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Leonardo Sakamoto

Preconceito, homofobia e machismo não existem. E todo pobre pode ser rico

Leonardo Sakamoto

08/02/2014 17h55

O brasileiro não é racista.

Nem machista.

Muito menos homofóbico.

Ricos e pobres têm acesso iguais a direitos.

Só havia uma negra na minha sala de aula na graduação em jornalismo na USP em um total de 25 pessoas.

O que faz sentido. Até porque, como todos sabemos, os negros representam 4% da população brasileira.

A proporção de negros na maioria dos cursos da PUC, onde leciono, também é menor que sua incidência na sociedade. Quando descontados quem conta com bolsa ou financiamento estatais então, nem se fala.

Mas isso não importa, porque não existe preconceito por cor de pele.

Ou como diria Laerte:

Ignorar um machucado não faz ele desaparecer.

Confiar no mito da democracia racial brasileira, construído para servir a propósitos, é tão risível quanto ser adulto e esperar um mamífero entregador de chocolate (a.k.a. Coelho) ou um idoso que possui um negócio de produção e entrega de brinquedos (a.k.a. Noel).

Tratar pessoas que desfrutam de níveis de direitos diferentes como iguais é manter em circulação coisas que a gente ouve por aí:

– Tinha que ser preto mesmo!…
– Amor, fecha rápido o vidro que tá vindo um escurinho mal encarado.
– Olha, meu filho não é preconceituoso, não. Ele tem amigos negros.
– Eu adoro o Brasil porque é um país onde não existe racismo como nos Estados Unidos. Aqui, brancos e negros vivem em harmonia. Todos com as mesmas oportunidades e desfrutando dos mesmos direitos. O que? Se eu deixaria minha filha casar-se com um negro? Claro! Se ela conhecesse um, poderia sem sombra de dúvida.
– Vê se me entende que eu vou explicar uma vez só. A política de cotas é perigosa e ruim para os próprios negros, pois passarão a se sentir discriminados na sociedade – fato que não ocorre hoje. Além disso, com as cotas, estará ameaçado o princípio de que todos são iguais perante a lei, o que temos conseguido cumprir, apesar das adversidades.

Mas o brasileiro não é homofóbico.

Nem machista.

Muito menos racista.

E não é o berço que nasceram que influencia se você vai vencer na vida e, sim, o nível da sua dedicação pessoal. Afinal, todos são filhos de Deus.

Preconceito, de verdade, existe contra quem tem dinheiro e, através de sua boa vontade, faz este país crescer. Preconceito é o que sofre a elite deste torrão de terra ao Sul do Equador que passou a ter medo de mostrar a todos como é bom ser rico em um país pobre. Preconceito contra quem sempre tratou bem suas empregadas e recebe, agora, a ingratidão como resposta.

O blogueiro, "um japonês safado que não honra sua raça", é que é um idiota.

Sobre o Autor

É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu conflitos armados em diversos países e violações aos direitos humanos em todos os estados brasileiros. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York (2015-2016), e professor de Jornalismo na ECA-USP (2000-2002). É diretor da ONG Repórter Brasil, conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão e comissário da Liechtenstein Initiative - Comissão Global do Setor Financeiro contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Seres Humanos. É autor de "Pequenos Contos Para Começar o Dia" (2012), "O que Aprendi Sendo Xingado na Internet" (2016), entre outros.