Blog do Sakamoto



Governo do Rio receita “demolição” para tratamento do crack

Leonardo Sakamoto

O assunto não é fácil. Crack é uma das piores drogas que existe, vicia e acaba rápido com a pessoa. Até os traficantes não gostam dela. O produto é barato, o fissurado não respeita nada para ter acesso a ela – tudo o que um comerciante de drogas não precisa. Mas seus usuários devem ser tratados como dependentes químicos não como bandidos. O caso é que o Estado não tem idéia do que fazer e vêm adotando políticas de limpeza social como se fossem a panacéia para esse tipo de problema.

O Rio de Janeiro segue o exemplo de São Paulo e começou a demolir uma de suas “cracolândias”. Lá, pelo menos, o ato de por abaixo não veio empacotado com justificativa de “revitalização” de uma região antes nobre, que parece resolver o problema ético de mandar para longe quem não se enquadra com a admirável paisagem nova. Até porque, a linha de trem do ramal de Belford Roxo, em Jacarezinho, está longe de ser o bairro da Luz, gente bacana não circula por lá. Então, os predinhos podem ir para o chão mesmo.

Sei que nem sempre há diálogo com dependentes químicos de crack e há medidas drásticas que podem ser tomadas. Conheço famílias que já tentaram de tudo e, para evitar que o ente querido morresse, a internação foi necessária. A discussão é complexa para restringir em um post o que é certo e errado nessa área. Mas certamente, acabar com o consumo por decreto, através de retroescavadeiras como foi feito no Rio, não é a melhor alternativa. Veja o caso bizarro da capital paulista: quem vai à Sala São Paulo para ouvir um concerto ou à Estação Pinacoteca não precisa se deparar mais com tanto trapo humano andando, vidrado, por lá. A ação do poder público está espirrando esse pessoal de lá e espalhando em outros cantos, como na região da Barra Funda, por exemplo.

O Estado brasileiro está tirando do armário algumas de suas práticas tacanhas que, antes, tinha vergonha de mostrá-las em público para varrer para baixo do tapete problemas que não consegue (ou não quer) resolver. Antes, usava agentes privados, na forma de pseudo-mercenários, para o serviço sujo e depois fazia cara de paisagem, lamentando. Agora, o ato de jogar a criança fora com a água do banho está sendo assumida pelo próprio poder público para um “bem maior”.

Será que esse pessoal não entende de economia? Acham que vão acabar com a demanda movendo o consumidor de lugar? Faz me rir. Mas é ano eleitoral e matéria de denúncia não pode ficar sem uma resposta enérgica – mesmo que inútil. Pareceê aquelas blitz em São Paulo que vêm, prendem todos os usuários e, meia hora depois, quando a TV foi embora, solta todo mundo – até porque não sabem o que fazer com eles.

Uma última curiosidade: dos pontos que mais me chamou a atenção nessa história é que uma das justificativas da força policial carioca para a ação no Jacarezinho é que, além de locais irregulares para consumo de droga, as construções também serviam como prostíbulos. Ah, sim todas as casas de tolerância do Rio estão no Jacarezinho. Nada na Zona Sul? Essa nova política de “puteiro no chão” vai atingir todas as classes sociais ou só os rotos e rasgados? Pois se o Rio ou São Paulo tiverem que demolir todas as casas acusadas de serem “prostíbulos” nos bairros ricos, vão deixar o pessoal da classe abastada muito insatisfeito. E policiais que fazem bicos de sugurança nessas casas fora do expediente vão perder seu emprego.

  1. HizMeenevedge

    07/01/2012 17:47:30

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  2. Anderson Moraes

    24/05/2010 16:34:37

    Tratamento aos que se interessaem, porão aos que não. E classificá-los somente como usuários deixa-os na confortável condição de reféns dos traficantes.A mim nunca nenhum traficante ofereceu drogas, porque?

  3. Simplesmente Simplício

    24/05/2010 11:52:45

    24.05.10Posso até ser um cego ou um míope mas nunca que consigo ver esse consumo desbragado de drogas que a imprensa e os círculos de repressão (que ganham muito com isso) divulgam. Pelas notícias que temos, parece que em cada esquina, em cada casa, em cada praça,vivem viciados e traficantes, tudo num consórcio de dar gosto, sem que ninguém ligue prá isso. Digo e redigo, esse negócio de dar combate às drogas custa um dinheirão ao contriuinte e tem muito neguim rico, milio-nário até, nesse negócio. Não estou dizendo que o consumo não deveser combatido, mas acho que deve-se gastar mais na prevenção doque no combate ao vício em si. Também é preciso não penalizar o mi-serável e pobre viciado com castigos draconianos quando o que precisa, na verdade, é de tratamento, apoio, família, amigos. Que os traficantes merecem penas duras, isso é certo, agora o simples consumidor deve ser tratado como vítima e não como bandido, como a própria reportagem fala.

  4. vinibrocolis

    23/05/2010 23:13:32

    Gosto muito dos seu posts, sua visão critica numa época onde só se houve o que a sociedade quer que seja dita. MAs seu comentaristas me cansam ai penso, como faz falta, para os pobres, mas pra classe média, um pouco de filosofia , história e sociologia. é muito senso comum. é muita falta de vritica sistematica frases q não sustentam um raciocinio lógico. Mas vivemos em tempos dificeis, as universidades não são mais pra formar intelectuais e sim mão de obra pra empresas, aumentar o capital, robos sofisticados é esse o perfil da classe média brasileira.

  5. Edson R. Okudi

    22/05/2010 05:55:35

    O crack tornou-se uma epidemia "social", já que "democratizou" o acesso às drogas. Como é uma droga usada por pobres, o Estado está pouco se lixando pra eles. Mas o fato é que esse vício se espalha exponencialmente, numa progressão geométrica, potencializando a violência. Ignorar o caos social que essa droga está disseminando é típico das autoridades, que não querem mesmo resolver o problema (que, na realidade, não possui solução). Eu diria que o crack é uma droga apocalíptica e nenhum tipo de repressão vai contê-la.

  6. Gerci Monteiro de Freitas

    21/05/2010 20:30:55

    É uma questão complexa, esta do crack. Fazer o quê? não há clinicas suficientes para o tratamento e mesmo que houvesse não poderíamos tratar todos os viciados, por um simples motivo, a pessoa tem de querer ser tratado. "O desmanche da cracolândia" seria mais na tentativa de se afastar os traficantes. Vivemos em uma democracia e não se pode simplesmente tirar as pessoas a força e mandá-las para uma clínica. Droga pesada é um fardo para a sociedade, seja ela democratica, comunista, livre ou totaritária.

  7. jota campo grande

    21/05/2010 19:48:32

    KSAKAMOTO TENHO NOJO DO TRAFICANTE. MAIS NÃO PASSO A MÃO NA CABEÇAS DESSES IDIOTAS VICIADOS, QUE PROCURA A DESGRAÇAS COM AS PROPIAS MÃOS.O VICIADOS DE UM MODO GERAL TEM QUE SER TRATADOS, E DEPOIS FICAR PRESOS POR UM BOM TEMPO.PORQUE ESSES IDIOTAS QUE ALIMENTA ESSA DESGRAÇA GENERALIZADA NO MUNDO.

  8. Thiago Pereira

    21/05/2010 11:55:16

    O crack não é "luxo" das grandes cidades, as do interior, também foram domidas por essa droga. Moro no Espirito Santo e a nossa "cracolandia" fica no centro de vitória, o pior que todo mundo vê, todo mundo sabe e ninguém faz nada. Mês passado uma menina de apenas 14 anos, foi estuprada e assassinada por um viciado em um predio abandonado. Acredito que a ação deve ser tomada pela aréa da segurança e saude.

  9. Patrick

    21/05/2010 11:35:36

    Já dizia o "sábio" George W. Bush.

  10. Joao

    21/05/2010 11:19:26

    Isso aqui é uma guerra. É nois ou eles. Que sejam eles.

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