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Chinês é resgatado de escravidão em pastelaria com ajuda de tradutor online
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Leonardo Sakamoto

Um chinês de 17 anos foi resgatado do trabalho em condições análogas às de escravo em Mangaratiba (RJ). Desde que chegou ao Brasil, trabalhou diariamente em uma pastelaria, sem descanso ou salário, por dois anos até conseguir fugir. Depois de caminhar 20 quilômetros de madrugada, foi encontrado por policiais que o conduziram a um escritório do Conselho Tutelar. Como não falava português, nem mandarim, a comunicação só foi possível através de uma ferramenta de tradução pela internet. A matéria é de Stefano Wrobleski, da Repórter Brasil:

Pastelaria onde chinês resgatado era submetido a jornada exaustiva e condições degradantes (Foto: SRTE/RJ)

Pastelaria onde chinês resgatado era submetido a jornada exaustiva e condições degradantes (Foto: SRTE/RJ)

A locomoção da vítima foi restringida, segundo a fiscalização, porque seu passaporte ficou retido com os responsáveis pelo estabelecimento. Encerrado o expediente às 22 horas, o rapaz ia para o andar de cima, onde ficava seu alojamento e de outros três chineses adultos que também trabalhavam na pastelaria. Apertado e sem janelas, o local foi considerado em condições degradantes, o que colaborou para a caracterização de trabalho escravo segundo o artigo 149 do Código Penal. O trabalho desses adultos, no entanto, não foi classificado como em condições análogas às de escravos pela fiscal, que não considerou que eles estivessem sujeitos às mesmas outras infrações cometidas contra o adolescente.

“A gente faz nossas compras em um estabelecimento e, muitas vezes, não percebe que há trabalhadores sendo escravizados na nossa frente”, resumiu a auditora do trabalho Marcia Albernaz de Miranda, que participou do resgate.

O jovem libertado contou à fiscalização ter chegado ao Brasil em 2012, de avião. Sua passagem foi paga pela mãe e a viagem foi feita com cinco conterrâneos desconhecidos de sua cidade natal. No Rio de Janeiro, o grupo foi recepcionado por um homem, que os levou até uma casa. O dono da pastelaria chegou logo depois e levou a vítima para o local onde ela trabalhou até fugir. O adolescente ainda relatou nunca mais ter tido contato com os demais chineses.

As características do caso fizeram a fiscalização autuar o dono da pastelaria por tráfico de pessoas, além de trabalho escravo. “O tráfico de pessoas não está ligado necessariamente à participação no processo de translado das pessoas. Para ser autuado, basta ter acolhido a vítima para, em combinação com outras características como as desse caso, ser caracterizado”, explicou Marcia. A fiscalização, que investiga casos semelhantes na região, apura ainda se o caso está relacionado à atuação de uma rede de tráfico de pessoas que alicia trabalhadores chineses.

Resgate - Com apenas R$ 100 no bolso, o rapaz fugiu sozinho à noite, quando todos estavam dormindo. Sem que ninguém visse, teve de pegar as chaves do local, que ficavam guardadas no quarto da família dona da pastelaria. Sem saber para onde ir e sem falar português, começou a caminhar pela estrada em direção ao município vizinho de Itaguaí. Andou cerca de 20 quilômetros madrugada adentro, ao longo de quatro horas, até ser abordado por dois policiais civis, que o encaminharam ao Conselho Tutelar do município.

Por causa das dificuldades de comunicação, os conselheiros buscaram outros chineses que vivem na região, mas ninguém conseguiu ajudar porque a vítima faz parte dos 30% de chineses que, de acordo com o governo da China, não falam mandarim (o idioma oficial do país). Só na província de Guangdong, de onde o jovem veio, são faladas outras seis línguas além do mandarim.

Sem ninguém que pudesse ajudar com a tradução, os servidores recorreram a ferramentas de tradução pela internet. Só então a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE) do Rio de Janeiro (a divisão do Ministério do Trabalho e Emprego responsável pelo estado) pôde ser chamada para investigar o caso. “Como o trabalhador foi encontrado por servidores públicos [os policiais civis], foi possível caracterizar o flagrante e acolher a vítima”, explicou Marcia. Também participaram da operação os auditores Rinaldo Almeida e Fátima Chammas.

Como consequência da operação, o Ministério Público do Trabalho (MPT) propôs um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) à pastelaria, que se comprometeu com uma série de medidas para regularizar as condições dos alojamentos e a manter os demais trabalhadores em um hotel até que as obras estejam prontas. De acordo com o procurador Marcelo José Fernandes da Silva, do MPT, o dono do local deve, ainda, pagar todos os salários devidos à vítima de trabalho escravo, além das verbas rescisórias. Além disso, o empregador não deverá mais contratar adolescentes com menos de 16 anos, a não ser na condição de aprendiz, ou reter os documentos de seus empregados.


Brasil registrará pico no número de infartos do miocárdio às 20h de domingo
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Leonardo Sakamoto

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) irá liberar o resultado da apuração dos votos apenas às 20h de domingo (26), quando as urnas estiverem fechadas no Acre e em parte do Amazonas (maldito horário de verão).

A menos que, por esses milagres da política, o resultado esteja rigorosamente alinhado cabeça a cabeça, dependendo dos votos da parte mais ocidental do país (imagina Xapuri, terra de Chico Mendes, definindo a eleição…), o nome do eleito ou da eleita será conhecido nesse momento.

Como disse um glorioso amigo, vai ser como abrir o envelope e avisar “and the Brazilian Presidency goes to…''

Podia ser o Silvio Santos anunciando. Quem não tem Oscar, vai de Troféu Imprensa.

Pensando bem, melhor não. Ideia idiota.

O fato é que não haverá tempo para preparar o coração.

Ou ir se decepcionando aos poucos à medida em que a totalização dos votos avança.

Ficar possesso com aquele comentarista da TV que só fala groselha e não acerta nada do que prevê.

Convencer a si mesmo e aos amigos que não deu, mas valeu a tentativa e exaltar o lado bom das coisas.

Prometer a São Judas Tadeu, Santa Rita de Cássia ou Santo Expedito que, se seu voto ganhar, você para de beber, de fumar e de comer torresmo.

Roer as unhas. Comer três pacotes de ovinhos de amendoim. Estourar plástico bolha.

Pensar em organizar um exército paramilitar de direita ou uma guerrilha de esquerda a partir de janeiro de 2015.

Sabe aquele momento de entrar no computador e procurar com calma um imóvel para alugar em Havana ou Miami? Pode esquecer.

Vai ser tapa na cara. Haja Coração!

Por isso, mais do que mesários, os profissionais realmente exigidos neste segundo turno serão os socorristas do Samu. Desconfio que o número de infartos agudos do miocárdio vai bater os de uma final de Copa do Mundo.

A de 1994, claro.

 


Eleições: Você já pensou em ver o mundo além da sua bolha?
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Leonardo Sakamoto

Questionei, algum tempo atrás, um punhado de meus alunos de jornalismo se não achavam estranho o fato de não haver nenhuma pessoa negra na turma. Um deles, sincero, respondeu que não tinha percebido isso porque nunca estudou com uma.

Depois, em reservado, ele me explicou que morava em um desses grandes condomínios, tipo alphabolha, afastados da realidade crua de São Paulo e que oferecem tudo o que a pessoa precisa – menos o contato com a diversidade.

Cresceu sem estudar com negros e negras no ensino fundamental e médio. E, entrando em uma universidade cara, a chance seria menor ainda. Nesse ponto, o programa de bolsas e de financiamento estudantil do governo federal ajudaram – e muito – para que alguns cursos da PUC-SP não fossem tão monocromáticos.

Uma pessoa que vive em uma bolha, a menos que conte com família, amigos e uma escola que deixem claro que nem tudo se resume a ele mesmo, pode se assustar quando percebe que o mundo não foi feito à sua imagem e semelhança.

Isso acontece nas redes sociais, onde o algoritmo faz com que você receba atualizações de perfis e páginas com que você interaja mais. Ou seja, na maior parte das vezes, de quem é seu amigo, pensa como você, tem os mesmos gostos, enfim.

Não é novidade, e muitos já escreveram sobre isso, que algumas redes sociais, por garantirem que chegue a você aquilo que se encaixa no seu perfil e na sua forma de interação com a sociedade, limita bastante a sua visão de mundo. Lembre-se que aquilo do qual gostamos não bate necessariamente com o que precisamos.

(Um salve para quem amava agrião e chicória desde pequeno e não teve que aprender a consumir.)

O mundo não concorda sempre com a gente, ao contrário do que parece nas redes sociais. Aliás, o mundo não tem uma única opinião, tem várias.

Daí, quando um amigo próximo compartilha uma página que traz uma opinião diferente, rola um frio na espinha. “Que ideia idiota! Esse cara só pode ser burro e picareta ou estar ganhando um por fora!'' Não aceitamos a diferença porque não fomos ensinados a entender que ela existe e a conviver com ela.

Deve ser desesperador para alguém que vive imerso em uma bolha, física ou virtual, quando tem que ir à rua e ver pessoas diferentes, pensando diferente, agindo diferente.

Aquele bando de gente falando coisas que vão na direção contrária do que aprendeu durante toda a vida.

Que ouviu da família.

Que escutou na igreja.

Que sentiu na escola.

Que leu em veículos de comunicação.

E, sem querer entender o argumento do outro, vocifera: “Você está errado!''

E se o outro continuar a falar ou escrever, tal qual um zunido irritante e insistente, a pessoa, entrando em parafuso, fritando na batatinha, quase que instintivamente solta um “Cale-se!''

Fundamentado na certeza formada pelo calor aconchegante da bolha, ela vai lá e ameaça o outro. Às vezes, até o silencia fisicamente. Em sua cabeça, não está fazendo nada de errado, apenas protegendo a sociedade de quem quer desestabiliza-la e, ao mesmo tempo, reestabelecendo a ordem natural das coisas.

Com já disse aqui uma miríade de vezes, a internet possibilitou o acesso ao mundo. O problema é que não estávamos preparados para um mundo que não fosse necessariamente a nossa cara. Vivemos uma “adolescência'' da rede – aprendemos para que servem os órgãos genitais e agora estamos usando-os loucamente, como se não houvesse amanhã e como se ninguém se machucasse no meio do caminho.

Como se resolve isso? Com a tranquilidade que não está sendo vista nestas eleições, em qualquer um dos lados que se estabeleceu.

E a receita é bem simples: se o gosto pela diferença não está no seu paladar, pelo menos inclua pitadas de tolerância.

O problema é que esse tempero não se compra ou empresta. Nós mesmos é que temos que produzi-lo ao longo do tempo na base de reflexão e autocrítica.

Pena que autocrítica também ande tão em falta no mercado.


Dilma assinou compromisso contra trabalho escravo; Aécio, não
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Leonardo Sakamoto

A Carta-Compromisso contra o Trabalho Escravo encerrou, nesta segunda (20), a campanha para coleta de assinaturas de candidatos à Presidência da República e aos governos estaduais. Dilma Rousseff (PT) endossou o documento, renovando a promessa de que o tema será prioridade em sua gestão. A campanha de Aécio Neves (PSDB) recebeu o documento no dia 27 de agosto e, desde então, foi lembrada oito vezes, mas não enviou a assinatura.

Lançada pela Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae) e aplicada também nas eleições de 2006, 2008, 2010 e 2012, a carta tem servido como instrumento de monitoramento das políticas públicas voltadas a esse tema por parte da imprensa, organizações da sociedade civil e eleitores.

Entre os governadores eleitos, Paulo Hartung (Espírito Santo – PMDB) e Flávio Dino (Maranhão – PC do B) também assinaram a Carta em 2014.

Geraldo Alckmin (São Paulo-PSDB) e Beto Richa (Paraná – PSDB) já haviam endossado a Carta-Compromisso em 2010 e, agora, reelegeram-se.

Marconi Perillo (Goiás – PSDB), Ricardo Coutinho (Paraíba – PSB) e Simão Jatene (Pará – PSDB) assinaram em 2010 e estão no segundo turno. Tarso Genro (Rio Grande do Sul – PT) é o único dos candidatos que aderiu à Carta em 2014 e está disputando o segundo turno estadual.

No primeiro turno da eleição presidencial, Marina Silva (PSB), Luciana Genro (PSol) e Eduardo Jorge (PV) também aderiram à Carta, que pode ser acessada pelo endereço www.compromissopelaliberdade.org.br. A Repórter Brasil, a pedido da Conatrae, tem sido responsável por organizar o recebimento de assinaturas.

Entre as promessas assumidas, está a de que o candidato ou candidata renunciará ao mandato caso seja encontrado trabalho escravo sob sua responsabilidade ou se ficar comprovado que alguma vez já se utilizou desse expediente. E de que será prontamente exonerada qualquer pessoa que ocupe cargo público de confiança sob sua responsabilidade que vier a se beneficiar desse tipo de mão de obra.

Também estão os compromissos de defender a definição de trabalho análogo ao de escravo hoje presente no artigo 149 do Código Penal, evitando mudanças que prejudiquem o combate a esse crime, e não promover empreendimentos e empresas, dentro ou fora do país, que tenham utilizado mão de obra escrava.

Como resultado da Carta-Compromisso, políticas públicas adotadas nas gestões dos eleitos tiveram origem no documento, como a criação de Comissões Estaduais e Municipais de Erradicação ao Trabalho Escravo, o lançamento de Planos Estaduais de combate a esse crime, a aprovação de leis que restringem as compras públicas de mercadorias produzidas com trabalho escravo, criam entraves à existência de empresas responsabilizadas pela situação ou aumentam as punições a quem usa esse tipo de mão de obra.

Na gestão de Geraldo Alckmin, por exemplo, foi criada a Lei Paulista contra o Trabalho Escravo, que prevê o banimento, por dez anos, de empresas flagradas com esse crime no Estado. O propositor da lei, deputado Carlos Bezerra Jr. (PSDB), também foi o responsável pela instalação de uma CPI para investigar esse crime pela Assembleia Legislativa. E na de Dilma Rousseff, foi aprovada a PEC do Trabalho Escravo, que prevê o confisco de propriedades onde esse crime for encontrado e as destina à reforma agrária ou ao uso habitacional urbano. Uma CPI também foi instalada para investigar o crime nacionalmente, proposta pelo deputado Claudio Puty (PT).

O fim da campanha de coleta não significa que novas assinaturas não serão aceitas. Mas os candidatos não serão mais convidados para isso.


Eu suporto ofensa. O que não suporto é falta de criatividade
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Leonardo Sakamoto

Eu suporto xingamento, ofensa, calúnia. Eu suporto pessoas que me param na rua para falar mal dos meus textos e das opiniões. Eu suporto memes em que são usadas fotos em que pareço 20 quilos mais gordo e ressaltam meu cabeção. Eu suporto até quem me para na hora em que começa a tocar Florence na balada para tentar me convencer de que trabalho escravo não existe, mas é um delírio da minha mente doentia.

Mas o que eu não suporto é a falta de criatividade. Isso me deprime. Muito.

(Só não deprime mais do que a falta de interpretação de texto.)

Argumentar com suas próprias palavras, sem usar frases feitas que foram cunhadas sei lá aonde. Isso é pedir muito?

Creio que muitos perderam a capacidade analítica, sensação reforçada pelo período eleitoral.

Ao mesmo tempo, há algumas palavras-chave que ativam uma área violenta e primitiva do cérebro de alguns leitores na internet. Quando surgem, eles ignoram totalmente o contexto em que estão inseridas, deixam de lado a necessária ponderacão presente nos ambientes de diálogos construtivos e recorrem a uma frase feita. Para esse pessoal, a interpretação de texto funciona da seguinte forma:

Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá CASAMENTO GAY blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá.

Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá CONTRA A REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL… Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá blá Blá blá blá blá

Por isso, resolvi fazer esta camiseta:

camiseta

Sim, eu sei que sou feio. E não, não tenho uma loja de camisetas.

Primeiro, para deixar claro que já li e ouvi tudo isso aí um milhão de vezes. Menos a do “aparelho excretor'', mas achei que valia pela lembrança (#LevySaudadesSQN) Então, talvez usando-a na rua as pessoas pensem: “Pô, não vou falar isso para ele porque já tá na camiseta dele''.

Mas ela também é um alerta: que você, amado e amada, ao soltar essas frases feitas, não está abafando. Pelo contrário, provoca vergonha alheia em quem pensa diferente de você ou igual a você. Ou seja, em quem pensa.

Não só porque elas são bizarras e carregadas do mais puro preconceito. Mas também porque são usadas nas redes sociais por quem não quer ou não consegue argumentar por conta própria e se protege atrás dessas bobagens. Usá-las mostra que você não consegue articular um diálogo por conta própria. O que é triste.

Numa era em que a busca pela garantia da identidade individual é tão importante, pessoas que as usam se dissolvem. Tornam-se nada.

Ser intelectualmente desconstruído por alguém que tem conteúdo é doloroso, mas edificante. Agora, ser “atacado'' com frases assim mostra que você não tem nada de interessante a acrescentar. Apenas repete. E repete. E repete. Como deve ter feito a vida inteira.

É isso o que você realmente quer para você?

 


De esquerda? É PT. Do PT? É desonesto. Desonesto? Porrada nele
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Leonardo Sakamoto

- Você não é aquele blogueiro petista?
- Hehehe. Sou um blogueiro. Mas não sou filiado a nenhum partido.
- Ah, claro que é. Vai dizer que seu blog não ganha dinheiro do governo?
- Não, não recebe. Aliás, se você quiser anunciar, é só entrar em contato com o UOL (risos). Mas, olhe, brincadeiras à parte, uma coisa não tem a ver com outra. Grandes jornais, revistas, TVs são os que recebem milhões do governo e os donos não são filiados ao partido do governo.
- Mas você é! Defende essas coisas de esquerda…
- Bem, aí você está partindo de duas premissas: de que o PT representa toda a esquerda e de que o PT ainda é integralmente um partido de esquerda…
- Hã?
- Deixa pra lá. Bem, me dá um exemplo dessas “coisas de esquerda''.
- Ah, você fica defendendo índio vagabundo que impede o progresso.
- Ué, mas a usina hidrelétrica de Belo Monte é questão de honra do governo federal e faz parte do plano de geração de energia. E eu acho Belo Monte uma besteira sem tamanho, social e econômica.
- E daí?
- Ela vai reduzir a vazão do rio Xingu e, infelizmente, tornar a vida desse monte de “índio vagabundo'' um inferno.
- Você está tentando me enrolar. Então, você é do PSol, que é mais radical ainda.
- Também não. Cara, por que eu tenho que fazer parte de um partido? Não posso só ser de esquerda e falar mal de tudo, como a esquerda gosta? Já não basta o sofrimento de ser palmeirense?
- Mas você defende gay. E tem aquele deputado que é gay no PSol.
- Por que? Você ataca gay?
- Acho que todo mundo tem que ter seu direito, entendeu? E eles têm direitos. Mas eles não podem ficar fazendo aquelas coisas na frente dos outros. Isso é desrespeitar o direito dos outros a não ver aquilo. Me controlo porque sou um respeitador das leis, mas já tive vontade de ir lá e acabar com isso.
- Que tipo de coisas?
- Ah, você sabe, se beijando, se esfregando.
- E uma mulher e um homem podem se beijar na sua frente?
- Aí é diferente! Se você não percebe que isso é diferente, você deve ser muito louco.
- Você tem filhos?
- Sim, dois.
- Triste… Mas você acha que PSol é o único partido com um político homossexual no país?
- Não vi nenhum outro.
- Acho que está precisando se informar mais, meu caro. E, me perdoe, mas acredito que você reduz muito as coisas…
- Reduzo quê? Se eu te xingasse de tucano você ia gostar? Ia? Ia?!
- Por que? Para você, “tucano'' é xingamento para você?
- Claro que não, não foi isso que eu quis dizer! Não ponha palavras na minha boca! Mas o PSDB não defende essas coisas que você defende.
- Tipo?
- Tipo ficar dizendo por aí que tem trabalho escravo. Isso não existe. É coisa criada para ajudar o MST a constranger quem produz alimentos para a gente.
- Mas os votos dos deputado federais do PSDB foram fundamentais para aprovar a proposta que toma propriedades flagradas com escravos e há projetos para acabar com o trabalho escravo que foram propostos pelo partido. Tem tucano que defende escravagista, decerto. Mas a generalização é errada. Além do mais, o pequeno agricultor é quem coloca comida na nossa mesa, sabia?
- Isso é mentira.
- Qual das duas partes?
- As duas.
- Né, não. Vai lá e dá um Google.
- E o que é isso na sua mão? Você se diz de esquerda e tem um iPhone?
- E ser de esquerda é o mesmo que fazer voto de pobreza? Eu quero que todo mundo esteja bem de vida e não que tudo mundo fique na pobreza. Aliás, você não sabe muito bem o que é esquerda e direita, né? Mas fique tranquilo. Ninguém mais sabe hoje em dia mesmo…
- A esquerda quer fazer uma revolução e implantar uma ditadura, obrigando a ser quem eu não quero, a dar meus imóveis, meus carros…
- Seu iPhone…
- …para os pobres. E a direita está aí para fazer um contraponto, é quem respeita a liberdade das pessoas.
- Hahaha. Adorei! Acho que você fez uma mistureba. Mas, olha, uma coisa é ser de direita ou de esquerda e outra, totalmente diferente, é ser fascista. Saudades do Roberto Campos nessa hora, viu?
- Você está me enrolando.
- Ué, mas estávamos falando disso há pouco. E a liberdade das pessoas poderem ser gays sem ser molestadas na rua com alguém querendo “acabar com isso'', por exemplo?
- Você está misturando liberdade com libertinagem! Liberdade tem limite.
- É… O pessoal do golpe de 64 também achava isso…
- Em 1964, não foi golpe, foi revolução. Era necessário, por um bem maior.
- Para garantir a liberdade dos “homens de bem''.
- Sim, claro.
- Porque o preço da liberdade é a eterna vigilância, não?
- Sim.
- Afinal, é Brasil, ame-o ou deixe-o.
- Você não está levando esta conversa a sério, né?
- Não. Deu minha hora. Abraço grande para o senhor e prazer conhecê-lo.
- Forte abraço. E olha, posso não concordar com as coisas que você escreve, mas adoro quando posta aqueles seus contos.
- Anauê!

Eu havia postado esse texto em um momento ainda distante do cenário eleitoral apocalíptico que se desenhou diante dos nossos olhos. Tive a ideia de trazê-lo de volta conversando com um amigo petista e outro tucano. Para mostrar que essa loucura que se vê não começou de agora, mas estava fermentando há tempos – com a ajuda de jornalistas e políticos. Então, gente, calma. Dia 26 de outubro está aí. Levemos o Brasil inteiro até lá. E além.


Governador, é hora de colocar o blindado antimanifestante na rua
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Leonardo Sakamoto

Esta sexta (18) foi o dia mais quente da cidade de São Paulo desde que a medição começou em 1943.

No pico desse momento glorioso, às 14h, ao invés de me refugiar em alguma catacumba úmida e fresca (tipo, um shopping) tive a ideia de jerico de ir, completamente gripado, de bicicleta a uma reunião.

De bicicleta. Com a garganta inflamada. Com o termostato da cidade regulado para a posição “Gratinar os Amantes de Automóveis Lentamente''. Um idiota…

Enquanto pedalava no inferno, fiquei com aquela saudade louca dos banhos de mangueira da infância – transformados em crime de lesa-pátria quando o reservatório da Cantareira se tornou figurante de Walking Dead.

Num ato populista, eu puxava a mangueira da garagem da casa de meus pais para o meio da rua, lá no Campo Limpo, a fim de regar a galera. Quem não se lembra do cheiro reconfortante da água que evapora quase que instantaneamente ao tocar o asfalto escaldante?

banho1

Melado de suor e quase vendendo o que ainda não foi negociado da minha alma para o diabo em troca de chuva, cheguei à conclusão de que é isso que nosso povo sofrido precisa: um grande banho de mangueira.

Daí me lembrei do Blindado Antimanifestante Paulista.

blindados

O governo de São Paulo estava planejando comprar 14 dessas belezinhas para cá para o controle de manifestações. Munidos com um canhão de água com capacidade para atingir pessoas a até 60 metros de distância, são o que há de melhor para homenagear a democracia.

Façamos um cálculo: com exceção do que ocorre em atos sexuais coletivos, o máximo de pessoas que cabem em um metro quadrado são sete. Mas essa aglomeração só ocorre em situações de confinamento e desespero, como os vagões do metrô e dos trens de São Paulo em horário de pico. Em manifestações, a média é de duas pessoas por metro quadrado segundo institutos de pesquisa. Um círculo com 60 metros de raio tem área de 11.309 metros quadrados, portanto, cabem nele 22.618 pessoas.

O que em termos de diversão significa uma micareta.

Se Pamplona, na Espanha, tem as Festas de São Firmino, com suas corridas de touros (deixando claro que eu torço para o touro).

firmino

Se Buñol, também na Espanha, tem a Tomatina, com o arremesso de tomates.

tomatina

Se o Holi, ou Festival das Cores, é realizado na Índia e em uma série de países, com uma profusão de tinta.

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Por que não podemos ter em São Paulo a Festa da Água? Afinal, ela já acontece na Turquia, Grécia, Tailândia e em uma série de outros lugares nos quais a polícia também respeita a dignidade do cidadão que resolve protestar.

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Bora organizar um ato e colocar o Blindado Antimanifestante Paulista, com seu canhão lançador de água, feito trio elétrico no centro da festa! São seis mil litros de água em cada blindado, minha gente, SEIS MIL LITROS!

Imagina só, Ivete e Daniela cantando em cima dele com o povo molhado, em transe. Daí entra Carlinhos Brown, perguntando: “Bebeu água? Não! / Tá com sede? Tô!'' O Carnaval que se cuide.

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Tropa de Choque, nuvens de lacrimogênio, cacetete de borracha cruzando os céus feito pomba-rola em revoada. Nada me faria arredar o pé da festa.

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Podíamos organizar o “Primeiro Ato Unificado pelo Calor Extremo, em Prol da Chegada do Blindado Antimanifestante Paulista e Contra o FMI'' (para atrair a velha guarda) ou um clichê que cole entre os mais novos nas redes sociais como o “Banhão da Gente Diferenciada''.

Se bem que, para transformar isso em evento internacional, acho que deveria ter uma alcunha hype e idiota como “Canta-O-Reira São Paulo Water Festival''. Enfim, o importante é levar o povo para a rua e garantir que o blindado esteja lá.

E você que achava que a falta de água em São Paulo causada pela incompetência administrativa era uma coisa ruim.

Sabe de nada, inocente.

São Paulo é só alegria.


Os candidatos deviam ser punidos pela violência de suas “torcidas”
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Leonardo Sakamoto

Ainda sob os efeitos lisérgicos de uma garrafa de Fanta Uva, dois amigos jornalistas e eu imaginamos o seguinte: estas eleições se transformaram em um grande jogo. Há torcedores que estão lá para ajudar o seu time a vencer de forma civilizada e outros que, pouco se importando se o futebol é de qualidade ou não, ou melhor, pouco se lixando se a bola está rolando ou não, querem mesmo é dar porrada no “inimigo'' e mostrar que o deles é maior. Veem uma derrota como “humilhação'' e, portanto, como uma opção que vá trazer desgraça para o seu grupo.

Já que a campanha eleitoral incorporou comportamento de torcida maluca, reduzindo a política a um grande Corinthians e Palmeiras, BaVi, Grenal ou Fla-Flu, por que não aplicar as mesmas punições a que estão sujeitas as organizadas?

Leia também:
Se Aécio e Dilma tiverem bom senso, estão com vergonha desse debate

Por exemplo, tirar pontos do “time'' (ou minutos de rádio e TV) caso sua “torcida'' for responsabilizada por homofobia, transfobia, racismo, machismo, intolerância e outras bizarrices afins relacionadas à campanha.

O mesmo valeria para os próprios candidatos quando estes se encontrassem para uma pelada no terrão, quer dizer, debate ou falasse em palanques.

É claro que esses crimes continuariam a acontecer e muitos times fariam vistas grossas ou mesmo dariam apoio de forma velada ao preconceito.

Mas seria uma indicação de que há coisas que não podem e não devem ser toleradas.

- E se alguém se fizer passar por apoiador de outro candidato?

- Cadê minha liberdade de expressão?

- Vai chamar a mamãe agora?

- Ah, mas que radicalismo!

- Deixa o povo se divertir.

- É só brincadeira.

Não, não é. Eleições não podem ser usadas como um território livre para propagar o ódio. Sou contra a censura prévia, mas acredito que as pessoas devam ser responsabilizadas pelos seus atos. E se os candidatos não são capazes de vir a público repudiar comportamentos e comentários violentos de seus eleitores e, bem pelo contrário, eles próprios incentivam essa zorra ao não agirem da forma como se espera de um futuro mandatário, que arquem com as consequências.

E não importa se são cem ou mil os que fizeram a besteira. Diante de homofobia, racismo, machismo ou crimes de intolerância o silêncio por parte dos outros torcedores – ou, pior, os likes, compartilhamentos e retuitadas em redes sociais – é sim conivência.

As campanhas não gostam tanto do discurso de mudança? Então, tomem vergonha e comecem a mudar a si próprias.


Se Aécio e Dilma tiverem bom senso, estão com vergonha desse debate
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Leonardo Sakamoto

Não vou dizer que chegamos ao fundo do poço porque o poço não tem fundo.

Mas depois de ver a sessão de caneladas de comentarista de internet, ops, o debate presidencial desta quinta (16), sinto-me um ser humano um pouco pior.

Parabéns ao PSDB e ao PT e aos marqueteiros das campanhas que treinaram seus candidatos para cometerem aquele show de horrores.

Isso certamente atendeu a cálculos sofisticadíssimos e obedeceu às orientações tiradas de grupos de controle que assistiam ao debate e comentavam, a partir de salas climaticamente controladas, com salgadinhos e sucos de caixinha, o desempenho dos candidatos.

Só esqueceram de pensar no interesse público. Com um milhão de assuntos para tratar, giravam em torno dos mesmos. Se pelo menos respondessem à pergunta um do outro, melhor.  Mas não, tergiversavam. Ou respondiam acusações com mais acusações.

“Que dia é hoje?'' “Banana, candidato, banana.''

“Que horas são?'' O sofá é de veludo, candidata.''

Ou as campanhas aceitam mudanças no formato dos debates – com a introdução de perguntas externas por jornalistas ou eleitores e um mediador que não seja apenas bedel de tempo, mas questione e garanta que as indagações sejam respondidas – ou é melhor parar de brincar.

Sugestão: se os partidos não confiam no taco dos seus candidatos a ponto de deixarem os dois engessados a respostas vagabundas, circulando feito baratas tontas em meia dúzia de temas, bora fazer o seguinte: tira Aécio, põe Fernando Henrique, tira Dilma, põe Lula. E deixa os dois debaterem livremente como porta-vozes da visão de mundo de cada um dos grupos que disputa o poder.

Porque, no final das contas, é o que todos querem saber: qual o modelo de condução do país. E para aonde ele vai nos levar.

Aliás, se Dilma e Aécio tiverem um mínimo, um mínimo de bom senso (e eu acho que eles têm porque são melhores do que isso), deveriam estar agora com vergonha do atentado que ajudaram a cometer.


Pedi um fascista de presente, mas minha mãe diz que eles mordem
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Leonardo Sakamoto

Gostaria muito de entender o trauma de infância, o tipo de insegurança, a falha na formação do caráter, a ausência de vitaminas no crescimento (faltou ferro, certamente) ou a doença adquirida ou desenvolvida que leva alguém a querer machucar fisicamente e até matar outra pessoa por uma discussão sobre política. Afinal, alguns milhares de anos de história humana deveriam ter servido para que deixássemos o tacape de lado ao tratar do bem comum.

Desde que os ânimos eleitorais se acirraram, recebo textos e vídeos todos os dias com gente sendo ameaçada ou apanhando por defender uma candidatura ou partido político.

A intolerância me intriga.

É claro que a maioria desses espécimes nunca participou do debate público e sempre compartilhou suas opiniões em seu microcosmo ou através do pretenso anonimato da internet. Como não conviveu com a diferença e se sente quentinho na bolha de amigos montada através do algoritmo das redes sociais, acha que o mundo pensa como ela. É um choque quando descobre que não.

Tenho um fascínio doido por esse pessoal. Gostaria de saber mais sobre eles, entender seus sentimentos. Adoraria ligar a TV e ver o Sérgio Chapelin anunciando: “Você sabe quem é o fascista brasileiro? Onde vive? O que come? Como se reproduz? Pela primeira vez, uma equipe de TV registrou o ritual secreto de acasalamento de fascistas em seu habitat natural. E especialistas apontam: parece que não, mas fascismo tem cura. Hoje, no Globo Repórter''.

Gosto quando as pessoas perdem a vergonha de mostrar quem são. Quanto mais transparência, melhor. Mas quem sai do armário tem que aprender que o jogo tem regras. Ou seja, sem bater, cuspir ou puxar o cabelo do amiguinho e da amiguinha. Muito menos comer seu cérebro.

Na dúvida, diante de ameaças, é chamar a polícia, pois ela existe para isso. Torcendo, é claro, para que a polícia não queira bater em você também.

Sou contra a censura prévia por princípio. Mas desconfio que muito dodói que partiu para a ignorância na rua se inspirou ou foi empoderado pelo que viu, leu ou ouviu a vida toda na mídia. Só uma ostra em coma com problemas prévios de cognição acha que jornalistas e colunistas não ajudam a entornar esse caldo.

Não somos nós que vamos a público cometer agressões. Da mesma forma que não é a mão de pastores ou deputados que seguram a faca, o revólver ou a lâmpada fluorescente que atacam gays e lésbicas. Mas somos nós que, muitas vezes, na busca por audiência ou para encaixar um fato em nossa visão de mundo, tornamos a agressão banal, quase uma necessidade para restabelecer a ordem das coisas.

Então, apesar de não defender a censura prévia, sou a favor de que disseminadores de ódio sejam devidamente responsabilizados pelos seus atos. Sejam eles de qualquer matriz política ou partidária.

Mas não pense que idiotice é monopólio de período eleitoral. As coisas estão exaltadas no dia a dia também. Eu havia elencado algumas dicas do que fazer nesses casos, tempos atrás, que atualizo aqui:

Se beijar alguém do mesmo sexo na rua, pode levar porrada.
Dica: detectando a presença de fundamentalistas religiosos ou de pessoas machistas, preconceituosas e/ou homofóbicas (que são muitas por aqui, infelizmente), evite proximidade física. Se for abordado, diga que já pagou o dízimo neste mês. Ou visualize uma rota de fuga.

Se criticar o discurso de ódio de um ruralista, pode levar porrada.
Dica: Não visite o Congresso Nacional em dia de votação de projeto de interesse da bancada ruralista caso não esteja com a carteirinha de vacinas em dia. Para saber o tipo de imunização, além da anti-rábica, clique aqui.

Se você é jornalista no lugar certo, na hora certa, pode levar porrada.
Dica: Aí, não tem muito jeito. Se estiver fazendo o seu trabalho em uma manifestação, provavelmente irá apanhar. Mantenha no bolso um papelzinho com seu tipo sanguíneo e contatos telefônicos em caso de emergência.

Se reclamar que alguém parou sobre a ciclovia ou a faixa de pedestres, pode levar porrada.
Dica: A prioridade do uso do espaço público é dos carros. Pedestres e ciclistas são considerados um incômodo detalhe, mas que serão resolvidos em breve. E como qualquer celerado pode ter uma arma, cuidado ao reclamar se estiver sem colete à prova de bala.

Se você estiver em uma festa e alguém te agarrar à força, não reclame, pode levar porrada.
Dica: Jovens levam a sério a máxima de que mulher na rua à noite está à disposição. Normalmente, andam em bandos, seja por questões de insegurança pessoal ou necessidade de reafirmar a masculinidade, esbanjando testosterona. Ao ver um tipo desses, não olhe para o lado.

Pensando melhor, de repente, os fascistas é que estão certos.

A porrada é o nosso melhor argumento. É o que nos define. O que realmente nos une e nos faz brasileiros.