Blog do Sakamoto

A tragédia e a gente boa do Haiti

A independência do Haiti surgiu da única revolta de escravos bem-sucedida desde a antigüidade. É doloroso ver um país que começou de uma idéia de liberdade ter se tornado o lugar mais pobre das Américas, em que desastres naturais assumem proporções bizarras pela incompetência humana ao longo de gerações.

Gostaria de recomendar um web-documentário veiculado em 2007. “Bon Bagay Haiti – Histórias de Cité Soleil” é fruto de um trabalho de várias mãos, dentre elas as dos meus amigos Aloisio Milani (este, já quase um haitiano de tanto que conhece a ilha e sua gente), André Deak e Rodrigo Savazoni. Jornalistas que estão entre os melhores dessa geração.

É do blog do Milani, que está acompanhando os desdobramentos do terremoto, que tirei as fotos da tragédia, abaixo:

“Bon Bagay” pode ser traduzido como “gente boa”. É como os haitianos cumprimentam os estrangeiros. O documentário tem pouco mais de oito minutos e foi feito com base em depoimentos, em vídeo e fotografias, de pessoas que vivem no bairro mais pobre do Haiti, Cité Soleil.

Tanto quanto o vídeo, recomendo o making of do documentário, postado no blog do Aloisio Milani.

Uma breve sinopse do doc:

Há três anos e meio, as tropas militares brasileiras começaram a chegar ao Haiti, trazendo consigo jornalistas do Brasil e do mundo. Nos jornais, sites e emissoras de televisão, pipocaram imagens de pobres do mais pobre país das Américas. As vozes desses mesmos pobres haitianos, no entanto, raras vezes foram ouvidas.O que pensam eles da ocupação militar? A presença brasileira contribuiu para a melhoria das condições de vida do povo haitiano?

Foi com essas indagações que uma equipe multimídia da Agência Brasil, formada pelos jornalistas Aloisio Milani (direção), Marcello Casal Jr. (fotografia) e Oswaldo Alves (cinegrafia) partiu para registrar, sem escolta da Organização das Nações Unidas (ONU), o cotidiano da mais pobre favela de Porto Príncipe, Cité Soleil.

O resultado é um web-documentário que mostra, pelos olhos de três personagens, como vivem os moradores da favela ocupada neste ano pela ONU para acabar com grupos armados. A maior favela do Caribe foi o último marco da segurança conquistado durante a missão. Os capacetes-azuis conseguiram controlar a situação de violência nas favelas, mas a pobreza e a crise social se mantém como o maior desafio para o país.

E ele próprio:

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Comentários

5 Responses to “A tragédia e a gente boa do Haiti”

  1. Ruth Mercato disse:

    Sakamoto, belo vídeo este dos jornalistas. Se todos dessa profissão trabalhassem assim, com certeza o mundo seria melhor.

  2. Avorrai disse:

    Se fosse em Cuba, o dano seria incrivelmente menor por que o governo estruturou um sistema de prevenção a essas tragédias.

  3. Didi disse:

    Que pesar tenho por essa nação, acometida de miséria que por si só já é desgraça. Receberam de brinde um terremoto pra piorar a situação, mas o Haiti também é aqui…não se precisa ir longe.

  4. Missionário Marcelo disse:

    Eu prometi que me ausentaria desse blog até o dia 10 de janeiro.
    Voltei.
    Errei a data, por 4

  5. Aline disse:

    O documentário é triste, realista. Parece uma favela do Brasil. A situação é caótica, mas a população tb não se ajuda também neh? A senhora entrevistada, tem consciência que o país não tem condições de construir creches, escolas, hospitais, e de criar empregos para todos (ou seja, não é nenhuma ignorante ou alienada do mundo), e tem 9 filhos. Poxa, o que ela esperava? Pq não teve apenas 1? O outro entrevistado, que reclama por não ter condições de melhorar a casa onde vive, que chove dentro, mas teve 4 filhos. Não bastava ter 1 só? Imaginem se cada casal resolvesse ter 9 filhos… imaginem isso na China… país algum tem condições de lidar com isso. O Governo precisa fazer a sua parte, as entidades internacionais podem ajudar, mas a população precisa dar a sua contribuição tb! É um processo lento… isso vai longe!