Hoje é Dia do Meio Ambiente. Comemorar o quê?
Hoje é o Dia Mundial do Meio Ambiente. Até aí, nada a comemorar.
Os ruralistas (antigos e novos) estão em campanha aberta no Congresso Nacional para alterar o Código Florestal, facilitando a expansão agropecuária não-sustentável e jogando para a legalidade, via canetada, quem desmatou de forma ilegal. Sob a justificativa da soberania do desenvolvimento, estão ligando o tic-tac de uma bomba que afetará a própria produção agrícola nas próximas décadas – ou a alguém ainda acha que água, por exemplo, é recurso renovável?
Poderíamos somar à lista de problemas socioambientais travestidos de solução nacional para a pobreza (empacotado dessa forma, o produto fica atrativo, vende melhor com o povão…), as obras de grandes hidrelétricas, como as de Santos Antônio e Jirau (em Rondônia) e, Estreito (no Maranhão) e brevemente, Belo Monte, no Pará. Mas também o asfaltamento de rodovias na Amazônia que servem de vetores ao desflorestamento, a construção de portos causando danos a manguezais, o fomento a usinas termelétricas, enfim. Estou enumerando apenas os impactos causados por ação direta do Estado que, em tese, tem a responsabilidade de garantir a qualidade de vida a esta e às próximas gerações. Mas que, ao invés disso, tem sido vetor de terra arrasada.
E vendo os discursos não só dos dois candidatos que, provavelmente, irão despachar no Palácio do Planalto, mas também daqueles que almejam os governos estaduais, o mais provável é que essa forma de pensamento/ação siga sendo o nosso norte. Este é um país que vai pra frente, não nos esqueçamos disso.
Já compatilhei várias vezes com os leitores deste blog uma hipótese: a de que vivemos um momento de choque geracional. O discurso de que o desenvolvimento é a peça-chave para a conquista da soberania (o que concordo) e que, portanto deve ser obtido a todo o custo (o que discordo) tem sido usado por pessoas que foram comunistas/socialistas, tornaram-se líderes partidários e hoje fazem coro cego ao santo padroeiro do crescimento. Mantém viva a parte ruim do pensamento do genial Celso Furtado que, na prática, significa que é necessário sacrificar peões para ganhar o jogo. Do outro lado, os movimentos sociais e a sociedade civil que atuam nesse campo defendem que o crescimento não pode ser um rolo compressor passando por cima de pessoas e do meio ambiente. Por suas ações, que impedem um laissez-faire generalizado, são taxados de entreguistas e de fazerem o jogo do capital internacional. Presenciamos isso nas críticas levantadas contra o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), quando ele ocupa hidrelétricas, ou nos impropérios lançados às comunidades que protestaram contra as obras de transposição de parte das águas do São Francisco. Eu mesmo já fui chamado de vaca holandesa por um nobre deputado por conta disso.
É claro que os países do centro querem que nós arquemos com o ônus da preservação do planeta. O mercado de carbono, na prática, é isso: compra-se créditos de terceiros (que vão adotar práticas ou projetos que absorvam carbono da atmosfera) para que se possa poluir. Ao mesmo tempo que isso acontece, esses países se beneficiarão do alargamento da já grande distância de desenvolvimento entre o centro e a periferia. Mas o atual modelo, em plena vigência no Brasil, tem um potencial destruidor muito grande, além de ser extremamente concentrador. Ou seja, o resultado da pilhagem dos recursos naturais e do trabalho humano, mantendo o padrão adotado até aqui, continuará nas mãos de poucos, sejam eles brasileiros ou estrangeiros.
Há um enfrentamento dentro da própria esquerda, mas o problema é que isso está no contexto histórico em que os diferentes atores foram formados. Não adianta mostrar fatos novos ou uma nova luz para a interpretação da realidade, há grupos que fecham e não abrem com o padrão de desenvolvimento forjado na ditadura – paradoxalmente a mesma ditadura que os torturou. A meu ver a solução se dará através de renovação geracional, ou seja, os mais antigos se retirando com a idade para dar lugar aos mais novos. É triste que seja assim, mas tendo em vista os últimos embates, não acredito em conciliação possível.
Neste 5 de junho, abrace uma árvore e salve um tatu. Ou, melhor, faça valer seu direito de escolha e exija do seu candidato ou candidata um programa de governo ou plataforma legislativa que não jogue o futuro dos seus filhos na lata do lixo.

A indústria que gostou dessa nova “tag” ECO, muitos produtos industrializados e que por décadas despejaram produtos químicos em rios agora se dizem ECO, concordo com o japa não tem o que comemorar.
Realmente, não temos nada a comemorar.
Somos reféns do meio ambiente e do labirinto jurídico existentes no Brasil.
E quem se opõe à confusão é tachado de “ruralista”. Abram os olhos, as coisas não estão bem!
E, pelo amor de Deus, obras de infra-estrutura são vetores de desenvolvimento, não de atraso!
O bloguista que mora em Pinheiros deve achar ótima a construção das novas estações de metrô, certo?
Quem mora na amazônia não tem o direito de ver sua vida facilitada, sua segurança aumentada, seu produto mais competitivo?
Realmente, não temos nada a comemorar.
Somos reféns do meio ambiente e do labirinto jurídico existentes no Brasil.
E quem se opõe à confusão é tachado de “ruralista”. Abram os olhos, as coisas não estão bem!
E, pelo amor de Deus, obras de infra-estrutura são vetores de desenvolvimento, não de atraso ou destruição!
O bloguista, que mora em Pinheiros, deve achar ótima a construção das novas estações de metrô, certo?
Quem mora na amazônia não tem o direito de ver sua vida facilitada, sua segurança aumentada, seu produto mais competitivo?
Concordo com vc brasileiro: “não temos nada a comemorar”!
E nossa convergência para aqui.
Discordo com vc, quando vc interpela o autor e pressupõe que quando se trata de defender os interesses individuais (do bloquista) ele deveria “achar tudo ótimo”!
Vc esta fazendo um falso processo ao bloquista. Isso é injusto e mal honesto de sua parte.
Se vc ler bem o texto, vc vera que o autor defende duas posições bem distintas!
Primeiro posição é do ator-observador/cidadão. Uma grande parte do texto é uma critica-denúncia as campanhas dos lobbies ruralistas para mudar a estrutura jurídica sócio-estatal.
O autor faz também uma critica-denúnciando contra a politica “simplista” do governo atual relacionada com os problémas sócioambientais: são as “soluções de facilidade” dos programas sociais, das decisões de construções das “grandes hidrelétricas” que colocam em causa não somente o meio ambiente como também as poluções locais!
Se vc ler bem o texto, vc vera que se o autor-observador/cidadão informa o leitor/comentarista sobre o que esta en jogo nestas ações sociopoliticas.
O autor explica ao leitor que existe uma ameaça que pesa sobre o nosso “bem comum”. E isso não somente na mudança da estrutura jurídica sócio-estatal, como existe também uma ameaça que pesa sobre a postura paradoxal do governo brasileiro. o paradoxo das “soluções de facilidades” seria que a “ação direta do Estado que (..) tem a responsabilidade de garantir a qualidade de vida a esta (a todos nos brasileiros)” compormete “às próximas gerações (os futuros braisileiros)” .
Na verdade, o que constata-se é que “(..) ao invés disso, tem sido vetor de terra arrasada”. Ou seja, de destruição.
Nesta afirmação o autor não defende somente seus interesses pessoais, ele defende os interesses de todos “Nos” brasileiros. Nos temos uma responsabilidade com a qualidade de vida atual (aqui e agora) mais também uma resposabilidade com a qualidade de vida com as gerações futuras.
Como vc pode constata, no fundo o que esta em jogo aqui são as questões um “pais que vai pra frente” deve seguir sem olhar para onde esta indo? Se um “pais que vai pra frente” deve ir destruindo tudo por ele onde passa?
Não posso argumentar aqui a segunda posição do autor: o ponto de vista do pesquisador/acadêmico.
Gostaria apenas de ressaltar que a hipótese do “choque geracional” é interessante por que ela confronta três temas distintos: 1) discurso político sobre o “desenvolvimento”; 2) sobre a “conquista da soberania” que o autor concorda, e, 3) é a sua divergência com a ação politica da ideologia do developemento e do exercício da soberania: “deve ser obtido a todo o custo ”!
Se vc observar bem, o autor não coloca em causa a ideologia do desenvolvimento (1), como também ele não coloca em causa a questão da soberania nacional (2). O que o autor coloca justamente em causa é máxima suprema da politica atual que jà encontrava-se no “Príncipe” de Machiavel.
Ou seja, o que susentende a tese do choque geracionale é que os fins de “desenvolvimento” e de “soberania nacional” não justificam os meios de destruição do meio ambiental!
O que o autor denúncia justamente são os meios de instrumentalização usados pela ideologia do “desenvolvimento” e da “soberania nacional” como meios-fins de racionalidades de destruição do meio ambiente atual!
Como vc pode notar, o autor deixa bem claro que todos os meios não são bons para conservar o poder politico. Todos os meios não são bons para mudar uma estrutura jurídica social de um Estado Nação. A finalidade de todas as ações dos governantes deveria visar o “bem comum” atual e das gerações futuras!
Quem pensa de outra maneira, adota uma postura que nega qualquer vínculo da política com a moral, ou seja, os fins justificam os meios.
E esses problémas dizem respeito a todos “Nos”!
Portanto, “brasileiro” não se engane de adversário…
Pois é, mais uma data pra se passar em branco.
Demorei demais para encontrar teu blog. Demais da conta.
Obrigada pelo lindo texto para o dia mundial do meio ambiente, com uma das questões que realmente merecem atenção de todos os brasileiros.
vais pro Reader já.
beijo
Caro Sakamoto,
Vaca holandesa é boa. A única candidata que (realmente) se preocupa com o meio ambiente é a Marina Silva, o resto faz parte do sistema. E seu texto você menciona o termo “comunistas/socialistas”, não se esqueça que nações comunistas/socialistas também não se importam muito com o meio ambiente e, com um agravante, não dão a mínima para a opinião pública. Mas você continua brilhante como sempre!
Todo mundo quer emprego.Todo mundo quer energia, escola boa, estradas, aeroportos, comida barata, roupa barata e casa para morar!
E tem quem acha que isso não altera o meio ambiente.
A Europa não expande porque já desmatou tudo que era possivel para fazer agricultura, pecuária e cidades e hoje tem crescimento populacional zero, pode se dar ao luxo de falar em preservação de meio ambiente, mas sempre longe deles, preferencialmente em países que são seus concorrentes.Acho que está na hora de deixarmos de ser ingênuos e tratar cientificamente a questão ambiental e não idiológicamente como é tratada aqui.
Ciro Lauschener, nós não podemos pautar nossa vida e nossos atos pelos atos dos outros. Se eles já desmataram e acabaram com a natureza em seus territórios não quer dizer que devamos fazer o mesmo. É possível que consigamos produzir riquezas e preservar o meio ambiente ao mesmo tempo, não é fácil pois toda a sociedade tem de ceder um pouco, todos temos de doar um pouco de si e nessa leva vai agropecuários, mst etc.
tem que eliminar os devastadores,matar mesmo antes que eles acabem com á especie humana.
é um absurdo o que esses canalhas faz com o meio ambiente.
oia eu olhei pelo ggogli eartf e num vi nenhuma reseva legar,; la na europa i nem nus EUA, agora aqui 80%, ondi minhaas vakinhas vao cume.
Apoio totalmente a revisão do código florestal que, se não for reformulado, causará um flagelo social no Brasil.Segundo esse código, propriedades centenárias onde se planta café, maçãs, uvas, etc, terão de ser confiscadas para atender a sanha dos radicais do ambientalismo, e com isso, milhões de pessoas terão de abandonar o campo e engrossar as favelas das grandes cidades.Gostaria de saber se adotam lei semelhante na Europa, certamente teriam de destruir os parreirais de uvas e seria o fim da produção de vinho europeu. Será que a Europa topa isso? Ou será que só os ingênuos brasileiros se disporão a aceitar esse escárnio.Gostaria de pedir ao governo e ao congresso nacional, que impeça que os chineses comprem terrras na Amazônia. Não basta sermos subservientes aos europeus e americanos, através de suas Ongs, e agora mais a China para nos tutelar?Que vergonha o país permitir isso.
Tom
Até parece que vc esta dicoTOMizado!
Se vc ler bem o texto, veras que a crítica do Sakamoto não vai contra a “revisão do código florestal”!
E nem poderia! A revisão dos códigos jurídicos é algo de inevitável. Eles fazem parte da estrutura jurídica de todo Estado de Direito.
Inevitável e necessário. Isso porque eles visam justamente a conferir um concensus, uma certa estabilidade aos fenômenos humanos e sociais que surgem a cada instante na Sociedade Civil!
Não vou mais longe no argumentário. O autor deixa bem claro no seu texto que o que esta em causa é, de uma parte, “a expansão agropecuária não-sustentável” que obrigam injustamente “milhões de pessoas terão de abandonar o campo e engrossar as favelas das grandes cidades” , e, de outra parte, é a questão da legalidade e da ilegalidade do “desmatamento”!
Portanto oriente-se, se ligue antes de argumentar besteiras….
Outra coisa: seu interesse de saber “se adotam lei semelhante na Europa”! A resposta é não!
Na Europa (falo da França) a revisão dos códigos jurídicos se faz de maneira consensual. Em função dos resultados dos debates sociais, dos organismos públicos, da comunidade científica, de especialistas implicados na questão, dos debates entre partidos políticos, da intervenção de simples cidadãos!
Não esqueça: a passagem entre uma Barbaria a uma Civilização se faz pelo DIREITO INSTITUCIONAL !
Para quem vive de agricultura, o código florestal é uma aberração. O único estado que teve coragem de propor alternativa foi Santa Catarina, onde se discutiu com quem vive da agricultura que são os agricultores, que aliás deveriam ser sempre os primeiros a serem ouvidos como faz nas democracias.
O Tom foi um pouco radical mas não deixa de ter razão, porque o governo quando apregoa que ouve a sociedade ele se refere ao MST, Via Campesina, Pastoral da Terra, que são ideologicamente imbecilizados, incapazes de fazer uma discussão séria.
Ciro Lauschner,
Vc diz tudo e o contrario de tudo!
Se existe mudanças a fazer no código florestal elas deveriam ser “discutidas”! Isso é o tudo.
Ora, se o termo chave aqui é discussão, por que só “ os agricultores” seriam interlocutores privilegiados?
Por que excluir das discussões “MST, Via Campesina, Pastoral da Terra”?
Em que vc se funda para afirmar quem é quem de “ideologicamente imbecilizado”, “incapazes” de participar a uma discussão séria?
FDA:
O MST e cia. não quer terra, porque aonde conseguiu, venderam, abandonaram e seguem reivindicando a mesma coisa sem apresentar resultados a que se propõe, quando não destroem tratores, pesquisas científicas a margem da legislação em vigor. Se arvoram o direito de pedir o cumprimento da legislação aos outros mas não tem coragem nem sequer de se registrarem. Só existem porque tem governos fracos que os protegem.Defendem um marxismo (seus lideres) já abandonado em todos os países onde algo com essa ideologia foi implantado, o que é para mim a maior prova de imbecilidade.
Ciro Lauschner, se para vc, um movimento que defende uma ideologia “marxista” revista e interpretada pelos seus líderes é uma “prova” irrefutável “de imbecilidade”, um argumento poderoso para exclui-lo de toda discussão, isso a meu ver, é um ponto de vista que se defende!
Porém não esqueça que o que esta em jogo, entre outros, em toda discussão é a questão da legitimidade e da ilegitimidade!
Vale a pena lembrar que em 1981, um sindicalista foi condenado pela Justiça Militar a 3 anos e ½ de detenção “por incitação à desordem coletiva’. Mas uma vez encontramos aqui a questão da legitimidade e da ilegitimidade!
Em 2003, o mesmo sindicalista tornou-se o trigésimo quinto presidente da Republica! Como vc pode constatar em apenas 22 anos, o que era ilegítimo tornou-se legitimo pelo sufrágio universal!
Penso que não podemos continuar com uma economia baseada no setor primário, extrativista. Vejam que a Vale já representa 15% do PIB brasileiro!
Da mesma forma, o modelo preservacionista tão-somente não serve para o Brasil. Preservamos os nossos ecossistemas e viramos apenas destino turístico para gringos.
Temos que aumentar o valor agregado dos nossos produtos e conciliar isto com a preservação dos nossos ecossistemas.
Para conseguir este objetivo acho que vale quebrar patentes (a China e o Japão não começaram copiando tudo?) e o que mais for necessário. Exceto sacrificar os trabalhadores menos qualificados.
Porque é que não se atrela a bolsa-família à capacitação profissional de adultos, e não apenas a frequência escolar dos filhos? Isso permitiria que muitos saíssem daquela pobreza estrutural que eles vivenciam, onde nada…nada é capaz de afastar a miséria.
The dream is over Now…..
O interessante da crônica do Sakamoto sobre o resultado da “Pesquisa do Datafolha” é que ela coloca em pauta uma discussão. Tal discussão instala uma controvérsia sobre a “punição” ou impunidade “de agentes que torturaram presos políticos durante a ditadura militar”.
Outro elemento importante é que o tema abre um vasto campo de reflexão sobre a hipótese do autor sobre a questão do “choque geracional”. A ideia fenomenológica que defende Sakamoto é que “ vivemos um momento de choque geracional”.
Se tomamos o tema da crônica como uma “peça-chave” deste choque geracional podemos constatar que de um lado, existiria uma “geração” “esperançosa”, “bom-menino-a-favor-do-diálogo” que “espera”, como Rousseau, que “o homem é bom por natureza” seria a sociedade e a politica que os corrompe.”
Assim, essa geração” espera” que “o pessoal” que tenha respondido as questões sobre a “punição de agentes que torturaram presos políticos durante a ditadura militar” sejam cidadãos inocentes, inconscientes: “sem saber exatamente o que foram as torturas durante a ditadura e para que serviram”!
É o que chamaria o revisionismo histórico iluminista, esclarecido, pleno de boa consciência, desejoso de quebrar o “pacto de silêncio” existente no mundo sociocultural brasileiro.
Dentro deste movimento geracional existe também pequenos núcleos que seguem esse movimento. Grupos que reivindicam um revisionismo histórico criticam. Eles defendem a ideia que a história da ditadura deveria se revisitada a começar por “punir quem estava no poder, generais, o alto escalão (..)”
Grupos que defendem um revisionismo histórico psicologisante: “o povo brasileiro é apático”, ou, o melhor remédio é o esquecimento: “o povo Brasileiro na sua maioria é sábio prefere esquecer. Outros que defendem um revisionismo histórico moral “O sujeito que pratica a tortura é pessoa sem caráter, sem moral”. O revisionista histórico patriótico: não “tem amor a pátria, como alguns militares apregoavam e ainda apregoam”.
De outro lado, se exprimem os oponentes. Uma “geração” complexa, reacionária que afirma sem complexo que as questões relacionadas com os “Direitos Humanos” “é um lixo”. Geração negacionista que afirma que “não se pode fazer uma revisão na história”. Geração partidária: “os torturadores” estariam “no poder”!
Geração tendenciosa, cínica que não hesita em afirmar que “perseguição política” seria um “teatro de verdade”. Geração autoritária que afirma que “decisão não se discute, se cumpre”. Geração saudosistas da ditadura “tenho saudade dos milicos”. Geração conformista :“O povo é que está certo, não quer virar conteúdo de vala comum”. Geração obediente, sem senso critica: “temos que entender que existe uma hierarquia dentro do regime militar, e que alguns militares apenas cumpriam ordens”, etc.
Nota-se que as reações provocadas pela «pesquisa do Datafolha» e pela crônica do Sakamota, se elas confirmam a hipótese do «choque geracional», elas revelam também que essa luta generacional, é muito longe de ser homogenia, bipolar, que existe neste conflito geracional motivações, iteresses e conhecimentos profundos preexistentes!
O Choque generacional seria complexo, segmentado por conflitos de interesses internos e externos e modos de comportamentos diversos e variados.
O ponto de convergência entre esses diferentes conflitos geracionais, é que eles são articulados em volta de problema como o da Justiça, da Politica, da Moral e a Ética individual e social.
E é aqui que discordo com o Sakamoto: o revisionismo histórico iluminista, esclarecido, pleno de boa consciência, desejoso de quebrar o “pacto de silêncio” do Sakamoto, deveria ser colocado em questão.
A ” esperança” que “o pessoal” que tenha respondido as questões sobre a “punição de agentes que torturaram presos políticos durante a ditadura militar” sejam cidadãos inocentes, inconscientes: “sem saber exatamente o que foram as torturas durante a ditadura e para que serviram” é, do meu ponto de vista, contra-intuitiva e contra-produtiva!
Os comentários deixam bem claro que a “punição” ou impunidade “de agentes que torturaram presos políticos durante a ditadura militar” faz parte de um uso racional e racionalizado da “banalização do Mal” na sociocultural brasileira.
Fica aqui a grande questão de saber como a “punição” ou impunidade “de agentes que torturaram presos políticos durante a ditadura militar” acentuam ou atenuam a indignação face a atos Injustos, desdramatizam um Mal individual ou social, mobilizam indivíduos a cumprirem um julgamento ao serviço da valorização de um Mal Social ao ponto de justificarem tais pensamentos que abrem horizontes para a ações.