Blog do Sakamoto

Dilma tira crucifixo do gabinete. Falta o resto do país

Leonardo Sakamoto

A Folha de S. Paulo, deste domingo, trouxe a informação de que a presidenta Dilma Rousseff, em sua primeira semana de trabalho, retirou o crucifixo da parede de seu gabinete e a bíblia de sua mesa.

Helena Chagas, ministra chefe da Secretaria de Comunicação Social, através de seu twitter, contradisse a informação divulgada pela Folha na tarde de hoje – depois deste post já ter sido publicado. Segundo ela, ''a presidenta Dilma não tirou o crucifixo da parede de seu gabinete. A peça é do ex-presidente Lula e foi na mudança. Aliás, o crucifixo, que Lula ganhou de um amigo no início do governo, é de origem portuguesa''. Segundo Chagas, a bíblia continua lá, em uma sala contígua, em cima de uma mesa. A mesma informação está em nota da Secom.

A meu ver, a discussão sobre a propriedade do crucifixo é irrelevante – se Dilma não repuser a peça. O que importa é a existência de símbolos religiosos no gabinete da Presidência da República. A Secretaria de Comunicação Social afirma que não foi uma opção dela ter tirado, mas é uma decisão não recolocar outro no lugar. Do jeito que é o Brasil, não fazer nada, mantendo o espaço sem crucifixo, será um ato simbólico surpreendente.

Defendo fortemente que a retirada de símbolos religiosos seja realizado por todos os que ocupam cargos públicos no país. Dilma afirmou ser católica durante as eleições (ok, como disse na época, eu ainda aposto que ela e José Serra são, no limite, agnósticos – mas vá lá), mas não foi eleita para representar apenas cristãos e sim cidadãos de todas as crenças – inclusive os que acreditam em nada.

A questão da retirada de crucifixos, imagens e afins de repartições públicas gerou polêmicas ao longo da história a partir do momento em que um Estado se afirma laico (e não desde o lançamento do 3º Programa Nacional de Direitos Humanos, como querem fazer crer o pessoal do “não li, mas não gostei”). A França retirou os símbolos religiosos de sedes de governos, tribunais e escolas públicas no final do século 19. Nossa primeira Constituição republicana já contemplava a separação entre Estado e Igreja, mas estamos 120 anos atrasados em cumprir a promessas dos legisladores de então.

Em janeiro do ano passado, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil lançou uma nota em que rejeitou “a criação de ‘mecanismos para impeder a ostentação de símbolos religiosos em estabelecimentos públicos da União’, pois considera que tal medida intolerante pretende ignorar nossas raízes históricas”.

Adoro quando alguém apela para as “raízes históricas” para discutir algo. Na época, lembrei que a escravidão está em nossas raízes históricas. A sociedade patriarcal está em nossas raízes históricas. A desigualdade social estrutural está em nossas raízes históricas. A exploração irracional dos recursos naturais está em nossas raízes históricas. A submissão da mulher como reprodutora e objeto sexual está em nossas raízes históricas. As decisões de Estado serem tomadas por meia dúzia de iluminados ignorando a participação popular estão em nossas raízes históricas. Lavar a honra com sangue está em nossas raízes históricas. Caçar índios no mato está em nossas raízes históricas. E isso para falar apenas de Brasil. Até porque queimar pessoas por intolerância de pensamento está nas raízes históricas de muita gente.

Quando o ser humano consegue caminhar a ponto de ver no horizonte a possibilidade de se livrar das amarras de suas ''raízes históricas'', obtendo a liberdade para acreditar ou não, fazer ou não fazer, ser o que quiser ser, instituições importantes trazem justificativas fracas como essa, que fariam São Tomás de Aquino corar de vergonha intelectual. Por outro lado, o pessoal ultraconservador tem delírios de alegria.

Em 2009, o Ministério Público do Piauí solicitou a retirada de símbolos religiosos dos prédios públicos, atendendo a uma representação feita por entidades da sociedade civil e o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro mandou recolher os crucifixos que adornavam o prédio e converteu a capela católica em local de culto ecumênico. Algumas dessas ações têm vida curta, mas o que importa é que percebe-se um processo em defesa de um Estado que proteja e acolha todas as religiões, mas não seja atrelado a nenhuma delas.

É necessário que se retirem adornos e referência religiosas de edifícios públicos, como o Supremo Tribunal Federal e o Congresso Nacional. Não é porque o país tem uma maioria de católicos que espíritas, judeus, muçulmanos, enfim, minorias, precisem aceitar um símbolo cristão em um espaço do Estado. Além disso, as denominações cristãs são parte interessada em várias polêmicas judiciais – de pesquisas com célula-tronco ao direito ao aborto. Se esses elementos estão escancaradamente presentes nos locais onde são tomadas as decisões sem que ninguém se mexa para retirá-las, como garantir que as decisões serão isentas?

Como já disse aqui antes, o Estado deve garantir que todas as religiões tenham liberdade para exercer seus cultos, tenham seus templos, igrejas e terreiros e ostentem seus símbolos (tem uma turma dodói da cabeça que diz que isso significaria a retirada do Cristo Redentor do morro do Corcovado – afe… por Nossa Senhora!). Mas não pode se envolver, positiva ou negativamente, em nenhuma delas. Estado é Estado. Religião é religião.

Como é difícil uma democracia respeitar suas minorias.

Atualizado às 18h30 de 9 de janeiro de 2011.

  1. Gabriel

    23/12/2011 14:28:52

    Desculpa, não consigo ler o seu texto com excessivos erros de gramática e português.Seu texto não tem parágrafos e tem muitas incoerências. Isso sem contar a tamanha ignorância do seu texto.

  2. Gabriel

    23/12/2011 14:23:56

    Não, o país não é cristão, a tirada dos símbolos religiosos não é uma ofensa contra o cristianismo ou qualquer outra religião, é apenas uma prova de que o estado é laico e não mistura política com religião. O país NÃO deve ser governado pela religião. Colocar uma cruz no gabinete simboliza que o governo sofre influência do cristianismo e isso não é respeitoso com todas as outras religiões.Mas isso não tem problema não é? Afinal as minorias não precisam de respeito. Ei pera ai... Já vi isso antes... Logo os incomodados que se mudem? Desculpa, sou agnóstico logo vou ser expulso do país afinal só quem é cristão pode ficar. Aliás ir para um país como a Noruega que a maioria é ateu seria bom, afinal lá é muito melhor para se morar que aqui.

  3. Quineando

    21/12/2011 10:31:47

    Só uma nota: Estado laico não é sinônimo de Estado ateu.Fora isso, também sou a favor da retirada dos crucifixos e quaisquer outros símbolos religiosos.Abs,

  4. jaci

    16/06/2011 11:50:01

    Meu querido e amado irmao, Jesus é fato, e contra fatos nao ha argumentos, independente de instituiçoes dogmaticas. O que vc, eu e todos precisamos entender é que devemos respeitar culturas sejam elas oriundas de onde forem. Citaria aqui Arthur da TÁvola "A ALMA DOS DIFERENTES" "Diferente, esse ser especial! Diferente nao e quem pretenda ser. Esse é um imitador do que ainda nao foi imitado, nunca um ser diferente. Diferente e quem foi dotado de alguns mais e alguns menos em hora, momento e lugar errados para os outros. Que riem de inveja de nao serem assim. E de medo de nao aguentar, caso um dia venham a ser. (segundo Heraclito de Efeso, TUDO MUDA) o diferente e um ser sempre mais proximo da perfeiçao. O diferente nunca e um chato. Mas e sempre confundido por pessoas menos sensiveis e avisadas.Supondo encontrar um chato onde esta um diferente, talentos sao rechaçados, vitorias adiadas, esperanças mortas. Um diferente medroso, este sim, termina-se transformando-se num chato. Os diferente inteligentes percebem porque os outros nao o entendem. Os diferentes raivosos acabam tendo razao sozinhos, contra o mundo inteiro. Se o diferente se mediocrizar, mergulhara no complexo de inferioridade. O diferente paga sempre o preço de estar - mesmo sem querer-alterando algo, ameaçando rebanhos, carneiros e pastores. O diferente suporta e digere a ira do irremediavelmente igual: a inveja do comum, o ódio do mediano..." "A ALMA DOS DIFERENTES é feita de uma Luz alem´. Sua estrela tem moradas deslumbrantes que eles guardam para os poucos capazes de os sentir e entender. Onde estao os tesouros da ternura humana. De que so os diferentes podem entender, se sao capazes de entender.Nao mexa com o amor de um diferente. A menos que voce seja suficientemente forte para suportá-lo depois" abraço caros amigos, PAZ, SHALOM, AXÉ

  5. Luís Augusto Panadés

    16/02/2011 05:32:22

    "Defendo fortemente que a retirada de símbolos religiosos seja realizado por todos os que ocupam cargos públicos no país." (sic.)Que linguagem imbecil é esta... defendo fortemente?Isto é vício de jornalista ou algum neolinguismo imbecil da nova ordem mundial?Sujeito, na tua formação deverias saber que o Brasil se fundou pela cruz e nossa herança e identidade, nossos valores e costumes advém do catolicismo e da língua portuguesa.E vem você defender fortemente... kkkkkkDefendo fortemente que percas teu emprego.É incrível como os jornais adoram pagar à porcarias como tu para escrever outras porcarias...Não existe defesa para esta imbecilidade que afirmaste. Confunde a laicidade do Estado com a predominância católica de nossa base civilizacional... mas a esta hora ao ler deves estar a perguntar..."ah?"

  6. Almanakut Brasil

    14/02/2011 09:18:02

    Sakamoto é alguma tribo indígena do Brasil, que não conhecíamos?

  7. Mário

    25/01/2011 01:07:19

    Parabéns, Dilma!Tenho, cada vez mais, admiração por você!

  8. Eduardo Perim

    22/01/2011 23:30:12

    Enquanto se descute se o Estado é laico, talvez milhares tenham morrido na região serrana do Rio de Janeiro...

  9. Adenio

    22/01/2011 22:01:09

    Não vejo o problema.Ora: a Cruz é um simbolo Cristão; esse é um país Cristão (maioria).Então os simbolos religiosos devem SIM ficar ostentados nos aparelhos do estado uma vez que o estado em sua maioria é cristão.Apoio a tolerância e a busca do bem comum que já estão presentes no país. Mas defendo também que os incomodados que se mudarem.

  10. sandro cholt

    22/01/2011 08:51:41

    Fabio , e quem está interessado no que vc pensa , meu caro..???Lixo , a gente joga no cesto de lixo , uma vez que não dá pra evitar que ele seja produzido..é o que fazemos com sua logiquinha de poltrão ... Ah , vai te catar !

  11. Daniel M.

    20/01/2011 19:51:19

    Bom tema a ser discutido, que surpreende um pouco nao ter alcancado maturidade na sociedade, o que retratam os seguidos comentarios ja registrados. Curioso ter tido 1022 contra 160 comentarios (20/01/11) do post do dia 13/01 sobre as chuvas: sera q a representacao da religiosidade atraves do crucifixo mobilize mais as pessoas do que o exercicio da indignacao pela morte culposa de centenas de pessoas?

  12. robson

    20/01/2011 14:54:41

    Temos de partir do ponto que a sala onde está, esteve ou estará fixado o crucifixo é acima de tudo a sala de uso de alguém, que diferentemente do estado tem suas crenças pessoais, particularmente não vejo desrespeito neste ato, ou poderíamos interpretar como ofensivo à uma nação laica o simples ato de assumir a própria religião.

  13. pege

    19/01/2011 12:14:38

    Veja só o nome: Sakamoto. O cristo dele deve ser o buda.

  14. pege

    19/01/2011 10:05:55

    Logo que Dilma assumiu, depois que retirou o Crucifixo e aBíblia, aconteceu a grande tragédia no Estado do Rio. É bom pensar também nas tragédias anteriores...

  15. Ademar

    18/01/2011 09:59:25

    Que pena que a população bem informada do nosso belo Brasil caminha por esse caminho escuro e incrédulo. Nós moramos em um país que ostenta ainda um povo de muita paz, uma natureza belissima, aqui ainda existe solidariedade, amor, amizade, isso porque, graças a Deus, a maioria da população, são bem diferentes da maioria que opinaram aqui inclusive do dono da materia principal, é isso mesmo, a maioria do povo brasileiro são catolicos, e carregam a imagem de Deus em seus lares, voce não entra em um lar catolico sem se lembrar de Deus, é a primeira coisa que voce vê, a imagem de Deus, e nós estamos perdendo isso, Deus esta ficando de lado, e ao perder esse contato, perderemos tambem nossa identidade religiosa e a lembrança de Deus, infelizmente esta crescendo muito e numero de igrejas nao catolicas e o povo acomodado que é afavor do imediatismo, que quer tudo agora, que não esperar a vontade de Deus, migram para essas igrejas e abandonam a sua própria educação religiosa, aquela que seus pais lhe deram, deixam de honrar pai e mae, e por consequencia vira isso ai que lemos acima, fico triste que tem um minoria no pais que lutam para tirar a imagem de Deus dos lugares que pertencem ao povo.

  16. Daniel Oliveira

    17/01/2011 02:52:07

    E tem uma outra coisa importante: Estado laico (Brasil) é diferente de Estado ateu (ex-União Soviética).

  17. Daniel Oliveira

    17/01/2011 02:49:12

    O Estado brasileiro é laico, PORÉM RECONHECE A EXISTÊNCIA DE DEUS NA CONSTITUIÇÃO. Logo, não há nada de ilícito em manter símbolos religiosos em prédios públicos; são objeto da CULTURA NACIONAL. Religião também é cultura.Proibir símbolos religiosos somente alimenta o ódio. Veja na França, onde, recentemente, foram proibidos quaisquer objetos de ostentação religiosa em escolas. Somente alimentou o ódio daqueles que querem usar seus símbolos - no caso da França, como ficam as meninas que, pela religião, devem usar véu?Deixem os políticos colocarem o que bem entenderem nos gabinetes! Quando muito, tais objetos devem ser vistos, por aqueles que não professam a mesma fé, como ornamentos, enfeites.

  18. espantado

    16/01/2011 13:47:55

    Harvard, Cambridge... Onde fica Harward, doutor?

  19. celia natsch

    15/01/2011 21:33:19

    Se você tivesse filhos em idade escolar , saberia a grande e enorme bobagem que está falando... este sujeito é uma das maiores baboseiras e um dos maiores enganadores deste país... um pedademagogo ! A única coisa de bom , em relação a ele é que , morto , não pode gerar mais lixo panfletário e inútil !Nossas crianças agradecem !

  20. saulo rivas

    15/01/2011 21:26:55

    Caro Luiz Roberto , entendo seu ponto-devista e até concordo consigo , mas considere que , há muitíssimas formas de quaisquer pessoas poderem entender e entrar em contacto com outras idéias , religiões e ideologias.Para isto elas não precisam de ir a uma Universidade católica ...Faço aqui uma provocação : em que Universidade não cristã do oriente podemos nós , cristãos , expor nossa ocidentalidade? Gostaria de que você me dissesse.Mas , lembre-se : nem falei sobre a questão da religiosidade ,mas sim , da ética e do bom senso!Como disse , e repito : também acho muito nobre que uma Universidade como a PUC possa aceitar e abrigar em suas filieras pessoas de matizes ideológicas distintas e mesmo as que trabalhem diuturnamente para destruir e ridicularizar seus valores e suas crenças cristãos.Infelizmente , acho que nem sempre encontramos nas pessoas que pensam diferentemente de nós , gente com caráter e um mínimo de senso ético qiue deveria os obrigar , moralmente , a deixar a Instituição , não por obrigação legal , mas sim , moral ! Concordo consigo : pedir isto seria muito para esta cambada de aéticos e de gente sem o mínimo de decência.É assim que classifico que assim age.Reveja seus conceitos , senhor , pois esta democracia e tolerância que deveriam de ser equilibradas , certamente não o são.Desafio o senhor a ir a uma Universidade em Cuba , China ou Coréia do Norte e defender os valores católicos e cristãos que a PUC congrega na mesma intensidade e com o mesmo grau de liberdade que tem o grande " dono do blog " nestas paragens por aqui...Ser democrata , não é ser boboca, mas sim , poder garantir que as pessoas , todas elas , possam optar. Quem não comunga dos valores cristãos , democráticos ( é , esta democracia burguesa que permite a gente como o blogueiro agredí-la , dia após dia ) , não tem de ir para a cadeia , nem ser silenciado. Só precisa de ter um pouquinho de caráter e não ficar cuspindo no prato em que come, o que aliás é bem simples de resolver : basta procurar outro prato para comer em outro lugar , não é mesmo ?

  21. José Renato

    14/01/2011 20:13:59

    Sakamoto, boa noite. Parabéns pela postagem.Este é um assunto muito sério, não respeitado nos órgão públicos e não conhecido pela maioria dos brasileiros. As pessoas que não conhecem o significado do Estado laico precisam entender seu significado.Abraços e continue assim.

  22. José Renato

    14/01/2011 20:10:56

    Sakamoto, boa noite. Parabéns pela postagem. Este é um assunto muito sério, não respeitado nos órgão públicos e não entendido pela maioria dos brasileiros.Se fossemos fazer uma comparação pífia, por

  23. Zé Brasil

    14/01/2011 18:58:58

    Projeto de Lei 122 criminaliza quem criticar qualquer demonstração de afetividade em locais públicos, de dupla homossexual, porém os dito “politicamente corretos” querem impedir qualquer manifestação religiosa em logradouros públicos. É A VERDADEIRA INVERSÃO DE VALORES.

  24. Wesley

    14/01/2011 02:10:55

    Sakamoto, que texto ! Lindo, coisa Linda.

  25. Thiago

    14/01/2011 00:48:58

    Excelente texto. O Estado não pode impor um símbolo, mas se é um objeto pessoal do Lula, ele tinha o direito de de pendurar no gabinete que ocupava. Quando saiu, levou e pronto.

  26. Valéria

    14/01/2011 00:15:29

    O cristianismo poderia ser bom se alguém tentasse praticá-loGeorge Bernard Shaw

  27. cesar a

    13/01/2011 20:12:07

    Tá bom! Acredito, pero no mucho...

  28. cesar a

    13/01/2011 20:06:10

    A questão não está em discussão, é um preceito da constituição que afirma ser o espaço público, seja uma sala de aula, um refeitório de uma subprefeitura ou uma sala de audiências de um tribunal qualquer, o ambiente é laico, portanto, um símbolo religioso como um crucifixo, que faz sentido para os cristãos, não deve ser mantido, mesmo contrariando a tradição, pois a constituição foi promulgada em 1988, portanto, bem depois de se instalar o costume de colocarmos tais símbolos nesses locais. É uma mudança e tanto, mas isso faz parte da modernização do estado brasileiro, um processo que é contínuo e ao qual se interpõem resistências e desentendimentos. Não se trata de negar o valor da religião, pelo contrário, a laicidade desses ambientes públicos é demonstração da igualdade de todas as religiões perante a constituição brasileira. Não se coloca a laicidade contra a religião católica, tampouco às outras, que se reservam o direito de ter espaços onde os cultos e a adoração aos seus símbolos, livros, cruzes, pé-de-coelho, tenham resguardados e respeitados os seus valores e suas singularidades. O diálogo está mais do que proposto no sentido de se construir um respeito à diferença, à particularidade de cada religião. Quem insiste em acreditar que a sua religião está acima das outras, que é superior, resiste em reconhecer essa diversidade, assume posições de antagonismo que leva ao conflito e ao desentendimento. A religião pertence ao campo da subjetividade, por isso mesmo, dentro de uma mesma religião existem grupos que acreditam em coisas diversas, que cultuam de formas diversas. A fé não forma um bloco monolitico. Então, a questão da retirada ou da manutenção dos crucifixos e bíblias dos espaços públicos oficiais se dá em resposta ao que aponta a constituição. Nos espaços privados, fica sujeito ao que o proprietário pensa. É simples, sem dramas...

  29. Ricardo Santa Maria Marins

    13/01/2011 19:36:51

    Olá! Caros Comentaristas! E SAKAMOTO:Que TAL se: Os TIMES DE FUTEBOL fizessem PARTIDAS neste final de SEMANA e a METADE da ARRECADAÇÃO, DOS BICHOS dos JOGADORES e METADE das VERBAS PAGAS EM PUBLICIDADE fossem UTILIZADAS par AMENIZAR OS SOFRIMENTOS DOS VIVOS E MINORAR O SOFRIMENTO PELOS MORTOS QUE SERÃO ENTERRADOS?E que os POLÍTICOS nossos PSEUDO-representantes no Congresso Nacional DOEM seus pequenos 65% (sessenta e cinco) por cento de aumento salarial. AJUDARIAM MUITA GENTE no RIO de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo etc...Será que eles TOPAM?E aí, SAKAMOTO! Vale tentar!Tchau!!!

  30. eleni

    13/01/2011 18:41:08

    Parabéns Sakamoto. Falta mesmo e não é pouco. As escolas públicas são as mais utilizadas de jargão religioso onde alunos e professores são praticamente obrigados a participar de atividades religiosas professadas pelos diretores ou autorizadas por eles. Os diretores sejam católicos ou protestantes não conseguem compreender o que é uma escola laica. É uma situação muito constrangedora.

  31. Jota

    13/01/2011 17:07:20

    O ambiente de trabalho da presidenta não é um ambiente privado de trabalho - mas sim um ambiente público, mantido com dinheiro público e pertencente ao conjunto dos bens públicos. Pode-se ter o direito de manifestar sua religião em uma repartição pública, sim. Desde que aquele espaço público não seja assinalado como sendo "desta" ou "daquela" religião.Um símbolo religioso em repartição pública é exatamente isso, assinala que aquele espaço atende aos interesses de tal religião - no caso, o cristianismo/catolicismo. Assim, como o gabinete presidencial é um espaço público de governo, ele não pode expressar preferência por qualquer religião - o governo, representado naquele espaço, não pode ser utilizado para favorecer alguma religião, segundo os princípios do Estado laico.Seria a mesma coisa se colocássemos um crucifixo no Congresso Nacional, na Constituição, na bandeira do Brasil: estamos representando que aquele Estado representa as práticas de tal atividade religioso, e isso vai contra a laicidade do Estado.Espero ter ajudado.

  32. Jota

    13/01/2011 16:59:53

    Carlos Vendramini:Primeiramente, uma das obrigações e atribuições do Estado como instituição é defender as pessoas sob a sua jurisdição - para isso são criadas as leis, regras, polícia, forças armadas, serviços de saúde, educação, seguridade social... todo o próprio aparato estatal é feito com o objetivo de proteger, ajudar ou de alguma forma regular, tornar melhor a vida dos cidadãos que sob sua tutela vivem. Se os problemas das pessoas não coubessem ao Estado, viveríamos em um regime ultraliberal e não em um país em que há serviços públicos de atendimento ao cidadão: saúde, educação, etc.Em segundo lugar, não é porque existe uma maioria cristã - que paga impostos, assim como todos os cidadãos do território brasileiro deveriam - que o Estado deve se submeter à vontade única e estridente dessa maioria, passando por cima de pressupostos como o Estado laico. "Ah, mas é a vontade da maioria, é democracia!" Não, democracia não é a vontade da maioria - a vontade da maioria não se pode sobrepor às leis estabelecidas, nem violar quaisquer direitos fundamentais de si mesmo ou das minorias. Por exemplo: a própria Alemanha nazista, que o senhor citou, contava com imenso apoio, em massa, da maioria de sua população, não-judia - impondo sua vontade, o extermínio, a escravização e a retirada de direitos, sobre a minoria de judeus.Os nazistas não impuseram o Estado contra a vontade da maioria da população - pelo contrário, atenderam às requisições dessa maioria, e nem por isso a Alemanha nazista configurou-se em uma democracia ou respeitou os direitos de sua população.Utilizar o Estado contra qualquer parcela de sua população - majoritária ou minoritária -, sobrepondo-se aos direitos coletivos, individuais e/ou fundamentais desta parcela, é inaceitável, antidemocrático e contraria todas as percepções que temos como 'liberdade'. Retirar um crucifixo do gabinete presidencial - o que não aconteceu, ressalve-se, segundo a Secom, mas vá lá - é sim um ato simbólico por mostrar que o Estado não é uma máquina dirigida exclusivamente ao bel-prazer de uma maioria que ignora as minorias, mas sim um aparelho que respeita os direitos, condições e reclamações destas minorias, podendo e devendo, em certas ocasiões e sob os limites da lei, respeitar a opinião e a vontade da maioria. O que significa, no caso, respeitar a Constituição e fazer do Estado um Estado laico - respeitar a não cristandade das minorias, não impor um símbolo católico/cristão aos não cristãos.

  33. Caçador de pitbulls

    13/01/2011 16:55:15

    Ultimamente são os cristãos que têm batido nos outros. Vide o caso do chute na Santa e as perseguições contra as religiões de origem africana...

  34. Jota

    13/01/2011 15:54:50

    Ateísmo é uma forma de crença em que se acredita que Deus, deuses ou qualquer figura divina não existe. É acreditar na não existência, opondo-se às religiões. Perceba que ACREDITAR que Deus não existe pressupõe tanta crença e fé quanto ACREDITAR na existência de Deus.

  35. Amy

    13/01/2011 15:50:19

    Doris...eu sou brasileira e não sou cristã, e aí, como eu fico? a senhora tem resposta? vão colocar uma Torá , um Alcorão, um livro dos Mortos ao lado da Bíblia?

  36. Jota

    13/01/2011 15:45:02

    Rodrigo Castralli,O crucifixo não representa todas as religiões, como bem disse o Paulo acima. Mas, mesmo que representasse, a sua permanência no gabinete da presidente é mais que justificável: o Estado é laico, isso significa que não pode favorecer nenhuma religião ou a própria instituição religiosa ou de seita. Vou explicar: nossos representantes não foram eleitos para representar todas as religiões, todas as crenças; mas também para representar quem não tem fé, quem não crê em Deus, ateus, agnósticos.

  37. Amy

    13/01/2011 15:42:52

    Precisam estudar na escola que vc estudou? com professores marionetes?O texto é até redundante, pois fala uma verdade que já deveria ser compreendida por pessoas que tiveram professores como os seus.

  38. Amy

    13/01/2011 15:40:06

    Não liga pro Leonardo, é só mais um teleguiado, uma marionete...

  39. Amy

    13/01/2011 15:35:18

    Vc é fanático por algo, um fundamentalista..resta saber se por religião, por política etc.

  40. Tani Vieira

    13/01/2011 13:18:17

    Leonardo Sakamoto, Parabéns pelo texto!Forte tem que ser o provocar o despertar de consciência. E também levar ao máximo de pessoas de todas elas possam sim ser livres expressar seus pensamento, sua opção religiosa.... Sem nenhuma mordaça de poder opressor. A história foi assim. Que fosse! O importante é dia hoje. Como esta o mundo? O as pessoas querem? O que é bom de verdade para humanidade como um todo?Na realidade, nosso momento é podermos ter ou não ter uma religião e que cada crença seja respeita pelos praticantes de outras.A história de algumas religiões carrega o peso da injustiça, de preconceitos etc... O que precisamos sim ter é a mente aberta, receptiva ao dialogo e respeitar a cada ser humano em suas escolhas.Então porque a discussão o símbolo crucifixo?Como dia meu pai: "Para rezar e adorar a DEUS se faz até em baixo de uma árvore".E cada um tenha a sua árvore. Ponto.

  41. Ana Lucia

    13/01/2011 11:26:49

    Sakamoto seu texto está primoroso. Estimula o debate, a reflexão e a idéia de liberdade, sem dominação. Se os simbolos religiosos garantissem justiça e solidariedade, nosso país não seria um dos mais desiguais do mundo. Temos que buscar justiça e igualdade. A religião não deve estar atrelada à política.Porque nos lares das novelas que retratam fatos da vida real nunca destacaram biblia ou crucifico?

  42. Paulo Lucemberg

    13/01/2011 09:48:16

    Parabéns Sakamoto, você nega Deus com bastante coerência, é um politicamente correto bem escrito, afinal todos são filhos de Deus, portanto tem direito a liberdade de escolherem o inferno.Não tenho dúvida que no futuro será lembrado, como grande intelectual por alguns, doutor, defensor dos direito humanos e tal... e Deus?No mundo de "verdades relativas" só é coerente aquele que é contra Deus, ainda que seja humanamente "cristão".Deus é, e sempre será, uma loucura, para aqueles que não o conhecem

  43. espantado

    12/01/2011 21:22:38

    O carnaval é uma festa de origem pagã, não católica...

  44. espantado

    12/01/2011 21:17:59

    espantado estou com a confusão...

  45. espantado

    12/01/2011 21:14:48

    Boquirroto, seu comentário é o seu pseudônimo, não é?

  46. Zilma

    12/01/2011 18:16:03

    Graças a Deus, há no Brasil liberdade religiosa, caso contrário, a simples retirada do símbolo religioso, causaria uma afronta, quiçá uma guerra.

  47. cesar

    12/01/2011 16:14:42

    Preocupa-me a expressão o Deus verdadeiro, se é Deus para o seu seguidor ele é verdadeiro...

  48. cesar

    12/01/2011 16:10:20

    A próclise é considerada mais elegante, mas a ênclise também é aceitável. A ortografia é uma das maneiras de se normatizar a língua, mas não consegue barrar os regionalismos nem as formas de falar que aparecem e se vão incluindo no falar coloquial. o escrever rebuscado, preso à regras arbitrárias, deixou de ser praticado há muito tempo. E com o uso da internete, agora é que a gramática vai ser enrolada...

  49. cesar

    12/01/2011 16:03:47

    Esse comentarista é extrema direita querendo agitação. Mal articulado e babando de raiva.

  50. Ricardo Santa Maria Marins

    12/01/2011 15:59:18

    Olá! Caros Comentaristas! E, Sakamoto!O próximo "SIMBALO" que será utilizado na ILHA NAUFRAGADA DE SÃO PAULO, será o CAIAQUE.O próximo "SIMBALO" que será utilizado no RIO de JANEIRO será o ESQUI de LAMA.O BRASIL não precisa de Terremotos, Maremotos, Furacões, Tufões, Vulcões e outros "ÕES".Já dispomos dos MELHORES POLÍTICOS em CATÁSTROFES PRÉ-MEDITADAS. E isso é um LUXO. Só!De PREVENÇÃO nem PENSAR! Isso não dá LUCRO.O Negócio para ser lucrativo é deixar acontecer. Afinal, o POVO PAGA em IMPOSTO e com a PRÓPRIA VIDA! Quer melhor manchete? Um detalhe: Ainda VOTA COMO ESCRAVO. POIS, é OBRIGADO A VOTAR em sua PRÓPRIA DESGRAÇA.É o pensamento político NACIONAL!Tchau!!!PELO VOTO FACULTATIVO!!!!!Obrigado!!!

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