Blog do Sakamoto

Censo mostra como agrotóxicos correm soltos no país

Leonardo Sakamoto

Mais de 1,5 milhão (das 5,2 milhões de propriedades rurais do país) utiliza agrotóxicos. Cerca de 56% dos que recorrem a produtos químicos na agricultura não seguem orientação técnica e aplicam o veneno sem nenhum tipo de segurança. Os dados integram o novo Censo Agropecuário, divulgado pelo IBGE.

Lembrando que Brasil continua sendo rápido para aprovar produtos químicos que trazem lucro a poucos e sendo lento para tirá-los de circulação – quando fica provado que causam danos a muitos. Muitos agrotóxicos proibidos nos Estados Unidos, na União Européia e em alguns de nossos vizinhos latinos correm soltos – literalmente – contaminando água, terra e ar por aqui. E, por conseguinte, milhares de pessoas diretamente e milhões indiretamente.

O repórter Maurício Reimberg, aqui da Repórter Brasil, analisou os dados. Trago abaixo, os principais trechos de sua reportagem:

O uso indiscriminado dos agrotóxicos coloca em risco a saúde humana e animal, além de contaminar o meio ambiente e os alimentos. O Censo Agropecuário revela que apenas 21% das propriedades declaram receber instrução regular sobre o uso dos produtos químicos. Além disso, cerca de 21% das fazendas que aplicam pesticidas e outros não possuem equipamentos de proteção individual (EPIs) para os aplicadores, o que potencializa o risco de intoxicação. O Brasil é o maior consumidor mundial de agrotóxicos.

Na avaliação dos técnicos do IBGE, é possível identificar uma disseminação generalizada nos usos de agroquímicos no campo. ''Com o passar dos anos, há uma tendência do agricultor se especializar e lançar mão mais intensamente destas tecnologias, em detrimento de outras, como, por exemplo, as praticadas na agricultura orgânica ou agroecológica'', afirma o documento. O Rio Grande do Sul é o estado que mais utiliza agrotóxicos. Ao todo, são mais de 273 mil propriedades adeptas a esse expediente. Já o Amapá tem apenas 235 estabelecimentos utilizando agroquímicos.

''Facilitar o uso de químicos na agricultura é um dos pontos de maior ação das lideranças ruralistas. Associo isso também aos transgênicos. Houve nesses 10 anos um incremento da área de soja de mais de 6 milhões de hectares. Imagina o crescimento de herbicida da Monsanto [multinacional de biotecnologia]'', critica o agrônomo Gerson Teixeira, ex-presidente da Associação Brasileira de Reforma Agrária (Abra). O especialista elaborou uma análise dos dados agregados do setor apresentados pelo balanço do IBGE.

A soja foi a cultura que mais se expandiu na última década: alcança 15,6 milhões de hectares, grande parte na Região Centro-Oeste. Com o argumento em prol do aumento da produção, 46% dessas propriedades rurais que cultivam soja recorrem a sementes geneticamente modificadas, numa área de 4 milhões de hectares. Segundo o Censo, a imensa maioria das lavouras de soja faz uso de agrotóxicos (95%) e adubação química (90%).

''Ao contrário do que se dizia, o agronegócio cada vez demanda doses maiores de veneno para cumprir as exigências da soja, principalmente'', analisa Gerson. Além da expansão do agronegócio, o agrônomo também associa o aumento no uso de agrotóxicos ao crescimento do recurso do crédito rural para os pequenos produtores via Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que também distribui pacotes químicos.

Diante desses problemas, foi criado em outubro o Fórum Nacional de Combate aos Efeitos dos Agrotóxicos. A nova instância, organizada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), pretende reforçar o controle social, aproximando a sociedade civil, empresas e governos no combate aos efeitos nocivos dos agrotóxicos. Por meio do novo Fórum, o MPT vai realizar audiências públicas e investigações, coleta de denúncias e Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) que visam a redução no uso de agrotóxico no limite permitido em lei. Além do MPT e do Ministério Público Federal, o Fórum reúne organizações como a Comissão Pastoral da Terra, a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura, a Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar do Brasil e a Repórter Brasil. Há ainda representantes do Ministério da Agricultura, do Ministério da Saúde e do Ministério do Trabalho e Emprego.

  1. flavio

    24/11/2009 16:42:00

    O grande embate aí é o travado entre dois modelos de produção: um que dá pouco emprego, concentra riqueza, prioriza a industria(de veneno/adubo), contamina o ambiente, piora a violência no campo; e outro que ocupa muito mais gente, polui menos, distribui riquezas, democratiza a posse da terra, e é, segundo o IBGE, muito mais eficiente e produtivo.

  2. Coyote

    21/11/2009 20:46:09

    Tu és ignorante...

  3. Coyote

    21/11/2009 20:45:24

    Elite : Tu és ignorante e babaca...

  4. elite afrikaner

    20/11/2009 21:26:03

    Comparar o Rio Grande com o Amapá?Quanto ao forum envolvendo Comissão Pastoral da Terra, CNTA; a FETAF e a imprecindível Reporter Brasil, dá para imaginar o quanto resultado vai se produzir .E quanto aos transgênicos, pare de comer pão, bolacha, bolos e qualquer produto de trigo porque já estamos comendo transgênico há mais de 5 anos vindos da Argentina, EUA e Canadá onde essas frescuras não são levadas a sério.

  5. Gilda

    20/11/2009 16:41:36

    O problema maior é que os transgênicos prometeram usar menos agrotóxicos e, na verdade, não trazem economia nenhuma. Ou seja, o ganho para o meio ambiente é zero, já o ganho para o bolso...

  6. Patrick

    20/11/2009 15:17:49

    Eu fiquei positivamente surpreso com o fato de que ainda há uma maioria de propriedades rurais que não utiliza agrotóxicos.

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