Doações de campanha devem mirar a Copa de 2014
Há coisas que são tão certas quanto a morte. Uma delas: que haverá desvio de recursos para a construção dos estádios da Copa de 2014. No máximo, esbórnia em praça pública com roubo descarado ou superfaturamento, no mínimo obras inúteis feitas para tornar alguém mais rico ou reunir recursos para campanhas futuras.
Não vou discutir política esportiva – deixo isso na mão de outros blogueiros que entendem do assunto como o Juca Kfouri – mas é impossível não pensar na montanha de dinheiro (público, não se engane) que será torrado irregularmente sob a justificativa de fazer a festa do maior esporte do mundo.
Neste ano, serão eleitos os parlamentares e governantes que tocarão as obras do próximo mundial. Ou seja, as empresas interessadas em serem escolhidas para assumir a infra-estrutura da Copa, de estádios a melhorias urbanas, vão doar pesadas quantias para candidatos com chances de chegar lá. E, quando houver dois no páreo, ambos receberão dindim. A meta é garantir facilidades no futuro, brechas, enfim, colocar o diabo na rua, no meio do redemunho.
O problema é que houve um processo de banalização a tal ponto que dispor as duas palavras na mesma sentença – empreiteiras e corrupção – já não surpreende ninguém. E não é de hoje, mas um mal que já virou sistêmico.
“Nesse período, os empreiteiros procuraram, com sucesso, consolidar e ampliar seus vínculos como o governo. Passaram, por exemplo, a patrocinar comícios – o famoso comício das reformas (…), por exemplo, teve suas despesas pagas por um grupo de empreiteiros. Às vésperas da votação de alguma lei cuja rejeição ou aprovação interessava aos empreiteiros, pequenas fortunas influenciavam o comportamento de deputados e senadores ligados ao governo.”
O texto acima poderia ter sido publicado em qualquer jornal dos últimos tempos, recheado por escândalos de corrupção que envolveram parlamentares e empreiteiras, como o processo detonado pela Operação Navalha, da Polícia Federal. Mas não. O trecho foi extraído do livro “Minha Razão de Viver” (17ª edição, página 238), do jornalista Samuel Wainer, fundador do Última Hora, e se refere à ditadura militar.
Para não dizer que nada mudou nos últimos 40 anos com relação a essa orgia de cal e cimento, pontes e barragens, financiamentos de campanhas e os carpetes de tons frios dos corredores do Congresso e dos palácios de governo (e estádios de futebol) não temos mais o povo de farda verde no poder e o país é pentacampeão no futebol. Mas, por outro lado, essas empresas engordaram com o tempo e hoje o apetite delas pelo erário público é bem maior.
Anos atrás, a Folha de S. Paulo fez um levantamento junto ao Tribunal Superior Eleitoral apontando que 54,7% dos parlamentares do Congresso Nacional havia recebido dinheiro de construtoras para suas campanhas nas eleições de 2006. Receber doação não é ilegal, mas quem acredita que tamanho investimento foi feito à toa por essas empresas?
Sugestão idiota: caso uma empresa doe para um candidato, ela terá que ser declarada impedida de participar da licitação de um estádio da Copa se o candidato se tornar governante de um Estado escolhido como uma das sedes. No caso de presidente da República, o impedimento seria estendido para todo o país.
Por que idiota? Por que além de ser praticamente impossível acrescentar uma cláusula assim na lei federal de licitações e contratos públicos (número 8666/93), poucos no Congresso topariam dar um tiro no próprio pé. Ou na mão que os alimenta.

[...] This post was mentioned on Twitter by Silvia Ferreira and others. Silvia Ferreira said: GENIAL! RT @blogdosakamoto: Quer ganhar dinheiro fácil na Copa de 2014? Doe recursos para esta eleição: http://is.gd/dpurI [...]
Sakamoto,
qual seria uma solução para atenuar tal relação entre politicos e empresas?
Utilizarmos financiamento publico de campanhas exclusivamente? Mas, e o caixa 2?
Esta questões importam para um país como o nosso, em fase de consolidação da democracia representativa
Olha, o texto esta bem populista.
Adorei!!!
Sakamoto.
Você é um sonhador. Bom pra vc. Enquanto para se eleger o candidato necessitar de fortuna para comprar o eleitor, ele vai sempre arranjar um jeito de conseguir dinheiro para a campanha. Seja lícito ou ilícito.
É a mesma história de que enquanto existir viciado haverá traficante.
Enquanto não se tiver um eleitorado esclarecido, que saiba o valor do voto, como direito inegociável, tudo ficará na mesma. Isto é, não tem lei que dê jeito.
Aliás esses políticos do Brasil não são eleitos no Paraguai, são eleitos aqui mesmo.
Imagine um eleitorado que elege essa gente
A leitura do final do texto gerou-me pensamento paralelo. De igual forma que os políticos não desejam atirar no próprio pé e evitam alterar leis que possam suprimir a importante fonte de renda mencionada no blog; creio não desejem os legisladores perder o voto oriundo da distribuição das diversas “bolsas”.
Não pensem que sou contra a inclusão social e distribuição de renda. Pelo contrário. Em meu entendimento, os Governos possuem obrigação de o fazer. Contudo, vejo a questão com preocupação, em face de crer que o povo beneficiado seja incapaz de diferenciar um ato de Governo com o ato de uma pessoa ou partido da situação. Por este motivo creio seja interessante e oportuna a seguinte discussão: é justo a quem recebe benefício para suprir a subsistência ter direito a voto? Quais as opiniões sobre este aspecto do nosso momento político-social? Quais as opiniões dos doutrinadores do Direito em relação a uma questão desta natureza – restrição do direito?
Claudio.
A sua tese, mesmo que respeitável, cai na mesma coisa: tentar resolver todos os nossos problemas através de lei. Se o eleitor for consciente ele sabe distinguir o governo da pessoa do governante. Um povo politicamente evoluido não admite nem que se faça propaganda de obras. Na Europa, por exemplo, não se vê placa dizendo que esta estrada é obra do governo federal. Não há lei que proiba. Quem proibe é o eleitor que não admite que o governo faça propaganda de algo que é sua obrigação e mais com dinheiro do contribuinte.
Porisso, é fundamental uma grande campnha de politização do eleitor brasileiro.
Caro Claudio Ferro,
Ok! Suas questões são interessantes. Ficou claro: vc seria favorável “a inclusão social” e “distribuição de renda”!
A questão é então de saber se vc fala de:
1) Distribuição (conceito Liberal e neoliberal do Estado próximo da politica Americana) ou redistribuição de renda (concepção do Estado providência próxima da politica brasileira e de alguns países europeus)?
Para me lançar em um debate sobre os seus questionamentos, seria necessário de saber o que vc entende por princípio de distruição ou seria redistribuição de renda?
Visto que sua afirmação “os Governos possuem obrigação de o fazer”, não quer dizer grande coisa!
Uma observação ao leito/comentarista “brasileiro”!
O asserção-exemplo: “na Europa, não se vê placa dizendo que esta estrada é obra do governo federal” é falsa, redutora e simplista!
A Europa é um continente! Existe 27 países Estados-Nações pertencentes a União Europeia! Um dos únicos países com república federativa é a Alemanha com 16 Estados Federados!…
Existe a Suiça com seus cantões, a França com seus departamento, a Itália com suas provincias etc.etc. são estados federados na europa.
Quanto a não fazer estádios porque isso poderia facilitar a corrupção e o financiamento de alguns políticos, acho então melhor aparelhar os órgãos do estado para que façam a devida fiscalização, aliás para isso existem.
Dou razão ao Brasileiro: Todos os políticos desse pais precisam de dinheiro para comprar os votos e quem não fizer isso não se elege. Não espere seriedade enquanto isso persistir.
Ora Sakamoto , a turma que preparou tudo para se locupletar é a quadrilha dos irmaos Petralha .
O Lula já té sinalizou que as cidades sede de jogos vão ter o nivel de individamento liberado para obras de infra estrutura necessarias .
Precisa de convite mais tentador do que esse ???
Mas não preocupa não .
Seria bom que fossem escolhidas pelo menos umas 10 cidades brasileiras para sediar jogos , sendo necessaria a construção de pelo menos um estadio .
Depois da copa de 2014 eles ficariam meio ociosos , mas pelo menos poderiam ser utilizados para abrigar o pessoal desabrigado pelas enchentes , deslizamentos , hecatombes , tragedias , tsunamis , etc etc etc
Quando essas tragedias acontecessem , o pessoal , pelo menos , teria para onde correr , deixando os responsaveis pela lambança do erario publico com a cuca bem fresca .
Fala serio , não é genial !!!
Ora Sakamoto , a turma que preparou tudo para se locupletar é a quadrilha dos irmaos Petralha .
O Lula já até sinalizou que as cidades sede de jogos vão ter o nivel de individamento liberado para obras de infra estrutura necessarias .
Precisa de convite mais tentador do que esse ???
Mas não preocupa não .
Seria bom que fossem escolhidas pelo menos umas 10 cidades brasileiras para sediar jogos , sendo necessaria a construção de pelo menos um estadio . Um em cada uma das cidades , é claro .
Depois da copa de 2014 eles ficariam meio ociosos , mas pelo menos poderiam ser utilizados para abrigar o pessoal desabrigado pelas enchentes , deslizamentos , hecatombes , tragedias , tsunamis , etc etc etc .
Quando essas tragedias acontecessem , o pessoal , pelo menos , teria para onde correr , Mais ou menos como foi o Super Dome em New Orleans quando por lá passou o Katrina .
Deixaria os responsaveis pela lambança do erario publico com a cuca bem mais fresca .
Fala serio , não é genial !!!
Caro Ciro,
“Existe (..) a França com seus departamentos” sua afirmação é uma contra-verdade!
A França não é um Estado-Nação Federal! É um Estado-Nação ÚNICO e INDIVISÍVEL. A noção de “departamento” faz referencia a uma entidade territorial que data do seculo XVII.
Segue aqui um link sobre a Constituição francesa (Veja artigo 72-75) onde vc poderá tirar as dúvidas necessárias, condição de saber traduzi-la!
http://www.assemblee-nationale.fr/connaissance/constitution.asp
Boa leitura!
Politizado os comentários não???
Bom texto – como sempre
e bom é que junto com o ponto final do mesmo surgem em nossas cabeças milhares de questões…
Concordo com vc, Gabriela,
é uma pena que este post do Sakamoto não tenha encontrado um público interessando nos problemas que ele releva! Existe um conteúdo e uma mensagem sociopolítica muito importante nesta matéria do autor!
Voltando a afirmação do comentarista “brasileiro” e Ciro, segundo a qual “existe a Suiça com seus cantões, a França com seus departamento, a Itália com suas provincias etc.etc. são estados federados na europa” é incrível de constatar as falsas afirmações e a falta de informação dos comentaristas!
Um comentarista informado teria notado que que a historia politica das “confederações” é uma característica especificas da historia nacional dos países americanos e sul-americanos!
No Brasil, uma das primeiras confederações politicas se chama “confederação dos Tamoios” enquanto a Europa vivia em pleno período Absolutista!
Mas como dizem por ai: em um pais onde Macunaíma da cambalhotas, tudo é possível..
Desculpe mas a Confederação dos Tamoios, conhecida também
como a Confederação dos Naturais estava mais para uma aliança militar (tupinambàs, aimorés, e outras tribos) que se organiza para combater os portugueses e guaianases (estes comandados por Tibiriça, cuja filha Mbici ou Bartira (mais tarde Isabel Dias) casou com o portugues João Ramalho, que se aproveita de um hábito entre os ameríndios chamado de cunhadismo, angariando assim apoio dos guaianases para o projeto de colonização portuguesa), a confederação era apoiada pelos franceses, que queriam estabelecer uma França antartica no Brasil. Acho que o conceito de Confederação como conhecemos atualmente, fica descaracterizada neste fato ocorrido no Brasil colonial.
Sakamoto, concordo com tudo que você extermou em seu texto e vou mais além, se fosse por mim não teríamos nem copa e nem olìmpiadas no Brasil, eventos como esses são apenas para nações ricas, nações que possuem muita riqueza para mostrar ao mundo, não é o nosso caso.
Fala-se em algo como 30 bilhões de reais a serem gastos nessa brincadeira, em vez disso poderíamos investir em transporte de qualidade, educação de qualidade, saúde de qualidade e tudo isso para pessoas excluidas da sociedade.
Você já fez as contas para saber quantos hospitais ou escolas poderiam ser construidos com essa grana?