Blog do Sakamoto

Jornada de mulheres é maior que de homens, diz OIT

A Organização Internacional do Trabalho lançou, hoje, em Brasília, relatório sobre a evolução do trabalho decente no Brasil entre 1992 e 2007.

De acordo com a OIT, os indicadores de trabalho decente utilizados cobrem dez áreas temáticas, variando desde oportunidades de emprego, jornada de trabalho e conciliação entre o trabalho, vida pessoal e familiar, até diálogo social e representação de trabalhadores e empregadores. Também é objeto de análise o contexto econômico e social que condiciona o trabalho decente. Além de dados estatísticos, os indicadores definidos incluem informação qualitativa sobre direitos do trabalho e o marco legal e institucional para o trabalho decente. Seguem algumas conclusões do relatório:

- O crescimento da participação das mulheres no mercado de trabalho não vem sendo acompanhada de uma redefinição das relações de gênero no âmbito das responsabilidades domésticas, o que submete as trabalhadoras a uma dupla jornada de trabalho. Apesar da jornada semanal média das mulheres no mercado de trabalho ser inferior a dos homens (34,8 contra 42,7 horas), ao computar-se o trabalho realizado no âmbito doméstico (os afazeres domésticos), a jornada média semanal total feminina alcança 57,1 horas e ultrapassa em quase cinco horas a masculina (52,3 horas);

- Foi mantida a trajetória de crescimento da participação das mulheres no mercado de trabalho (que evoluiu de 56,7% para 64,0%);

- O nível de ocupação voltou a crescer durante a década de 2000 (de 66,3% para 68,6% entre 2003 e 2008), após o declínio experimentado durante os anos 1990;

- O trabalho infantil experimentou um significativo declínio. O número de crianças e adolescentes ocupados, entre 5 e 17 anos de idade, reduziu-se de 8,42 milhões (19,6% do total) para 4,85 milhões (10,8%) entre 1992 e 2007, significando uma diminuição de cerca de 3,57 milhões em números absolutos – o correspondente ao conjunto de toda a população do Uruguai. Mas o número de crianças trabalhando ainda é elevado, assim como as taxas de desemprego juvenil (mais do que o dobro em comparação à dos adultos);

- A taxa de desemprego entre os jovens elevou-se de 11,9% para 17,0% entre 1992 e 2007, após ter alcançado um pico de 19,4% em 2005. Também é inquietante a proporção de jovens que não estudam e nem trabalham (18,8% do total em 2007). Isso significa que praticamente 1 de cada 5 jovens brasileiros de 15 a 24 anos de idade encontrava-se nessa situação;

- Cresceu exponencialmente o número de trabalhadores libertados de situações de trabalho forçado e/ou em condições análogas à escravidão. Entre 1995 e 2008 cerca de 33 mil pessoas foram libertadas de situações de trabalho forçado, sendo que um terço deste contingente (11 mil pessoas) foi libertado durante anos de 2006 e 2007 – 5 mil e 6 mil pessoas, respectivamente;

- Entre 1992 e 2007, reduz-se o percentual de trabalhadores (de 25,7% para 20,3%) com jornada de trabalho superior a 48 horas semanais. Tratando-se da estabilidade no mercado de trabalho, observa-se um aumento na proporção (de 45,0% para 47,4%) daqueles trabalhadores com permanência no trabalho igual ou superior a cinco anos;

- Após experimentar declínio durante os anos 1990, a taxa de sindicalização voltou a crescer durante a década de 2000 – passando de 16,8% em 1999 para 18,1% em 2007. A partir de 2003, aumenta de forma significativa a proporção de acordos coletivos que asseguram reposições e aumentos reais de salários;

- Em 2007, enquanto que a taxa de desemprego masculina era de 6,1% a feminina estava situada em 11,0%. Entre os trabalhadores brancos a taxa era de 7,3% ao passo em que entre os negros era de 9,3%;

A OIT ressaltou, na nota divulgada à imprensa, que a maior parte das análises não inclui o comportamento do mercado de trabalho diante do contexto da crise internacional, desencadeada a partir do último trimestre de 2008. Segundo a entidade, a partir do segundo trimestre de 2009, os indicadores voltaram a melhorar em comparação com o período imediatamente pós-crise, se aproximando dos níveis anteriores à mesma.

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Comentários

4 Responses to “Jornada de mulheres é maior que de homens, diz OIT”

  1. [...] This post was mentioned on Twitter by Marina Motomura, Leonardo Sakamoto. Leonardo Sakamoto said: Estudo da OIT diz que jornada de trabalho feminina alcança 57,1 horas semanais, maior que as 52,3 h dos homens: http://tinyurl.com/yhsvg3z [...]

  2. Ricardo disse:

    Não vejo problema nenhum no fato da jornada de trabalho das mulheres ser superior à dos homens… Afinal, é justamente para compensar esse desequilíbrio que elas se aposentam com cinco anos de antecedência… Isso sem falar que nós homens vivemos, em média, sete anos menos do que as mulheres. No final das contas elas acabam saindo no lucro…

  3. daniel disse:

    Olá, doutor Sakamoto! foi difícil encontrar seu blog pois eu estava te procurando pelo ig.
    Agora vou comentar seus artigos

  4. Rodolfo Nunes disse:

    Sakamoto, isso eh verdade inconteste. Só os homens que não veem.