Como ganhar dinheiro vendendo gente
A revista História Viva que chegou esta semana às bancas traz um dossiê sobre a diáspora africana causada pelo tráfico de escravos durante mais de quatro séculos de intenso comércio transatlântico de gente. Organizado pelo jornalista José Chrispiniano e com textos de Emília Viotti da Costa, entre outros, vale a pena ser lido.
Pediram para eu escrever um texto sobre como esse tráfico mudou de roupa e continua nos dias hoje. Reproduzo-o aqui:
Migrar e trabalhar. Quando esses verbos se conjugam da pior forma possível, acontece, ainda hoje, o chamado tráfico de seres humanos. Um relatório da Organização Internacional do Trabalho, publicado em 2005, estima em cerca de 2,5 milhões o número de pessoas traficadas em todo o mundo, 43% para exploração sexual, 32% para exploração econômica e 25% para os dois ao mesmo tempo. No caso do tráfico para exploração econômica, a negociação de trabalhadores rende por ano cerca de US$ 32 bilhões no mundo.
O tráfico de pessoas para exploração econômica e sexual está relacionado ao modelo de desenvolvimento que o mundo adota. Esse modelo é baseado em um entendimento de competitividade que pressiona por uma redução constante nos custos do trabalho. Empregadores “flexibilizam” as leis e relações trabalhistas para lucrar e, ao mesmo tempo, atender aos consumidores, que exigem produtos mais e mais baratos. No passado, os escravos eram capturados por grupos inimigos e vendidos como mercadoria. Hoje, a pobreza que torna populações socialmente vulneráveis garante oferta de mão-de-obra para o tráfico – ao passo que a demanda por essa força de trabalho sustenta o comércio de pessoas. Esse ciclo atrai intermediários, como os “gatos” (contratadores que aliciam pessoas para ser exploradas em fazendas e carvoarias); os “coyotes” (especializados em transportar pessoas pela fronteira entre o México e os Estados Unidos) e outros “animais”, que lucram sobre os que buscam uma vida mais digna.
Muitas vezes é a iniciativa privada uma das principais geradoras do tráfico de pessoas e do trabalho escravo, ao forçar o deslocamento de homens, mulheres e crianças para reduzir custos e lucrar. Direta ou indiretamente. Na pecuária brasileira, na produção de cacau de Gana, nas tecelagens ou fábricas de tijolos do Paquistão, em olarias na China. Vale lembrar que a sistemática desregulamentação do mercado de trabalho facilita a ocorrência desses crimes.
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é incrivel como um ser humano pode ser cruel com o outro. Indiferença… doença grave e contagiosa.
Sakamoto! Belo texto. Curto e disse tudo.
As ONGs ambientalista proibiram o cultivo na África por causa dos leões, elefantes e formigas, o povo não tem produção e se submetem à escravidão. Viva as ONGs.
O texto eh objetivo e deixa a impressao que eh mais uma introducao do que um texto em si; mas uma coisa eu discordo: a sistematica desregulamentacao do mercado de trabalho nao traz isso; regras em excesso na verdade eh o que marginaliza e cria um modelo paralelo pra qualquer coisa: vide os impostos no Brasil que joga toda economia no preco “com nota” e sem, as leis trabalhistas ambiguas, ultrapassadas e surreais que empurram novos postos mais e mais para o emprego informal, etc. As regras tem que ser simples, claras, objetivas e o governo tem que ser agil e duro em sua aplicacao – pra tudo.
Forte abraco do hemisferio norte.
Rodrigo
“Excesso de leis trabalhistas ambíguas e ultrapassadas”…bem, vejamos o “excesso”: eu contratei uma empregada doméstica e em troca do seu trabalho (que não é pouco), tenho que pagar um salário, transporte, recolher o INSS, férias e 13º…o que há de tão ambíguo, complicado e surreal aqui? Talvez seja o conceito de trabalho livre e digno.
O mundo vai de mal a pior!
Baseado no comentário acima que acabo de ler (…as leis trabalhistas ambiguas, ultrapassadas e surreais …), creio que (na hipótese do bloggista ser um assalariado) esta pessoa que o escreveu esteja disposto a abdicar de todos os benefícios financeiros e econômicos que as leis trabalhistas disponibiniliza com fins de proteção social mínima.
Vejo muitas pessoas reclamarem do excesso de leis trabalhistas (geralmente estas pessoas estão muito bem empregadas), dizendo que estas leis atrapalham a criação de empregos e atrasa o crescimento do Brasil, penso então que deveremos voltar ao tempo da escravidão, ou melhor, ao período pós escravidão, onde ao “libertar” (na verdade dispensar) milhões de famílias negras sem a mínima indenização, condenamos milhões de pessoas à miséria.
Após “libertados”, os escravos negros que fizeram a riqueza dos capitalistas da época, ficaram sem casa, trabalho, comida…sem absolutamente nada…
No mínimo deveriam ter dado alguma terra (reforma agrária) para que eles pudessem tirar o sustento ou ao menos pudessem cair mortos. Isto não foi feito na época e por esta razão se iniciou o processo de favelização que temos até hoje.
Apesar da história nos mostrar todos os dias o resultado nefasto deste capitalismo selvagem, ainda hoje somos obrigados a ler estes comentários estes tipos de comentários insensíveis.
Falei e disse!!!
Sakamoto, não sei se você lê o que o pessoal fala em seu Blog, mas alguém deve ler, imagino.
Existe um documentario, bem longo até, feito pelas Tvs.Inglesa e Australiana, sobre o tráfico de escravos da Africa. Foram entrevistados (com legenda em portugues) pessoas ilustres da África, tais como, Ministros de Cultura, Historiadores, PHDs.em Sociologia de várias Universidades de todo o Continente, inclusive com entrevistas á Chefes Tribais antigos, quando ainda não havia a ultima divisão geográfica da região. Pois bem, o que me chamou atenção, foi o fato relatado de no século 18 havia uma tal de Miss. Daise, negra africana, unica em todo o planeta, e até hoje, com Salvo Conduto, para circular pelo mundo. Qual era a sua função? VENDER GENTE. Que era e é prática até hoje da cultura local. Ou seja, todos os países que fizeram seus pedidos, estavam rigorosamente, dentro da lei. Nunca , no seu tempo, foi cogitada qualquer tipo de comportamento racial. Simplesmente, era negócio, e feito pelos próprios Negros, vencedores de guerras etc., e até mesmo pais e mães que dispunham seus filhos para vender. Como na Índia, em alguns lugares, até hoje. A Cultura disso, ultrapassou séculos e a segregação é tipica dos negros, não dos brancos. É só ver na historia, que muitos brancos também foram escravizados.
Vender gente, é pratica da humanidade. É só olhar para nações inteiras, vendidas ou se vendendo a todo momento. É cruel, porém, incontestável.
Somos todos bárbaros e egoístas.
Em tempo.Sou afro descendente, e não cego do que testemunhei.
É uma barbaridade acontecer isso nos dias atuais, mas o que nós estamos fazendo para mudar esse quadro???
Olha, não costumo fazer comentários de notícias que leio, mas de qualquer forma o amigo acima (José Augusto Bernabé) disse uma grande verdade, que pouquíssimas pessoas sabem. Não era o branco o grande aliciador da escravidão, principalmente no Brasil, mas sim os próprios negros, vencedores de disputas tribais. Continuam fazendo coisas semelhantes até hoje.
Na história da humanidade, isto sempre ocorreu com frequencia, vencedores de guerra venderem os vencidos, como espólio.
Acontecia na Roma antiga (só haviam brancos sendo escravizados em sua grande maioria – gregos principalmente).
Hoje existe uma escravidão muito pior, a escravidão “remunerada”, ou vocês acham que trabalhar em uma empresa é coisa de pessoa livre?
Diga algo que os chefes não gostarem, falte por um motivo familiar, ou qualquer coisa do gênero para ver o que fazem com você…
Este tipo de coisa escraviza não somente o corpo, mas todo o resto…
As pessoas têm sua alma escravizada, pois acreditam que vivem em um mundo bom, e que principalmente “são livres!”
O resto dos males do mundo são apenas consequências desse modelo de sociedade que (lamentavelmente) adotamos.
Mas, caros leitores e, inclusive você, jornalista Sakamoto (não o conheço muito bem – leio pouco noticiário) eu me pergunto e pergunto a todos: o que estamos fazendo a respeito? Mas não me pergunto de forma totalmente indignada, mas até conformada, e um pouco feliz (já explico). Quando pergunto o que estamos fazendo para mudar isso, me refiro antes de mais nada, a mudar a cabeça das pessoas que somente pensam em futebol (que é uma doença degenerativa do sistema nervoso central – desvia o foco de qualquer realidade nua e crua – não tenho nada contra o futebol, mas somente quanto aos seus efeitos nocivos). Uma mudança de mentalidade, onde não haja religião dizendo o que é certo ou errado, ou vendendo imagem de pessoas que foram “agraciadas por Deus” com um carro Zero KM por que foram e frequentam uma Igreja U…..(!), e acham que o único modelo de vida digna que está correto e o de ter, (ter coisas novas e as melhores) e esquecem do ser (ser livre).
Um pensamento em que eu não tenha que pertencer a qualquer organização existente para “estar no time”, não tenha que ser torcedor para ser correto, não tenha que ser católico para ser santo, não tenha que ser empregado assalariado para ser digno, não tenha que ser bonito para ser amado, não tenha que ser bonzinho para ser atendido, não tenha que ser inteligente para ser respeitado, mas… simplesmente possa ser (ser o que quiser) e ser respeitado por isso.
Quando não existe esse respeito, surgem todos os outros problemas (inclusive a escravidão, pois não respeitam sua liberdade), a miséria (pois não respeitam suas necessidades – afinal de contas as empresas tem que lucrar para encher os bolsos de seus acionistas, pois eles também são consumidores e tem que comprar, pois são escravos (também) do sistema.
Mas não coloco culpa no capitalismo (ele até é bom, pois incentiva as pessoas a se superarem) mas a culpa é do próprio homem, que cria sistemas como esse, somente para ganhar mais.
Mas isso não faz do comunismo ou socialismo coisas melhores, pois eles somente são ideologias, mas nada prático (não existe nenhum país atual que o tenha adotado que viva feliz, pois a China é uma grande mentira).
Os grandes heróis do passado (URSS) já morreram. Não eram bonzinhos, mas eram heróis pois ainda conseguiam conter um pouco os EUA.
Agora, eles quase fazem o que querem. Inclusive, ESCRAVIZAR!
(peço desculpas por minha eloquencia barata)
Ah, me desculpe por escrever novamente, mas esqueci de explicar por que fico contente com tudo isso: é que somente existem pessoas que brilham porque as outras todas estão ofuscadas (sem entrar no mérito da questão mérito). Se todas fossem iguais, o mundo não teria graça, e quem iria divertir-se? Afinal, as estrelas so conseguem aparecer pois o céu está negro, mas de dia ninguém consegue vê-las. Isso não quer dizer que elas não estejam lá…
Excelêntes, os comentártios de José Augusto Bernabé e Rodolfo.
Atualmente existe um comércio de mão de obra escrava, na China. O estado chinês emprega como massa de manobra 700 milhões de pessoas. Esses escravos nada custaram à China. No século XIX quanto custava um escravo ? 50 libras esterlinas ou mais ? Alguém pode fazer a conversão para os dias de hoje ? Chegamos a um valor fabuloso, dificil de entender. O agravante é que o Occidente aceitou e ajudou o desarrolho econômico chinês e ao mesmo tempo brecou a evolução de América Latina. Nós tinhamos condições melhores e fomos sabotados de muitas formas. Na China criaram um monstruo, que agora domina o mundo em forma terrível, eliminando postos de trabalho. Com a crise, o efeito será muito pior. O mundo esqueceu que, depois da guerra, os “aliados” foram exigir da Suíça, Suécia, Portugal e da Espanha um monte de dinheiro que ganharam no comércio neutro, com a acusação que uma parte era originado em lucro auferido por trabalho forçado em paises ocupados por Alemanha.
Humberto, deixa de ser idio ta cara…desde quando ONG proíbe alguma coisa? Vai estudar primeiro antes de sair falando bobagem!!!
E os dekasseguis, também não se enquadariam neste modêlo?
O tráfico de escravas brancas para a Europa também é ilegal
mas muitas nem percebem, isto é, para aquélas que mesmo
sendo escravizadas conseguem ajuntar algum dinheiro.
É verdade que os negros escravizavam os negros. A verdade que não aparece é que o dedinho dos brancos sempre esteve presente para fomentar propositalmente o divisionismo por diversos e escusos interesses. Até hoje o branco esta presente na África para complicar no que for possível a já difícil relação tribal entre estes povos. O sistema nasceu escravocrata e continua, é mais valia sobre mais valia.
grande sakada SAKAMOTO.
A Mateia é de 1a. qualidade.
e sua coluna nos leva a refletir, que nada mais nos assusta, quando se trata das atittudes humanas.
parábens.
A grande realidade destas histórias tristes e macabras, tem seus reflexos no passado das civilisações do mundo, quando toda mão de obra era escrava, na bíblia no antigo testamento cita que em várias oportunidades o povo hebreu foi escravizado por seus conquistadores, no antigo egito toda estrutura monumental que ainda desafia a atual engenharia, foram construidas segundo se supõe por mãos escravas, no perido ramano os escravos tiveram uma forte presença em suas culturas, na era medieval não foi diferente, no período feudal também. No brasil em nossa colonizaçaõ a riqueza de muitos senhores de cafezais engenho de canas na produção de açucar, estavam garantida as custas de importação de negros da africa, até índios foram escravizados aqui em nossa terra, é um grande engano e enorme equívoco, imaginar que a escravidão acabou no mundo
e no BRASIL, os senhores do mundo jamais abririam suas mãos
ao lucro fácil e abundante, principalmente nos sistemas capitalistas, tudo é uma grande farça, uma maquiagem mal feita de leis mal elaboradas capengas e de total desinteresse da maioria dos empresários, que só visão lucros fácies e fartos, a CLT em nosso pais é fajuta e esta esfacelada, os sindicatos somente querem o dinheiro de seus contribuintes, ainda samos escravos urbanos mendingando empregos, samos pessimamente remunerados, salário mínimo é uam punição para os chefes de família, mais ainda podemos considerar como privilegiados diante dos absurdos que se vê por ai em termos da mais pura escravidão, a humanidade não se desabituou dos conceitos escravagistas, e dos lucros fáceis até os dias de hoje.
li quase todos e cheguei a conclusão que estamos todos fudidos.
Alguns missivistas entenderam a mensagem. Ponto para eles. Alguns, parte. Meio ponto para estes e incentivos à que procurem, através da leitura e da reflexão daquilo que leem e se possível discussão acerca do tema, melhorar o grau de atino ao que lhes rodeia, que lhes proporcionará mais conhecimento. Outros, ai Meu Deus! atacam o texto já com uma idéia preconcebida do que talvez o texto venha a dizer; não leem o que está escrito; fazem observações absurdas e por fim, em nada contribuem para o aprofundamento do tema. Argh!
No mundo da atualidade o ser humano so se preocupa com si mesmo, apesar de ser um absurdo. Nós não só podemos como devemos mudar um pouco essa históri.Às vezes um simples gesto de carinho nós ajudamos a quem prcisa.
Ah em pensar tambem nessas leis que naum serve pra nada!
Só Deus pra ter misericórdia . bj
Tem comentarista aqui dizendo que o capitalismo é responsavel pela escravidao atual?devem ignorar o que se passa na corea do norte ,cuba,no comboja onde um comunista amiguinho expulsou milhoes de pessoas para os campos onde grande parte morreu de frio e fome,e voces veem o capitalismo como responsavel?tomara eu que o Brasil fosse um pais capitalista o que nao é.
Engraçado!
Só sabe o que é escravidão negra quem carrega na pele a cor africana!
Os brancos latem a vontade a respeito do que foi e è a escravidão dos negros trazidos pro Brasil.
Falar é facil,quero ver viver na pele!
Até hoje os negros são super discriminados no Brasil seja ele diplomado ou não!
Junto com esse costume hoje vemos a escravidão branca.
Os nordestinos que vem pra o sudeste são escravos brancos.(coitados)
Não tem Deus que de jeito nesses preconceitos malditos que tem o ser humano,Tenho nojo de racismo!
Nem o Diabo gosta!
Se vcs soubessem que foram e são os maiores escravagistas so Ocidente ficariam supresos…
Prefiro nem comentar para, eu não ser acusado de ‘racismo’…
SRA irma
Se até nosso presidente se mostra o maior raçista .Alem do mais hoje nao se luta pela igualdade racial,e sim pela super proteçao a raça negra.