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Jovens são libertados no cultivo do morango em MG

Leonardo Sakamoto

02/08/2010 15h02

E na época do morango…

Duas adolescentes (de 14 e 16 anos de idade) e outro jovem 17 foram libertados, junto com outras 43 pessoas, de duas áreas produtoras de morango no Sul de Minas Gerais. A operação envolveu a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego e a Polícia Rodoviária Federal. As vítimas (algumas delas há quatro meses nas fazendas e moradoras da região) faziam o manejo das plantações, além da colheita, seleção e embalagem dos morangos. A informação é de Rodrigo Rocha, da Repórter Brasil.

"A situação era de risco grave e iminente por conta da possibilidade de contaminação por agrotóxicos e das péssimas condições sanitárias. A situação era de trabalho degradante, uma das características do trabalho análogo ao de escravo", afirmou a auditora fiscal, Valéria Guerra Mendes.

De acordo com o grupo de fiscalização, as libertações ocorreram no Sítio Pinhal, em Estiva (MG), de propriedade de Nelson Luiz Pereira, que possui cerca 500 mil pés de morango. E nos sítios Pinhalzinho dos Policas e Lagoinha (que formam um imóvel único nos municípios de Itapeva e Senador Amaral) pertencente a Sebastião Roelto Andrade. Mais de 300 mil pés de morango eram cultivados no local. As verbas rescisórias chegaram a aproximadamente R$ 246 mil.

Casos de crianças e adolescentes libertados não são a maioria na agropecuária. No Brasil, a incidência de trabalho escravo com finalidade de exploração econômica em serviços rurais tem sido predominantemente de homens adultos (entre 2003 e outubro de 2009, 62,8% dos resgatados tinham entre 18 e 34 anos – no mesmo período, 2,91% contavam com menos de 18 anos, dados do Ministério do Trabalho e Emprego). A explicação: as atividades para as quais os escravos são aliciados no campo são aquelas que demandam uso de força física, como a limpeza de pasto, a catação de raízes, a derrubada de mata nativa, a colheita de cana. Contudo, se considerarmos o trabalho escravo com finalidade de exploração sexual, as posições se invertem, sendo mulheres e crianças e adolescentes os principais alvos, de acordo com as autoridades envolvidas no combate a esse crime.

Atualizado às 20h15.

Sobre o Autor

É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu conflitos armados em diversos países e violações aos direitos humanos em todos os estados brasileiros. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York (2015-2016), e professor de Jornalismo na ECA-USP (2000-2002). É diretor da ONG Repórter Brasil, conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão e comissário da Liechtenstein Initiative - Comissão Global do Setor Financeiro contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Seres Humanos. É autor de "Pequenos Contos Para Começar o Dia" (2012), "O que Aprendi Sendo Xingado na Internet" (2016), entre outros.

Leonardo Sakamoto