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Bolsonaro se contradiz ao afirmar que não é Moro quem escolhe chefe da PF

Leonardo Sakamoto

22/08/2019 20h09

Foto: Rodolfo Buhrer/Foto Arena/Estadão Conteúdo

O presidente Jair Bolsonaro reafirmou, nesta quinta (22), que é ele, e não Sérgio Moro, ministro da Justiça e Segurança Pública, quem indica o diretor-geral da Polícia Federal. Contudo, logo após confirmar em sua equipe o ex-juiz federal que condenou seu principal adversário na disputa à Presidência, no ano passado, Bolsonaro disse que Moro teria total liberdade para isso.

"Se eu trocar hoje, qual o problema? Está na lei que eu que indico e não o Sérgio Moro. E ponto final", declarou. "Ele [o atual delegado-geral da PF] é subordinado a mim, não ao ministro. Deixo bem claro isso aí. Eu é que indico. Está bem claro na lei", em registro de do jornal O Estado de S.Paulo.

A reafirmação de poder presidencial vem em um momento em que agentes da Polícia Federal pedem autonomia diante do que consideram interferência indevida do Palácio do Planalto. O presidente deseja indicar uma pessoa próxima a ele na Superintendência do órgão no Rio de Janeiro.

Contudo, no dia 1o de novembro de 2018, Bolsonaro afirmou, em entrevista à TV Record: "Conversei com ele [Moro] que ele terá ampla liberdade para escolher todos os que comporão seu segundo escalão, o chefe da Polícia Federal, o que vai tratar da questão de Segurança Pública". A declaração pode ser vista no vídeo, abaixo, em 1'36".

O ex-juiz responsável pelos casos da operação Lava Jato, em Curitiba, chegou ao governo com promessa de "carta branca" por parte do presidente.

Porém, em março, quando a teoria encontrou a prática, ele ordenou que Moro revogasse a nomeação da especialista em segurança pública Ilona Szabó para suplente do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária. "Dei carta branca para os ministros, mas tenho poder de veto", afirmou.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o Autor

É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu conflitos armados em diversos países e violações aos direitos humanos em todos os estados brasileiros. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York (2015-2016), e professor de Jornalismo na ECA-USP (2000-2002). É diretor da ONG Repórter Brasil, conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão e comissário da Liechtenstein Initiative - Comissão Global do Setor Financeiro contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Seres Humanos. É autor de "Pequenos Contos Para Começar o Dia" (2012), "O que Aprendi Sendo Xingado na Internet" (2016), entre outros.