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O Lula que sai da cadeia é mais combativo que o de antes, dizem MST e MTST

Leonardo Sakamoto

08/11/2019 19h35

Lula deixa Polícia Federal em Curitiba. Imagem: Denis Ferreira Netto/Estadão

Líderes de dois dos principais movimentos sociais brasileiros acreditam que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixa a cadeia mais "combativo" que antes.

"O Brasil mudou. Teremos um Lula mais combativo", aposta Guilherme Boulos, coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). "Ele saiu maior do que entrou do ponto de vista politico e cultural. E sai mais de esquerda, mais combativo", diz João Paulo Rodrigues, coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). As declarações foram dadas ao blog, nesta sexta (8), logo após o ex-presidente deixar a Polícia Federal, em Curitiba, onde permaneceu preso por 580 dias.

"Pelas duas vezes que o visitei e pelas conversas que tive com ele, creio que será um Lula mais combativo. Nós temos um governo selvagem, de destruição nacional. O momento cria um espaço para uma oposição mais forte, mais aguerrida. A ilusão que algumas pessoas da esquerda semeiam, da busca de um centro democrático perdido, não existe. Não há mais espaço para conciliação com determinados setores", avalia. "O Lula libertado tem um peso político para as lutas sociais. Esperamos que através das caravanas que pretende fazer pelo Brasil, engrossando o caldo de rua, fortaleça o processo de oposição a Bolsonaro. A libertação de Lula é a maior vitória simbólica da esquerda desde as eleições."

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João Paulo Rodrigues, do MST, enumera três expectativas que os movimentos sociais têm quanto ao papel que deve ser desempenhado por um Lula livre daqui em diante.

"Primeiro, que ajude a liderar um grande movimento em defesa da soberania nacional, contra privatizações, pela Amazônia, pelo pré-sal, pelos serviços públicos. Ele tem condições políticas e morais para isso. Segundo, que ajude na unidade da esquerda brasileira, lembrando que tem legitimidade para falar com os trabalhadores e é o melhor porta-voz para tratar com o povão. Terceiro, que contribua com a solidariedade aos povos e lutas de outros países de nossa América Latina."

Ambos disseram que as militâncias do MST e do MTST estarão presentes, neste sábado (9), na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, quando o ex-presidente deve fazer um pronunciamento. O local foi o mesmo que recebeu um ato que antecedeu a prisão de Lula, em abril do ano passado.

Ouça o Baixo Clero, o podcast de política do UOL:

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o Autor

É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu conflitos armados em diversos países e violações aos direitos humanos em todos os estados brasileiros. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York (2015-2016), e professor de Jornalismo na ECA-USP (2000-2002). É diretor da ONG Repórter Brasil, conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão e comissário da Liechtenstein Initiative - Comissão Global do Setor Financeiro contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Seres Humanos. É autor de "Pequenos Contos Para Começar o Dia" (2012), "O que Aprendi Sendo Xingado na Internet" (2016), entre outros.