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Leonardo Sakamoto

Poder comprar TV faz de você um consumidor. Ter saúde e educação, cidadão

Leonardo Sakamoto

12/09/2015 10h12

No Brasil, a inclusão social dos mais pobres se deu mais pelo acesso a bens de consumo e do que pela garantia de serviços públicos de qualidade. Sua vida melhorou, mas não a ponto de garantir que ela seja autônoma e que você seja o protagonista de sua própria história. Mas é possível ver um mundo melhor da sua TV de 50″, comprada em 60 prestações.

O Havana Connection traz um especial sobre os problemas na periferia das grandes cidades gravado no Campo Limpo, bairro da zona sul de São Paulo.

O bairro, em que passei mais de 25 anos da minha vida, representa bem as contradições e desafios de tantos outros locais pelo país – a violência contra os jovens, a inserção social pelo consumo e não pela garantia de serviços públicos, o processo de gentrificação.

Com mediação do jornalista Leonardo Sakamoto, este programa contou com a participação do coordenador do MTST, Guilherme Boulos, e da jornalista Laura Capriglione. Excepcionalmente, Jean Wyllys não participou desta edição por conta da agenda, mas no próximo ele está de volta.

Uma vida no Campo Limpo vale menos que nos Jardins
O centro se lembra que a periferia existe quando um empregado falta ou a violência que mata negros e pobres escorre para bairros ricos. A vida é descartável, mas quem se importa? Tem bastante dela disponível.

Você tem TV e carro. Mas não tem educação, saúde e lazer
Acesso a bens de consumo ou a garantia de serviços públicos de qualidade? Sua vida não melhorou muito, mas você pode ver um mundo melhor da sua TV de 50″ comprada em 60 prestações.

Gentrificação: A cidade mais cara. E menos justa
Grandes cidades brasileiras passaram por um processo de encarecimento da vida, segregando os mais pobres e expulsando-os. A especulação imobiliária transforma a cidadania de um direito universal em privilégio de uma minoria.

Sobre o Autor

É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu conflitos armados em diversos países e violações aos direitos humanos em todos os estados brasileiros. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York (2015-2016), e professor de Jornalismo na ECA-USP (2000-2002). É diretor da ONG Repórter Brasil, conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão e comissário da Liechtenstein Initiative - Comissão Global do Setor Financeiro contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Seres Humanos. É autor de "Pequenos Contos Para Começar o Dia" (2012), "O que Aprendi Sendo Xingado na Internet" (2016), entre outros.