Blog do Sakamoto

Já pensou em beber uma água coalhada de larvas?

Oito trabalhadores juntaram o pouco que tinham para pagar a passagem de ônibus de um deles para que fizesse uma denúncia. O esforço resultou na libertação de quatro pessoas de condições de trabalho escravo em Xapuri, no Acre. A história, bizarra, foi apurada aqui na Repórter Brasil pela Bianca Pyl, da qual trago alguns trechos:

A fiscalização contou com a participação do Ministério Público do Trabalho, da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Acre e da Polícia Federal. As vítimas estavam há um mês na Fazenda Jaborandi e trabalhavam na aplicação de agrotóxicos para eliminar ervas daninhas do pasto. A propriedade fica a 30 km de Xapuri (AC) e pertence à João Miranda Vilela e era administrada por seu filho, Alexandre.

Os empregados eram obrigados a utilizar arbustos como “banheiro”. A água consumida vinha de um igarapé e também era utilizada pelo gado. Em depoimento, um empregado relatou que coava a água com uma camiseta para beber porque havia larvas e até fezes de animais. Para a procuradora do trabalho Marielle Guerra, que fez parte da fiscalização, ficou claro o cerceamento de liberdade, já que as vítimas não tinham condições de ir embora porque não tinham sequer dinheiro para o transporte.

Um dos gatos comprava a comida do próprio patrão e “distribuía” para os trabalhadores. O valor da alimentação seria descontado do pagamento no final da empreitada. “Pelo que apuramos, em um mês, os trabalhadores já deviam R$ 600 para o gato”, relata Marielle. A carne era armazenada em um balde, sem condições adequadas de higiene.

O MPT não conseguiu firmar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). Todavia, os trabalhadores receberam as verbas da rescisão do contrato de trabalho.

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Comentários

5 Responses to “Já pensou em beber uma água coalhada de larvas?”

  1. [...] This post was mentioned on Twitter by Bianca Pyl, Repórter Brasil. Repórter Brasil said: @blogdosakamoto Já pensou em beber uma água coalhada de larvas? http://is.gd/5xBiw [...]

  2. É absurdo como seres humanos são tratados como animais, por motivos estúpidos. Ninguém o impedirá de ganhar dinheiro nesse mundo, ninguém lhe proibirá de ficar milionário, mas será que é preciso tratar pessoas dessa maneira? Não, claro que não.

  3. divaldo. disse:

    Na verdade isto é despreso pelo semelhante, a certeza da impunidade por causa do poder economico e na pior hipótese se considerar superior só porque tem dinheiro.
    Há casos em que até animais são mais valiosos para o patrão que os trabalhadores que fazem pelo trabalho a fortuna dos escravocratas suseranos amigos do rei.
    Deplorável este estado de coisas, mas não é só lá no longinquo estado do Acre que acontece isto, há outro tipo de despreso pelo ser humano que é livre apenas no que diz a constituição mas que na realidade é um prisioneiro das necessidades para viver.
    Esta necessidate se traduz apenas em trabalhar para comer e vestir para viver e em troca sofrer todo tipo de vilipendio dos poderosos.
    É a sina do pobre que está sujeito a uma série de imposição do patrão, seja ele comunista ou capitalista que gosta que lhe estendam um tapete vermelho onde vão passar.
    Aos poderosos tudo e aos vassalos o que sobra destes poderosos.
    Haaaa,,injusta e perversa sociedade burguesa, seja ela comunista, socialista ou capitalista, o seu fim está com os dias contados.

  4. Zeca disse:

    E o q aconteceu com o dono da fazenda e o tal administrador????

  5. gaucho com xexeó disse:

    Por isso que eu digo, devolvam esse Acre à Bolívia e peguem de volta o cavalo que deram por êle( segundo Evo Morales, o grande) e vejam quanto a Bolivia ainda quer para ficar com o Estado e paguem sem piscar.