Em defesa do direito ao aborto e contra a ditadura da religião
Há pouco mais de um ano, estive na 11ª Conferência Nacional de Direitos Humanos, evento que reuniu governo e sociedade civil para discutir o novo 3º Programa Nacional – aquele documento que está gerando comoção nos setores conservadores da sociedade brasilera. Lembro que, no seu discurso de abertura, o presidente Lula foi certeiro ao criticar quem é contra o direito ao aborto: “Quantas madames vão fazer aborto até em outros países, enquanto as pobres morrem nas periferias dos grandes centros urbanos?”
Ele já havia exposto sua posição outras vezes, explicando que pessoalmente não é a favor, mas que a questão do aborto não é de credo e sim de saúde pública. Afinal, quem tem R$ 5 mil faz a intervenção em uma boa clínica, quem não tem paga barato em caixas de Citotec ou usa agulhas de tricô. E ninguém vai impedir que isso continue acontecendo, nem o medo da fogueira eterna de um suposto inferno.
Defendo incondicionalmente o direito da mulher sobre seu corpo (e o dever do Estado de garantir esse direito). É uma vergonha absoluta não darmos a devida atenção às milhares de mulheres que morrem todos os anos por conta de abortos clandestinos mal-feitos como alternativa à inexistência de uma política pública nesse sentido. E uma vergonha maior ainda considerar que a mulher não deve ter poder de decisão sobre a sua vida, que a sua autodeterminação e seu livre-arbítrio devem passar primeiro pelo crivo do Estado e ou de iluminados guardiões dos celeiros de almas, que decidirão quais os limites dessa liberdade dentro de parâmetros estipulados historicamente por homens.
O governo federal vai voltar atrás e ceder aos faniquitos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), retirando a parte do texto que justifica a aprovação do projeto de lei que descriminaliza o aborto que leva em conta a “autonomia das mulheres para decidir sobre seus corpos”. O presidente, como já dito, considera o aborto um problema de saúde pública, mas não endossa esse (justo) pleito dos movimentos feministas.
É extremamente salutar que todos os credos tenham liberdade de expressão e possam defender este ou aquele ponto de vista. Mas o Estado brasileiro, laico, não pode se basear em argumentos religiosos para tomar decisões de saúde pública ou que retirem direitos individuais. A justificativa de que o embrião tem os mesmos direitos de uma cidadã nascida é, no mínimo, patético.
Já é um absurdo prédios públicos, como o plenário do Supremo Tribunal Federal, ostentarem crucifixos. Ah, e antes que alguém apele, não sou ateu e isso não faz diferença nesse debate, tanto que uma das organizações mais atuantes em prol dos direitos reprodutivos é a Católicas pelo Direito de Decidir. Agir em prol de motivos religiosos seria mais uma derrota da razão, somada às derrotas diárias para a desigualdade, o preconceito, a intolerância… “É cultural”, justificam alguns. O argumento é risível, o mesmo dado por fazendeiros que superexploram trabalhadores, defendendo uma cultura construída por eles mesmos e, por isso, excludente. Nesse caso, poderíamos considerar que vivemos em uma ditadura religiosa, pois uma democracia prevê o respeito pelas diferenças.
Vale lembrar que apesar da fala dura de Lula há mais de um ano, o governo federal não tem agido muito no sentido de efetivar direitos reprodutivos. Esperemos que o presidente não se deixe levar pelo acordo bilateral que firmou com o Vaticano e que traz sérias preocupações à manutenção de um pleno Estado laico.

Com todo o respeito, o slogan “direito ao próprio corpo” já pe falho por si só, pois uma vez iniciada a gravidez, já não é apenas o corpo da mulher, mas também o do nascituro.
Tal opinião nada tem a ver comn religião, mas sim com a questão de a partir de que momento um ser humano passa a ter o direito a vida, que é a base de todos os demais direitos
Caro João, o problema desse argumento é o de afirmar categoricamente que a vida se inicia no ato da fusão de óvulo e espermatozóide. Isso é altamente discutível. Sugiro essa leitura para colocar mais dúvidas na questão:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u685466.shtml
Sakamoto, você matou a pau. O argumento de que um embrião tem o mesmo direito que uma mulher nascida é o cerne da questão. Quem reclama é quem tem dinheiro para fazer aborto. Quem morre de hemorragia na fila do SUS por aborto mal feito não reclama de mudança da lei.
Brasil, o país da hipocrisia.
O Senhor Deus virá com uma espada em chamas e irá fazer justiça sobre infiéis pecadores como você. Que o Céu tenha piedade quando o dia do Juízo Final Chegar.
Enquanto isso, vivemos com os “sem-juízo” como você, né minha filha.
Parabéns pelo texto corajoso, Sakamoto.
Realmente, depois dessa demonstração de tolerância e do amor e compaixão divinos acho que a discussão pode se dar por encerrada, né Júlia?
A VIDA,é muito mais que um simples texto (bem ou mal escrito) e muito mais que um mero sim ou não.
Concordo quando você diz que:”E uma vergonha maior ainda considerar que a mulher não deve ter poder de decisão sobre A SUA vida.”
- Isso mesmo,direito sobre “SUA VIDA”,quando envolve outras questões,outras vidas,é justo? matar,por algo meramente estético?Por algo cômodo?
- Se fôssemos um desses abortados?Onde fica o “Direito”?Inerente ao ser Humano?Será mesmo que é só a RELIGIÃO,que não concorda,com razão,por ser algo DESUMANO!
“Não mates nem estragues, porque, como não sabes o que é a vida, excepto que é um mistério, não sabes que fazes matando ou estragando, nem que forças desencadeias sobre ti mesmo se estragares ou matares.”
(Fernando Pessoa)
A observação do João Sergio é muito importante, não apenas em termos jurídicos mas também, digamos, “científicos”. E aí?
E quando você se referir ao filho de mais uma adolescente da periferia como delinquente, lembre-se que você com seu moralismo ajudou a salva-lo do aborto, porquê ele merecia o direito a vida…
A verdade é que o Brasil ainda é um país hipócrita até doer, em que direitos e até deveres fictícios ainda mobilizam camadas da sociedade e impedem qualquer tipo de avanço em termos sociais e culturais. Somos uma teocracia das mais vagabundas, com uma religião sendo imposta de maneira absurda, causando danos principalmente em quem não concorda com ela. Absurdo, absurdo. Educação neles, e com sorte teremos uma sociedade mais ou menos respeitável daqui a mais 500 anos.
Interessante esses “esquerdas humanistas”.Segundo êles têm uma profunda preocupação com o desmate,(coitadas das árvores)com o futuro da humanidade (que mundo vamos deixar para nossos filhos, netos?) com os animais, (já pensou quantas espécies estamos destruindo?) , mas com crianças ainda não nascidas é válido matá-las em nome do direito ao corpo da mulher. Isso sim é hipocrisia e achar que só tem trouxa no mundo.
Trouxa, como você? Um embrião de três meses vale menos que uma mulher de 25 anos. Se você acha que isso não é verdade, coitada da sua companheira. Eal deve ser muito maltratada – se é que você tem uma.
Ciro, não tem nada a ver com “esquerda” e tudo com humanismo. Essa noção de que a mulher não tem direito a escolher o que faz com o próprio corpo e que o embrião deve ser protegido está certamente associada àquela velha ideia de que a mulher é só um receptáculo pro rebento que vai cuidar das posses do pai depois. Só pra lembrar, ninguém em absoluto acha que fazer um aborto é como ir ao parque de diversões, e mesmo que clínicas de aborto existissem em número como as padarias, ainda assim um aborto é um procedimento cirúrgico, delicado, e requer tanto ou mais cuidados – inclusive por envolver o lado psicológico – quanto a retirada de um ciso ou de uma unha encravada. Se você já passou por uma dessas, sabe do que eu estou falando. A questão não é transformar o aborto num método contraceptivo, mas dar à mulher um direito de escolha. Métodos contraceptivos já existem aos montes, como a camisinha. Opa, a igreja católica também condena… E agora, José?
Carla:
Encarar o aborto como uma troca de vida de uma mulher com 25 anos com um embrião, é falta de conhecimento lógico. O aborto que os ” humanistas” defendem não é uma troca mas uma morte pura e simples.Ao menos poderiam deixar de ser hipócritas e falar em futuro da humanidade, quando não cuidam do presente.
Se teus argumento não for melhor do que isso, por favor se instrua.
teu
Discutir quem tem mais direito a vida ´e inutil. Uma maneira de evitar tanto desamor ´e muito simples: contraceptivos. Divulgar a importancia do seu uso e facilitar o acesso a eles por parte do poder publico certamente seria bem mais interessante.
Se direito ao próprio corpo fosse um fato incontestável a eutanásia, o suicídio, seriam práticas permitidas ou aceitáveis socialmente… Se querem mesmo abraçar a causa do “direito ao corpo”, comecem por aí!
É indiscutível que o feto, o embrião, é um outro ser. Se ele fosse “o corpo da mulher” teria o mesmo código genético que ela (como um clone). Ou seja, nem mesmo pela ciência dá para sustentar a hipótese da “defesa do corpo da mulher” já que o filho (em qualquer estágio de desenvolvimento) não é o corpo da mulher. Também é induscutivel que a gestação e a maternidade trazem um impacto estrondoso no corpo e na vida da mulher. É justamente o impacto na vida que faz com que se use o argumento do impacto no corpo para defesa do aborto – esta sim é uma grande hipocrisia.
Argumentar que as mulheres pobres morrem fazendo aborto enquanto as ricas o fazem tranquilamente em clínicas de luxo e, portanto, devemos dar o mesmo direito as mulheres pobres é mais ou menos como argumentar que no Brasil só vai ladrão pobre para cadeia… isto também é verdade, mas eu nunca vi ningém defendendo que os ladrões pobres devam ser soltos em nome da “igualdade” social.
Dá para entender perfeitamente o que se passa na cabeça da mulher quando ela decide fazer um aborto. O não dá para entender e ela não encarar o fato de que está sim cometendo um crime e uma covardia contra alguém que não tem a chance de opinar ou se defender. É mais fácil distorcer a realidade do que admitir as fraquezas.
É verdade, Chris. Também a eutanásia, uma outra decisão de foro pessoal que é vedada ao cidadão, mal vista na nossa sociedade em função de um sistema moral que remonta a alguns séculos atrás. E não para aí: o uso de drogas cai na mesma situação. Que tipo de liberdade é essa em que eu não tenho o direito de fazer o que quiser com meu corpo?
Bem, sobre o aborto especificamente, tem uma campanha sobre isso aí que você disse. Dá uma olhada:
http://www.youtube.com/watch?v=_GDsuSk1vdA
Posso não concordar com a morte prematura de um embrião, mas lutarei até o fim para que as mulheres decidam o que querem fazer com seus respectivos corpos.
É questão de escolha – e o direito de escolha é algo fundamental em u m estado democrático laico.
Não tem nada a ver com ideologia.
Que tal demonstrar todo este apóio no Beijaço do dia 7 de fevereiro na Paulista, 17h, em defesa do PNDH-3, das mulheres e homossexuais?=)
http://www.trezentos.blog.br/?p=4044 (Mais infos do Beijaço)
Ah doutor, se o cidadão não consegue escolher a forma de evidar uma gravidez, como vai poder decidir por interomper? As posições da Igreja vem mostrar o que existe de pior na cabeça das massas moderninhas e isso incomoda. Posso dizer também que o governo não pode dar ouvidos a Doutores no que diz respeito a quem tem ou quem não tem direito a vida.
O problema do aborto é sociológico, psicológico, fisiológico, entre outros, MENOS legal. Meter um “têje presa” não resolve problema algum, trata-se apenas de uma caça às bruxas.
E não me refiro a religião, mas sim a essa “história da carochinha” que é o direito, que prende o que acha feio (como a mulher que roubou um tablete de margarina) enquanto deixa livre a quem acha bonitinho (Dantas, Arruda, etc).
Por fim, como sou um sem-mito (ateus são uma minoria, eu estou com a maioria), vamos malhar a religião: pelo menos 80% dos abortos que acontecem no mundo culpa de Deus, uma vez que são naturais.
Acho um tédio ver que uma questão com esta pode ainda causar tanta polêmica e certos comentários absurdos como se vê acima. Sou mulher e sei tudo o que posso fazer para evitar uma gravidez, mas acho completamente natural querer interromper no caso de acontecer. O corpo é meu, a vida é minha, sim, minha – não existe nenhuma outra neste caso, ninguém está matando ninguém, acordem! Chega gente, chega de hipocrisia e de julgamentos imbecis. Um país que se comporta assim diante de assuntos como este não vai ser uma bom lugar nunca, jamais.
Complementando. Eu não acho o aborto uma experiência interessante, é chato, incômodo, desagradável mesmo. Óbviamente não deve ser encarado como uma solução contraceptiva, pois isso seria ignorante. Porém, a mulher deve poder escolher no caso de acontecer e ela não desejar passar por isto, afinal o que está em questão é a vida que virá pela frente, e nem todo mundo sonha em ter filhos ou está preparado. Consciência é muito importante, antes, durante e depois.
É impressionante ler os argumentos de quem defende a legalização do aborto. É impressionante como reduzem toda essa questão ao “simplismo banal” do argumento de que a mulher tem direito sob o seu próprio corpo! É impressionante como pessoas inteligentes, que teoricamente defendem aquilo que é “politicamente correto”, vêem aqueles que não são a favor do aborto como se fossem seres de mentalidade inferior e tolos religiosos. Particularmente acho bobagem ir contra a legalização do aborto usando argumentos religiosos. Isso não é uma questão de religião! Legalização do aborto não é uma simples questão de se crer ou não que cada um dará conta de seus atos ao Criador e doador da vida. E muito menos é uma questão de ter ou não direito ao próprio corpo. Esse argumento de a mulher tem direito ao próprio corpo é, no mínimo, inidôneo, desonesto, pouco reflexivo e caprichoso!! Ora, é obvio que, não apenas a mulher, mas qualquer ser humano tem direito sobre seu próprio corpo, e se esse fosse o caso, os que assim argumentam hão de convir que uma campanha pelo direito de arrancar o dedo, o pé, as orelhas, os braços, pernas, não encontraria a menor resistência! Porque ninguém faz uma campanha pelo direito de amputar as pernas?????
Ora, ocorre que o feto não é parte do corpo feminino, como uma unha, um dedo, ou mesmo um braço ou uma perna!!! Um feto é um ser humano, uma vida, que se encontra dentro do corpo feminino, e sendo um ser humano, não pode ser propriedade da mulher que o carrega em seu ventre. Direito ao aborto não é direito feminino. Aliás, não existe isso de “direito feminino”, existe sim, direito humano. A mulher não tem direito pelo fato de ser mulher, mas tem TODOS os direitos inerentes à condição humana. Como o feto também tem direito à vida, a nascer, uma vez que foi concebido. Tratar fetos como “coisas” é banalizar a vida!
E mais, Esse argumento de que feto não é nada, apenas um pedaço de carne descartável oculta uma falta de reflexão em relação à vida e às responsabilidades inerentes à condição humana. Acredito que todas as pessoas que defendem a legalização do aborto são inteligentes o suficiente para perceber que um ser humano não é igual a um bode, a um cavalo, a um gato, a uma árvore a um peixe e aos demais seres vivos que nos cercam. Somos diferentes porque temos consciência e capacidade de refletir sobre nossos atos e nossas responsabilidades sobre as conseqüências de nossas escolhas, diferentemente de uma árvore ou um cavalo. Daí que dizer que a mulher tem direito a seu próprio corpo implica dizer que a mulher tem direito a NÃO CONCEBER em seu ventre um filho, se assim desejar. Se a mulher não quer o feto, tem o dever não ficar grávida. OU SEJA, NENHUMA MULHER TEM NECESSIDADE DE ABORTAR, PORQUE TEM A ESCOLHA DE SIMPLESMENTE NÃO ENGRAVIDAR. DIREITO AO ABORTO NÃO É DIREITO. DIREITO AO ABORTO É EXIGIR DIREITO A IRRESPONSABILIDADE. Ora, todos sabem que, desde que o “mundo é mundo”, sexo significa grande possibilidade de gravidez. Ocorre que em nossa geração a um seguimento de pessoas que insiste em afirmar que nós, os seres humanos, podemos viver como bestas-feras do campo, dando vazão aos instintos sexuais como desvairados incontroláveis e sem freios e depois podemos sair disso sem nenhuma responsabilidade pelas conseqüências!!! Essa campanha pela legalização do aborto é totalmente irracional!!! A sociedade e nem as mulheres precisam disso!!! E mais: ninguém para refletir sobre as conseqüências físicas negativas para o corpo da mulher decorrentes de sucessivos abortos. Porque ninguém parou para pesquisar o quanto de danos físicos pode sofrer uma mulher faz vários abortos, mesmos os chamados abortos “seguros”, assistidos por médicos???
Essa campanha tem o objeto errado. A campanha certa deveria ser pela recuperação da racionalidade humana, sob a égide de que nós, como seres racionais, devemos nos responsabilizar pelos nossos atos, daí a necessidade de SER EVITAR A CONCEPÇÃO IRRESPONSÁVEL. É preciso uma campanha para conscientizar homens e mulheres para que não concebam fetos pelos quais não queiram se responsabilizar.
Porém, o que se vê é exatamente o contrário: Jovens, e pessoas de toda idade são estimulados de forma desenfreada a viverem submissos aos seus instintos sexuais, vivendo como animais e sem que disso resulte nenhuma responsabilidade, como se fôssemos bestas do campo.
Depois se desencadeiam campanhas loucas como legalização do aborto. Isso é irracional!
Mas, peço encarecidamente a você, Sakamoto, que me ceda esse espaço para insistir que somos mais que animais irracionais, somos mais que bichos vivendo instintivamente, somos humanos, somos o que de mais excelente existe na criação. Apesar de tudo que se vê, eu insisto em somos uma espécie especial, e é disso que decorre nossa RESPONSABILIDADE!! Por exemplo, pagamos caro pelas nossas escolhas erradas que degradam o meio ambiente e ainda pagaremos mais. Pagaremos também por cada escolha irresponsável que fizermos. É muito fácil dizer que o feto não é vida. Muito simples, não?? Mas, você, Sakamoto, não estaria aqui, prestando um servido à sociedade, se sua mãe tivesse decidido que você, aos 20 dias de concepção, era um estorvo para ela! Que tal pensar por aí? Isso é muito profundo! Sexo é prazer, e que prazer!!! Mas é também responsabilidade!!! Se de uma relação sexual é concebido um outro ser humano, dá pra concluir que esse ato não pode ser um ato irresponsável. Pois, se faço sexo e desse ato concebo um outro ser semelhante a mim, não tenho apenas a OBRIGAÇÃO DE PERMITIR QUE ESSE FETO VENHA AO MUNDO, MAS TENHO AINDA QUE ME RESPONSABILIZAR PARA GARANTIR A ESSE SER HUMANO TENHA UMA VIDA DIGNA E ME OBRIGAR EM RELAÇÃO A ELE. Como você pode perceber, esse discurso feminista esconde muitas questões que são evitadas a todo custo por aqueles que o defendem.
Agora, quero que pense sobre essas questões e me responda esse comentário, pois me admira muito que alguém que parece tão sensível às questões humanas, como você, seja assim tão simplista em relação a uma questão que diz respeito fundamentalmente ao direito a vida!
Agradeço imensamente se você publicar o meu comentário, pois as pessoas precisam pensar sobre isso.
Muito grata,
MARIA AUXILIADORA
(Acabo de reler meu comentário (acima) e percebi alguns erros de português. Revisei, fiz correções ortográficas, mas o conteúdo continua o mesmo. Peço que publique o texto abaixo corrigido. Grata, Maria)
É impressionante ler os argumentos de quem defende a legalização do aborto. É impressionante como reduzem toda essa questão ao “simplismo banal” do argumento de que a mulher tem direito sobre o seu próprio corpo! É impressionante como pessoas inteligentes, que teoricamente defendem aquilo que é “politicamente correto”, vêem aqueles que não são a favor do aborto como se fossem seres de mentalidade inferior e tolos religiosos. Particularmente acho bobagem ir contra a legalização do aborto usando argumentos religiosos. Isso não é uma questão de religião! Legalização do aborto não é uma simples questão de se crer ou não que cada ser humano dará conta de seus atos ao Criador e doador da vida. E muito menos é uma questão de ter ou não direito ao próprio corpo. Esse argumento de que a mulher tem direito ao próprio corpo é, no mínimo, inidôneo, desonesto, pouco reflexivo e caprichoso!! Ora, é obvio que, não apenas a mulher, mas qualquer ser humano tem direito sobre seu próprio corpo, e se esse fosse o caso, os que assim argumentam hão de convir que uma campanha pelo direito de arrancar o dedo, o pé, as orelhas, os braços, pernas, não encontraria a menor resistência! Porque ninguém faz uma campanha pelo direito de amputar as pernas?????
Ocorre que o feto não é parte do corpo feminino, como uma unha, um dedo, ou mesmo um braço ou uma perna!!! Um feto é um ser humano, uma vida, que se encontra dentro do corpo feminino, e sendo um ser humano, não pode ser propriedade da mulher que o carrega em seu ventre. Direito ao aborto não é direito feminino. Aliás, não existe isso de “direito feminino”, existe sim, direito humano. A mulher não tem direito pelo fato de ser mulher, mas tem TODOS os direitos inerentes à condição humana. Como o feto também tem direito à vida, a nascer, uma vez que foi concebido. Tratar fetos como “coisas” é banalizar a vida!
E mais, Esse argumento de que feto não é nada, apenas um pedaço de carne descartável oculta uma falta de reflexão em relação à vida e às responsabilidades inerentes à condição humana. Acredito que todas as pessoas que defendem a legalização do aborto são inteligentes o suficiente para perceber que um ser humano não é igual a um bode, a um cavalo, a um gato, a uma árvore a um peixe e aos demais seres vivos que nos cercam. Somos diferentes porque temos consciência e capacidade de refletir sobre nossos atos e nossas responsabilidades, sobre as conseqüências de nossas escolhas, diferentemente de uma árvore ou um cavalo. Daí que dizer que a mulher tem direito a seu próprio corpo implica dizer que a mulher tem direito a NÃO CONCEBER em seu ventre um filho, se assim desejar. Se a mulher não quer o feto, tem o dever não ficar grávida. OU SEJA, NENHUMA MULHER TEM NECESSIDADE DE ABORTAR, PORQUE TEM A ESCOLHA DE SIMPLESMENTE NÃO ENGRAVIDAR.
DIREITO AO ABORTO NÃO É DIREITO!
DIREITO AO ABORTO É EXIGIR DIREITO A IRRESPONSABILIDADE! E ISSO É INSANO!
Ora, todos sabem que, desde que o “mundo é mundo”, sexo significa grande possibilidade de gravidez. Ocorre que em nossa geração há um seguimento de pessoas que insistem em afirmar que nós, os seres humanos, podemos viver como bestas-feras do campo, dando vazão aos instintos sexuais como desvairados incontroláveis e sem freios e depois podemos sair disso sem nenhuma responsabilidade pelas conseqüências!!! Essa campanha pela legalização do aborto é totalmente irracional!!! A sociedade e nem as mulheres precisam disso!!! E mais: ninguém para refletir sobre as conseqüências físicas negativas para o corpo da mulher decorrentes de sucessivos abortos “seguros”. Porque ninguém parou para pesquisar o quanto de danos físicos pode sofrer uma mulher que faz vários abortos, mesmos os chamados abortos “seguros”, assistidos por médicos???
Essa campanha tem o objeto errado. A campanha certa deveria ser pela recuperação da racionalidade humana, sob a égide de que nós, como seres racionais, devemos nos responsabilizar pelos nossos atos, daí a necessidade de SER EVITAR A CONCEPÇÃO IRRESPONSÁVEL. É preciso uma campanha para conscientizar homens e mulheres para que não concebam fetos pelos quais não queiram se responsabilizar.
Porém, o que se vê é exatamente o contrário: Jovens e pessoas de toda idade são estimulados de forma desenfreada a viverem submissos aos seus instintos sexuais, vivendo como animais e sem que disso resulte nenhuma responsabilidade, como se fôssemos bestas do campo.
Depois se desencadeiam campanhas loucas como legalização do aborto. Isso é irracional!
Mas, peço encarecidamente a você, Sakamoto, que me ceda esse espaço para insistir que somos mais que animais irracionais, somos mais que bichos vivendo instintivamente, somos humanos, somos o que de mais excelente existe na criação. Apesar de tudo que se vê, eu insisto que somos uma espécie especial, e é disso que decorre nossa RESPONSABILIDADE!! Por exemplo, pagamos caro pelas nossas escolhas erradas que degradam o meio ambiente e ainda pagaremos mais. Pagaremos também por cada escolha irresponsável que fizermos. É muito fácil dizer que o feto não é vida. Muito simples, não?? Mas, você, Sakamoto, não estaria aqui, prestando um servido à sociedade, se sua mãe tivesse decidido que você, aos 20 dias de concepção, era um estorvo para ela! Que tal pensar por aí? Isso é muito profundo! Sexo é prazer, e que prazer!!! Mas é também responsabilidade!!! Se de uma relação sexual é concebido outro ser humano, dá pra concluir que esse ato não pode ser um ato irresponsável. Pois, se faço sexo e desse ato concebo outro ser humano, semelhante a mim, não tenho apenas a OBRIGAÇÃO DE PERMITIR QUE ESSE FETO VENHA AO MUNDO, MAS TENHO AINDA QUE ME RESPONSABILIZAR PARA GARANTIR QUE ESSE SER HUMANO TENHA UMA VIDA DIGNA E ME OBRIGAR EM RELAÇÃO A ELE. E é exatamente isso que os defensores do aborto não querem: responsabilidade. Como você pode perceber, esse discurso feminista esconde muitas questões que são evitadas a todo custo por aqueles que defendem a o aborto.
Agora, quero que pense sobre essas questões e me responda esse comentário, pois me admira muito que alguém que parece tão sensível às questões humanas, como você, seja assim tão simplista em relação a uma questão que diz respeito fundamentalmente ao direito a vida!
Agradeço imensamente se você publicar o meu comentário, pois as pessoas precisam pensar sobre isso.
Muito grata,
MARIA AUXILIADORA
Sakamoto,
Você me deixou sem resposta. Pq?
Maria
A Ivana disse que não teria problema nenhum em abortar, alegando: “O corpo é meu, a vida é minha, sim, minha – não existe nenhuma outra neste caso, ninguém está matando ninguém, acordem!”
Então, por que você não “aborta” o bebê logo depois de ele nascer? Afinal, não é vida nenhuma, veio do seu corpo mesmo e é só um lapso de tempo, nove meses, não é?
A vantagem é que você não precisa tomar anestesia, nem se machuca, nem corre o risco de passar por curetagem, ficar estéril…
Concordo com você, chega de hipocrisia, começando pelo que você disse. Não precisa ser hipócrita, você pode agir de acordo com o que defende, como quer. Afinal, você não desejaria mesmo a criança. Pra quer tê-la e cuidar dela, então?
Presidente Lula decreta Programa Nacional de (violação) de Direitos Humanos
(Decreto 7.037, de 21 de dezembro de 2009. )
O direito à vida é a base de todo o sistema dos Direitos Humanos, pois “estar vivo” é a condição natural e universal para que um ser humano seja titular, e possa gozar, de quaisquer outros direitos. Aos mortos, por acaso interessa algum direito civil, político, social ou ambiental? O Direito serve aos vivos, e não aos mortos! Portanto, privar uma classe inteira de seres humanos do seu fundamental direito à vida constitui a mais aberrante proposta que se possa fazer num Programa Nacional de Direitos Humanos. No entanto, é exatamente isto o que propõe este Programa: privar do direito à vida toda uma classe de seres humanos absolutamente inocentes e indefesos.
Veja o que diz o texto deste decreto presidencial, na página 91. Para “universalizar Direitos”, “combater desigualdades” e “garantir os direitos das mulheres”, foi decretada a seguinte Ação Programática: “Apoiar a aprovação do projeto de lei que descriminaliza o aborto, considerando a autonomia das mulheres para decidir sobre seus corpos.” O Ministério da Saúde, a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, e o Ministério da Justiça, serão os responsáveis por esta ação. E o decreto ainda faz a seguinte Recomendação: “Recomenda-se ao Poder Legislativo a adequação do Código Penal para a descriminalização do aborto.” (www.sedh.gov.br)
O que significa “descriminalizar o aborto” numa República como a nossa, que tem como fundamento constitucional “a dignidade da pessoa humana”, como objetivo fundamental “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”, regendo-se pelo princípio da “prevalência dos direitos humanos”, onde “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”, e onde “a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais”? (Constituição Federal de 1988).
Pois bem. A descriminalização, ou legalização do aborto no Brasil, significa isto: deixará de ser crime neste País matar um ser humano no início de sua vida. Uma fase natural da vida de todas as futuras gerações de brasileiros, simplesmente deixaria de ser protegida e assegurada em nossa Legislação. Deste modo, o Estado brasileiro autorizaria todas as mães a matarem seus próprios filhos mediante o aborto, e inclusive a fazê-lo com toda assistência médica e hospitalar necessária para que nenhum dano aconteça à saúde da mãe. Assim, filhos e filhas indesejáveis poderão ser mortos e eliminados com segurança, sem que se violem os “direitos das mulheres” e a sua autonomia para decidir sobre seus corpos. Demência pior que esta, só mesmo aquela loucura coletiva que resultou no genocídio nazista.
O que este pomposo Programa Nacional de Direitos Humanos está propondo aí, é uma cruel discriminação de todos os seres humanos de uma determinada faixa etária (a ser arbitrariamente definida pelo Congresso Nacional, que decidirá quais seres humanos serão privados de quaisquer Direitos Humanos neste País). É de arrepiar os cabelos este ressurgimento mundial de movimentos ideológicos que discriminam uma categoria inteira de seres humanos como se fossem “coisas” sem nenhum direito, privando-os até mesmo da própria natureza humana, e dizendo ao povo com aquela voz sinuosa de serpente: “Pode matar. Só é ser humano depois que nasce!” Ideologia hipócrita, perversa e discriminatória compartilhada até mesmo por médicos, juristas, jornalistas, deputados, ministros e autoridades desta República. Será que o nosso Presidente também compartilha desta mesma opinião? Ele teima em dizer que não. Pois então, Presidente, retire imediatamente deste seu decreto esta Ação Programática que viola todos os Direitos Humanos das futuras gerações de brasileiros.
Como diz o Prefácio deste Programa: “Universalidade estabelece que a condição de existir como ser humano é requisito único para a titularidade desses direitos.” É isto também o que diz a campanha governamental na TV: “Para ter (direitos humanos), basta ser (um ser humano)”. Ora, quem acredita nisto de verdade, não pode jamais admitir a legalização do aborto e a conseqüente negação de todos os Direitos Humanos ao nascituro (que é, sem sombra de dúvida, um ser humano como nós e membro da mesma espécie humana). E quem quer ou aceita a legalização do aborto, na verdade nunca acreditou na Universalidade dos Direitos Humanos. Pois uma coisa exclui a outra, de modo claro e absoluto. São duas posições e convicções inconciliáveis.
Cada um decida de que lado quer ficar: ou defendemos os Direitos Humanos e a igualdade de todos perante a lei, ou defendemos a legalização do aborto, a violação dos Direitos Humanos, e a desigualdade perante a lei. Numa questão como esta, em que se decide sobre a vida ou a morte de seres humanos, ficar calado em cima do muro é fechar os olhos e consentir na legalização de um genocídio igual a outros que já fizemos no passado, e que hoje tanto recriminamos. Foi assim com o genocídio e escravidão de negros, indígenas e etnias inteiras. Foi assim com o genocídio religioso e político. Foi assim também com o holocausto nazista. E agora é esta programada matança hospitalar de nossos próprios filhos. Quando é que vamos parar de inventar razões para matar os outros? Não podemos parar com esta hipocrisia? A escolha agora é nossa. Só nossa.
A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória! Vamos semear a vida, e não a morte das futuras gerações humanas. Em vez de dar ouvidos a um punhado de autoridades cavernosas e ativistas raivosas que querem a todo custo impor o “direito” de matar os próprios filhos, vamos ouvir as mulheres e homens do povo que trabalham e lutam pelo sagrado direito de dar vida a seus filhos: “Como os pássaros, que cuidam de seus filhos ao fazer um ninho no alto das árvores e nas montanhas, longe de predadores, ameaças e perigos, e mais perto de Deus, deveríamos cuidar de nossos filhos como um bem sagrado, promover o respeito a seus direitos e protegê-los.” Palavras de vida da Dra. Zilda Arns, e que inspiram o trabalho voluntário de milhares de mulheres na Pastoral da Criança. Isto sim é uma Ação Programática para se incluir num Programa Nacional de Direitos Humanos. E jamais aquela aberração neo-nazista que lá está.
Vamos, Presidente Lula, escolha a vida dos brasileirinhos e retire já do seu decreto esta semente de morte e violação de seus Direitos Humanos. Isto é um ovo de serpente que só vai gerar mais morte ainda. O povo brasileiro quer a vida, não a morte. Imagine, Presidente Lula, se a sua mãe tivesse invocado este pretenso “direito” das mulheres e tivesse abortado a sua pessoa! Mas graças a Deus ela não se atribuiu este “direito”, e acolheu a sua vida com amor e sacrifícios. E graças a isto, nós temos hoje o menino Lula como Presidente desta República. Siga o exemplo de sua mãe, mulher deste povo que o elegeu para defender a vida e os direitos de todos nós.
E manifeste-se você também, caro leitor. Pense, argumente, mande e-mail ou publique num jornal a sua palavra em favor da vida. Para que todo ser humano (de qualquer idade e condição) tenha neste País ao menos o seu “direito de viver” garantido na lei.
Hugo Camargo Rocha
(ainda com direito à vida…)
Desculpe usar este espaço, mas estou há quase 1 ano procurando Hugo Camargo Rocha, formado em Letras (Francês) pela USP há algum tempo e que trabalhou no IEB. Se o comentário acima foi desse Hugo que procuro, por favor, entre em contato comigo no amarques@usp.br. Muito agradecida. Aline
aborta quem quer, nao aborta quem nao quer…
a culpa de toda essa discordia eh da igreja, o cancer da sociedade
Daniel, meu caro,
Ainda bem que as pessoas valem mais que suas idéias! Se assim não fosse você estaria em péssima situação. Sua afirmação é a mais tola e idiota que alguém poderia fazer. A propósito, de que igreja mesmo você está falando? Se estiver se referindo a religião de um modo geral, quero só dizer a você que a raça humana, apesar de ser a espécie mais excelente de todas, tem uma visível tendência à destruição e a religião, quando usada como pretexto para o cometimento de injustiças é apenas mais um pretexto, pois o ser humano é mau em todos os seus desígnios. E, apesar de tudo, os freios morais e éticos colocados pela religião contribuem em alguma medida para conter a tendência maligna de cada ser humano. Além do mais aborto não é questão de religião, é uma simples questão de proibir o homicídio de um ser humano em formação. (leia o texto que escrevi acima) Espero que seus neurônios sejam suficientes para entender isso. Pois até um ser humano insano como você já esteve no ventre de sua mãe com 1, 2, 3 …. 20 dias (Ou será que você nasceu de uma chocadeira??? Será???) Se sua mãe tivesse abortado você, apesar de ela ter evitado que um ser humano insensível e tolo viesse ao mundo, ela teria cometido um homicídio!! E isso teria sido horrível, não acha?!!
Maria