Blog do Sakamoto

Belo Monte: a população local é apenas um detalhe

Leonardo Sakamoto

Cansei de ouvir intelectuais dito progressistas e autodenominados esclarecidos fazendo coro com parte da Esplanada dos Ministérios e do empresariado nacional e internacional ao pedir que o meio ambiente não seja um entrave para o crescimento. Como já disse aqui antes, fazem contas para mostrar que a vida de algumas centenas de famílias camponesas, ribeirinhas, quilombolas ou indígenas não pode se sobrepujar sobre o ''interesse nacional''. Defendem a energia nuclear como panacéia. Taxam de ''sabotagem sob influência estrangeira'' a atuação de movimentos e entidades sérias que atuam para que o ''progresso'' não trague o país.

Valeria a pena pararem para refletir e perceber que o que chamam de ''interesse nacional'' é, na verdade, o interesse de parte da nação. Como a implantação de usinas hidrelétricas em regiões de mineração para abastecer a siderurgia de exportação. Antes de pensar em escala macroeconômica, é importante ver o que vai acontecer na realidade da população. E os casos que temos visto não são nada bons.

Recomendo a leitura do Relatório de Impacto Ambiental desses projetos. Há centenas de críticas à implantação da obra, prova-se que as conseqüências à população e ao meio serão imensas, que no longo prazo os empregos gerados não acompanharão o desemprego movido pelas desapropriações de terras. E, no final, vem a conclusão cara-de-pau recomendando o projeto apenas com uma meia dúzia de sugestões (como origamis de passarinhos, carrancas colocadas na curva do rio, festas juninas para alegrar o povo…) a fim de minimizar o impacto. E com um passivo ambiental que não atrapalha ninguém.

Este post não é para defender ONGs, bem pelo contrário. Tem um monte de organizações que agem de forma suspeita. Mas para perguntar: por que uma turma inteligente e esclarecida acha que o Centro-Sul brasileiro pilhar a Amazônia e o Cerrado é muito diferente do Centro mundial pilhar a Periferia? Os resultados são iguais e a história está aí para mostrar as tragédias causadas quando quem detinha o poder e disse representar a maioria subjugou as minorias. Sendo que, no Brasil, o que acontece com uma minoria em um vilarejo da Amazônia repete-se metonimicamente por todo o território. O problema é igual, mudam apenas os atores.

O desenvolvimento em curso na Amazônia privilegia apenas uma camada pequena da população. Os lucros advindos da implantação de grandes empreendimentos permanece concentrado na mão de poucos, enquanto o prejuízo é dividido por todos. Vale lembrar o exemplo de municípios como Coari (AM), rico em royalties do petróleo e derivados, mas com baixo índice de desenvolvimento humano.

Esse pragmatismo exacerbado, de que são necessários perder os peões para se ganhar uma partida de xadrez, é muito triste. Ainda mais quando vêm de pessoas que, desde a ditadura, lutam pela liberdade e a efetivação dos direitos. A batalha pela hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, que o diga.

Trago um caso que já relatei aqui. Silas Rondeau, quando ministro das Minas Energia, diante das dificuldades de licenciamento ambiental das usinas do rio Madeira (Santo Antônio e Jirau), afirmou, em 2007, que ou o Ibama liberava as obras ou o governo começaria a procurar outras fontes de energia como a térmica ou nuclear. Esse comportamento do tipo ''ou libera o que quero ou consigo um jeito de atrapalhar ainda mais a sua vida'' pode ser considerado em determinadas sociedade como chantagem. O interessante é que, na época, Rondeau não escolheu a energia eólica, a solar ou a proveniente da biomassa como opções, o que mostra o padrão de desenvolvimento que por aqui reina.

O Nordeste é considerado uma das melhores jazidas de vento do planeta, com potencial suficiente para gerar 10 mil megawatts de energia elétrica a partir de usinas eólicas – potência equivalente ao que é produzido pelas hidrelétricas da região, mas sem inundar grandes áreas ou lançar resíduos tóxicos na atmosfera. Ventos constantes, não existência de fortes rajadas (garantindo a estabilidade das grandes turbinas) e a pequena turbulência – desgastando menos os equipamentos que na Europa ou nos Estados Unidos. Hoje a produção nacional de energia por via eólica está em crescimento, o valor de produção do MWh eólico já é menor que o de termelétricas, mas tudo isso ainda é muito pouco. A hegemonia hidrelétrica de novos empreendimentos está longe de mudar (parênteses: não sou contra a energia hidrelétrica em qualquer circunstância, o problema é o rolo compressor de quem ignora que ela traz impactos profundos).

Ao mesmo tempo, devido a fatores como a proximidade com o Equador e o céu limpo, sem nuvens, o Semi-árido nordestino possui mais de 3 mil horas anuais de brilho do sol – estimativa comparável às dos desertos da Austrália e da África. O problema de estar entre os quatro maiores índices de insolação do mundo pode ser revertido em benefício do país se o governo começasse a investir na produção de energia solar. Isso sem falar na conversão do bagaço em eletricidade, através da adaptação das usinas de cana já existentes. Ou seja, aproveitar resíduos para gerar energia. Esse processo está em curso, mas a passos lentos.

Dei o exemplo do Nordeste pois é uma região em que o crescimento econômico se faz mais necessário. Mas a introdução de energia limpa pode ser feita em todo o país. Se a tecnologia ainda é mais cara que a hidrelétrica, ela certamente causará menos prejuízos às populações tradicionais do local do empreendimento ou ao meio ambiente.

Infelizmente, a população local é um custo barato comparado com o ''progresso'' do país.

  1. josé alberto alvim

    18/04/2011 23:18:19

    http://g1.globo.com/natureza/noticia/2011/04/opiniao-belo-monte-ate-quando-sera-preciso-alertar-que-o-rei-esta-nu.html MPF DENUNCIA...

  2. josé alberto alvim

    13/04/2011 18:58:24

    07/02/2011 - 10:33 - NOTA PÚBLICA DO PAINEL DE ESPECIALISTAS SOBRE A UHE BELO MONTE – AMAZÔNIA – BRASILO grupo de pesquisadores, professores universitários e estudantes de pós-graduação que constitui o Painel de Especialistas tem dialogado, nos últimos dois anos, com os movimentos sociais e indígenas da região de Altamira sobre o Projeto da UHE Belo Monte, com a finalidade precípua de produzir uma análise criteriosa dos documentos referentes ao seu processo de licenciamento. Neste momento em que o IBAMA autoriza a construção de obras (canteiros, prédios, estradas), o desmatamento de 238,1 hectares, e a abertura de clareiras e picadas nos rios Bacajá e Xingu, mediante a Licença de Instalação nº 770/2011, a Autorização de Supressão de Vegetação nº 501/2011 e a Autorização de Abertura de Picada nº505/2011, respectivamente, o Painel de Especialistas vem manifestar seu posicionamento de repúdio a estes novos atos para o avanço da construção da contestada Hidrelétrica de Belo Monte e convocar os cientistas do Brasil e do mundo para se unirem em defesa da Amazônia e, especialmente, da VIDA.1. Em outubro de 2009, o Painel de Especialistas, composto por antropólogos, sociólogos, biólogos, engenheiros elétricos e mecânicos, economistas geógrafos, especialistas em energia, ecólogos, ictiólogos, hidrólogos, etnólogos, zoólogos, cientistas políticos e pesquisadores da área de saúde pública e da assistência social, protocolou no IBAMA e no Ministério Público Federal um documento de análise crítica dos Estudos de Impacto Ambiental da UHE Belo Monte (disponível em www.internationalrivers.org/files/Resumo%20Executivo%20Painel%20de%Especialistasout2009.pdf), no qual apontava, dentre outros, 8 pontos críticos do projeto:a) A subestimação de impactos decorrente da inadequação metodológica e conceitual utilizada na delimitação de área diretamente afetada, áreas de influência e de atingido.b) A artificial exclusão dos Povos Indígenas que vivem na área denominada Volta Grande do Xingu – com uma extensão de mais de 100km, para a qual está prevista a redução em até 80% da vazão do rio – do conjunto de « atingidos diretamente » pelo empreendimento. São eles: Juruna do Paquiçamba, Arara da Terrã Wãgã, Xikrin do Bacajá e grupos Juruna, Arara, Xipaya, Kuruaya e Kayapó que, imemorial e/ou tradicionalmente, habitam as margens deste trecho do Rio.c) A inexplicável exclusão dos Povos Indígenas Xipaya e Kuruaya que habitam respectivamente às margens dos rios Iriri e Curuá (principais tributários do rio Xingu nesta região), do conjunto de etnias que vivem no trecho Médio do rio Xingu e seus tributários.d) A violação aos direitos dos Povos Indígenas, assegurados tanto na Constituição Brasileira, quanto na Convenção 169 da OIT - as quais determinam que os Povos Indígenas afetados sejam antecipadamente consultados por meio de procedimentos probos.A ausência e/ou insuficiência de estudos hidrológicos, envolvendo níveis de água, hidrossedimentologia e implicações sobre lençol freático e desdobramentos sobre a qualidade da água. Esta insuficiência resulta, por um lado, em desconsiderar a severa diminuição dos níveis de água no trecho seccionado do rio (Volta Grande); a drástica diminuição do lençol freático; e a redução de níveis de água de até cinco metros em trecho entre a barragem Pimental proposta e a foz do rio Bacajá. Consequentemente, desconsidera o grau de insegurança hídrica a que as populações que habitam essa região serão submetidas. Por outro lado, na altura da cidade de Altamira, a desconsideração das consequências do aumento do lençol freático e dos riscos do afloramento de água na cidade torna imprecisas as cotas informadas no EIA.e) O prejuízo econômico decorrente do funcionamento sazonal da usina, que resultará da ociosidade operativa de Belo Monte - imposta inexoravelmente pela vazão natural flutuante do rio Xingu, a qual impõe um gap superior a 60% entre a potência instalada e a potência média estimada durante o ano. Esta omissão na análise, simultaneamente, afeta a conclusão sobre a viabilidade técnica e econômica da obra bem como abre capítulos futuros de ameaças ambientais e sociais já identificadas no passado sobre grandes extensões territoriais potencialmente alagáveis, caso sejam construídos barramentos a montante para regularizar a vazão do rio.f) A perda de biodiversidade da região – inclusive de espécies endêmicas – exclusiva da situação proporcionada pela barreira geográfica que são as corredeiras e pedrais da Volta Grande, que isola em duas ecorregiões os ambientes aquáticos da bacia do Rio Xingu, constituindo habitats únicos que serão destruídos. Alerta-se que, apenas com base no caráter irreversível do impacto sobre a ictiofauna no Trecho de Vazão Reduzida, a conclusão técnica que deveria ser formalizada no EIA é que o empreendimento AHE Belo Monte do ponto de vista da ictiofauna é tecnicamente inviável, e irá provocar a mortandade de milhões de peixes ao longo dos mais de 100 km da Volta Grande.g) A ausência de análise preditiva sobre a aceleração do desmatamento resultante do projeto e seus efeitos, da nova dinâmica demográfica e fundiária e de suas repercussões sobre o acesso à terra, aos serviços de educação e de saúde. No caso da saúde, ainda, os riscos da proliferação de doenças como a malária, da reurbanização da febre amarela e de recrudescimento da síndrome de Altamira.h) Inúmeros problemas nos estudos de impacto ambiental em praticamente todas as disciplinas envolvidas, incluindo erros metodológicos ou insuficiência nas coletas de dados; omissão de publicações relevantes nas revisões de literatura, coincidindo com aquelas que poderiam evidenciar problemas no projeto; e análise enviesada das informações obtidas de forma a justificar subestimações dos impactos do projeto.2. Em 01 de fevereiro de 2010, o Presidente do IBAMA concedeu uma licença ambiental parcial (Licença Prévia nº 342/2010), vinculada ao cumprimento de 66 condicionantes, dentre as quais estudos apontados como insuficientes pelo Painel de Especialistas.3. Em dezembro de 2010, especialistas de diversas disciplinas, participando do III Encontro Latinoamericano Ciências Sociais e Barragens, novamente destacaram a não racionalidade deste projeto, por suas inconsistências e incongruências econômicas (custo do projeto, imprevisibilidade e superestimação da quantidade de energia gerada); ambientais (desmatamento, efeito estufa, destruição de ecossistemas, perda de biodiversidade e de espécies endêmicas vegetais e animais); e sociais (deslocamento compulsório de populações urbanas e rurais, migração desordenada, riscos à saúde; à segurança alimentar; à segurança hídrica; estrangulamento dos serviços de saúde e educação). Ver: III Encontro Latinoamericano Ciências Sociais e Barragens, 2010, Belém. Anais. Belém : NAEA, 2010.Lideranças indígenas, do movimento social da cidade e do campo de Altamira, presentes neste Encontro em mesas redondas e rodas de diálogo, mais uma vez ressaltaram questões críticas do Projeto e o que é inaceitável: o desrespeito aos direitos dos Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais, ribeirinhos e a ameaça às suas existências pela completa reviravolta em seus modos de vida. Não é possível ignorar as palavras do Cacique Raoni que em nome da paz e do respeito exigia a não construção da Hidrelétrica de Belo Monte.O Painel de Especialistas, baseado nas análises realizadas e no acompanhamento do não cumprimento das condicionantes constantes da Licença Previa nº 342/2010, de 01 de fevereiro de 2010, compartilha das mesmas preocupações dos Povos Indígenas, Comunidades Tradicionais e movimento social e endossa as palavras do cacique Raoni.4. Desde a concessão da Licença Prévia, lideranças indígenas e o movimento social de Altamira acompanham a atuação dos governos locais, do fórum de prefeitos e ainda da FUNAI e da empresa Norte Energia. Estes, no afã de produzir adesões e imobilizar as posições de atores críticos à realização da obra, se utilizam de uma série de estratégias de cooptação, que vão da oferta de cestas básicas, combustível, etc., até constrangimentos e intimidações para compra das terras de agricultores familiares que vivem na área que o governo agora liberou para a construção dos canteiros.Provocam, deste modo, o faccionalismo entre grupos indígenas e camponeses e semeiam o medo e a migração precoce daqueles que temem tudo perder.5. As posições dos Governos Federal, Estadual e Municipal têm se concretizado no sentido de reduzir e ignorar as críticas. As recomendações e questionamentos dos especialistas não são respondidos; as denúncias, apelos, demandas e preocupações dos movimentos sociais e dos povos indígenas são ignorados; o papel fiscalizador do Ministério Público Federal, expresso em uma dezena de ações civis públicas, é desconsiderado. Os convites procedentes de organizações da sociedade civil para a realização de debates públicos são silenciados.6. Em 20 de dezembro de 2010, em vídeo gravado, José Carlos Arara e Josinei Arara já informavam que jamais receberam visita da FUNAI, para falar ou esclarecer sobre as condicionantes indígenas incluídas na Licença Prévia de Belo Monte. No caso específico da Terra Indígena Terrã Wãgã – demarcação e desintrusão – nada foi realizado (disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=KoDm3SHeEys). Igualmente, a liderança Ozimar Pereira Juruna afirma que não houve qualquer ação relativa à fiscalização e à ampliação da Terra Indígena Paquiçamba. Segundo Ozimar Juruna, o coordenador da FUNAI em Altamira afirmou, em visita à aldeia ocorrida no mês de dezembro, que Belo Monte não seria construída sem o atendimento às condicionantes. (Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=dycQ49n9mGw&feature=related). Estas Terras Indígenas estão situadas na Volta Grande do Xingu e ambos ratificam a falta de conhecimento de ações relativas ao cumprimento das condicionantes e reiteram a absoluta falta de participação em qualquer decisão tomada pela FUNAI.7. Acompanhamos o movimento de peças no jogo político. O governo brasileiro, em 01 de janeiro de 2011, reafirmou os compromissos deste projeto que há mais de duas décadas tem sido contestado. Reafirmação simbolizada na recondução do Ministro de Minas e Energia para dar continuidade às decisões ou aos compromissos previamente assumidos com os atores interessados em sua implementação. As condicionantes anexadas às licenças ambiental prévia e de instalação atestam, por um lado, a complexidade do projeto e o não cumprimento da legislação nacional referente ao tema. E, por outro, sugerem a pressão para emissão destas licenças, em condições de descumprimento da lei e de abandono das cautelas técnicas.8. Em 26 de janeiro de 2011, o presidente substituto do IBAMA concedeu a Licença de Instalação (nº 770/2011), autorizando a instalação do canteiro, alojamentos para trabalhadores, abertura de estradas e outras obras de infra-estrutura da construção, novamente acompanhada de condicionantes. Simultaneamente, emitiu a Autorização de Supressão de Vegetação nº 501/2011, que autoriza o desmatamento de 238,1 hectares, sendo 64,5 hectares integrantes de Área de Preservação Permanente (APP).Cabe ressaltar, em particular, que a Licença de Instalação nº 770/2011, foi precedida por lacônico ofício da FUNAI, emitido em 20 de janeiro de 2011, no qual o seu Presidente afirma não haver “óbice para emissão da licença Instalação-LI das obras iniciais do canteiro de obras da UHE Belo Monte” (Ofício nº 013/2011/GAB-FUNAI).9. Em 27 de janeiro de 2011, 43 organizações e associações da sociedade civil, inclusive associações indígenas, em nota de repúdio à Licença de Instalação nº 770/2011 do IBAMA afirmam que vão continuar se opondo ao desastre social e ambiental iminente e responsabilizam « o Governo Brasileiro por qualquer gota de sangue que venha a ser derramada nesta luta ». (Disponível em www.xinguvivo.org.br).10. Em 27 de janeiro de 2011, O Ministério Público Federal (MPF), no Pará, ajuizou ação civil pública em que pede a suspensão imediata da licença concedida pelo IBAMA (Processo nº 968-19.2011.4.01.3900 – 9º Vara Federal em Belém). Em nota divulgada pela ASCOM/PR-Pará, o MPF, afirma que « a licença é totalmente ilegal porque não foram atendidas pré-condições estabelecidas pelo próprio IBAMA para o licenciamento do projeto, como a recuperação de áreas degradadas, preparo de infra-estrutura urbana, iniciativas para garantir a navegabilidade nos rios da região, regularização fundiária de áreas afetadas e programas de apoio a indígenas. Até a emissão da mencionada licença, 29 condicionantes não tinham sido cumpridas, 04 foram realizadas parcialmente e sobre as demais 33 não há qualquer informação ». (Disponível em http://www.prpa.mpf.gov.br/news/2011/mpf-vai-a-justica-contra-licenca-precaria-de-belo-monte).11. Em 02 de fevereiro de 2011, o presidente substituto do IBAMA prossegue com as autorizações, desta feita emitindo a Autorização de Abertura de Picada nº505/2011 nos rios Xingu e Bacajá, onde se encontram as Terras Indígenas Trincheira-Bacajá, Paquiçamba e Terrã Wãgã .12. No acompanhamento da execução das Ações Antecipatórias como requisito para emissão da Licença de Instalação de Belo Monte, registramos importantes lacunas no Programa de Orientação e Monitoramento da População Migrante e no Projeto Básico Ambiental, em especial no Programa de Monitoramento dos Aspectos Socioeconômicos, no Plano de Atendimento à População Atingida e no Plano de Atendimento à Saúde.Programa de Orientação e Monitoramento da População Migrante - Há três questões que chamam especialmente atenção neste Programa: 1)A confiança do empreendedor em sua capacidade de definir sem quaisquer margens de erro o número de imigrantes que serão atraídos pela obra; 2) O comprometimento do empreendedor com os objetivos como “acompanhar”, “monitorar”, “apresentar informações” e “subsidiar estudos”, isto é, ações que não implicam uma responsabilidade efetiva sobre os impactos a serem gerados pela imigração maciça na região; 3) A ausência de obrigatoriedade legal do empreendedor a respeito de ações mitigatórias associadas aos processos imigratórios gerados pela obra; 4) A ausência de comentários a respeito da relação entre a imigração gerada pela obra e a pressão sobre as terras indígenas, unidades de conservação e o mercado de terras da região.Projeto Básico Ambiental – Predomina neste Plano a subestimação da incerteza, isto é, prevalece a suposição de que há controle e de que este controle é suficiente para legitimar politicamente, ao mesmo tempo, as instituições de controle e o empreendimento. Mas acontece que em lugar de “preocupações infundadas”, como supõe implicitamente o otimismo tecnológico do PBA, tratam-se de questões intelectualmente fundadas, através das quais não se demanda ingenuamente “incerteza zero”, mas sim a consideração de que a incerteza é mais radical do que aquela admitida pelos planejadores. Eis, pois, a pergunta fundamental que falta: há alguma boa razão para não levarmos em conta as incertezas e os desconhecimentos?Programa de Monitoramento dos Aspectos Socioeconômicos - Nos indicadores preliminares estabelecidos para o monitoramento, estão ausentes aspectos importantes ligados à questão ambiental como as transformações e conflitos relacionados à posse da terra e às transformações no acesso e apropriação de ecossistemas necessários à manutenção da vocação produtiva de certo número de grupos populacionais e da constituição de suas identidades. No tema fundiário, além do acompanhamento da negociação e aquisição de benfeitorias e imóveis rurais, não estão formulados indicadores que permitam fazer o monitoramento dos possíveis processos de concentração de terras que já estão acontecendo e que poderão se acirrar a partir do início das obras. Processos que afetariam principalmente a agricultura familiar, a silvicultura, a pecuária familiar e as atividades extrativistas. Esta dinâmica fundiária relaciona-se inclusive com a manutenção ou não das condições de um eventual retorno da população para seus lugares de origem. Os temas que aparecem como estudos a serem eventualmente desenvolvidos - e não como indicadores - são centrais para se compreender qualitativamente as transformações, tal como, por exemplo, nas condições de vida da população e nas mudanças nos modos de vida.Plano de Atendimento à População Atingida - Este plano, sobretudo em relação às áreas urbanas, pode ser compreendido como um plano de reforma fundiária fundamentado na remoção/relocação e na regularização fundiária de determinados assentamentos urbanos descritos como vulneráveis ou de interesse social. Os principais argumentos que visam a legitimar os programas e projetos estão fundamentados na idéia de “melhorias das condições de vida das populações atingidas”. Entretanto, as condições de melhorias não são explicadas. Há uma espécie de crença que associa melhoria de vida à dinamização do “mercado”. A insatisfação da população, os potenciais conflitos ou o não reconhecimento do potencial de “melhorias” das ações propostas, de acordo com o relatório, podem ser solucionados através de um Plano de Redução – proposto tanto para as áreas urbanas, como para as áreas rurais. Este, por sua vez, é apresentado como estratégia de convencimento.Plano de Atendimento à Saúde - O empreendedor propõe estruturar a Atenção Primária, porém não faz referência à estruturação da média e alta complexidade do sistema de saúde. No Programa de Vigilância Epidemiológica, Prevenção e Controle de Doenças e no Programa de Controle da Malária são citados procedimentos clássicos da vigilância epidemiológica, porém não define fluxos de referência e contra-referência em caso de surtos ou epidemias. Não apresenta um programa adequado aos impactos gerados pelo fluxo migratório para a construção do projeto, como por exemplo: o aumento das DST/AIDS, violência, uso de álcool e drogas e outros. Ainda nesse contexto de fluxo migratório, o empreendedor não considerou o cenário de risco relacionado à síndrome hemorrágica de Altamira (SHA), uma patologia autóctone da região da rodovia Transamazônica, principalmente no município de Altamira, definida como uma púrpura trombocitopênica de natureza imunológica, desencadeada, em indivíduos hipersensíveis pela secreção salivar introduzida através da picada de determinada espécie de insetos hematófagos do gênero Simulium (borrachudos, ou piuns).Alertamos a sociedade brasileira para o risco da reurbanização da febre amarela, pois os fatores de risco potencial estão presentes no contexto do Aproveitamento Hidrelétrico de Belo Monte: a) presença do Aedes aegypti nos municípios de influência direta e indireta do AHE Belo Monte: b) intenso processo migratório levando a possibilidade de importação do vírus dos ambientes silvestres para os urbanos.As secretarias municipais e estadual de saúde são citadas como parceiras responsáveis pela execução dos programas. Dessa forma o empreendedor externaliza a responsabilidade, lançando o ônus dos impactos para a sociedade local. Ademais, não são apresentadas as capacidades institucionais para realizar as ações, principalmente: Vigilância Epidemiológica, Sanitária, Ambiental e Saúde do Trabalhador. O Programa de Saúde e Segurança restringe-se a descrever as normas regulamentares do Ministério do Trabalho. Assim, não se trata de um programa de saúde especifico que reflita ações para o enfrentamento das realidades locais e as incertezas envolvendo a complexidade dos impactos à saúde da população.13. No conjunto de documentos sobre Belo Monte disponível na página eletrônica do IBAMA, não há qualquer arquivo sobre Programas e Planos referentes aos Povos Indígenas.14. O acompanhamento do Plano Básico Ambiental, do atendimento das condicionantes expressas na Licença Prévia e das justificativas expressas na “Licença de Instalação Parcial” - que sequer figura na legislação referente ao Licenciamento Ambiental Brasileiro - evidencia, para nós membros deste Painel, que existe um processo de transformação daquilo que deveria ser prévio e condicional em medida genérica de acompanhamento e monitoramento. Avilta-se, através deste triste exemplo, a possibilidade do licenciamento ambiental se constituir enquanto ferramenta de planejamento público e como peça de compromisso social. Procura-se decompor uma das etapas da licença para atender a temporalidade particularista da “janela hidrológica” que atende ao cronograma da construção civil e suprime as cautelas técnicas, a cidadania e direitos da população ameaçada pelo projeto, pela pressa administrativa e pela superficialidade das ações tomadas após a concessão da Licença Prévia. Este último movimento do processo de licenciamento denota descompromisso do empreendedor e do órgão de licenciamento ambiental com o equacionamento entre o aproveitamento hidrelétrico pretendido, os direitos da população e o meio ambiente.O Painel de Especialistas alerta a opinião pública e as autoridades máximas do governo brasileiro para os riscos de uma situação social explosiva, e endossa a preocupação com consequências ecológicas e culturais nefastas e irreversíveis.O Painel de Especialistas apela aos cientistas brasileiros e do mundo a adotar uma posição crítica e vigilante, a direcionar os seus estudos para produzir evidências sobre o desastre econômico, social e ambiental anunciado, a compartilhar do esforço de publicizar resultados de pesquisas sobre as questões técnico-científicas e políticas do projeto.O Painel de Especialistas repudia a concessão da Licença de Instalação nº770/2011, a Autorização de Supressão de Vegetação nº 501/2011 e a Autorização de Abertura de Picada nº505/2011 e convoca os cientistas do Brasil e do mundo a se unirem em defesa do compromisso social da Ciência e de seus profissionais de não realizar atos ou tomar decisões que representem destruição de culturas, extinção de espécies e ameaça à vida e à paz.Amazônia, Brasil, 04 de fevereiro de 2011

  3. josé alberto alvim

    13/04/2011 18:26:14

    http://epoca.globo.com/edic/664/Parecer_Funai_contra_Belo_Monte.pdf E aqui segue o relatório da FUNAI que o governo desprezou e a FUNAE não endossou. http://www.correiocidadania.com.br/content/view/5714/9/ E segue também a carta ESCRITO POR FREI MARCOS SASSATELLI13-ABR-2011. Valeu Saka pela inteligente matéria.

  4. josé alberto alvim

    13/04/2011 18:21:18

    Valeria a pena pararem para refletir e perceber que o que chamam de “interesse nacional” é, na verdade, o interesse de parte da nação. Como a implantação de usinas hidrelétricas em regiões de mineração para abastecer a siderurgia de exportação. Antes de pensar em escala macroeconômica, é importante ver o que vai acontecer na realidade da população. E os casos que temos visto não são nada bons. Meus parabéns meu caro, um dia eles perceberão....

  5. Sunshine

    10/04/2011 15:33:35

    aA0z6U Stands back from the keyboard in amazement! Thanks!

  6. Marcelo Papel

    16/02/2011 11:40:26

    Energia limpa já existe, mas é poluente. A matriz energética nacional é mais limpa, diversificada e renovável do mundo. O Brasil é lider em desenvolvimento de tecnologia de energia limpa. A hidrelétrica tem o problema do seu lado e efeitos sobre a geografia, economia, como região. Uma pergunta inteligente: Existe alguma fonte de energia elétrica para atender a demanda crescente e o crescimento do país. Vamos chegar em um impasse da matriz energética. Algumas políticas devem ser tomadas e o melhor o debate maior da sociedade.A discursão sobre Belo Monte reside em interesses internos e externo, porém a debate deve ser uma forma inteligente de reduzir os impactos ambientais e econômicos. Qual modelo de desenvolvimento queremos? A região periféricas do Brasil, são carentes de recursos e grande infraestrutura, leia se Norte e Nordeste. Grandes obras absorvem a mão de obra qualificada e gera um impulso ao desenvolvimento da região, mas como fazer esse efeito sem cria um enclave, como é a zona franca e demais grandes projetos dentro da região. Eu acho um caminho sem volta, sem idealismo ou sentar em uma poltrona cheio de ideias românticas. O modelo de desenvolvimento industrial e urbano exige grande demanda de energia, como vamos diversificar a matriz? E neste processo reverter o benefícios do projeto para sociedade local. Esses são os pontos chaves de Belo Monte.Moro no Pará, pouco dos benefícios de grandes projetos refletiram sobre a capital. Necessitamos de investimentos desde da crise fiscal do Estado brasileiro.Eu não quero ficar com romantismo de país europeu, vamos discutir um modelo de desenvolvimento e investimento, algo necessário para região e país. Ou você quer passa a sua vida racionando energia? Não temos mais saída.

  7. MARKUS

    13/02/2011 16:11:25

    Lula foi clarissimo "nao da pra parar obra (sem concordancia mesmo, mas e no plural ta?) por causa de sapinho". Com essas e outras opinioes simplorias vamos assistir a uma devastacao sem precedentes (acho que igual so nos anos 70). A transposicao do Sao Francisco (gracas a Deus sao incompetentes e a obra nao anda direito) tambem vai ser uma m..., mas o Sakamoto, no minimo, e BIpolar. Faz campanha pro-PT e ao mesmo tempo finge ser ambientalista. A galera que votou no PT, no Lula, na Dilma fazem parte da VANGUARDA DO ATRASO. Calem a boca ja que votaram errado, engole o sapo!!!

  8. Gustavo

    11/02/2011 15:33:04

    Infelizmente, os que consideram a causa ambientalista ainda não se deram conta que a discussão é outra:Não se trata da sustentabilidade da matriz energética mundial, mas sim dos hábitos de consumo do mundo. É muito fácil pregar o 'verde', sem se preocupar qual é a origem dos produtos que consome. É fácil usar um MacBook pra protestar contra a "destruição" da Amazônia. Ou discutir a questão comendo uma deliciosa picanha criada nos grotões da Grande Selva. Ou quem sabe tomando um banho quente num chuveiro elétrico. Trocar de carro, notebook, celular, videogame, tv, HT, etc só por que um modelo mais 'cool' entrou no mercado.Se estes hábitos não forem questionados, não há matriz verde que salve o plante.

  9. Zé Brasil

    10/02/2011 23:14:52

    Atenção, veja a verdadeira intenção dos ongueiros profissionais!http://saladalareira.blogspot.com/2010/07/farms-here-forests-there.html

  10. falsão

    10/02/2011 20:20:38

    Rubem,À medida que seus argumentos avançam fica melhor ler você.Essa informação sobre o gasto com o chuveiro é bombástica!Sobre a urbanização não vou nem comentar agora. Me empolguei tanto que escrevi o que devia e o que não devia. Mas quero voltar a falar desse assunto depois.A questão da urbanização é A questão. É A questão. É A questão (fico baratinado).Você domina um tipo de conhecimento central pra discussão do nosso tempo.Recomende um site aí pra gente. Se tiver material pra adolescentes, agradeço também. Sou professor de ensino fundamental.Abraço fraterno.

  11. falsão

    10/02/2011 20:03:56

    Luzia,Queria te mandar um abraço lá no seu último post. Não consegui. Deixo-o aqui.

  12. Zé Brasil

    10/02/2011 19:52:53

    http://saladalareira.blogspot.com/p/amazonia-visao-de-gelio-fregapani.html

  13. falsão

    10/02/2011 19:51:29

    Quantos planetas Terra seriam necessários para que todos os países vivessem como os países centrais do capitalismo? De onde tanto minério, tanta comida, tanto combustível?O "desenvolvimento" foi possível até certo ponto. Continua sendo empurrado por grandes corporações e seus acionistas, governos e trabalhadores (!), que clamam por emprego (que necessita de desenvolvimento...).Poderá haver "desenvolvimento" nos países periféricos, será meia-boca, incapaz de integrar toda a população no mundo do trabalho. Pleno emprego? Vai dar não.É bom que pelo menos alguns grupos dentro das sociedades comecem a fazer algo diferente.Ou conquistemos Marte.

  14. Zé Brasil

    10/02/2011 19:43:47

    http://saladalareira.blogspot.com/2010/07/pseudopotencia.html

  15. falsão

    10/02/2011 19:39:22

    Iara,Belo texto, belos argumentos.

  16. falsão

    10/02/2011 19:16:20

    Boa! Fechou.

  17. Luan

    10/02/2011 15:50:35

    Fonte: http://super.abril.com.br/tecnologia/hidroeletricas-provocam-efeito-estufa-441433.shtml

  18. Luan

    10/02/2011 15:50:01

    Ridículo, para não dizer estúpido, é quem acha que hidroelétricas não emitem gases que contribuem para o aquecimento global. LEIAM:"(...) Se alguém lhe dissesse que o Brasil é um dos maiores vilões do aquecimento global, você certamente colocaria a culpa nas queimadas da Amazônia. Mas os cientistas estão responsabilizando pela emissão de gases estufa justamente as usinas hidroelétricas, proclamadas como uma técnica ecologicamente correta de gerar energia. Um relatório da Comissão Mundial de Represas afirma que algumas hidroelétricas lançam tanto gás carbônico (CO2) na atmosfera quanto as usinas termoelétricas que queimam carvão. Isso porque, quando uma represa é construída, uma área enorme de floresta fica inundada. A vegetação apodrece, lançando no ar doses gigantescas de dióxido de carbono e metano. Como era de se esperar, o problema é maior na região amazônica, onde estão algumas das maiores barragens do país, como a de Tucuruí, no Pará. Ela libera anualmente 6 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera. "Isso equivale a um décimo de todo o gás carbônico emitido no Brasil", alerta Philip Fearnside, do Instituto de Pesquisas da Amazônia, autor de um estudo ainda inédito sobre o impacto ambiental da represa."

  19. indio guarani

    10/02/2011 14:59:10

    Um parágrafo inteiro para esculhambar o capital nacional, internacional, empresarios, fazendeiros e uma, apenas uma, suspeitas sobre algumas ONGs, sustentadas com dinheiro dos impostos pagos pelos pobres. Quanto à beneficiar pequenos grupos, poucas pessoas etc.. quero lembrar que a energia produzida no madeira vai ser utilizada no estado de São Paulo, provavelmente por um pequeno grupo que irá explorar os pobres que possuem geladeira, televisão e ar condicionado. Pessoal de Araraquara, fiquem espertos, a energia que vocês utilizarão aí, irá custar sangue, suor e lágrimas aos povos da floresta.

  20. Rubem

    10/02/2011 09:10:41

    Falsão,Bom lembrado! Veja meu recente post sobre eficiência energética. Trata um pouco do assunto.Complemento o que você disse sobre a repotencialização. É bem viável ed e fato talvez dê para ganhar uns 5% a 10% de eficiência em média. Não sei ao certo pois transmissão não é minha área. Entendo mais do equipamento gerador em si.Aliás, repotencialização de equipamentos é um grande negócio nos EUA e Europa.Por fim,realmente dá para fazer um monte de "trabalho de formiguinha" (5% ali, 3% aqui e asism vai) e no fim ganhamos um monte.Outra coisa que deveria ser feito é na área de arquitetura, urbanismo e construção civil em geral.Exemplo: Prédios muito altos, são em geral grandes consumidores de energia, pois toda a água deve ser bombeada para cima e isso consome bastante energia.Não tenho dados concretos, mas talvez um modelo de urbanização menos concentrado em grandes centros talvez traga benefícios energéticos.Abraços,Rubem

  21. Rubem

    10/02/2011 09:01:34

    Marilu e Capitalista,Obrigado e desculpem se fui meio "professoral". A intenção não era esta. Apenas acho que tenho o dever de informar as pessoas com dados mais concretos.Infelizmente acho que a mídia em geral tem sido muito superficial nessa questão da energia "limpa" e tem induzido a opinião pública a tomar algumas posições, muitas vezes erradas, por tratar o tema de forma superficial e acabaram por "demonizar" a energia nuclear. Fato interessante é que nos países nórdicos, onde estudos sérios de impacto ambiental foram feitos, ela foi escolhida como fonte "alternativa" para reduzir emissões de carbono.Além disso, ninguém fala de uma questão básica, que é reduzir o consumo de energia per capita através de programas de eficiência energética e isso é de suma importância, para fazermos mais com menos. Cito dois exemplos:1) Um colega do IPT, que trabalha com bombas e ventiladores já me relatou que a maioria desses equipamentos opera bem fora do ponto ótimo, e na média consomen duas vezes mais que o necessário.2) 30% do consumo de energia no Brasil é residencial e na média 25% disso é gasto no chuveiro elétrico. Ou seja aproximadamente 7.5% de tudo que geramos de energia, vai literalmente pelo ralo.Nessa linha uma boa iniciativa do governo, que espero que se concretize, foi de exigir que as casas populares do Minha Casa Minha Vida, tenham aquecimento solar. Aliás essa é uma tecnologia que poderia ficar mais barata caso fosse feita em maior escala.Já fiz alguns estudos de eficiência energética e geralmente a troca do equipamento paga-se em 1 ou 2 anos. O governo deveria investir mais nisso como se faz no Japão, Coréia, Europa e EUA. Além de reduzir o consumo per capita, gera riqueza mais distribuída.Outro fato interessante é que com modernas tecnologias é possível dobrar a capacidade instalada das usinas de cana. Isso representaria +/- 5000 kW de energia ano, o que equivale a 10 turbinas de Itaipu.A eólica é bom, não é ruim, mas é bastante limitada e também têm seus impactos e alto custo de manutenção. Já projetei um gerador eólico e sei que a simples remoção desse equipamento da torre custa o valor do equipamento!No fundo fala-se muito do assunto, mas com poucos dados e o fato é que o que se pode oferecer hoje em dia de mais limpo são mesmo as hidrelétricas e as termonucleares.Abraços,Rubem

  22. Luzia

    09/02/2011 23:27:15

    PCHs e repontencialização.... Salve José de Lutzenberger!

  23. João Fontes

    09/02/2011 22:15:15

    É isso. O Romantismo serve para alguma coisa. Hoje.

  24. João Fontes

    09/02/2011 22:12:58

    Oh! Yes! Os Fundos de Pensões e etc.Segundo bocas miúdas, A Dilma anda pensando agora como resolver o ROMBO que o LULA deixou. A maquiagem já tá escorrendo.Os comentaristas falam de um mundo ideal... sem falhas, energia limpa, seriedade e tratar a coisa PÚBLICA, nós só falamos em fechar ROMBOS deixados pelo governo anterior. Pensar em desenvolvimento???????????

  25. Ricardo Santa Maria Marins

    09/02/2011 21:01:47

    Olá! Caros Comentaristas! Olá Caro MALVADO! Obrigado pela explicação.Significa aproximadamente que: Um cidadão comprou um terreno de 1000 (mil) metros quadrados.Ao construir nesse terreno de 1000 (Mil) metros quadrados.INUNDOU aproximadamente um centrímetro! E nossos defensores ou PSEUDO defensores, AFIRMAM que: ao INUNDAR 01(um) centímetro em um terreno de 1000(MIL) m2. Vão ACABAR com o terreno e toda sua fauna e flora.É mais ou menos ISSO!Só rindo!Tchau!!!

  26. maisvalia

    09/02/2011 21:00:24

    "Esta está na mão de empresas privadas que só enxergam lucro,"Quando ela partem para a sustentabilidade, somos nós consumidores que pagamos a conta.Melhor que eles só pensem em lucros, palavra proibida na banânia, apesar dos esquerdos adorarem dindin, eta contradição, hehehehersrsrsrskkkkuiuiuiuiu.Vou dar um exemplo: Ao alugar uma Harley na California - estado falido mas ecologicamente correto -, você paga de taxa ambiental?!? 47 doletas por semana. Viu como é bom para o bolso (deles) ser ecológico!

  27. falsão

    09/02/2011 20:13:23

    Caros Luiz Alberto e roberto,Muito obrigado por suas considerações. O Jabor rodou um dos filmes da minha vida: "Toda nudez será castigada", baita retrato do machismo à brasileira.Abraços.

  28. falsão

    09/02/2011 19:57:52

    Olá, Rubem!Muito valiosas as informações postadas por você. Me chamou a atenção o item 5 de seu texto. Ele parece coincidir com as informações de uma reportagem que li por aqui mesmo no Repórter Brasil (recomendo a todos, http://www.reporterbrasil.org.br/exibe.php?id=1399 ). Reproduzo abaixo três parágrafos do trecho final "Alternativas", a reportagem é de 2008:"A Califórnia cresceu duas décadas sem construir nenhuma hidrelétrica porque houve repotencialização e outras medidas. Mas isso acontece num lugar em que o governo avalia os impactos negativos causados pelas usinas. Aqui o governo acha que as hidrelétricas são a melhor coisa do mundo. Outro modelo [energético] seria muito mais interessante, do ponto de vista da distribuição de renda e desenvolvimento", pondera Glenn Switkes.O professor Luís Fernando, da Unir, alerta que, se não for revisto o modelo de distribuição e consumo de energia no país (que prioriza o fornecimento ao setor exportador de bens primários ou básicos, de baixo valor agregado), "não haverá limite para o uso e abuso dos nossos recursos naturais e das nossas bacias hidrográficas". Ele defende um esforço para o desenvolvimento de tecnologias poupadoras de energia e a regulação mais severa, por mecanismos tarifários, de produtos que consomem muita energia.Luís propõe também que, antes de instalar "a toque de caixa" grandes hidrelétricas, cerca de 70 usinas com mais de 20 anos no país sejam repontencializadas, com novas turbinas e linhas de transmissão. "Com esse dever de casa bem feito, não precisaríamos construir as usinas no Rio Madeira, nem Belo Monte ou Estreito. Pelo menos não agora e muito menos da forma como pretendem fazê-lo", conclui."Então, Rubem, você falou que as pequenas hidrelétricas são a melhor opção, o que você pensa da repontencialização, é viável?Abraço.

  29. jack

    09/02/2011 19:38:31

    Relaxa dona moça!!Gosto quando as colocaçoes sejam entendidas pelas partes...importante, independente da maneira.

  30. falsão

    09/02/2011 19:16:15

    Olá, Marilu!Sonhemos.http://www.youtube.com/watch?v=R6uLxY7LudA

  31. Renato B

    09/02/2011 17:58:50

    E na verdade estão se investindo em energia eólica TAMBÉM, mas até o pessoal do setor diz que na melhor das hipoteses vai dar uns 20% da nossa matriz http://planobrasil.com/2011/02/09/o-brasil-e-a-nova-china-em-energia-eolica/

  32. Osvaldo

    09/02/2011 17:39:11

    Nada disso, Capitalista, quem quer desviar o foco é vc. Uma coisa é um acidente (blackout) ou blecaute, como preferir, pode acontecer em qualquer lugar, até os estadunidenses sofrem, outra coisa bem diferente é uma maneira mesquinha e árida de administrar, retendo investimentos, cortando todo e qualquer gasto, como se verba pública fosse para permanecer nos bancos e não para serem aplicadas no bem-estar da população. Tucano odeia gastar dinheiro.Apagão é um termo jornalisticamente mal-intencionado, rescussitado para passar a falsa noção de que o que houve na era FHC foi a mesma coisa que houve agora, ou seja, "não houve nada de errado com a forma de condução da política energética tucana, veja, acontece até com o PT..." . MAS HOUVE, houve negligência, houve falta criminosa de investimento no setor. Mas os tucanos querem mais é que todos pensem que é a mesma coisa. NÃO É!!!!Meu argumento é claríssimo e não tenho sobre isso dúvida alguma.

  33. Capitalista

    09/02/2011 16:37:19

    Rubem,Ótimo comentário!

  34. marilu

    09/02/2011 16:32:01

    FDA, boa tarde,obrigada pela canção e pela paciencia, rsrsrsr.

  35. Patrícia

    09/02/2011 16:31:50

    Caro sakamoto,Concordo com vc em tudo na sua coluna sobre belo Monte. Porém devemos ter cuidado coma energia eólica. Esta está na mão de empresas privadas que só enxergam lucro, assim com as construtoras envolvidas na transposição do rio São Francisco, e em usinas hidrelétricas. Na Bahia, região de Sento Sé, as empresas estão praticamente expulsando das terras o pequeno agricultor, quando não oferendo mundo e fundos, algo que eles não podem receber pois se trata de posses que o estado ainda está coordenando a regularização fundiária. O governo de jacques wagner está deixando as empresas entraram em áreas que têm projeto de criaçãod e unodades de conservação, sem licenciamento ambiental, amordaçando os analistas ambientais do IMA (instituto de meui ambiente). Estão abrindo estradas, desmatando e por aí vai. Lembremos que uma torre daquela tem 100 metros de altura e nem me lembro agora a dimensão de suas pás. Não pode ser implantada em todo lugar.Triste como as coisas acontecem. Seria interessanto a revista Repórter Brasil fazer uma investigação aqui na Bahia sobre isso.Obrigada

  36. marilu

    09/02/2011 16:29:54

    Jack, boa tarde,desculpa, eu fui grosseira com vc, não foi a intenção, acho que estava mesmo empolgada com as conversas!

  37. marilu

    09/02/2011 16:27:11

    Boa tarde Rubem! obrigada, adoreiiiiiiiiiiii que aula héim rsrsrsrs agora não posso mais alegar ignorancia né? valeu!

  38. Cesar Corrêa

    09/02/2011 16:05:44

    O texto anterior foi sem revisão nem conclusão. Faltou eu sugerir que colocassem trem no Brasil que a economia e a qualidade de vida cresceriam muito mais e melhor. Energia elétrica para o trem tem de sobra. Se faltar, use o mesmo diesel que os caminhões deixariam de usar, pelo fato de as cargas serem transportadas em trilhos. O mesmo em relação a ônibus/metrôs de superfície em regiões metropolitanas.

  39. Marcos

    09/02/2011 16:02:36

    Marcão,Sobre seus comentários, estão todos errados.1) Onde você diz "– São os melhores lugares para se morar?? São Paulo??? EUA??? Nada mais vago do que Europa,…… De onde tirou isto companheiro???????"Eu tirei do óbvio, caso contrário já haveria uma massa de americanos e europeus migrando para a Bolívia ou para o Congo.2) Você diz "– SIM!!!!! Tanto que os americanos e europeus que dizimaram suas florestas agora se preocupam com as poucas que restaram no hemisfério sul do planeta."Pergunte se eles querem morar na floresta, então. Floresta no olho dos outros é refresco, não é???3) Demos saltos ciclópicos na educação, sim. Vide o analfabetismo, por exemplo. Vide o número de escolas de engenharia e medicina que havia em 1900 e há hoje no Brasil e no mundo. Vide a proporção da população com curso superior.4) Acho que estamos acertando. Isso pode ser percebido comparando nosso nível de vida com o nível pré-histórico em que os índios ainda se encontram.E estou me referindo exatamente ao meu PC, celular, TV a cabo, ar condicionado, motel, preservativos e outros confortos de que disponho.5) Sou solteiro e detesto animais.

  40. Cesar Corrêa

    09/02/2011 15:58:33

    Eu acho que cada um tem o direito de dizer o que quer. E dizer em seu próprio nome. Eu não quero, não mesmo, não quero correr o risco de ver Belo Monte construída. Ponto. Não quero.Agora vou explanar um pouco sobre os ínfimos detalhes que interferiram um pouco na minha decisão. Pedindo licença, é claro, de ter a minha opinião respeitada.Não quero correr o risco de que ela não produza a energia prevista, uma vez que todos os técnicos consideram esta possibilidade; não quero correr o risco de que, a área hoje alagada rio abaixo, se torne um charco, multiplicador de insetos, tornando horrível a vida nos arredores.Outras considerações:-a usina não está projetada para servir a Amazônia. Ela vai produzir energia para o Sudeste. O investimento em contrução e manutenção de linhas de transmissão é caríssimo. Há técnicos que dizem ser maior do que o da construção. Sem contar os apagões/bloecautões possíveis. (se for de graça, ainda assim não quero);-se a construção vai exigir retirada dos povos ribeirinhos, então retire antes. E leve os ribeirinhos para onde tem energia. "Povos da floresta", para mim, é quem sabe viver na floresta. E não tem árvore com tomada, então eles não precisam disso. Quem precisa, pode procurar pelo Brasil, tem um monte de cidades com energia. Mude prá lá. Por sinal, é isso que te prometem os que querem construir a usina. Levar você pra outro lugar;-a energia de biomassa entra num balanço. Pra produzir bagaço, a cana fez muita fotossíntese, absorveu carbono e devolveu oxigênio. O mesmo com a casca de babaçu e biomassas em geral. Por isso o carbono que ela emite é compensado. Diferente do carvão mineral;-o articulista, de maneira muito inteligente, apresentou dados incontestáveis sobre o potencial de energias alternativas. Para estudar este POTENCIAL precisa de estudos, menos caros do que apenas o EIA-RIMA da usina;-a Amazônia é a maior fábrica de fumaça do mundo. Chega! Os chineses querem estabelecer uma relação do CO2 emitido com a riqueza gerada. Na Amazônia, esta relação é quase zero. Chega de destruição! Quem quer grana precisa apenas de criatividade para faturar com a floresta viva. É um negócio que ninguém no planeta tem. Hotel 5 estrelas iluminado a vela. Sei lá. Não existe tecnologia segura para intervir numa área como a Amazônia. E, se o Brasil cresceu mesmo, tem emprego sobrando no Sudeste. Amazônia é lugar de turista rico ou de índio. Eles que se entendam. Coloca trem no Brasil q

  41. Juliano F

    09/02/2011 15:16:00

    O atual ministro, Edson Lobão, disse a mesma coisa..."se não investir em Belo Monte, vamos ter que construir as Térmicas, muito mais caras e poluentes..."

  42. Capitalista

    09/02/2011 14:48:07

    O que seria uma apagão e um blecaute?Qual a diferença?Se eu quero usar o termo cachorro quente ao invés de "hot dog", qual o problema.Suas dúvidas semanticas são apenas para desviar o foco, quanto mais apagões mais argumentos para fazerem Usinas a toque de caixa.

  43. jack

    09/02/2011 14:28:27

    Iara, Oportuno seu contra argumento. abs

  44. jack

    09/02/2011 14:23:08

    Então Marilu, acredito que comparar processos históricos tão diferentes em seus aspectos socias-políticos é complicado, pois cada contexto histórico tem suas determinações e conjunturas específicas no recorte espaço-temporal. Além do que num falo da perda da cultura, mas sim do meio em que se inserem, importante no conceito de povo e nação, bem como na identificação enquanto grupo humano típico de um dado local...mais uma coisa, um erro não justifica o outro, as respostas dadas aos problemas dependem das condiçoes materiais de cada grupo...não consigo imaginar uma populaçào ribeirinha sem rio...

  45. Marcão

    09/02/2011 14:20:23

    Caro xará,reflitamos sobre seu comentário:"Eu tenho a incômoda impressão de que os lugares mais desmatados (estado de SP no Brasil, EUA e Europa no mundo – falando genericamente e não baseando-me em dados) são também os melhores para se morar. Vide a África, com suas florestas." - São os melhores lugares para se morar?? São Paulo??? EUA??? Nada mais vago do que Europa,...... De onde tirou isto companheiro???????Será que, nesse século de “devastação” ecológica erramos tanto? - SIM!!!!! Tanto que os americanos e europeus que dizimaram suas florestas agora se preocupam com as poucas que restaram no hemisfério sul do planeta.No século XX, com “devastação”, combustíveis fósseis e tudo mais que é satanizado hoje, conseguimos muito mais de que em todo o restante da história da humanidade. Vencemos doenças, aumentamos a expectativa de vida, demos saltos ciclópicos nas áreas de transporte, comunicação, educação. -Salto ciclópico na educação??? Onde vive companheiro? Nos transportes e comunicação? Sim, de fato, mas a que preço?? Vencemos doenças mas propiciamos o avanço de tantas outras com este desenvolvimentismo todo camarada!Será que essa filosofia de desenvolvimento está tão errada? Eu acho que não.- Eu acho que está bem claro que sim!Será que as populações ribeirinhas, indígenas ou quem mais esteja lá além dos bagres e mosquitos, não pode ser realocado?- Tanto quanto vc e sua dignissima familia ou quem mais esteja na sua casa além dos poodles e siameses!

  46. Marcão

    09/02/2011 14:03:55

    Caro Ciro,ler o comentário da Iara, logo acima, já é um começo.Mas veja bem, um começo,.....

  47. Marcão

    09/02/2011 13:59:21

    Camarada Ciro,feita a autocrítica chego a conclusão que, de fato, o mundo seria bem melhor se pessoas como você, ignorantes no sentido próprio do termo e não no pejorativo, não se limitassem a leitura de jornais e revistas e buscassem informações e conhecimentos em outros campos da literatura.Se vc tiver interese posso te indicar alguns autores.

  48. Osvaldo

    09/02/2011 13:26:34

    Hehehe, boa tentativa, meu caro. Vc sabe perfeitamente bem q o caso aqui não é a forma, e sim a intenção velada que está por trás de sua falsa defesa do português. Na hora de entregar tudinho para o capital internacional a troco de banana, os tucanos se referem à defesa de nosso patrimônio como algo antigo, datado, nada modeno, chique mesmo é abrir tudo às multinacionais, privatizar tudo bem baratinho, não é mesmo? Agora vai dar uma de ultrajado com o uso deste termo em inglês? E os outros bilhões de termos q usamos diariamente, esses não contam? Hein? Catchup, hotdog, outdoor, videogame, restartar, deletar, update, download, e por aí vai, vc reclama sempre de cada um deles? Ah, essa é boa, um direita conservador defendendo nosso patrimônio...parece piada. A imprensa atucanada começou a usar apagão no lugar de blackout para confundir, como eu já disse, da mesma forma q vc tenta fazer agora. Apagão foi o que tivemos na era FHC. Aliás, usam apagão para qualquer outra deficiência de abastecimento, apagão aéreo, por ex, no intuito de tentar igualar as falhas de FHC com a gestão do PT para livrar a cara tucana. Não cola, amigo. Dá uma melhoradinha na sua pegadinha aí.

  49. FDA

    09/02/2011 13:20:48

    Confira aqui o parque Eolico de Fortaleza:http://www.flickr.com/photos/catiamiranda/4017113444/

  50. Mr X

    09/02/2011 13:20:45

    Pústula que partiu, esquerdista vive de sugar minorias. Quando não existe uma, a criam. Só agora fico sabendo que existem os tais "ribeirinhos", que não são nem índios nem quilombolas nem têm nada que os diferencie das outras pessoas, são só uma espécie de favelados da selva.http://pt.wikipedia.org/wiki/Povos_ribeirinhosAliás você percebeu que a esquerda sempre valoriza os "costumes tradicionais" de tudo que é povo mais primitivo, mas não os da sociedade majoritária? Vai entender.

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