Blog do Sakamoto

Ocupar prédios é preciso. Porque gente vale mais que barata

Mais de 3,5 mil pessoas ligadas a movimentos por moradia ocuparam, na madrugada de segunda, dez prédios abandonados na capital paulista. A ação foi coordenada por 14 movimentos por moradia, entre eles o Movimento dos Sem Teto do Centro (MSTC), a Unificação das Lutas dos Cortiços (ULC) e o Movimento de Moradia do Centro (MMC). Eles também denunciam acordos não cumpridos com o poder público.

Entre as demandas comuns a todas as 14 entidades envolvidas na ocupação, estão uma solução para os que foram vítimas da desapropriação dos Edifícios São Vito e Mercúrio, a garantia de 5 mil unidades habitacionais para o atendimento no Programa de Locação Social e de 5 mil atendimentos no Programa Bolsa Aluguel para situações emergênciais e o atendimento da demanda dos movimentos de moradia que atuam no Centro dos 53 prédios que a Prefeitura afirma estar desapropriando.

O déficit qualitativo e quantitativo de habitação poderia ser drasticamente reduzido se esses imóveis trancados por portas de tijolos pudessem ser desapropriados e destinados gratuitamente para quem precisa. Mas, ao invés disso, o governo federal investe em programas que facilitam o financiamento de novos empreendimentos, como o “Minha Casa, Minha Dívida”, quando poderiam estar entregando às famílias de baixíssima renda apartamentos existentes que hoje só servem para criar ratos e baratas.

Enquanto isso, Estado e município não têm coragem de enfrentar os grandes latifundiários urbanos. Há prédios que devem milhões de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e poderiam ser alvo do Decreto de Interesse Social, uma vez que permanecem vagos por anos. Mas em uma sociedade cuja pedra fundamental são a intocabilidade da propriedade privada e a possibilidade de lucro e não o respeito à vida isso fica difícil.

Por isso, o apoio às ocupações que começaram nesta segunda em São Paulo é a diferença entre a civilidade (e a consciência de que o respeito à dignidade humana e não a antropofagia é que deveria nos unir) e a barbárie (de pessoas morando em palafitas sobre córregos de merda, enquanto outras vivem em triplex com mais de mil metros quadrados).

Já disse isso aqui antes: a área central de São Paulo é alvo prioritário dos movimentos por moradia por uma razão bem simples: porque já tem tudo, transporte, cultura, lazer, proximidade com o trabalho. Ao longo do tempo, fomos expulsando os mais pobres para regiões cada vez mais periféricas. Eles, que possuem menos recursos financeiros, gastam mais tempo e mais de sua renda com transporte do que os mais ricos que ficaram nas áreas centrais (com exceção dos condomínios-bolha espalhados no entorno, com suas dinâmicas de segregacionismo próprias).

Cortiços em regiões retratadas no passado por Alcântara Machado no livro “Brás, Bexiga e Barra Funda” e também nos antes requintados Campos Elísios abrigam dezenas de famílias. Sem o mínimo de saneamento básico, às vezes sem água e sem luz. A maioria dos moradores desses locais prefere continuar assim, pois transporte é o que não falta e a casa fica próxima ao trabalho – ao contrário do que acontece em bairros da periferia, onde o trajeto até o centro chega a levar três horas, dentro de ônibus superlotados.

Cresci no Campo Limpo, bairro periférico de São Paulo. Fiz o ensino médio técnico no Pari, perto da Rodoviária Tietê, do outro lado da capital. Mais de duas horas para cruzar a cidade de transporte público. Depois da faculdade, sem carro, mantive uma rotina longa até me mudar para o principado paulistano do Sumaré. Contudo, mesmo os trajetos intermináveis eram fichinha para quem foi lançado às rebarbas da cidade, como o Jardim Pantanal ou o Grajaú – de onde saem boa parte daquela “gente diferenciada” que vive para servir.

A carta dos movimentos por moradia endereçada ontem ao governador Geraldo Alckmin e ao prefeito Gilberto Kassab desabafa: “Realizamos os principais serviços para o bom funcionamento desta cidade, entretanto nossas famílias estão espremidas por um conjunto de necessidades. Lutamos e trabalhamos muito para sobreviver, mas a cidade regida pelas leis do mercado, especialmente imobiliário, impede que nossa renda assegure nossos direitos. Sabemos que a situação de nossas famílias decorre da injustiça histórica. Sabemos também, que nas circunstâncias atuais, nosso sofrimento não tem razão de continuar.Por isso, nos organizamos e ocupamos esses imóveis abandonados, sem função social respaldados por nossas Leis, que assegure nosso direito à moradia e por meio de nosso direito de agir”.

José – o nome é fictício, pois o morador não quis se identificar – morava com a mulher, filhos, cunhado e primos em um velho casarão, semidestruído, então propriedade da Universidade de São Paulo, na Rua Havaí, localizada no caro bairro de Perdizes. O local não possuía a mínima segurança, uma vez que as tábuas caíam ao se caminhar pela casa. Mesmo assim, José não arredava pé de lá. “Se sair não tenho para onde ir.” Passaram-se os meses e a universidade mandou demolir a casa. Para onde foram José e o populacho que lá vivia? Ninguém nunca soube dizer. Provavelmente engrossam a densidade demográfica de outro cortiço. Ou passaram frio em algum lugar precário. Que logo seria igualmente derrubado.

A recuperação da área central de São Paulo não se restringe a uma valorização estética das ruas, edifícios e bens culturais. Inclui também o repovoamento do local, trazendo vida à região, com incentivos para o estabelecimento das classes média e baixa. O que tem sido feito até agora é o contrário: expulsa-se o povão e ergue-se monumentos à música e às artes.

Sabe o artigo 6o da Constituição Federal que garante o direito à moradia? Então, é mentira. Do mesmo tamanho daquela anedota contada no artigo 7o que diz que o salário mínimo deve ser suficiente para possibilitar “moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social”.

Função social da propriedade? Por aqui, isso significa garantir que a divisão de classes sociais permaneça acentuada como é hoje. Cada um no seu lugar. Afinal de contas, viver em São Paulo é lindo – se você pagar bem por isso.

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Comentários

91 Responses to “Ocupar prédios é preciso. Porque gente vale mais que barata”

  1. Ted Tarantula disse:

    sabiam que em nosso país existem mais residencias para uso eventual, de lazer – sítios, casas de campo, de praia, retiros, rancho na montanha – que pessoas sem teto????..aliás: to vendendo um sitio; alguém quer comprar?

    • JOTA CAMPO GRANDE MS disse:

      VERDADE TED,AQUI EM CAMPO GRANDE TEM UMA LUGAR QUE FICA 25 KM DA CIDADE CHAMA CHACARA DAS MANSÃOES,É SÒ CASA DA BURGUÊSIA QUE OCUPA NOS FINAS DE SAMANA OU FERIADOS. NADA CONTRA, MAIS É UM ABSURDO! QUANDO TEM MILHÕES DE BRASILEIROS QUE NÃO TEM TETO

    • Wagner disse:

      Invasão de propriedade é CRIME! Não é invadindo nada que se resolve. Tropa de Choque Já! A LEI é para TODOS. Por que essas pessoas e esses movimentos políticos hipócritas do PT não resolvem tudo com a “Minha Casa, Minha Vida” ??? O Lulla não disse que faria 1 milhão de casas? Cadê??? A Dilma não disse que faria “mais” 2 milhões???? Cadê??? Ganharam a eleição e acabou a promessa. Aí vem esses movimentos dos maconheiros do PT e PCO da vida acusar a Polícia de SP de “ditadura”. Cambada de VAGABUNDOS.

      • Denise disse:

        E o cara treme de medo de ter que dividir, de perder o cantinho quente da casinha classe média dele.

      • fredM.B disse:

        Capitão Nascimento fez escola!!!

      • Viviane disse:

        Ingênuo faccionário. Nojinho desses tipinhos que sabem nada além do umbiguinho.

      • Luciano :) disse:

        Como já ressaltado no excelente texto do Sacamoto, a Função Social da Propriedade é princípio basilar do Estado brasileiro. Os prédios legitimamente ocupados claramente não dão conta de sua função social, qual seja, abrigar alguma atividade minimamente produtiva. Unindo a ociosidade dos imóveis à estratosférica soma de impostos devidos, há motivação clara pleitear a desapropriação.
        Quanto aos reacionarismos, só lamentos…

      • Isabel disse:

        Prezado Wagner, você não entendeu, pelo que o texto diz, que existem prédios ociosos, abandonados e que não servem para nada além de onerar o Estado por meio de sonegação de impostos? E que, por outro lado, existem milhares, milhões de pessoas que não têm onde morar? Onde dormir? Onde se higienizar e coisas básicas desse tipo? Você acha mesmo que a LEI deve estar acima do direito que uma pessoa tem a SOBREVIVER?

      • Eduardo disse:

        Brilhante Luciano

        Concordo em gênero, número e gráu com a sua colocação. Nota-se que quem se mostra contra esse tipo de movimento é um tipozinho de reacionário que só se preocupa com seu próprio umbigo. Enquanto temos milhares, pra não dizer milhoes, de pessoas vivendo abaixo da linha da miséria sem um teto pra morar, tem-se vários imóveis desocupados, inúteis.

        Pra elucidar a burguesia despolitizada que acha que isso é caso de polícia, e não de políticas adequadas, vou dizer só uma coisa: essas pessoas não tem teto, não porque são vagabundos e não querem trabalhar, e sim, muitas das vezes, porque não tiveram oportunidades nem educação suficiente pra isso.
        Se a educação é um dever do Estado prestar, será que a culpa é do cidadão que não a obteve? Se o Estado é quem descuida de seus cidadãos não dando a eles educação ele, o Estado é o responsável por criar essas desigualdades e consequentemente deverá repará-las. Neste caso específico dando aos desabrigados um lar.
        Mas em geral, dando ao povo a dignidade que merece!!!

      • chronnus disse:

        Roubar tambem é crime e porque os nossos gorvenantes nos roubam a todo instante? Lei pra eles antes que pra nós!

      • Angelo Alf disse:

        TODA PROPRIEDADE É UM ROUBO SR. WAGNER….sai daí de dentro da bolha…infelizmente pessoas como tu há em milhões por aí…. empatia passou longe…Viviane expressou muito bem “nojo”…. abçs Wagner….

  2. Fernanda disse:

    Moro no Centro de SP e a quantidade de prédios abandonados é enorme. Sou super a favor dessas ocupações, mas já ouvi muitas perguntas do tipo: “nossa, você não está com medo daquelas pessoas?” A resposta que eu deveria ter dado: “tenho medo é de você, que acha que pobre é bicho selvagem.” Triste, muito triste.

  3. marilu disse:

    Sakamoto bom dia!
    o nosso lindo governo não tem nem tempo pra cuidar do problema habitacional, é tdo mês um ministro novo caindo por conta do velho hábito de roubar, e agora que eles perderam o medo, a vergonha e compostura, e tão metendo a mão, o pé, o braço e tudo o mais, fica dificil pros governantes pensar em outra coisa que se proteger, pra ver se a sua casa não cai tbem! é isso mesmo, o governo tá sem teto rsrsrsrsr num tá achando onde esconder tanta merda!
    eu não sou a favor de invasão, seja lá qual for, pq o que é seu é seu e o que é meu é meu! propriedade privada deve ser respeitada sim, e tbem deve ser cobrado multas, impostos e tudo a que se refere do dito proprietário!
    mas se o o governo, legalmente, desapropriar para depois vender, pode ser bem baratinho mesmo, pra outras pessoas, de preferencia com reais necessidades, aí sim é bem legal!
    pq tudo que é de graça não tem valor! os movimentos sociais tem mesmo que lutar e fazer barulho e buscar soluções pras moradias, mas invadir propriedade privada, imagina se a moda pega? e aí alguem resolve que vai invadir a sua casa ? como fica vc e sua familia? pq a sua casa Sakamoto, vc comprou né, ralou pra ter direito a ela, e é lá que vc abriga a si e aos seus, então, sua familia tem que ter proteção pra morar, a minha tbem! ah tá o Sr. pedro 9 nome ficticio) tá na rua com a familia dele, meu isso é triste mesmo, mas tem que se buscar as alternativas legais pra isso : albergue pra socorrro imediato, emprego pra todos familiares e casa ( alugada sim com muito orgulho pq não?) para se viver !
    abs

    • JOTA CAMPO GRANDE MS disse:

      O BRASIL ,TA MUITO LONGE DE RESOLVER SEUS PROBLEMAS SOCIAL. HABITAÇÃO/ EDUCAÇÃO/SAÚDE/ESTRADAS/ CORRUPÇÃO/UM PAÍS QUE NÃO TEM JUSTIÇA SOCIAL. A VIOLENCIA CRECE A CADA DIA! E NÃO SE MUDA O CÓDIGO PENAL,SÓ ENTRA POLITICOS OU GOVERNANTES QUE NÃO TEM CIDADANIA, SÓ PESAM EM ROUBAR CONSPÍRAR CONTRA O POVO !! TAI A PRESIDENTE QUE NÃO FAZ OUTRA COISA A NÃO SER MANDAR MINISTRO EMBORA POR NO MININO SUSPEITA DE CORRUPÇÃO, TEM MAIS UM AI QUE VAI CAIR. E AI AINDA QUEREMO UM PAÍS SEM VIOLENCIA E TUDO MAIS.

    • ROGGE disse:

      Querida Marilu, como foi que soubeste que a casa do Sakamoto está abandonada? Na minha opinião, toda a propriedade deve ter uma dimensão social. Se alguém não a desfruta, ela não pode ficar inútil com tanta gente precisando desfrutá-la. O sentido de propriedade privada é legítimo, mas em termos. O que é demais não nos pertence.

      • Weiss F. Odehr disse:

        E que é que julga o que é demais? Você? O governo?

      • Diego disse:

        Na verdade não é você quem acha. É a constituição que fala em direitos e DEVERES, e diz que a propriedade deve ter uma razão social de ser. A mesma consituição que fala do direito a moradia. Portando manter predios abandonados, ainda mais sonegando impostos, é inconstitucional. MAs ignorantes da propria constituição como esse Weiss, ou outros la em cima que pedem pela policia em nome de uma legalidade que não existe.

    • malena disse:

      Ainda bem existe o Est. de SP. onde não há corrupção, roubalheira. Só políticos honestos, gente trabalhadora, que tira do próprio bolso o dinheiro p/ seu partido e suas campanhas políticas. Viva SUNPAULO !!!! Viva o PSDB/DEM.

    • Isabel disse:

      Marilu, os movimentos que realizam invasões, invadem apenas imóveis e propriedades IMPRODUTIVAS e DESOCUPADAS. Ninguém vai invadir a sua casa, não, pode ficar tranquila, até porque isso é desnecessário, data a quantidade de prédios abandonados que existem por aí. Sim, eles são suficientes para abrigar a população sem teto!

      • marilu disse:

        Isabel, boa tarde,

        é tudo um questão de principios, tem que haver uma ordem estabelecida, porque uma sociedade assim tipo alternativa, ainda não vi funcionar, pode ser muito bonito na teoria, mas a pratica, nos mostra bem diferente!
        os grupos que me parecem asim bem organizados, que invadiram esse prédio em questão, tem mesmo que usar sua força pra alcançar seus objetivos, mas na minha opinião, e é só uma opinião, nada mais, o ato de invadir não é nem legal nem bom, acaba por não resolver o problema. agora imagina esse pessoal todo junto aos vereadores, prefeitos e afins apresentando projetos de reurbanização do centro de São Paulo? fazendo passeatas? indo na imprenssa, e denunciando mas tbem apresentando alternativas, pq só gritar não resolve e tomar o que não lhe pertençe ainda é roubo, é assim, são as leis, não fui quem fez, mas tenho que cumprir, eu vc e todo mundo, agora quando o governo falha e se omite o povo, eleitor tem que fazer barulho sim, mas por favor, pelas vias legais.
        abs

      • Isabel disse:

        Eu adoro esse argumento da legalidade acima de tudo. E você acha que a população não denuncia na imprensa? O que que o Sakamoto tá fazendo aqui, se não apoiar o movimento pela imprensa? Acontece que brigar nas ruas, fazer passeatas, exigir junto aos parlamentares há muito tempo que deixou de surtir efeito. E quando os meios legais deixam de suprir as necessidades da nação, há sim que se agir por meios ilegais. E sabe porque no caso das invasões isso ainda está dentro da legalidade? Porque moradia para todos está garantido na CONSTITUIÇÃO, que é (ou deveria ser) a base da nação. Agora, se o Estado não consegue prover tal fundamento, há que se conquistá-lo. E não falo de sociedade alternativa, por favor! Estou falando de gente que não tem onde dormir. Parece que quem critica as invasões simplesmente não consegue compreender o tamanho da gravidade que é não ter um teto, não ter um banheiro.

      • Humberto Nakanishi disse:

        Olá Marilu,

        Essas pessoas não tem tempo de fazer ações desse tipo, pois precisam trabalhar todos os dias para conseguir sustentar suas famílias.
        Se faltam ao emprego, serão despedidas e além de sem teto passaram para integraram também o time dos desempregados (caso já não façam parte).

        Agora se ocupar um prédio abandonado é crime, deixar centenas de famílias morando na rua, quando existem possibilidades imediatas de resolver esse problema, é algo, ao meu ponto de vista, muito mais desumano, imoral e contra os princípios de qualquer religião.

        Por isso defendo essas ocupações, pois essas pessoas precisam de soluções imediatas para esse problema tão antigo.

  4. roberto disse:

    a ocupação do centro é muito válida e edifícios ociosos deveriam ser aproveitados para construção ou reforma de mais moradias.

    agora “Sabemos que a situação de nossas famílias decorre da injustiça histórica”. não é verdade.

    o sakamoto é prova real de que quando se quer, voce melhora de vida e consegue um lugar melhor para morar. pode demorar, mas consegue.

  5. MArcia disse:

    Eu pessoalmente acredito que se a pessoa está pagando os impostos e mantendo a higiene, conversavação e segurança de um imóvel sem uso, este não deve ser desapropriado, pois alguém comprou e está cuidando dele, então mesmo que não esteja usando, tem direito aquilo.
    Porém, prédios caindo aos pedaços, com dívidas e sem o mínimo cuidado, estes sim, já está mais do que na hora de desapropriarem e darem um uso.
    Ainda assim, sou contra darem os lugares de graça. Penso que é injustiça com quem também é pobre, trabalha, economiza e vai la e compra seu terreninho em Parelheiros, na Cidade Tiradentes, Guaianazes, e tantos outras periferias longinquas da cidade.
    Acho que as pessoas tem que pagar sim, nem que seja um valor simbolico, que deveria reverter em beneficios, afinal se é publico, é de todos, não pode se reverter numa propriedade privada. E nem vou entrar no merito de pessoas que enriquecem ilicitamente com esquemas.
    Se a pessoa não tem condição de pagar pela casa, como vai mantê-la? Como vai manter as contas e uma conservação mínima?
    Ou, se não for cobrar, deveria ser do Estado, e a pessoa teria apenas o usofruto… mora lá enquanto precisa, mas não é dona do lugar. Ainda assim, acho que seria problemático, pois exigiria fiscalização constante e esse não é o proposito.
    Acho muito complicada essa situação, da mesma forma que não é justo deixar pessoas vivendo ao relento, também não é justo com quem pega 3 horas de condução e pagou por sua casinha, não poder viver no centro, pois não é rico e nem sem teto.

    • JOTA CAMPO GRANDE MS disse:

      MAIS ESSES AI QUE TEM QUE ENTRAR NO MERITO..JA PENSOU NO MALUF SARNEY ESSE IMUNDOS!! E TANTOS OUTROS QUE ENRIQUECERAM AS CUSTAS DO DINHEIRO PÚBLICO.

  6. Edu disse:

    Da próxima vez q fizerem um protesto, façam assim:

    http://veja.abril.com.br/multimidia/galeria-fotos/a-cultura-de-protestar-sem-roupa-no-leste-europeu

    Tenho certeza que dará mto mais resultado!

  7. Rogerio disse:

    Eu entendi direito ou o dono do blog defende invasões?

    Se entendi não dá nem para comentar!!!!

    Invasão de patrimônio privado é caracterizado crime, preciso dizer mais alguma coisa??

    • Douglas disse:

      Também sou a favor deste tipo de invasão! Vai encarar?

    • André disse:

      Os movimentos sociais existem desde a entrada da humanidade na chamada “sociedade moderna” por simplesmente esta mesma sociedade não atender aos anseios da população mais pobre. Estão aí para mostrar o quanto nossa “civilização” é preconceituosa e só atende aos interesses dos mais ricos. Se realmente vivêssemos em uma sociedade mais justa e igualitária estes movimentos sociais não necessitariam existir. A moradia, assim como a alimentação é um direito social, discriminado na Constituição Federal. Os movimentos sociais que reivindicam moradia apenas lutam para ter seus direitos garantidos.

    • Cora disse:

      O dono do blog defende q as pessoas levantem a cabeça e defendam seus direitos.

    • Isabel disse:

      Assegurar moradia a toda a população é direito CONSTITUCIONAL. Ou seja, não assegurá-la, tmabém pe CRIME! E aí, como ficamos?

    • Diego disse:

      VAi estudarva constituição. Ninguem tem direito a te um predio ociosos, isso ta na contituição de 88, a mesma que fala sobre todos terem direito a moradia. Se alguém esta cometendo crime é o Poder Publico de não desapropriar essas propriedade inconsticionais.

  8. rafael m disse:

    Pura verdade, já morei em São Paulo e sei como essa cidade é segregada por classes sociais. Infelizmente o poder público não está fazendo o suficiente para melhorar a cidade. Melhor gastar milhões em um viaduto na área nobre que construir ciclovias.

  9. Ivan disse:

    Qualquer texto que ponha em xeque o intocável “direito a propriedade privada”, merece a máxima exposição possível. Quando a propriedade privada aumenta o abismos social, gera pobreza e piora da vida de pessoas de renda mais baixa, ela precisa ser reivindicada, preferencialmente pelo estado. Em algum momento o ter mais conforto que a pessoa ao lado. Que a vida em sociedade é mais do que essa pseudo vida de que milhões de paulistados precisam aturar, e também mais do que essa pseudo-vida dos milhares que se acham privilegiados, e que parecem ter certeza de que estão fazendo tudo certo, mesmo que vivam com tanta acumulação de riquezas.
    Grande texto Sakamoto!

  10. Luiz Alberto disse:

    Prezado Sakamoto..boa tarde.

    Eta assunto indigesto,né não?

    Me lembro que em 2001 aprovou-se por estas bandas um tal de Estatuto da Cidade,que criou instrumentos que permite ao poder público”Fazer Cumprir a Função Social da Propriedade Urbana”,que trocado em miudo siguinifica que( propriedades que se beneficiam de infra extrutura urbana e que se encontram abandonadas…verdade seja dita no centro desta merda de cidade isto é comum) sejam expropriadas?

    Mas …infelizmente,como “ricos” não aceitam conviver com “pobres”,a despeito de que cada vez mais na cidade capitalista seja impossível NÃO conviver ou dividir espaço com patrícios de baixa renda,e que autoridades públicas cagam em cima do que foi acordado…da no que da…confronto.

    No caso de São Paulo…ocorre algo interessante:a periferia sente-se cada vez mais expremida por recursos ambientais…ao norte..Serra da Cantareira…se bem que muitos condomínios foram construidos na região…naturalmente dado ao jeitinho que os mais abastados+ políticos encontraram para usurpar de espaços que pertencem aos munícipes,ao sul pela quantidade de mananciais..se bem que a classe mais abastada tbém deu o seu jeitinho..ao leste…reservaram pra abertura da Copa dos Babacas…espere so pra ver no que dará isso e a oeste grandes condomínios de classe média alta em crise de identidade num verdadeiro apherteid brasileiro.

    Juro…me deparei com duas situações distintas: França…ano 2000 criou-se uma lei chamada “Solidariedade Urbana”,onde todos os municípios deveriam reservar 20% das moradias a serem destinadas a habitação social….dar as costa pra lei resultaia em pesadas multas.

    São Bernardo… um terreno da Volkswagem foi ocupado e posteriormente desocupado por ordem de reintegração e posse.
    Detalhe:a proprietária do imóvel estava em situação de ilegalidade por não respeitar o Estatuto das Cidades.

    Outro detalhe interessante: A arquitetura no Brasil de uma forma geral está sempre presente nas áras mais favorecidas e com as exceções de praxe pouco se dedica a moradias de baixa renda, e nesse caldeirão fétido só podia dar merda.

    Só uma coisa me preocupa….14 organizações envolvidas no processo de ocupação….será que estamos imitando nosso processo político pluripartidário onde todo mundo quer tirar uma lasca da árvore?
    Não serão estas organizações tão nocivas quanto partidos políticos e donos de imóveis a espera de valorização.

    Vou beber na cacimba.

    • Luiz Alberto disse:

      Corrigindo….significa.

    • nuevo disse:

      Se o Roberto viesse agora e dissesse que eu sou o Luiz, ficaria honrado.

      Discordo do último comentário somente, com o resto não só concordo como aprendi muito.

      Se não houver organização não acontece reivindicação alguma.

      As ações têm que ser refletidas e planejadas, logo, se não houvesse movimentos que discutissem e coordenassem as ações, como as pessoas se juntariam ao mesmo tempo, dividindo as mesmas intenções?

      Não há milagres, a consciência é fruto de ações coletivas.

      A pergunta é: não serão os movimentos sociais tão hierárquicos e parasitários como os partidos?

      Os movimentos levam grande vantagem democrática sobre os partidos.

      A maior delas é a proximidade de seus integrantes.

      Se eles, ao se organizar, reproduzem hierarquias, se são mandonistas, se se institui uma cúpula que administra finanças advindas do governo… xiii… ferrou-se.

      Os movimentos sociais, assim como os conselhos municipais, são a grande oportunidade para as pessoas se engajarem em transformações sociais dentro de uma organização de relações HORIZONTAIS.

      A prática dessas relações devem ser de uma obrigatoriedade paranoica, ou o grupelho será apenas um partido, uma fábrica ou um quartel em tamanho menor.

      O grande número de pessoas partícipes de um movimento facilita o desenvolvimento de estruturas de controle rígidas, hierarquias.

      Há sempre aquela desculpa: como fazer assembleias pra tudo?, é gente demais, a coisa tem que andar…

      Organizações menores são mais ágeis e tendem a ser mais democráticas.

      Dessa forma, me parece bom o fato de que haja 14 organizações e não apenas 4. A pulverização permite maior autonomia dos grupos. Seus acordos têm maior representatividade porque tiveram de chegar até a base para sua sustentação.

      Dá mais trabalho se autocoordenar do que ser coordenado?

      Claro.

      Fácil é impor palavras de ordem a uma massa de manobra, assim como é fácil baixar a cabeça e aceitar imposições.

      Consciência dá trabalho.

      Quanto menor a representação, quanto maior a ação direta, melhor, mais democrático.

      Ao entregar seus interesses a REPRESENTANTES, a massa abre mão deles, na suposição de que uma cúpula vai defendê-los.

      Cúpulas são compráveis e têm seus próprios interesses.

      Que se desapodere o poder.

      • Victor disse:

        Hum…interressante Verme…você é um dos caras que mais falam coisas relevantes aqui…

        Um trecho de uma música pra vc meu caro Verme…acho q vc já deve conhecer…mas não custa divulgar…rs

        “Você constrói de role
        assim que tem que ser
        dividiu u pior que,
        se no futuro ver,
        tudo que é de bom ter
        no que for,
        chega sempre com amor de exercer
        vai lhe dar nos conforme
        só do melhor, amanhã o sol como
        vier tá bom pra nós, bela vida
        saber viver assim que é alguém lamenta
        sem o amor nem água benta”

        O Inimigo é de graça (Racionais/U Time)

  11. JDP disse:

    O texto do blogger , recheado de altruismo e com pitadas de utopia , é um discurso sob medida para tocar a sensibilidade dos ingenuos. Esses movimentos batizados pelos idealizadores por “operação urbana” tem por fito único a campanha eleitoral do próximo ano. Não são movimentos de carater nacional, mas focalizados na capital paulista. A invasão da reitoria da USP , as constantes panes no sistema elétrico do Metrô e dos trens da CPTM e agora essa invasão dos prédios que estão à decadas vazios , são atos milimétricamente programados para tentar induzir o eleitorado a mudar de idéia. Quando se olha o uniforme dos invasores , as bandeiras bem elaboradas com (arte inclusive) os slogans bem ensaiados , somos tentados a pensar que todo esse pandemonio pode estar sendo financiado com as verbas da corrupção partidária. Um viajante extraterrestre que chegasse aquí , certamente iria pensar que todos os problemas deste país continental residem no Planalto de Piratininga. Não concordo com a doação dos imóveis para a população dita sem teto. Essa medida seria altamente discriminatória para com os que levantam de madrugada e enfrentam condução cheia e filas, além de lutar pela sobrevivencia em seus empregos ou atividades de forma digna ,bem ao contrário dos invasores que podem inclusive estar sendo pagos para badernar. Existe um pensamento que diz : se quiseres arruinar seu filho , basta lhe dar bastante dinheiro. Um exemplo claro de que as doações desvirtuam as pessoas foram os R$ 46.000.000,00 doados À UNE pelo governo federal para a construção da sede própria . Até a presente data não foi feito coisa alguma que justificassem os créditos.

    • André disse:

      JDP, concordo quando diz sobre a UNE. A UNE se tornou entreguista e perdeu seu poder de união dos estudantes há muito tempo. Porém, não acredito que os movimentos sociais estão aí para angariar votos ou fazer com que partidos pol;iticos cheguem ao poder. Este pensamento está mais voltado a acreditar em uma “teoria da conspiração” do que realmente na realidade.
      Verdade é que o centro de São Paulo está repleto de prédios antigos, sem uso, abandonados e em mau estado de conservação. Acho pertinente este movimentos sociais relacionados à habitação, visto que a moradia é um direito social de TODO cidadão seja ele de qualquer classe social.

    • nuevo disse:

      Tolices.

      “Essa medida seria altamente discriminatória para com os que levantam de madrugada e enfrentam condução cheia e filas, além de lutar pela sobrevivencia em seus empregos ou atividades de forma digna ,bem ao contrário dos invasores que podem inclusive estar sendo pagos para badernar.”

      1. Quem levanta cedo pode continuar levantando e trabalhando. Não há discriminação alguma. Ninguém vai impedir o cara de trabalhar. O máximo que pode acontecer é esse trabalhador fanático se tocar de que moradia digna é um direito que lhe negam também. Nesse momento esse cara poderá ingressar num movimento social pra reivindicar o que lhe é de direito.

      No fundo, esse é o medo do conservador. O de que o trabalhador perceba que não passa de um trouxa sacaneado diariamente, e que passe a exigir o que sempre foi seu.

      Uma primavera.

      2. Se alguém paga os movimentos, tanto melhor. É brocas viver sem grana. Mas cuidado, financiadores, movimentos são basistas e costumam trair os que querem impor rédeas ou cobrar retorno pelo dinheiro investido!

      Os movimentos seriam mais confiáveis se os próprios trabalhadores pagassem diretamente por seus serviços.

      Se o trabalhador paga espontaneamente, ele também cobra resultados.

      O movimento passaria a prestar serviço à luta dos trabalhadores contra o capital.

      Mas não sobra pra isso, nem o trabalhador despertou pras lutas como deveria. Prefere acreditar no parlamento e é obrigado a pagar por sindicatos pelegos (peleguice que é fruto dessa obrigatoriedade).

      ***

      Que bom seria se políticos corruptos repassassem a grana que recebem de empreiteiras pros movimentos sociais!

      Já pensou?

      • JDP disse:

        Nuevo concordo em parte com vc no que diz respeito a cada um reivindicar melhor condição de moradia. Concordo até que as tais moradias sejam subsidiadas pelo governo , mas jamais doadas. Não é conservadorismo , mas a doação tem que ser acompanhada de um certo compromisso da parte beneficiada. Não sei se vc acompanhou a reforma agrária , mas muitas glebas de terra doadas aos sem terra acabaram sendo negociadas pelos próprios com contratos de gaveta. O que menos interessava a muitos deles era plantar alguma coisa. Um rastreamento feito por um jornal de certa feita acusou terrenos doados que trocaram de dono” sete vezes” após a regularização dos assentamentos ! Existem no meio dessa gente muitos invasores profissionais essa é a realidade.

      • nuevo disse:

        Comentário interessante.

        Muito focado.

        Pra se fazer um julgamento justo, é necessário acrescentar variáveis como preparo do assentado para a produção, produção adequada, escoamento, crédito, condições de vida no assentamento etc.

        Daqui não dá pra avaliar.

        Ainda assim, sobram sem-terra, não assentamentos.

  12. Marina disse:

    Bacana você comentar o assunto no seu blog. Faço parte do Coletivo de Galochas, grupo de teatro que está em cartaz com um espetáculo dentro da Ocupação Prestes Maia. O grupo está há quase um ano ensaiando por lá e montando o espetáculo “Piratas de Galochas”, que representa como se dão essas ocupações. Além da inspiração no movimento, o espetáculo também se inspira no espaço da ocupa, uma antiga fábrica de tecidos que caia aos pedaços e devia impostos e que, ainda sim, segundo as autoridades, deve ser reintegrada. Ao ler seu post identifico tudo que conhecemos durante esse processo na Prestes Maia.

    Fica o convite para que você e seus leitores conheçam nosso processo e assistam a peça: http://piratasdegalochas.blogspot.com

    Abraço!

  13. Marília disse:

    Sakamoto, adoro os seus textos e o seu jeito de escrever. Além do fato de você ser gatinho ;-D

  14. Luciana disse:

    Boa Tarde, Sakamoto
    Acho seus comentários fantásticos, e em respeito a essa pessoas são mais dignas de um teto do qualquer político que estampam as páginas de notícias com as mais absurdas falta de ética.
    Abraços

  15. Thiago disse:

    Sakamoto,
    Achei fantástico seu texto e queria muito poder falar com você sobre um projeto com relação aos movimentos por moradia/habitação em SP. Vi que você fundou a “Repórter Brasil” e gostaria muito de lhe falar. Mandei uma mensagem pelo facebook, imagino que você receba muitas, mas se tiver um tempinho, dê uma lida.
    Abs!
    Thiago.

  16. JOTA CAMPO GRANDE MS disse:

    O SARNEY FALOU HOJE QUE O CONGRESSO NACIONAL TA SEM CRIATIVIDA KKKKKKKKK, E JÁ TEVE CRIATIVIDADE ALGUMA VEZ?

  17. Rogerio disse:

    Sinceramente acho que para vc ter um lugar para morar, tem que trabalhar e comprar, não ganhar de mão beijada!!!

    Aí fica fácil o governo tem que dar casa, emprego, tudo, daqui a pouco vai ter que dar carro tb!!!!

    Sou um exemplo disso, trabalho desde os 14 anos, tenho 31 e até hj não consegui dinheiro para comprar meu imóvel, nem por isso invadi um prédio seja ele privado ou público para reinvidicar uma moradia!!!!!!

    Ai chego do trabalho e vejo que o governo deu casas a um monte de gente!!

    Injusto isso né, pq eles ganham e eu não?? A façam me o favor isso é muita hipocrisia!!

    Quer ter casa trabalhe e compre, do contrário não tenha!!!!!!!

    • Marília disse:

      Reaça.

    • André disse:

      Pois é, Rogério…

      Como você mesmo disse, trabalha desde os 14 anos e até hoje não conseguiu comprar seu imóvel.
      Moradia é DIREITO de TODO cidadão. Assim como voce teve oportunidades de trabalhar para ganhar seu sustento, muito dos sem teto que habitam as ruas de São Paulo, não têm e nem tiveram a mesma sorte.
      Hipocrisia é viver sua vida “digna” de classe média e pensar que os problemas sociais que há muito tempo os grandes centros urbanos enfrentam são de responsabilidade individual. O problema é coletivo! A saída, portanto, se torna coletiva. Somente através da força de muitos que sofrem com o mesmo problema é que se pode mudar alguma coisa. A pressão social por mudanças somente gera resultados se for direcionada às partes que mais sentiram as ações dos movimentos sociais.

      • Rogerio disse:

        Sinceramente André seus argumentos não se sustentam!!!!

        Sou de classe pobre, trabalhei desde pequeno para ter minhas coisas, eu poderia muito bem ter cruzado os braços esperando que os outros me darem as coisa de mão beijada!!!

        E a maioria desse povo que está nessa situação, fez isso simplesmente não trabalha, não faz nada só fica esperando de mão beijada!!!!!

        Amigo cada um escolhe o que quer para sua vida, eu escolhi trabalhar e conquistar minhas coisas, já esse povo escolheu ser vagabungo, portanto tem o que merecem!!

        Se são sem teto e sem emprego, são porque assim escolheram!!!!

        Portanto não me venha com teorias de coitadinhos, pq eles não o são!!!

      • Cora disse:

        A elite brasileira não tem com o q se preocupar enquanto existir um exército de pé-rapados q aceita, incorpora e defende seu discurso elitista, concentrador de renda e preconceituoso.

        A elite nem se abala. Continua fazendo compras e viajando, pois sabe q seus interesses estão sendo defendidos até pelo morador da favela, q limpa sua sujeira e aceita suas esmolas com um meigo sorriso subserviente na cara.

    • nuevo disse:

      Participar de movimento social pra reivindicar um direito fundamental não é pedir nada de mão beijada.

      É lutar.

      E quem luta, muitas vezes apanha e morre.

      Cadê a mão beijada?

      Quem leva a sério o sistema é que se ajoelha e beija a mão do santo patrão e lhe pede as bênçãos, cumprindo um ritual de redenção: 8, 12h de sacrifício ao dia, por uma pequena dose de alívio mensal: o salário.

      Tem crédulo pra tudo.

      Quer trabalhar em vez de lutar?

      Bom proveito.

      O fato de algumas pessoas conquistarem por meio da luta aquilo que lhes devia pertencer desde a infância, a moradia, não inviabiliza a prática fanática do crédulo conformista.

      Oras, pode se ralar à vontade, ninguém vai dizer pra um trabalhador que ele não deve comprar sua casa com o que juntou de seu salário.

      Só não dá pra entender por que esse crédulo se incomoda com quem opta pela luta, afinal de contas moradia tem que ser oferecida, com ou sem dinheiro, com ou sem trabalho.

      E estou radicalizando, sou remediado, tou no último escalão da classe média, mas estou lá, nunca passei fome ou encarei subemprego. Pude ler o que a maioria não leu.

      Normalmente, as pessoas que participam de movimentos por reivindicação de moradia não têm esse perfil.

      São crédulos quanto qq trabalhador, acreditam que se ralarem muito chegarão lá.

      Mas já sacaram que a luta faz parte da ralação porque seus salários são baixos demais. Que se esparerem demais pra que as coisas melhorem, morrerão pagando aluguel.

      Sabem que, com o que ganham, o máximo que conseguirão é um barraco na favela, ficando longe do centro onde já existe água encanada e luz elétrica, segurança e condução. Tem escola perto, supermercado, hospital.

      E aí?

      Esvaziar o centro pra quê?

      Pra chapar ainda mais a favela?

      Pra afastar o cara do trabalho?

      Pra obrigar o cara a gastar ainda mais com a condução?

      Qual a vantagem?

      Os típicos integrantes desses movimentos são trabalhadores.

      Vagabundos somos nós, os que lemos o que eles não puderam ler.

      Com muita honra.

  18. airton disse:

    Sou terminantemente contra, quem quer casa que as compre, com o suor do seu trabalho, essas pessoas não me parecem muito dispostas a trabalhar, é mais facil ganhar, bolsa familia, bolsa alugue, bolsa gas, etc… enquanto uns produzem os demais invadem, EXERCITO NA RUA JÁ, VAMOS RESTABELECER A ORDEM.

    • Wil disse:

      Certo…. Ordem É progresso.

      Os Edifícios vazios são PATRIMÔNIO de alguém que trabalhou para comprar…
      … Aliás, porque não vejo ninguém invadir imóvel abandonado em Guaianáses ou em outro lugar afastado ?

      Este que estamos vivendo é o governo do inferno…….
      Sugiro que todos, então, parem de trabalhar, fechem suas empresas, parem de plantar…
      Invadam, tomem,…… O governo banca sua cerveja…

      Que o Brasil entre em férias permanentes….

      • Rogerio disse:

        Perfeito Wil!!!

        Afinal é responsabilidade do governo dar tudo a todos!!!

        hahahahahahahahahahahahah

        Concordo com vc cara, quer ter as coisas vá trabalhar e comprar!!!!!!

      • nuevo disse:

        O governo tem que dar tudo a todos.

        Recebe pra isso.

        O que não o impede de trabalhar.

        Quer pagar pelo que já é seu?

        Por que não?

  19. Gisela disse:

    Sakamoto:
    O direito de preempção confere ao Poder Público municipal preferência para aquisição de imóvel urbano objeto de alienação onerosa entre particulares. (Artigo 25 do Estatuto da Cidade), será exercido sempre que o Poder Público necessitar de áreas para execução de programas e projetos habitacionais de interesse social(Artigo 26 do Estatuto da Cidade).
    A propriedade urbana cumpre sua função social quando atende às exigências fundamentais de ordenação da cidade expressas no plano diretor, assegurando o atendimento das necessidades dos cidadãos quanto à qualidade de vida, à justiça social e ao desenvolvimento das atividades econômicas (Artigo 39).
    Conclusão: o Estatuto da Cidade dá poder para o Município comprar o que quiser e destinar essas áreas ao interesse social, se assim for a vontade política dos governanates.
    Não parece ser o caso. Aí acontecem os casos que vc. coloca com muita propriedade em seu texto.
    Abç

    • Maria Alice disse:

      Cara Gisele,

      Ótimo comentário! O lamentável realmente está no fato desse direito de preferência não ter a preferência(para enfatizar, ok ?) QUE DEVERIA, até por uma questão de JUSTIÇA.

  20. Renata disse:

    Moradia é artigo de luxo em São Paulo. Tenho um emprego com uma renda relativamente boa. Mas não consigo achar um aluguel sequer com condições mínimas de higiene a menos que seja para dividir com mais 2 pessoas com renda semelhante.

    Esta cidade está extremamente cara e não sei quem está podendo pagar estes valores absurdos. O problema de moradia está deixando de ser “privilégio” das classes mais pobres.

    A política de urbanização desta cidade é feita exclusivamente pelo mercado imobiliário que abandona o imóvel a espera de valorização, ou então deprecia bairros para abaixar o valor das casa, comprando tudo a preços irrisórios derrubando para criar estacionamentos tb a espera de valorização da região.

    SP cresce desordenadamente, com as pessoas sendo obrigadas a viver longe do trabalho e do lazer o problema de transporte sempre estará presente, e o governo pode gastar milhões em metrô e vias, mas sempre vai chegar tarde demais para resolver o problema.

    Espero o dia que prefeitos e governadores entendam que uma cidade precisa constantemente de projetos urbanísticos que visem resolver os problemas futuros e não viver correndo atrás dos criados pela má gestão e pela pressão do mercado imobiliário.

  21. Juliana disse:

    OK ok , todos querem moradia e os prédios do centro estão aí desocupados e podem ser úteis , além de praticidade para trabalhar ( e com isso até o transporte público ficaria menos lotado) .
    Mas quem vai manter água , luz , IPTU desses prédios todos ? Moro na Zona Norte e um colega que trabalha em ONG contou que no Cingapura NINGUÉM quer pagar nem o condomínio ( que é em média 50,00 por mês )…em uma das reuniões foi sugerido então que cada morador contribuísse com trabalho : todos comprariam material de construção e um pintaria , outro cortaria mato , outro colocaria lâmpadas etc …adivinhe o que foi ouvido ? ” Trabalhar de graça não”
    Isso pq era para ter um ambiente comum ( no qual os filhos , esposa , netos etc vivem) mais agradável .
    Então é fácil romancear : vamos dar apartamentos abandonados a todos , que lindoooooooooo …e quem vai reformar ?

  22. Eduardo disse:

    Mais uma vez, parabens pelo texto, muito boa a crítica!!!

    E não só isso né Sakamoto, pior do que resolver essa questão da moradia, é o fato de sequer enfrentá-la. Pois sabe-se com quem teremos de lidar para solucionar a questão, ou seja, por trás dessas moradas abandonadas tem-se poderosos latifundiários que não tem o menor interesse na resolução de tal déficit, pois moram em lugares confortáveis e não passam por nenhum tipo de dificuldade.
    Reformas sociais já!!!

  23. Domingueiro disse:

    Leio as vezes a coluna do Sakamoto para me exercitar com ponto de vista diferente do meu, etc.
    Mas desta vez não consegui nem terminar de ler.
    Enjoei no título OCUPAR É PRECISO.
    Parei a leitura na crítica a INTOCABILIDADE DA PROPRIEDADE PRIVADA E POSSIBILIDADE DE LUCRO.
    Ainda bem que vc Sakamoto não tem poder para mudar as coisas segundo suas convicções pois o resultado poderia ser uma ditadura e abuso de direitos humanos semelhante ao que aconteceu no Cambodja com o Khmer Vermelho sob os ensinamentos de Mao Tse Tung.
    Acho que vou desistir de ler a coluna mesmo. Talvez ano que vem…

  24. Alexandre disse:

    Engraçado que esse povo só quer moradia no Centro, nada de Itaquera, Guaianazes, S. Miguel, Perus…

    Ninguém quer chacoalhar em um busão para ir trabalhar, aliás nem trabalhar querem, vivem do “sem terrismo” profissional

  25. Edi Oliveira disse:

    Chorei ao ver alguns comentários por aqui. Respeito à propriedade privada? RESPEITO À VIDA PRIMEIRO!

  26. Daniel Neves disse:

    Imóveis “destinados gratuitamente”? Como assim gratuitamente? Há um problema a ser resolvido, mas não é “dando” que se resolve. As pessoas devem fazer por merecer! Devem pagar um aluguel, ainda que baratíssimo.

  27. Tania Rosa disse:

    Olha Sakamoto. Tambem não tenho moradia, pago aluguel, sou moradora da av. são joão, a cerca de oito amos, não invadi o apartamento de ninguem, trabalho muito para dar conta de paga-lo, então porque esses invasores não fazem o mesmo. TRABALHAR!!
    Sabe se invadir propriedade abandonadas, no centro virar moda aonde vamos parar!!.
    O que deveria se fazer é: desapropriar, reformar e dar preferencia de compra a preços baixos( pois não sou rica), a que já mora na região, ter sua casa propria, pq eles querem tudo de GRAÇA e agora ainda o querem na REGIÃO CENTRAL, isto não movimento é OPORTUNISMO, a custa de quem paga impostos e os sustenta.
    A PRIORIDADE DEVE SER PARA OS QUE JÁ RESIDEM E PAGAM ALUGEL!!

    • Alexandre disse:

      Também moro na região e também pagou aluguel e sou ABSOLUTAMENTE CONTRA a desapropriação dos imóveis para subsidiar moradia a quem quer que seja, inclusive a minha moradia.

      As pessoas tem que aprender a viver de acordo com o seu mérito e não contar com o subsídio do Estado em qualquer esfera.

      Quando o Estado subsidia a moradia de um determinado grupo acaba por criar uma casta de privilegiados, existem outras pessoas nas mesmas condições financeiras destas mas que escolhem o caminho do respeito às leis, morando em bairros mais distantes e/ou casas mais modestas mas de acordo com o seu mérito.

      Subsidiar moradia para quem invade o que não lhe pertence é premiar um criminoso às expensas da maioria que respeita as leis.

      • JOTA CAMPO GRANDE MS disse:

        Vc deve ser daqueles, que quer subir na vida e ficar igual essa burguêsia imunda!! que só se preocupa com seu umbigo

  28. Carlos disse:

    Wil, Juliana e Tania Rosa.

    Endosso os comentários.

    Acrescento que povoar o centro com a população de baixa renda já mostrou desde a época da Erundina que é um tiro no pé da cidade. Em pouco tempo os prédios transformam-se em cortiços. Ninguém paga condomínio porque não sabem viver em condomínio. É cada um por si. O prédio acaba virando uma favela vertical, um novo São Vito rumo à demolição.

    Minha prima já fez parte de uma invasão dessas. Apesar de ter chegado em São Paulo há alguns meses, foi convidada a engrossar a horda junto com os três filhos. Portanto é meia-verdade afirmar que os invasores são ‘trabalhadores que foram expulsos para a periferia’. Hoje ‘trabalha’ como apontadora de jogo do bicho, aquela atividade que anda de mãos dadas com a criminalidade.

    Fico com a sugestão da Tania.

    Esses imóveis deveriam ser destinados a quem realmente mora de aluguel no centro e comprove que trabalha lá em qualquer atividade legal, afastando assim os oportunistas e os falsos sem-tetos.

  29. claudio linkewitsch disse:

    Muitos de nós ….Velhos.

    Com certeza estariamos lutando com essa gente…..

    Pena que acabamos como minoria…….

    Muitos riem quando cito Bertold Brecht……

    Enfim ele escolheu viver na California……

  30. Zero disse:

    Concordo com o Sakamoto que construir salas de música no centro é uma gastança no mínimo questionável.

    Senão vejamos o que foi instalado no centro de São Paulo:

    Pinacoteca
    Museu da Língua Portuguesa
    Sala São Paulo
    Escola de música Tom Jobim

    Sem contar com o que já existia

    Teatro Municipal
    Centro Cultural Banco do Brasil
    Museu de Arte Sacra
    Solar da Marquesa de Santos
    Páteo do Colégio
    Catedral da Sé, Mosteiro de São Bento, inumeráveis igrejas barrocas e góticas além do Palácio da Justiça na praça da Sé.

    E o que existe em projeto

    Escola de Arte Dramática
    Centro Cultural dos Correios
    Teatro da Dança no local onde existia a antiga rodoviária, na Luz.

    Devemos lembrar ainda a Virada Cultural realizada anualmente nas ruas do centro paulistano. O próprio centro velho é um verdadeiro museu a céu aberto, – com destaque para a Estação da Luz e o Ahangabaú – constantemente restaurado, pintado e fotografado por turistas e estudantes de arquitetura.

    É muita coisa concentrada no centro enquanto os bairros não têm sequer um teatro ou cinema. Contando apenas com o parque da Luz, a praça da República e a Dom José Gaspar, o centro precisa é de mais áreas verdes.

  31. rEBECA disse:

    DIREITOS HUMANOS – Fábrica da Sadia tem trabalho escravo – http://migre.me/7Gus6