Blog do Sakamoto

Bancos que financiam o desmatamento vão se dar mal

Os bancos que se cuidem. O Ministério Público Federal anunciou que deve fazer com as instituições financeiras o mesmo que fez com indústrias e varejistas que comercializam produtos oriundos do desmatamento da Amazônia no Pará. Ou seja, quem conceder crédito a fazendas, mineradoras, hidrelétricas e outros empreendimentos envolvidos em crimes ambientais vai enfrentar ações na Justiça seguindo o mesmo modelo que a cadeia da pecuária bovina está enfrentando. Conversei com representantes de bancos em São Paulo. Disseram que, com isso, terão que correr atrás do prejuízo.

Com base em um rastreamento de cadeias produtivas realizado em parceria com o Ibama, o MPF-PA iniciou duas dezenas de processos judiciais contra fazendas e frigoríficos, pedindo o pagamento de R$ 2,1 bilhões em indenizações por danos ambientais, no final de maio. Dezenas de empresas que compraram subprodutos desses frigoríficos receberam notificações em que foram informadas que haviam adquirido insumos obtidos através do desmatamento ilegal da Amazônia. A partir da notificação, deveriam parar de comprar desses fazendeiros e frigoríficos ou passariam à condição de co-responsáveis pelos danos ambientais. O mesmo ocorrerá com os bancos.

Com isso, no início de julho, frigoríficos e o governo do Pará assinaram termos de ajustamento de conduta com o Ministério Público Federal (MPF) que prevêem a moratória total do desmatamento, o reflorestamento de áreas degradadas e o licenciamento ambiental. Também irão informar a origem da carne aos consumidores e ao MPF, que vai verificar a existência de trabalho escravo, crimes ambientais e grilagem entre os fornecedores. As empresas que receberam recomendações para suspender contratos de comercialização com os frigoríficos, como os varejistas, poderiam retomar os negócios com a carne do Pará após esses TACs.

Alguns especialistas que lidam com esse problema no dia-a-dia acham mais fácil os bancos públicos federais e alguns bancos privados adotarem, na prática, regras mais rígidas para concessão de crédito do que o BNDES – que tem funcionado como um último refúgio de quem atua de forma ilegal na Amazônia. A ver.

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Comentários

20 Responses to “Bancos que financiam o desmatamento vão se dar mal”

  1. Cristiane S Carvalho disse:

    “os varejistas, poderiam retomar os negócios com a carne do Pará após esses TACs.”

    Leonardo, a simples assinatura desse termo é garantia do fim das ações ilegais?

    Qto aos bancos: “O que é roubar um banco comparado a fundar um?” . Não interessa a eles o que vc vai fazer com o dinheiro, contanto que vc lhes pague os juros devidos.

  2. vander disse:

    Sakamoto, aprenda uma coisa: banco nunca sai perdendo.
    Nunca vi banco se dar mal.

  3. Rubens Gonçalves disse:

    Cristiane, eu concordo. Mas a verdade é que isso foi um grande avanço. E os mercados e os procuradores estão de olho, a sociedade também. Sou do Pará e sei o quanto é importante ter gente dedicada como o MPF-PA, se não fossem esses termos de ajuste frigoríficos como Bertin estariam fazendo o que querem. ë claro que precisa de vigilância. Depende de nós também.

  4. Hiroyto disse:

    O fato é que essas medidas não vão impedir o desmatamento da Amazonia . Enquanto tiver comprador na Europa , Estados Unidos e Japão interessados no mogno e na madeira de lei da Amazonia , não haverá queda no desmatamento . Estatística é balela pra Ingles ver. Monitoramento idem. Relataliamento é coisa boba. É como a droga . Os EUA mandam armamento, exercito, para a Colombia . Aih então a cotação do opio no mercado negro sobe e o Afeganistão e Usberquistão , começam a vender mais opio . Ninguém segura . Enquanto não existir uma política para que não se compre droga não vai adiantar mandar exercito, armas e tudo o mais. Assim também é para a floresta Amazonia. O resto é balela e conversa fiada . Se não acabar com a compra de madeira da Amazonia , esta área vai virar um deserto . Um desertão. É possivel daqui a 50 anos o Oriente Médio estar coberto de floresta e a Amazonia um deserto sem nenhuma árvore .

  5. Cristiane S Carvalho disse:

    Rubens, minha pergunta não foi retórica. Eu realmente queria saber se existia algum tipo de garantia além da simples assinatura do tal termo.

    Obrigada pela resposta!

  6. Pelajo disse:

    Eu quero o meu em espécie.

  7. Edjan Carlos disse:

    Leonardo favor me adiocionar quero muito falar com vc
    meu msn é edjancarlos@hotmail.com
    São Miguel do Guamá -pa

  8. Judite Marques N. disse:

    “Alguns especialistas que lidam com esse problema no dia-a-dia acham mais fácil os bancos públicos federais e alguns bancos privados adotarem, na prática, regras mais rígidas para concessão de crédito do que o BNDES – que tem funcionado como um último refúgio de quem atua de forma ilegal na Amazônia”

    E esse é o orgulho da nação!

  9. Fido Dido disse:

    Esses procuradores deve estar com a cabeça a prêmio!

  10. Araci Vieira Rodrigues disse:

    Sou secretário de meio ambiente , de Rio do Prado/MG no vale Jequitinhonha, defensora única do meio, gostaria que os MPde MG, acordasse.
    Gostaria de receber email do Leonardo Sakamoto.

  11. Ciro Lauschner disse:

    O Ministério Público do Pará está ajuizando fazendeiros e frigoríficos no valor de 2.1 bilhão de reais, cinco anos de arrecadação do Amapa ou 6 de Roraima, 8 meses tudo o que o Pará arrecada como receita. Alguém acha que isso tem alguma seriedade?Iu que alguém vai pagar uma multa dessas?
    Isso me parece mais uma fanfarronice das do estilo do Minc, feita por um órgão que ainda é considerado sério, não me parece o caso do MP do Pará.

  12. fui ler como faço todos os dias, o MP estár colocando a cabeça a premio. dar-lhe SAKA

  13. Zé Brasil disse:

    Sakamoto, esse papo já está batido, você tá querendo é IBOPE.

  14. Zé Brasil disse:

    As ONGs são uma forma de governança indireta internacional, acionando o Ministério Público. Os gringos espertos, anglo-saxões, descobriram uma maneira de governar sem invadir militarmente, manipulando os ingênuos através de ONGs, acionando o Ministério Público. Até FHC disse que as ONGs são Organizações Neo Governamentais.

  15. Zé Brasil disse:

    Pré-sal amazônico
    O agronegócio corresponde por 35% do Produto Interno Bruto do Brasil. As reservas em dólar do Brasil foram formadas basicamente pelo agronegócio que exporta muito e importa pouco, ao contrário da indústria que importa muito e não sobra quase nada para as reservas. A agricultura brasileira produz onde, nas nuvens? R: no solo, que teve que retirar árvores e produzir alimento. A amazonia não deve ficar fora do desenvolvimento nacional. A exploração, o desbravamento e consequentemente a integração da amazônia à economia do país é mais importante do que o pré-sal. Uma amazônia produzindo e integrada ao agronegócio, renderá muito mais ao Brasil do que o pré-sal. É falta de patriotismo, é burrice, é crime de lesa-pátria isolar a amazônia do progresso brasileiro. Uma amazônia produzindo, integrada à economia nacional, renderá riquezas equivalentes a centenas de pré-sal, o que é melhor, não acaba nunca, é riqueza sustentável.

  16. Zé Brasil disse:

    Com o desbravamento e povoamento da amazônia haverá menos pressão e cobiça dos estrangeiros, principalmente ingleses e norte-americanos pela região. Acho que deveríamos dividir os Estados do Amazonas e Pará em mais 4 Estados e construir novas capitais para esses Estados. Haveria um Boom de progresso, abertura de novas estradas, povoamento, civilização.
    O Brasil se tornaria uma GRANDE POTÊNCIA, dominando os mercados mundial das comodities agrícolas, seríamos os maiores produtores mundial de soja, carne, cana-de-açucar, dendê, milho, trigo, algodão, SERÍAMOS REALMENTE O CELEIRO DO MUNDO, somente com a região amazônica desbravada seríamos o celeiro do mundo, por isso os países europeus e EUA, por terem uma agricultura deficiente e subsidiada, mandam um exército de ONGs para impedir que o Brasil domine o mercado.
    A ONU já está prevendo de dentro de alguns anos haverá 40 milhões de famintos no mundo, somente cultivando a amazônia haverá comida para essas pessoas.

  17. Zé Brasil disse:

    PA emPACado – esse filme já vi
    Está no site Alerta em Rede – http://www.alerta.inf.br – 24/abr/2002 (AER) ONGs, ambientalistas e integrantes do Ministério Público e do Judiciário foram alvo de duras críticas do presidente Fernando Henrique Cardoso por imporem “obstáculos excessivos” à realização de obras necessárias ao país, como a construção de hidrelétricas. As críticas foram feitas durante a cerimônia de assinatura dos contratos de concessão de nove hidrelétricas leiloadas no ano passado e o presidente previu, inclusive, obstáculos para a construção da hidrelétrica de Belo Monte, cuja licitação prometeu fazer ainda em seu governo, mas fez um apelo para a construção da usina: “Que nos obriguem a cumprir à risca a legislação ambiental, mas não paralisem o país. O país tem fome de energia e fome de crescimento”.
    Adiante, ele acrescentou que as necessidades da população não podem ficar em segundo plano: “Às vezes, há quase birra para evitar que obras possam prosseguir. Eu sou um ambientalista, sou totalmente favorável ao respeito ao meio ambiente. Mas é preciso que haja também respeito às necessidades do povo brasileiro”.
    Segundo o presidente, os mesmos que reclamam do governo, cobrando ações mais ágeis e enfáticas para a criação de empregos, não permitem que as obras prossigam. “É simplesmente uma questão de empurra para cá e empurra para lá. Vai um procurador aqui, um juiz ali, uma ONG acolá. Nós temos liberdade para isso mesmo. Mas chega um momento que a gente diz: meu Deus, como é que querem que esse país alimente seus filhos, dê trabalho a seus filhos!”, desabafou.
    Convém recordar que o presidente Fernando Henrique, em seu primeiro mandato, também criticou os mesmo obstáculos interpostos à construção de obras de infra-estrutura, chamando-os de “indústria de liminares”. Espera-se que, desta vez, ele “destranque a pauta” e transforme seu discurso em ações concretas de governo.

  18. Sergio disse:

    Sakamoto, os bancos sempre irão comprar as autoridades, que sempre estarão dispostos a fazer um bom preço. Só há um método de acabar com o poder dos bancos, não emprestar dinheiro para eles usurparem, para tanto retire tudo que recebeu, numa unica vez, pague todas suas contas, e o que sobrou, invista em bem estar e retorno financeiro(solar, eólica, GNV, alimentos organicos, diversão), Não entre no capitalismo , entre para a reciclagem , compostagem, e use materiais descartados nas construções privilegiando a casa saudável ( captação da agua da chuva, energia solar e eólica, produza sua própria energia, se possível plante seu próprio alimento, e até seu combustivel, utilize mais a bicicleta e ande a pé), Elimine contas de luz, agua e telefone( voip). Produzindo sua própria energia vc poderá usá-la para produção de vestuário e alimentos, reduzindo custo e gerando renda, use fogão a lenha ( ou briquetes), aproveite oleo de cozinha para ser usado em geração de eletricidade ou fabricação de sabão, se não quiser um carro, use cavalo e charrete ou carroça, agindo desta forma estamos independentes e eliminamos o poder das mãos dos capitalistas, caso contrário continuaremos eternos dependentes, chorões e reclamadores de plantão, reclamamos dos bancos, mas não saímos de lá, pegando dinheiro emprestado ou deixando algum para eles explorarem, reclamando sempre do diferencial entre o juros pagos e os juros recebidos. Continuaremos também respirando ar poluído com diesel a 2000 ppm vendido pela estatal brasileira, enquanto isto, metem a mão no nosso bolso cobrando cide, e agora inspeção veicular, por outro lado nosso diesel… e aí vai a lista de reclamações é enorme e quem são os culpados? Governo e consumidores nesta eterna simbiose.

  19. Sergio disse:

    Soluções há, apenas não a querem aplicar antes de explorarem o que dá lucro e concentra renda na mão deles. Para que produzir carro elétrico e mdi se temos petróleo para explorar, para que colocarmos energia solar em todas as residencias brasileiras se podemos multiplicar nossos lucros com as contas de luz que fluem todos os meses para as mãos da americana AES, para que tratar dos esgotos se podemos duplicar as contas de água sob a forma de cobrança de esgoto enquanto despejamos tudo nos rios. Para que educar este povo se ele nos serve tão bem assim, sabendo tudo de futebol , samba e carnaval, para que resolver os problemas se eles são a solução para meia dúzia. Enquanto isto se tem dinheiro para tudo, carro, celular, gasolina, diesel, e uma parafernália, menos para o desenvolvimento limpo e sustentável, porque o insustentável é a dependencia, e a dependencia interessa e muito ao grupo dominante, afinal como ter escravos que trabalham por tão pouco e depois devolvem o pouco que ganharam via contas públicas, impostos e taxas e tarifas bancárias, os nomes não importam o importante é ter um braço bem comprido para enfiar no bolso de cada contribuinte claro com o seu consentimento via voto na urna. E ainda pensam que somos muito diferentes dos indios que trocavam ouro por espelhos, a unica diferença é que ainda não aprendemos a nos ver nos espelhos.

  20. J. Jasson disse:

    Zé ( não use o nome do brasil em vão).
    Existem atualmente 1bilhão e duzentos milhões de famintos no mundo e não é destruindo a amazônia que isso vai ser resolvido.
    E dominar o mercado mundial de comodities seria uma boa estratégia se estivéssemos na era colonial e quiséssemos ser uma colônia, mas pelo visto o Zé deve ter uma capitania hereditária (grilada) na amazônia.