senador não disse (com exceção de Sarney), mas que todos conhecemos. A entrevista não tem cheiro de desabafo, ao contrário do que muitos fazem crer, mas sim de algo feito de olho em 2010. Apesar de negar, duvido que o ex-governador não aceitaria o convite para ser vice na chapa de José Serra à Presidência da República. Aliás, ele não perdeu a oportunidade de apontar que as suas esperanças estão com governador de São Paulo.
Gosto desses momentos de “rachão” no Congresso. É nessas horas que esqueletos guardados no armário podem reaparecer. Entrevistas assim deviam acontecer mais vezes, de ambos os lados. Pela “necessidade de governabilidade”, FHC colocou a Arena, digo, PFL, quer dizer, DEM, no centro do poder. O mesmo fez Lula, com o PMDB. O PT e o PSDB estão longe de serem vestais, mas certamente em questão de fisiologismo não se comparam aos seus dois parceiros, que alegram a vida dos mancheteiros de jornais.
Sei que não era a pauta, mas gostaria muito que o governador Jarbas Vasconcelos tivesse aproveitado a ocasião para explicar outra situação que nunca ficou bem esclarecida, um outro esqueleto que ficou esquecido no armário.
Em julho de 2007, o grupo móvel de fiscalização do governo federal libertou mais de mil pessoas da escravidão na fazenda e usina Pagrisa, em Ulianópolis, no Pará. Seria uma fiscalização de rotina se um grupo de senadores não tivesse pressionado pela criação de uma comissão externa para averiguar essa operação. Dois meses depois da operação, Romeu Tuma (DEM-SP), Flexa Ribeiro (PSDB-PA), Kátia Abreu (DEM-TO), Cícero Lucena (PSDB-PB) e Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) fizeram uma visita agendada à Pagrisa para verificar as condições de trabalho (OK, me dêem dois meses de antecedência que eu transformou Guantánamo em colônia de férias).
Eles anunciaram que iriam pedir a abertura de inquérito da Polícia Federal para verificar os procedimentos adotados pelo grupo móvel durante a autuação da Pagrisa. Segundo a Agência Senado, na época Kátia Abreu afirmou que a empresa era “muito bem administrada” e formava “uma comunidade de trabalhadores rurais”. O Ministérrio do Trabalho e Emprego havia apontado em relatório com fotos e documentos que as condições no corte da cana eram desumanas e que havia trabalhadores sem receber nada após descontos indevidos.
De acordo com o Diário do Pará, Jarbas Vasconcelos e Kátia Abreu sinalizaram durante a visita que poderiam propor mudanças na legislação sobre trabalho escravo. Em vista da insegurança institucional que se estabeleceu, o Ministério do Trabalho e Emprego decidiu suspender as fiscalizações de trabalho escravo por tempo indeterminado. Muitos auditores temiam por sua segurança, uma vez que o próprio Senado colocava em cheque esse trabalho. Vale lembrar que, três anos antes, quatro funcionários do ministério chacinados em 2004 ao realizaram uma fiscalização rural de rotina em Unaí.
Diante disso, o senador Jarbas Vasconcelos, presidente da Comissão, disse que o Senado “não pode intimidar-se por um chilique de uma Ruth da vida”. Ruth Vilela é a secretária nacional de inspeção do trabalho e uma das criadoras do sistema de combate ao trabalho escravo no país. “Se Ruth da vida quer ter um chilique e ameaça fazer greve, fazer isso ou aquilo, que faça. Porém, esta Casa não pode dobrar-se a esses caprichos”, emendou.
A sociedade civil nacional e internacional, mídia, parte do governo federal, alguns governos estaduais, parlamentares passaram a criticar pesadamente a ação desses senadores. Em outras palavras, o tiro saiu pela culatra. Não só a fiscalização acabou saindo fortalecida e respaldada como o caso ajudou a colocar novamente em pauta a PEC do Trabalho Escravo, que prevê o confisco das terras em que esse crime for encontrado (a sua aprovação, é claro, são outros quinhentos).
Creio que o senador Jarbas, que tem uma história pessoal de serviços prestados ao seu estado e ao país, entrou de gaiato nessa. Outros senadores envolvidos já eram conhecidos por contestar abertamente o sistema de combate ao trabalho escravo por achá-lo injusto com os latifundiários. Ou seja, eram diretamente envolvidos com o tema, mas não ele. Por isso nunca entendi porque entrou nessa. Mais um caso que só congressistas sabem, mas sobre o qual nunca falarão.
O trabalho da comissão acabou sendo finalizado. Jarbas acabou deixando a comissão e, procurado pela Repórter Brasil na época, para comentar a suspensão dos trabalhos, preferiu não se pronunciar.

Sempre se coloca na mídia que de fato o Ministério do Trabalho tenha encontrado “trabalho escravo” .
Duvido muito que possa se chamar escravidão alguns tipos de trabalho, sobretudo o corte de cana, a não ser na ótica de quem certamente não tem a menor noção do que seja trabalho que milhares de brasileiros executam no pais. No Estado de Mato Grosso, vi na televisão a “libertação” de catadores de raizes em uma lavoura que na visão da fiscalização estariam em condições sub humanas, trabalhando em uma fazenda sem água tratada, luz elétrica e em alojamentos precarios, isso à beira de uma rodovia a 27 km. da cidade de Sinop, que na visão dos fiscais era em uma fazenda de dificil acesso.Ora, quem conhece a região cemntro norte do Brasil, sabe muito bem que a maioria das cidades, que dirá as fazendas tem falta de desses confortos normais em cidades do centro sul e 27 km. é normal que sejam feitas a pé por muita gente inclusive alguns que são proprietários dessas mesmas fazendas, portanto deve-se avaliar com muito cuidado esses relatórios dos fiscais que talvez no afã para justificarem a razão de seus serviços exageram ou super valorizam seus serviços
Ciro, nem sempre o que é “normal” é legal. Sou de Sinop é a situação do trabalhador temporário aqui é precário. E quando se fala de trabalho escravo não está se falando de “confortos normais”, mas de condições desumanas. O proprietário pode caminhar 27km, a fazenda é dele mesmo. Façamos o seguinte: ele divide todas as condições de vida com o trabalhador, todas, e ninguém reclama.
Duvido que esses fazendeiros viadinhos aceitem.
Prezado Rodolfo, em primeiro lugar, respeito é algo primordial na blogosfera, você xingou uma classe de homens trabalhadores, que assumem todo o risco da operação comercial relacionada à agricultura.
Quanto ao comentário do Ciro, concordo que o Ministério do Trabalho exagera, supervaloriza os relatórios. Para um fiscal do trabalho sedentário, talvez 27 km seja uma caminhada desumana, ao sol do meio-dia realmente o é, água encanada e luz elétrica nem sempre dependem do proprietário, muitas vezes da empresa fornecedora dos serviços citados cobrir ou não a área, proceder as instalações, etc…
Aliás, vamos condenar boa parte das prefeituras por escravidão, visto que muitas cidades do nosso país tem povoados na mesmíssima situação…
Pelo visto o blog tem a audiencia dos “senhores de engenho” e/ou de seus defensores, simpatizantes, “arapongas” ou pessoas(?) do genero…
Nada justifica “empregar” seres humanos se os empregadores, prefeitura local ou o que quer que seja nao tem como fornecer cindicoes minimas aos trabalhadores.
27km de caminhada sao apenas a ponto do iceberg que um ambiente sem agua, luz, transporte, mas com muito tratamento desumano e cano de revolver e espingarda coagingo trabalhadores. Nada justifica a defesa de tais condicoes. NADA!
Eu trocaria o adjetivo viadinhos por covardes!!!
Nada justifica defender tais condicoes de trabalho. Afinal
Já que não há infra-estrutura nesses lugares para condições “mínimas” de trabalho, então é melhor não ter trabalho?
Que esse povo mude pra uma cidade grande onde exista infra-estrutura?
Que eles fiquem desempregrados e recebam bolsa-família?
Uma coisa é trabalho em condições insalubres (segurança do trabalho) e outra coisa é trabalho escravo. O último termo é ótimo pra quem é sensacionalista.
Ciro, muito bem! Eu tinha um garimpo em Rondônia e durmia no mesmo barraco dos meus peões. Comia da mesma comida. Bebia água de um pequeno regato sem tratamento algum.Esse pessoal do Ministério do Trabalho, geralmente, é alheio a nossa realidade econômica. Nas fazendas goianas do Vale do São Patrício, geralmente começadas no fim da década de 40, do século passado, os proprietários viviam do jeito da peãozada. É claro que existem desrespeitos aos direitos trabalhistas, mas generalizar, e pintar empresário com cores ruins, só faz atrapalhar o empreendodorismo.
Sim, J. Brasil, é claro! E você dividia seu lucro inteiro com “seus” peões? No finaldas contas quanto vc embolsou e quanto eles embolsaram?
Deixa de ser hipócrita e se enxerga, palhaço!
Senhores de engenho não, Anderson. Lacaios do capital.
Gente, esse pessoal é uma comédia! Vão andar a pé 27km debaixo do sol forte e depois cortar cana o dia inteiro e depois voltar a pé pra casa. Acho que deveriam contratar atletas de triathlon pra realizar o trabalho.
Gente, esse pessoal é uma comédia! Vão andar a pé 27km debaixo do sol forte e depois cortar cana o dia inteiro e depois voltar a pé pra casa. Acho que deveriam contratar aqueles atletas de triatlon
[...] Do Blog de Sakamoto [...]
Pra esses caras que fazem trabalhador andar 27Km a pé pra chegar numa lavoura e cortar cana o dia todo eu só digo o seguinte: quem não tem competência, que não se estabeleça. As leis trabalhistas existem para serem cumpridas, tem que ter registro em carteira, vale transporte, décimo terceiro e férias. Pra dizer o mínimo. Se não tem condição de cumprir a lei, simplesmente meu amigo, não se estabeleça! Tome vergonha na cara e arranje uma outra solução pra sua vida, pois empreendedor de verdade não sujeita um outro ser humano a condições degradantes.
Sakamoto sua matéria está de parabéns. É igual o blog do Nassif, me faz ter esperança no jornalismo. Só não tenho tanta certeza quanto a sua afirmação de que mais entrevistas dessas da Veja seriam necessárias, de ambos os lados. Acho que daí vira FlaxFlu. E a gente precisa de mais informação contextualizada, não de FlaxFlu. Abraços
Parabéns por mais este esqueleto.Mas trabalho escravo somos todos nos que trabalhamos 4 meses do ano sem nenhum retorno .Diz que existe separação dos poderes, mas quem escolhe os ministros do STF é o presidente , e o senado endossa. O TCU precisa enviar relatório ao Senado para este saber quais investigações estão sendo feita.É um controle por esses ” caras”.Ai começam os conchavos e no estado se repete a escolha do tribunal de contas pelo governador e deputados endossam e assim os poderes diz-se separados.Quando a coisa arrebenta , e político amarrou bem,tem alguem lá em cima para segurar a barra, e tricotar uma saida politica para os escravos continuarem pagando imposto(23 milhoes IRPF, q tb deve colaborar com trabalho no CNPJ) e o eleitores(125 milhões) continuarem endossando..Desequilíbrio geral!
Sakamoto:
No senado bem como na camara, politicos corretos, honestos são pouquissimos, a maioria está lá para defender os interesses de grupos privados poderosos, o jarbas vasconcelos amarelou, não teve coragem de enfrentar os poderosos, o que ele falou, até o mundo mineral sabe, a politica é feita de conchavos, a eleição da presidencia do senado, mostrou claramente como se ganha o jogo, quem mais oferecer cargos, benesses, será o vencedor, a população é que perde com esse tipo de politico, que só visa o bem estar dele, o sistema politico que temos, o presidente fica refem do congresso, se não fosse o instituto das medidas provisorias, o país estaria paralizados, há projetos de interesse do país, da população e dos trabalhadores que estão engavetados há quase 40 anos, o codigo civil, precisa ser atualizado urgentemente, mas os congressista não estão nem aí, o mes de fevereiro é um bom exemplo, não houve votação de nenhum projeto, porque eles simplesmente não trabalham, e ainda eles querem acabar com a emissão das medidas provisorias, se eles não trabalham, alguem tem que trabalhar, o país é que não pode ficar parado, principalmente neste momento de crise, a não ser que muitos queiram que o país quebre, como aconteceu no governo do fhc.
Mané! No negócio nós perdemos o equivalente a 5 quilos de ouro. Ou você acha que as coisas sempre terminam em lucro?
Esquerdinha problemático. Se toca.
Cara agressivo. Deve ser um grande patriota socialista.
“Deixa de ser hipócrita e se enxerga, palhaço”.