Blog do Sakamoto

Você conhece o lado “sujo” das novas tecnologias?

Pedi para Daniela Matielo, jornalista e pesquisadora sobre a indústria da internet na Universitat Oberta de Catalunya, na Espanha, para escrever um texto sobre o lixo gerado pela informática. Em um momento em que todos louvamos o admirável mundo novo trazido pela tecnologia, faz-se necessário manter os olhos bem abertos sobre os seus efeitos colaterais:

Quando surgiu, há 50 anos no lugar que hoje conhecemos como Vale do Silício , a indústria de eletrônicos se auto intitulou como uma “indústria limpa”. Trabalhadores, que antes trabalhavam nas grandes plantações que existiam na região, assumiram seus postos nas fábricas de chips, placas, discos rígidos e todos os outros componentes “high-tech” sem saber que na verdade essa mudança de ocupação estava colocando suas vidas em risco. Já em 1970, foram publicados os primeiros relatórios mostrando que muitas substâncias usadas na fabricação desses componentes eram altamente tóxicas, como o cádmio e o chumbo, e associando sua manipulação com o desenvolvimento de cânceres, problemas na formação de fetos e outras complicações de saúde entre os trabalhadores. Foi necessária uma grande movimentação para tentar melhorar essas condições de trabalho. Os principais locais de produção de componentes acabaram sendo transferidos para outros lugares do mundo, criando novos problemas em países como Índia e China.

Ou seja, o problema não foi resolvido, apenas jogado para baixo do tapete.

Há 50 anos, por seu alto custo, poucas pessoas tinham acesso a essas “novas tecnologias”. Hoje, no entanto, são itens indispensáveis no nosso dia-a-dia: celulares, computadores, monitores e uma infinidade de aparelhos cujos preços cada vez mais acessíveis estão permitindo que se popularizem entre a população. O aumento do acesso é bem-vindo, sem dúvida. O acesso à internet e a possibilidade de obter informação, comunicar-se e ampliar redes, possui um indiscutível potencial, e deve ser considerado um direito. Entretanto, o rápido aumento do consumo também implica em um aumento de produção, e as substâncias tóxicas que causaram incontáveis problemas aos primeiros trabalhadores da indústria de eletrônicos continuam existindo. E, naturalmente, não é apenas na hora da produção que estas substâncias são tóxicas, mas também na hora do descarte: o lixo eletrônico é um problema que está no centro das discussões ambientais, preocupando governos e organizações em todo o mundo.

A reciclagem destes materiais precisa ser feita de maneira correta, pois a manipulação ou incineração dos componentes sem os devidos cuidados pode causar duradouras contaminações ao meio. Uma prática adotada por muitos países era o envio desse material (que de maneira nenhuma pode ser descartado junto ao lixo comum) para a África ou a China, onde passavam a ser reciclados sem nenhuma preocupação, fosse ambiental ou com a saúde dos trabalhadores.

Para tentar resolver essa situação, foi assinada e retificada em 1989 a Convenção da Basiléia, que regulamenta os movimentos internacionais de resíduos perigosos. A grande maioria dos países assinou o documento, com exceção de alguns menores e dos Estados Unidos. Ainda assim, o problema persiste no mundo, como é possível verificar em diversos vídeos-denúncia disponíveis no YouTube.

(Prova de que nem sempre a Convenção é cumprida foi o envio de toneladas de lixo contaminado da Inglaterra aqui para o Brasil, que recentemente ganhou as páginas dos noticiários.)

A Convenção, porém, não cobre todo o ciclo de produção dos eletrônicos, e os países tiveram que elaborar legislações que regulamentassem a gestão interna desses resíduos. Na União Européia, cuja legislação é uma referência na área, a diretiva Weee (Waste Electrical and Electronic Equipment) regulamenta a produção e descarte dos eletrônicos, definindo limites nas quantidades de substâncias tóxicas utilizadas na fabricação. Ela impõe que uma porcentagem mínima dos materiais possa ser reciclado e institui a chamada “logística reversa”, que responsabiliza a indústria eletrônica pela coleta e descarte adequado dos resíduos de seus produtos. Ou seja, se produziu algo que pode causar problema, você também é responsável pelo destino final da mercadoria.

E no Brasil?

No Brasil, desde 1991, está em trâmite na Câmara dos Deputados o projeto de Lei da Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PL 203/91) que deveria, teoricamente, também regulamentar a reciclagem e a logística reversa dos resíduos eletro-eletrônicos. Recentemente, porém, o grupo de trabalho responsável excluiu os resíduos eletrônicos do projeto de lei. Sem justificativa plausível.

Foi nesse contexto que o Coletivo Lixo Eletrônico lançou seu Manifesto e um abaixo-assinado pedindo a reinserção do lixo eletrônico no projeto, tornando a logística reversa obrigatória: ou seja, responsabilizando a indústria de eletrônicos pela coleta e destinação adequada dos resíduos de seus produtos.

O projeto não resolve todos os problemas relacionados ao lixo eletrônico, porém é essencial para garantir que haja uma regulamentação sobre o tema, que defina responsáveis pelo descarte e amplie a base legal referente à gestão desses resíduos. A obrigatoriedade da logística reversa tem potencial para afetar toda a cadeia de produção, incentivando as empresas a produzirem componentes e aparelhos com menos substâncias tóxicas e mais fáceis de reciclar, para reduzir o custo final.

O Manifesto do Lixo Eletrônico está disponível aqui, e o abaixo-assinado estará aberto até que o Projeto de Lei seja votado no Congresso.

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Quem é mais esperto? O governo ou a bancada ruralista?

O governo federal anunciou que divulgará – dentro de 15 dias – uma atualização dos índices de produtividade agrícola. O compromisso foi assumido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e pela Secretaria Geral da Presidência em reunião com o MST. A atualização é uma antiga reivindicação de quem luta pela reforma agrária no país.

Os índices atuais estão defasados (foram fixados com base no censo agropecuário de 1975) e desconsideram o avanço tecnológico que garantiu aumento da produtividade. Quem produz com essa defasagem (com exceção de situações de quebras de safra, desastres naturais…) pode estar subutilizando sua propriedade, muitas vezes visando apenas à especulação imobiliária, e poderia ser alvo de desapropriação. Há um bom tempo, setores progressistas do governo federal tentam fazer com que os índices acompanhem o aumento de produtividade, mas sempre encontram uma pesada resistência por parte dos ruralistas.

De acordo com a Agência Brasil, os índices de produtividade, que valerão a partir do próximo ano, serão fixados com base nos dados da Produção Agrícola Municipal feita pelo IBGE por microrregião a partir da média de produtividade entre 1996 e 2007. Dados do MDA apontam que, em diversas regiões, permanecerão os índices vigentes: no caso da soja, por exemplo, 66% dos municípios mantêm os índices atuais, 27% terão índices menores ou iguais à média histórica e 7% terão índice superior à média histórica.

Sobre a possibilidade de resistência da bancada ruralista no Congresso Nacional, o ministro do Desenvolvimento Agrário Guilherme Cassel disse reajustar índices de produtividade é “obrigação” do governo, estabelecida em lei, para assegurar que as terras agricultáveis sejam usadas.

Por enquanto. Em julho, talvez farejando mudanças, a bancada ruralista do Senado se refestelou de alegria ao aprovar um projeto de lei que submete ao Congresso qualquer proposta do Poder Executivo para alterar os índices de produtividade usados para desapropriar terras.

Considerando a força da bancada ruralista no Congresso Nacional, é de se esperar que a proposta passe também na Câmara dos Deputados e vá para a sanção presidencial. Uma dúvida: Lula vetará um ou dois pontos e deixará o grosso do problema virar lei – como fez com a medida provisória 458, a MP da Grilagem de Terras? O certo é que, se nada for feito, as próximas gerações irão pagar em qualidade de vida pela falta de firmeza do presidente e pela fraqueza (ou conivência) de sua base de governo.
Talvez a mudança não faça diferença para esta atualização, mas pode criar problemas no futuro.

Pois não é só uma questão de justiça social tirar a terra das mãos de quem não produz como deveria. As propriedades rurais mais atrasadas do ponto de vista tecnológico tendem a compensar essa diferença através de uma constante redução da participação do “trabalho” no seu custo total. Simulam dessa forma uma composição orgânica do capital de um empreendimento mais moderno, com a diminuição da participação do custo do trabalho através do desenvolvimento tecnógico. Em português claro: há fazendeiros atrasados que retiram o couro do trabalhador para poder concorrer no mercado. Outros se aproveitam dessa alternativa não para gerar competitividade, mas para juntar dinheiro durante um período de tempo (e depois trocar trabalhadores por colheitadeiras) ou aumentar sua margem de lucro.

A atualização dos índices é uma bela braçada a favor. Em uma correnteza que, infelizmente, empurra para a direção contrária.

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Contra a barbárie, pelos direitos civis dos homossexuais

A Advocacia Geral da União encaminhou parecer ao Supremo Tribunal Federal defendendo a união estável de casais homossexuais. Para a AGU, a união homoafetiva no país “é uma realidade para qual não se pode fechar os olhos”, informou o site Última Instância. A Advocacia, em nome da Presidência da República, argumenta que as relações homossexuais existem independentemente de amparo legal, embora países já tenham mudado sua legislação para incluir essa possibilidade. O parecer vem a apoiar a Procuradoria Geral da República, que pediu para o Supremo declarar inconstitucional o artigo do Código Civil que considera a união possível apenas entre homens e mulheres.

Apesar de tentativas de reacionários de manter a união estável de pessoas do mesmo sexo ilegal, tenho certeza que, mais cedo ou mais tarde, a lei será mudada, garantindo dignidade e combatendo o preconceito. Está indo aos poucos: é um servidor público que consegue estender o plano de saúde para o seu companheiro, é uma mulher que consegue a pensão de sua companheira. No final, será uma escolha entre a barbárie do fanatismo religioso e a civilização.

Isso me lembrou uma pesquisa do Datafolha, divulgada tempos atrás, sobre a opinião do brasileiro a respeito de determinados temas polêmicos. Vamos lembrar os resultados:

- 55% dos brasileiros defendiam a adoção da pena de morte;
- 57% eram contra a eutanásia, o direito do paciente terminal de pôr fim à sua própria vida;
- 65% defendiam que a lei do aborto não fosse ampliada para além dos casos de estupro e risco para a mãe;
- 49% rejeitavam a união civil homossexual (ou seja, a maioria, uma vez que 42% eram a favor);
- 52% eram contrários à adoção de filhos por casais do mesmo sexo.

Se isso fosse um gabarito, teria sido reprovado retumbantemente como brasileiro, uma vez que minhas posições pessoais são opostas aos cinco pontos acima. Em uma hipotética avaliação de segunda época que também incluísse a redução da maioridade penal, a prisão perpétua, a criminalização do uso de drogas (que só atrasa a solução do problema), seria reprovado novamente.

Dizem que falta informação e por isso temos uma sociedade que pensa de forma tão conservadora. Mas informação não basta, caso contrário os mais escolarizados teriam um comportamento mais aberto aos direitos sociais e humanos do que apontou a pesquisa. Deve-se saber como trabalhar com essa informação que recebemos, refletir sobre ela. Entramos aqui na questão da consciência social, que não se aprende nos bancos de escola, mas no trato com a sociedade.

O contato com o “outro”, e com suas diferenças, contribui para fomentar essa consciência. Não através do filtro dos jornais e das lentes de TVs, mas pelo diálogo direto. Só dessa forma poderemos entender as razões e paixões desse outro. E se, mesmo assim, não concordarmos com sua posição, podemos, ao menos, ser tolerantes. E aceitar que as pessoas têm direito à própria vida e ao próprio corpo e que não é com uma sociedade ditatorial e sumária que se resolverão os problemas.

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Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Com as refilmagens de “O Poderoso Chefão” no Senado, muitas pessoas, indignadas com a política, têm feito seus protestos. Acham que aquilo é o máximo da participação cidadã e que terá um efeito avassalador nos salões do Congresso Nacional. Na minha avaliação, isso é de uma inutilidade atroz, só comparável à compra de indulgências durante a Idade Média.

Começam pelas correntes na internet – não peguei até agora uma que trouxesse alguma possibilidade de causar alterações reais. Mas o pessoal acha que está mudando o mundo através do spam. Triste.

Isso passa pelos “flash mobs”, aquelas manifestações relâmpago organizadas pela internet. Eu estava na avenida Paulista, dia desses, quando um grupo de umas 80 pessoas se reuniu no vão do Masp e começaram a protestar. Cruzavam a faixa de pedestres quando o semáforo fechava e retornavam à calçada quando abria. Gritavam “Fora Sarney!” Uma senhora, já avançada em anos e sabedoria, parou, olhou, refletiu e me perguntou: “é alguma festa?” Respondi que, de certa forma, sim. Um ato mais para expiação da culpa individual do que algo realmente construtivo. Depois o povo deve ter ido tomar um refri na rede de fast food mais perto.

Também atinge as reclamações e ações virtuais em blogs e twitters. Já postei muita coisa sobre a atual crise neste blog, sei que o acesso à informação contribui para a conscientização do problema real e não apenas de sua superficialidade aparente, mas não tenho a mínima pretensão de achar – como alguns – de que o mundo virtual sozinho pode ser a ponte para a derrubada de fulano ou ciclano do poder.

Muita gente se esconde atrás da tela de um computador, mas não tem coragem de usar as armas da democracia para tirar aquele povo de lá. A indignação vai durar enquanto o tema estiver no topo dos mais comentados, vai seguir a pauta política da situação e da oposição e não a da sociedade. Não chegará às próximas eleições. Depois, a indignação dará lugar à outro sentimento exatamente porque ela não é real, não veio de dentro para fora e sim de fora para dentro. Para alguns, foi embutida ali, como uma moda. A moda hoje é estar indignado. Amanha é usar azul celeste.

E falando em cores, um outro protesto foi inacreditável. Recebi um torpedo ordenando que, no dia seguinte, todos vestissem preto para derrubar o Sarney. Mas não vi alteração significativa nas ruas. Certamente quem mandou o SMS deve ter achado que quem usava o pretinho básico protestava ferozmente.

Por fim, os protestos da turma do antigo “Cansei!” Dia desses, zapeando canais, parei em um daqueles programas bregas de fofocas da alta classe. Ícones do “Cansei!” reclamavam, enojados com tudo e com Brasília. Depois, apareciam, na mesma festa, abraçados com políticos que não têm currículo e sim capivara, ficha corrida. Eles cansaram, mas foi só de brincadeira. Até porque o caviar tem que sair de algum lugar, não?

Enquanto isso, quem protesta de verdade, tentando mudar as coisas, é taxado de vagabundo, louco, imbecil, retrógrado, egoísta. Por que? Porque eles não protestam como eles, seres civilizados, que nunca parariam o trânsito. Para estes manifestantes de butique, o protesto tem limites. A partir daí, vira arruaça.

Estava voltando de Brasília e não conseguiu deixar de ouvir uma conversa de duas mulheres sentadas atrás de mim no avião. Aliás, a aeronave inteira ouviu, porque elas falavam muito alto:

- Você viu que morreu uma daquelas sem-terra na rodovia dia desses. Atropelada.
- Também, estava andando no meio da estrada, fazendo protesto. Atrapalhando o trânsito.
- Não gosto daquela gente, sabia? São um bando de arruaceiros. Por que não vão arrumar um emprego ao invés de ficar protestando por aí?
- Tem gente que não sabe se encaixar.

“Encaixar”! Nossa elite é o máximo, de uma sinceridade aviltantemente bonita! É o velho: ponha-se no seu lugar! Eles cantam Chico Buarque, mas não entendem o que ele diz – talvez se soubessem, parassem de cantar. Pois foi uma trabalhadora rural do MST pedindo reforma agrária, mas poderia ter sido um pedreiro caindo de um andaime, sonhando com uma vida melhor: “Morreu na contramão atrapalhando o tráfego”.

Ontem, também na avenida Paulista, foi realizado um protesto de verdade contra a crise no Senado, que juntou sindicatos, movimentos populares e estudantis, organizações da sociedade civil. Mais de quatro mil pessoas, de acordo com a polícia.

Um taxista, ao ver o trânsito causado pela manifestação, começou a gritar: “Cambada de vagabundos! Vagabundos!” (como o prefeito Kassab naquele ataque de histeria anos atrás…) Perguntei o motivo. “Porque eles estão atrapalhando o tráfego. Por que não vão arranjar um emprego!”

Exercer sua cidadania e colocar a democracia em prática em um país como o Brasil é perigoso. Além de poder morrer atropelado, ser xingado e considerado um inútil, você ainda pode ser desalojado e tratado como um marginal.

Tempos atrás, moradores de uma favela próxima ao Real Parque, zona Sul de São Paulo, fecharam as pistas da Marginal Pinheiros para protestar contra a derrubada de suas casas. Seus barracos estavam em um terreno público e a prefeitura resolveu removê-los antes de finalizar negociações. Afinal de contas, a gente bonita que passa por aquele bairro rico não é obrigado a ver aquelas casinhas de madeira feias. Houve bombas de gás, surras de cacetetes, enfim, aquela corja tinha que acabar com aquilo. Na mídia, a ênfase estava nos relatos sobre o congestionamento causado, o ato era apenas um detalhe.

O tráfego, sempre ele, que reina soberano em uma cidade que quer funcionar como um relógio suíço, sem se atrasar. Protestos agendados, marcados, pequenos, ordenados com começo, meio e fim, protestos que não mudam nada só expiam culpa, são o desejo de muitos paulistanos, cada vez mais embutidos no sistema. Não conseguem perceber que manifestações que fogem disso, que rompem a lógica, é que são reais e têm poder de mudança.

No fundo e por trás de tudo isso, uma pergunta ecoa no peito de muita gente das classes média alta e alta desse país quando defrontada com tudo isso: Mudar para quê? Time que está ganhando, não se mexe.

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Além de cana, agora estão queimando trabalhadores

A notícia é triste, mas não surpreende. Saiu o laudo que explica a morte de um trabalhador rural em Pontal, no interior de São Paulo: ele foi intoxicado pela fumaça da queimada da cana-de-açúcar. De acordo com a agência de notícias da EPTV, Sidney dos Santos, de 41 anos, acabou sendo carbonizado quando fazia a queimada na usina Bela Vista há pouco mais de um mês.

Relatório do Ministério do Trabalho e Emprego apontou falta de treinamento e ausência de equipamentos de segurança. Os trabalhadores usavam três linhas de fogo e não uma, como é o costume. Mas a opção pela rapidez no serviço também faz com que a queimada fique incontrolável. Neste caso, o vento forte também ajudou, redirecionando o fogo e atingindo o trabalhador.

Segundo a EPTV, o advogado da usina Bela Vista, Eduardo Velocci disse que a empresa “sempre segue as determinações legais. Fomos surpreendidos pela virada da natureza”. Como sempre é mais fácil culpar quem não pode se defender.

A usina foi multada em R$ 4 mil, uma fortuna, e terá que se ajustar. Segundo os auditores fiscais, a queima da cana naquela área ainda não estava liberada pelo Departamento Estadual de Recursos Naturais (DPRN).

Ontem, o corpo de outro homem foi encontrado carbonizado em um canavial, também em Pontal. A polícia investiga o caso como homicídio.

As queimadas (que estão com os dias contatos no Estado de São Paulo) ajudam a torrar o diferencial ambiental da cana-de-açúcar no Brasil, gerando graves impactos não só para o meio, mas também para quem mora perto das usinas. Agora, estão levando os cortadores – que já tinham problemas suficientes – junto.

Ruim com a queima, ruim sem a queima. O avanço da mecanização não resulta apenas no corte de vagas, mas na intensificação do desgaste físico por parte dos cortadores. A cana crua (não queimada) e deitada acaba “sobrando” para os trabalhadores manuais. Antes de fazer o corte, é preciso levantar primeiro os pés do chão, o que demanda um esforço adicional considerável. Muitos trabalhadores trabalham domingos e feriados (não têm descanso semanal remunerado) e, no sistema de trabalho em vigor, a usina impõe o ritmo.

A solução passa por criar alternativas de emprego e renda a esses trabalhadores que não as condições precárias, degradantes ou insalubres dos canaviais. Coisa que nós estamos devendo a eles, que enchem o nosso tanque de etanol com seu suor diariamente.

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O acordo do Vaticano e a terceirização da fé no Brasil

O Vaticano pediu mais vantagens para a igreja católica ao presidente Lula e a aprovação de um tratado com o Brasil está em curso no Congresso Nacional. O texto inclui liberdade (e isenção tributária) religiosa, respeito a templos e patrimônios, enfim, direitos já existentes. Mas, no começo dessa ladainha, que já completa anos, Bento 16 havia solicitado ao governo federal que também reconhecesse que não há vínculo empregatício entre os padres e a igreja.

Apesar do trabalho dos padres ser uma atividade bastante específica que demanda dedicação integral de corpo e alma, literalmente, ainda assim é um emprego. Há uma cadeia de comando, superiores hierárquicos, necessidade de presença no local de trabalho, tarefas a cumprir e salário. Considerando que o empregador em questão é uma instituição de quase dois mil anos que possui um dos maiores patrimônios financeiros do planeta à custa da contribuição dos fiéis, rendimentos financeiros, valorização de propriedades rurais e urbanas e de obras de arte, digamos que é uma solicitação um tanto quanto sovina.

Nos últimos anos, trabalhadores brasileiros foram às ruas para protestar contra a famigerada “Emenda 3” – aquela proposta parlamentar, vetada por Lula, defendida pelo empresariado e repudiada por movimentos sociais e associações de trabalhadores, que pretendia tirar dos auditores fiscais o poder de verificar a existência de vínculo entre patrões e empregados, facilitando a precarização do emprego. Dessa forma, o pedido do antigo cardeal Ratzinger vai ao encontro dos interesses do capital e não do trabalho. O que mostra que ele está antenado com as necessidades do empresariado em um mundo em que o mercado se torna global e a religião cada vez mais midiática.

Vale lembrar que o Brasil também criou um novo modelo de fusão entre o setor empresarial e a fé, exportando-o para diversos país, modelo bem definido em casos como o da Igreja Universal.

Imaginem padres tendo que se tornarem pessoas jurídicas e abrirem micro-empresas para prestarem serviços espirituais para que o Vaticano economize nos impostos? Ou evitando que a Santa Sé seja processada por seus ex-funcionários que largaram a batina ou por outras pessoas que se sentirem prejudicadas por um deles. Vale lembrar as indenizações milionárias movidas contra a igreja pelos fiéis que sofreram abusos por padres norte-americanos. Em um mundo assim, qual seria a justificativa? De que não foi um representante da igreja, mas sim a “Espírito Santo – Serviços Religiosos e Afins ME” que fez a besteira?

Tudo isso é especulação, pois creio que não chegaríamos ao ponto de ver padres passando notas fiscais no final de cada mês para receber o ordenado. Mas se já vemos entregadores de gás, que ganham uma mixaria, recebendo por pessoa jurídica, nada é impossível nesta terra de Deus.

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Por que a mulher deve adotar o sobrenome do marido?

Um estudo apresentado no encontro da American Sociological Association apontou que 70% da população dos Estados Unidos acha que as mulheres deveriam adotar o sobrenome dos maridos. E 50% defendem que deveriam ser legalmente forçadas a isso.

Sei que tanto lá como aqui a sociedade é patriarcal e machista. Mas os números assustam. Uns vão chamar de tradição – esquecendo que tradição é algo construído, muitas vezes pela classe (ou gênero) dominante. Mas, pense pelo outro lado, se for para trocar, que tal invertermos e os homens começarem a adotar os sobrenomes de suas esposas?

Tempos atrás, o juiz Edilson Rumbelsperger Rodrigues, havia proferido uma sentença que expressa bem esse espírito de que homens e mulheres têm seus lugares demarcados. Em um dos trechos ele diz: “Ora, a desgraça humana começou no Éden: por causa da mulher, todos nós sabemos, mas também em virtude da ingenuidade, da tolice e da fragilidade emocional do homem (…) O mundo é masculino! A idéia que temos de Deus é masculina! Jesus foi homem!”

E ao criticar a lei Maria da Penha, contra a violência doméstica, disse: “A vingar esse conjunto de regras diabólicas, a família estará em perigo, como inclusive já está: desfacelada, os filhos sem regras, porque sem pais; o homem subjugado”.

O pior não é encontrar peças jurídicas com um grau de preconceito, estupidez, machismo e ignorância como essas. Se elas fossem apenas distorções, vá lá, uma instância superiora célere, competente e honesta seria capaz de revertê-las e um conselho de justiça aplicaria um corretivo no magistrado em questão. O problema é saber que, infelizmente, essas análises rasas refletem um naco da sociedade brasileira formado por ricos e pobres, letrados ou não.

Os referidos juízes passaram pelos duros processos de seleção para se tornarem magistrados. Portanto, não são portas burras. Ou seja, não é uma questão de educação pura e simples. É consciência. E isso não se aprende na escola, nem é reserva moral passada de pai para filho nas famílias ricas. Mas sim na vivência comum na sociedade, na tentativa do conhecimento do outro, na busca por tolerar as diferenças.

Pesquisas apontam que a violência doméstica não é monopólio de determinada classe social e nível de escolaridade. Homofobia e machismo são problemas que ocorrem em toda a sociedade, da norte-americana à brasileira. OK, coloquemos a culpa no processo de formação do Brasil, na herança do patriarcalismo português, nas imposições religiosas, no Jardim do Éden e por aí vai. É mais fácil atestar que somos frutos de algo, determinados pelo passado, do que tentar romper com uma inércia que mantém cidadãos de primeira classe (homens, ricos, brancos, heterossexuais) e segunda classe (mulheres, pobres, negras e índias, homossexuais etc). Tem sido uma luta inglória, mas necessária, tentar abrir a cabeça da sociedade. Isso inclui uma profunda reflexão com a exposição daqueles que, em cargos públicos, rasgam os preceitos básicos dos direitos fundamentais.

Mas também depende da ação individual de cada um. Quando casar, pense muito bem antes de dizer algo no cartório, porque a opressão adota formas diferentes. Muitas vezes travestidas de um simples costume.

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Mona Lisa, dois sapatos e o cinismo no Congresso

Brasília – Uma imigrante russa, insatisfeita por não obter a cidadania francesa, foi até o Museu do Louvre e atirou uma caneca contra a Mona Lisa, o mais famoso quadro do mundo. A pobre moça de Da Vinci, que não tinha nada a ver com a história, foi elegante. Simplesmente continuou sorrindo.

A moda de jogar algo em sinal de descontentamento político não é nova. Desde que lançávamos cocô e pequenos pauzinhos em nossos inimigos, durante a pré-história, como forma de protesto, muita coisa foi jogada ou defenestrada até hoje. É claro que, com o tempo, essas manifestações têm se aprimorado, talvez por conta da visibilidade instantânea trazida pelos avanços da tecnologia da comunicação, talvez porque jogar coisas seja legal mesmo.

Por exemplo, há os grupos de confeiteiros sem fronteiras, que faziam pequenos ataques relâmpagos em eventos, lançando tortas no rosto de políticos. Combatiam sujeira com sujeira. Aqui em Brasília, faltaria chantilly.

Tempos atrás, uma liderança indígena arremessou um copo com água contra o deputado federal Jair Bolsonaro (DEM-RJ) aqui no Congresso Nacional. Perguntado o motivo de jogar água, disse que infelizmente estava sem fechas no momento. Bolsonaro, que sente saudades da Gloriosa, acha que índio é um risco à soberania nacional.

Poderíamos enumerar exemplos até cansar, mas uma coisa deve ser lembrada: o sucesso da operação depende não só da destreza de quem arremessa, mas também da incapacidade do alvo em desviar do petardo. Quando o jornalista iraquiano lançou seus dois sapatos contra George W. Bush durante uma coletiva à imprensa, não esperava que o então presidente norte-americano fosse ninja. A boa prática acabou sendo copiada em outros países, com algumas variações dependendo a cultura local. Mas mostrou que os políticos têm reflexos. Ou treinam para isso.

Difícil mesmo é quando acontece o contrário. Ou seja, políticos aparecem e, de repente, começam a lançar porcaria através da televisão, rádio, jornais, internet nos pobres eleitores. E não estou falando das refilmagens de O Poderoso Chefão em curso no Senado, mas sim das justificativas que vêm sendo dadas para o andamento de projetos que cortam direitos trabalhistas e diminuem a efetividade de leis ambientais.
Enquanto brigas aparecem nos noticiários, por baixo do pano continuam costuras e conchavos para mudar (para pior) a CLT e suspender a punição para quem desmatou além da conta (está última a plenos passos de se concretizar). No final, tortas, água e sapatos são mais leves que todo esse entulho que a gente tem que engulir.

E ainda sorriem.

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No princípio era o Verbo. Mas o Verbo virou Paraíso Fiscal

A Justiça de São Paulo acatou denúncia criminal contra integrantes da Igreja Universal , entre eles o fundador Edir Macedo, por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. De acordo com o Ministério Público, a movimentação suspeita da Universal foi de R$ 4 bilhões entre 2003 e o ano passado. Segundo a Folha de S. Paulo, os líderes da igreja dizem que a Receita Federal aprovou todas as contas e afirmam que o assunto é “requentado”.

Não é novidade que uma organização religiosa atue para acumular patrimônio. Apenas no campo do cristianismo, a Igreja Católica tem feito isso de forma consistente há mais de mil anos, indo à guerra se necessário fosse. Até hoje possui um Estado soberano, bancos, terras, veículos de comunicação, enfim. Ou seja, o fato da Universal ter 23 emissoras de TV, 42 de rádio, quatro firmas de participações, uma agência de turismo, uma imobiliária, uma empresa de seguro de saúde, duas gráficas, uma gravadora, uma produtora de vídeos, uma construtora, uma fábrica de móveis, duas financeiras e uma empresa táxi aéreo não foge dessa linha.

Quando uma igreja usa os recursos para outra finalidade que não a sua, pode perder a isenção tributária a que tem direito no Brasil. Já ouvi de fiéis da Universal do Reino de Deus e de suas franquias – como a Mundial do Poder de Deus e Internacional da Graça de Deus – que o dízimo serve para o trabalho “evangelizador” através da mídia e que eles apóiam esse uso. De certa forma, o acúmulo de patrimônio das religiões contemporâneas tem o objetivo de aumentar sua capacidade de comunicação (ou propaganda, como queiram), que é exatamente de onde vem sua força. Certo ou errado caberá à Justiça decidir se o uso do dinheiro foi de acordo com a lei.

É óbvio que me incomoda o fato de uma estrutura criminosa internacional poder ter sido criada para evitar o pagamento de impostos, dinheiro que poderia estar sendo usado em favor do bem público (se não ficasse preso na passagem aérea da filha de algum político, é claro). Mas há outra questão, mais polêmica.

Independentemente do que acredito ou deixo de acreditar, os discursos fundadores de religiões, como o cristianismo, pregam valores diferentes do que foi posto em prática por muitos daqueles que levaram a palavra adiante. Houve um malabarismo semântico ao longo de séculos para justificar o injustificável, e transformar palavras como igualdade e fraternidade em elementos a serem respeitados dentro de classes sociais e não por toda a sociedade. A construção de uma igreja sólida ainda se faz através do aumento das paredes de templos e não no crescimento de uma comunidade menos dependente de intermediários para falar com o andar de cima.

Usando o próprio argumento do texto base da religião: é mais fácil uma corda (houve um erro de tradução do texto original, a palavra significa corda e não camelo, mas quem se importa?) passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar… bem vocês sabem o resto. Em outras palavras, é possível pregar a igualdade acorrentado a um patrimônio gigantesco? Garantir uma mansão em Miami para um bispo é equivalente a comprar uma indulgência?

Mas outra característica de muitas religiões hoje, tanto as antigas que se adaptaram quanto as novas que surgem, é ter característica de empresas. Não é a Renascer em Cristo que comemorou o jogador e fiel Kaká ter sido vendido para o Real Madrid, uma vez que a igreja receberia o dízimo decorrente dos ganhos do jogador com a transação? Foi Deus que garantiu essa venda, disse a esposa do jogador.

Ou seja, fazendas, conglomerados de comunicação, indústrias, investimentos, até passe de jogar de futebol, tudo em nome de Deus. Pois, no princípio era o Verbo. Mas o Verbo se fez Paraíso Fiscal.

Portanto, como filho dele gostaria de reivindicar a minha parte em espécie agora e não após passar desta para a melhor. Amém.

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Ano 2079: notícias de um mundo mais quente

O clima do planeta vai mudar por conta do aquecimento global. Podemos minimizar os impactos, mas que eles virão, ah virão. Não dá para prever exatamente como será a realidade de nossos filhos e netos e mesmo daqueles entre nós que ainda estarão vivos neste novo mundo do final do século. O que é possível prever, certamente, é que eles vão culpar a nós pelo que fizemos e o que deixamos de fazer, pelo nosso consumismo idiota, pela ganância desmesurada e pela incompetência política.

Os principais jornais do mundo têm uma coluna relembrando fatos passados: há 50 anos, há 100 anos… Com a ajuda de amigos, fiz um exercício inverso, de futurologia: Daqui a 70 anos. Algumas são mais verossíveis, outras nem tanto. Mas se alguém dissesse, há 70 anos, que nossa geração seria responsável por jogar o planeta no vaso sanitário e dar a descarga, quem acreditaria?

Internacional
Uma cerimônia em Pequim celebrou os dez anos da parceria estratégica “Lixo por Comida” no qual os países da região do Saara recebem o lixo produzido na China em troca da oportunidade oferecida aos cidadãos da região de vasculhar restos de alimentos nos contâiners e usarem a sucata para os mais diversos utensílios.

O Saara e a Antártida são os dois últimos grandes depósitos terrestres vagos de lixo no planeta. O custo mais baixo de despejar resíduos no deserto africano manteve uma vantagem produtiva para as empresas sediadas na China após o espaço do deserto de Gobi ter se esgotado.

Na semana passada, a cidade de São Paulo fechou o mesmo acordo com a prefeitura de Gilbués, no Piauí.

Economia
O governo federal declarou, em nota, que irá zerar a alíquota para importação de verduras, frutas e legumes vindos da Patagônia e Chile. O objetivo é combater os preços abusivos cobrados por esses produtos devido à drástica redução de oferta no Sudeste desde a mudança no regime de chuvas.

A aposta de que as espécies geneticamente modificadas conseguiriam se adaptar a um ambiente mais seco pós-colapso do clima não se cumpriu. Os produtores de soja e feijão da região de Mogi das Cruzes, que haviam comprado as pequenas propriedades rurais do antigo cinturão verdade da capital paulista, pedem que o governo financie a transposição e a dessalinização da água do mar para irrigação.

Cotidiano – São Paulo

A prefeitura de São Paulo fará, neste domingo, um show para comemorar a retirada da última carcaça de automóvel do Grande Congestionamento de 2034. Na ocasião, o trânsito da capital paulista travou por 24 horas. Os motoristas abandonaram seus carros e a prefeitura considerou que seria mais simples depositar concreto sobre os veículos, construindo vias expressas mais modernas e tirando 5 milhões de carros de circulação.

Com o esgotamento da mina de Carajás em 2056, a multinacional Avert (Anglo-Vale Rio Tinto Inc.) decidiu por comprar do governo municipal o aço dos automóveis, refazendo as vias originais.

Política
Começa na próxima quinta (21), o leilão de matrizes de nelore em Altamira, o mais importante do país. Os pecuaristas prometem fazer barulho e levar seus tratores e colheitadeiras para fechar os pedágios da rodovia Transamazônica. Na pauta de exigências está a concessão gratuita dos últimos trechos disponíveis da Floresta Nacional do Tapajós.

As autoridades do Estado de Tapajós querem igual tratamento para seus produtores que o recebido pelo Estado de Carajás, quando os últimos remanescentes indígenas foram indenizados pelo governo federal para deixarem suas reservas – hoje distribuídas entre os sojicultores e os pecuaristas de São Félix do Xingu. Reclamam que foi exatamente por conta dessa “discriminação” que eles se desmembraram do Estado do Pará em 2021. O MST promete uma marcha para Brasília no mesmo dia.

Cotidiano – Rio de Janeiro
A prefeitura do Rio de Janeiro inaugurou ontem o Aquário de Copacabana, com um show de João Gilberto, que mostrou ainda ter vigor e reclamou do retorno do som. O Aquário foi construído com a substituição das barreiras de contenção da orla, que eram de concreto, por mais modernas, de alumínio transparente. A antiga barreira fora colocada em 2031 após o nível do mar subir devido ao aquecimento global e a ressaca atingir o salão de festas principal do hotel Copacabana Palace.

Cultura
O governador do Estado do Mato Grosso do Sul inaugurou, na última terça, o Museu do Pantanal. O complexo de edifícios, construído em Corumbá, traz exemplares de pássaros e roedores empalhados que viviam na região e uma extensa coleção de sementes. Um mapa dos limites do Pantanal antes e depois do fim das cheias sazonais mostra o resultado do impacto do agronegócio nas cabeceiras da região. A contrução do museu, produzido com tecnologia ambientalmente responsável, só foi possível graças a uma parceria com a federação estadual das usinas de etanol.

A entrada para adultos custa 45 yuans.

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