Blog do Sakamoto

Ocupar prédios é preciso. Porque gente vale mais que barata

Leonardo Sakamoto

Mais de 3,5 mil pessoas ligadas a movimentos por moradia ocuparam, na madrugada de segunda, dez prédios abandonados na capital paulista. A ação foi coordenada por 14 movimentos por moradia, entre eles o Movimento dos Sem Teto do Centro (MSTC), a Unificação das Lutas dos Cortiços (ULC) e o Movimento de Moradia do Centro (MMC). Eles também denunciam acordos não cumpridos com o poder público.

Entre as demandas comuns a todas as 14 entidades envolvidas na ocupação, estão uma solução para os que foram vítimas da desapropriação dos Edifícios São Vito e Mercúrio, a garantia de 5 mil unidades habitacionais para o atendimento no Programa de Locação Social e de 5 mil atendimentos no Programa Bolsa Aluguel para situações emergênciais e o atendimento da demanda dos movimentos de moradia que atuam no Centro dos 53 prédios que a Prefeitura afirma estar desapropriando.

O déficit qualitativo e quantitativo de habitação poderia ser drasticamente reduzido se esses imóveis trancados por portas de tijolos pudessem ser desapropriados e destinados gratuitamente para quem precisa. Mas, ao invés disso, o governo federal investe em programas que facilitam o financiamento de novos empreendimentos, como o ''Minha Casa, Minha Dívida'', quando poderiam estar entregando às famílias de baixíssima renda apartamentos existentes que hoje só servem para criar ratos e baratas.

Enquanto isso, Estado e município não têm coragem de enfrentar os grandes latifundiários urbanos. Há prédios que devem milhões de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e poderiam ser alvo do Decreto de Interesse Social, uma vez que permanecem vagos por anos. Mas em uma sociedade cuja pedra fundamental são a intocabilidade da propriedade privada e a possibilidade de lucro e não o respeito à vida isso fica difícil.

Por isso, o apoio às ocupações que começaram nesta segunda em São Paulo é a diferença entre a civilidade (e a consciência de que o respeito à dignidade humana e não a antropofagia é que deveria nos unir) e a barbárie (de pessoas morando em palafitas sobre córregos de merda, enquanto outras vivem em triplex com mais de mil metros quadrados).

Já disse isso aqui antes: a área central de São Paulo é alvo prioritário dos movimentos por moradia por uma razão bem simples: porque já tem tudo, transporte, cultura, lazer, proximidade com o trabalho. Ao longo do tempo, fomos expulsando os mais pobres para regiões cada vez mais periféricas. Eles, que possuem menos recursos financeiros, gastam mais tempo e mais de sua renda com transporte do que os mais ricos que ficaram nas áreas centrais (com exceção dos condomínios-bolha espalhados no entorno, com suas dinâmicas de segregacionismo próprias).

Cortiços em regiões retratadas no passado por Alcântara Machado no livro ''Brás, Bexiga e Barra Funda'' e também nos antes requintados Campos Elísios abrigam dezenas de famílias. Sem o mínimo de saneamento básico, às vezes sem água e sem luz. A maioria dos moradores desses locais prefere continuar assim, pois transporte é o que não falta e a casa fica próxima ao trabalho – ao contrário do que acontece em bairros da periferia, onde o trajeto até o centro chega a levar três horas, dentro de ônibus superlotados.

Cresci no Campo Limpo, bairro periférico de São Paulo. Fiz o ensino médio técnico no Pari, perto da Rodoviária Tietê, do outro lado da capital. Mais de duas horas para cruzar a cidade de transporte público. Depois da faculdade, sem carro, mantive uma rotina longa até me mudar para o principado paulistano do Sumaré. Contudo, mesmo os trajetos intermináveis eram fichinha para quem foi lançado às rebarbas da cidade, como o Jardim Pantanal ou o Grajaú – de onde saem boa parte daquela ''gente diferenciada'' que vive para servir.

A carta dos movimentos por moradia endereçada ontem ao governador Geraldo Alckmin e ao prefeito Gilberto Kassab desabafa: ''Realizamos os principais serviços para o bom funcionamento desta cidade, entretanto nossas famílias estão espremidas por um conjunto de necessidades. Lutamos e trabalhamos muito para sobreviver, mas a cidade regida pelas leis do mercado, especialmente imobiliário, impede que nossa renda assegure nossos direitos. Sabemos que a situação de nossas famílias decorre da injustiça histórica. Sabemos também, que nas circunstâncias atuais, nosso sofrimento não tem razão de continuar.Por isso, nos organizamos e ocupamos esses imóveis abandonados, sem função social respaldados por nossas Leis, que assegure nosso direito à moradia e por meio de nosso direito de agir''.

José – o nome é fictício, pois o morador não quis se identificar – morava com a mulher, filhos, cunhado e primos em um velho casarão, semidestruído, então propriedade da Universidade de São Paulo, na Rua Havaí, localizada no caro bairro de Perdizes. O local não possuía a mínima segurança, uma vez que as tábuas caíam ao se caminhar pela casa. Mesmo assim, José não arredava pé de lá. ''Se sair não tenho para onde ir.'' Passaram-se os meses e a universidade mandou demolir a casa. Para onde foram José e o populacho que lá vivia? Ninguém nunca soube dizer. Provavelmente engrossam a densidade demográfica de outro cortiço. Ou passaram frio em algum lugar precário. Que logo seria igualmente derrubado.

A recuperação da área central de São Paulo não se restringe a uma valorização estética das ruas, edifícios e bens culturais. Inclui também o repovoamento do local, trazendo vida à região, com incentivos para o estabelecimento das classes média e baixa. O que tem sido feito até agora é o contrário: expulsa-se o povão e ergue-se monumentos à música e às artes.

Sabe o artigo 6o da Constituição Federal que garante o direito à moradia? Então, é mentira. Do mesmo tamanho daquela anedota contada no artigo 7o que diz que o salário mínimo deve ser suficiente para possibilitar “moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social”.

Função social da propriedade? Por aqui, isso significa garantir que a divisão de classes sociais permaneça acentuada como é hoje. Cada um no seu lugar. Afinal de contas, viver em São Paulo é lindo – se você pagar bem por isso.

  1. rEBECA

    26/01/2012 12:23:51

    DIREITOS HUMANOS - Fábrica da Sadia tem trabalho escravo - http://migre.me/7Gus6

  2. EDUARDO

    25/01/2012 19:11:25

    oba!! sou burgues quero mais uma casa, só pra cag.r

  3. Wasabi

    15/11/2011 13:07:31

    Reclame para o governo.Pagamos imposto para criarem casas populares. Mas é claro que a verba não vai para aonde deveria.

  4. Angelo Alf

    14/11/2011 16:31:48

    TODA PROPRIEDADE É UM ROUBO SR. WAGNER....sai daí de dentro da bolha...infelizmente pessoas como tu há em milhões por aí.... empatia passou longe...Viviane expressou muito bem "nojo".... abçs Wagner....

  5. Diego

    14/11/2011 10:55:05

    VAi estudarva constituição. Ninguem tem direito a te um predio ociosos, isso ta na contituição de 88, a mesma que fala sobre todos terem direito a moradia. Se alguém esta cometendo crime é o Poder Publico de não desapropriar essas propriedade inconsticionais.

  6. Diego

    14/11/2011 10:50:44

    Na verdade não é você quem acha. É a constituição que fala em direitos e DEVERES, e diz que a propriedade deve ter uma razão social de ser. A mesma consituição que fala do direito a moradia. Portando manter predios abandonados, ainda mais sonegando impostos, é inconstitucional. MAs ignorantes da propria constituição como esse Weiss, ou outros la em cima que pedem pela policia em nome de uma legalidade que não existe.

  7. Humberto Nakanishi

    14/11/2011 09:35:09

    Olá Marilu,Essas pessoas não tem tempo de fazer ações desse tipo, pois precisam trabalhar todos os dias para conseguir sustentar suas famílias.Se faltam ao emprego, serão despedidas e além de sem teto passaram para integraram também o time dos desempregados (caso já não façam parte).Agora se ocupar um prédio abandonado é crime, deixar centenas de famílias morando na rua, quando existem possibilidades imediatas de resolver esse problema, é algo, ao meu ponto de vista, muito mais desumano, imoral e contra os princípios de qualquer religião.Por isso defendo essas ocupações, pois essas pessoas precisam de soluções imediatas para esse problema tão antigo.

  8. Isabel

    12/11/2011 23:39:30

    Eu adoro esse argumento da legalidade acima de tudo. E você acha que a população não denuncia na imprensa? O que que o Sakamoto tá fazendo aqui, se não apoiar o movimento pela imprensa? Acontece que brigar nas ruas, fazer passeatas, exigir junto aos parlamentares há muito tempo que deixou de surtir efeito. E quando os meios legais deixam de suprir as necessidades da nação, há sim que se agir por meios ilegais. E sabe porque no caso das invasões isso ainda está dentro da legalidade? Porque moradia para todos está garantido na CONSTITUIÇÃO, que é (ou deveria ser) a base da nação. Agora, se o Estado não consegue prover tal fundamento, há que se conquistá-lo. E não falo de sociedade alternativa, por favor! Estou falando de gente que não tem onde dormir. Parece que quem critica as invasões simplesmente não consegue compreender o tamanho da gravidade que é não ter um teto, não ter um banheiro.

  9. nuevo

    11/11/2011 08:32:23

    Comentário interessante.Muito focado.Pra se fazer um julgamento justo, é necessário acrescentar variáveis como preparo do assentado para a produção, produção adequada, escoamento, crédito, condições de vida no assentamento etc.Daqui não dá pra avaliar.Ainda assim, sobram sem-terra, não assentamentos.

  10. marilu

    10/11/2011 16:19:20

    Isabel, boa tarde,é tudo um questão de principios, tem que haver uma ordem estabelecida, porque uma sociedade assim tipo alternativa, ainda não vi funcionar, pode ser muito bonito na teoria, mas a pratica, nos mostra bem diferente!os grupos que me parecem asim bem organizados, que invadiram esse prédio em questão, tem mesmo que usar sua força pra alcançar seus objetivos, mas na minha opinião, e é só uma opinião, nada mais, o ato de invadir não é nem legal nem bom, acaba por não resolver o problema. agora imagina esse pessoal todo junto aos vereadores, prefeitos e afins apresentando projetos de reurbanização do centro de São Paulo? fazendo passeatas? indo na imprenssa, e denunciando mas tbem apresentando alternativas, pq só gritar não resolve e tomar o que não lhe pertençe ainda é roubo, é assim, são as leis, não fui quem fez, mas tenho que cumprir, eu vc e todo mundo, agora quando o governo falha e se omite o povo, eleitor tem que fazer barulho sim, mas por favor, pelas vias legais.abs

  11. chronnus

    09/11/2011 23:29:48

    Roubar tambem é crime e porque os nossos gorvenantes nos roubam a todo instante? Lei pra eles antes que pra nós!

  12. Victor

    09/11/2011 21:14:43

    KKKKK.....

  13. Zero

    09/11/2011 21:02:56

    Concordo com o Sakamoto que construir salas de música no centro é uma gastança no mínimo questionável.Senão vejamos o que foi instalado no centro de São Paulo:PinacotecaMuseu da Língua PortuguesaSala São PauloEscola de música Tom JobimSem contar com o que já existiaTeatro MunicipalCentro Cultural Banco do BrasilMuseu de Arte SacraSolar da Marquesa de SantosPáteo do ColégioCatedral da Sé, Mosteiro de São Bento, inumeráveis igrejas barrocas e góticas além do Palácio da Justiça na praça da Sé.E o que existe em projetoEscola de Arte DramáticaCentro Cultural dos CorreiosTeatro da Dança no local onde existia a antiga rodoviária, na Luz.Devemos lembrar ainda a Virada Cultural realizada anualmente nas ruas do centro paulistano. O próprio centro velho é um verdadeiro museu a céu aberto, - com destaque para a Estação da Luz e o Ahangabaú - constantemente restaurado, pintado e fotografado por turistas e estudantes de arquitetura.É muita coisa concentrada no centro enquanto os bairros não têm sequer um teatro ou cinema. Contando apenas com o parque da Luz, a praça da República e a Dom José Gaspar, o centro precisa é de mais áreas verdes.

  14. Maria Alice

    09/11/2011 18:57:03

    Cara Gisele,Ótimo comentário! O lamentável realmente está no fato desse direito de preferência não ter a preferência(para enfatizar, ok ?) QUE DEVERIA, até por uma questão de JUSTIÇA.

  15. Eduardo

    09/11/2011 17:45:16

    Brilhante LucianoConcordo em gênero, número e gráu com a sua colocação. Nota-se que quem se mostra contra esse tipo de movimento é um tipozinho de reacionário que só se preocupa com seu próprio umbigo. Enquanto temos milhares, pra não dizer milhoes, de pessoas vivendo abaixo da linha da miséria sem um teto pra morar, tem-se vários imóveis desocupados, inúteis.Pra elucidar a burguesia despolitizada que acha que isso é caso de polícia, e não de políticas adequadas, vou dizer só uma coisa: essas pessoas não tem teto, não porque são vagabundos e não querem trabalhar, e sim, muitas das vezes, porque não tiveram oportunidades nem educação suficiente pra isso.Se a educação é um dever do Estado prestar, será que a culpa é do cidadão que não a obteve? Se o Estado é quem descuida de seus cidadãos não dando a eles educação ele, o Estado é o responsável por criar essas desigualdades e consequentemente deverá repará-las. Neste caso específico dando aos desabrigados um lar.Mas em geral, dando ao povo a dignidade que merece!!!

  16. JDP

    09/11/2011 13:04:44

    Nuevo concordo em parte com vc no que diz respeito a cada um reivindicar melhor condição de moradia. Concordo até que as tais moradias sejam subsidiadas pelo governo , mas jamais doadas. Não é conservadorismo , mas a doação tem que ser acompanhada de um certo compromisso da parte beneficiada. Não sei se vc acompanhou a reforma agrária , mas muitas glebas de terra doadas aos sem terra acabaram sendo negociadas pelos próprios com contratos de gaveta. O que menos interessava a muitos deles era plantar alguma coisa. Um rastreamento feito por um jornal de certa feita acusou terrenos doados que trocaram de dono" sete vezes" após a regularização dos assentamentos ! Existem no meio dessa gente muitos invasores profissionais essa é a realidade.

  17. Victor

    09/11/2011 09:56:50

    Hum...interressante Verme...você é um dos caras que mais falam coisas relevantes aqui...Um trecho de uma música pra vc meu caro Verme...acho q vc já deve conhecer...mas não custa divulgar...rs"Você constrói de roleassim que tem que serdividiu u pior que,se no futuro ver,tudo que é de bom terno que for,chega sempre com amor de exercervai lhe dar nos conformesó do melhor, amanhã o sol comovier tá bom pra nós, bela vidasaber viver assim que é alguém lamentasem o amor nem água benta"O Inimigo é de graça (Racionais/U Time)

  18. nuevo

    09/11/2011 09:16:21

    O governo tem que dar tudo a todos.Recebe pra isso.O que não o impede de trabalhar.Quer pagar pelo que já é seu?Por que não?

  19. nuevo

    09/11/2011 09:10:47

    Tolices."Essa medida seria altamente discriminatória para com os que levantam de madrugada e enfrentam condução cheia e filas, além de lutar pela sobrevivencia em seus empregos ou atividades de forma digna ,bem ao contrário dos invasores que podem inclusive estar sendo pagos para badernar."1. Quem levanta cedo pode continuar levantando e trabalhando. Não há discriminação alguma. Ninguém vai impedir o cara de trabalhar. O máximo que pode acontecer é esse trabalhador fanático se tocar de que moradia digna é um direito que lhe negam também. Nesse momento esse cara poderá ingressar num movimento social pra reivindicar o que lhe é de direito.No fundo, esse é o medo do conservador. O de que o trabalhador perceba que não passa de um trouxa sacaneado diariamente, e que passe a exigir o que sempre foi seu.Uma primavera.2. Se alguém paga os movimentos, tanto melhor. É brocas viver sem grana. Mas cuidado, financiadores, movimentos são basistas e costumam trair os que querem impor rédeas ou cobrar retorno pelo dinheiro investido!Os movimentos seriam mais confiáveis se os próprios trabalhadores pagassem diretamente por seus serviços.Se o trabalhador paga espontaneamente, ele também cobra resultados.O movimento passaria a prestar serviço à luta dos trabalhadores contra o capital.Mas não sobra pra isso, nem o trabalhador despertou pras lutas como deveria. Prefere acreditar no parlamento e é obrigado a pagar por sindicatos pelegos (peleguice que é fruto dessa obrigatoriedade).***Que bom seria se políticos corruptos repassassem a grana que recebem de empreiteiras pros movimentos sociais!Já pensou?

  20. Isabel

    09/11/2011 09:08:07

    Assegurar moradia a toda a população é direito CONSTITUCIONAL. Ou seja, não assegurá-la, tmabém pe CRIME! E aí, como ficamos?

  21. Isabel

    09/11/2011 09:06:10

    Marilu, os movimentos que realizam invasões, invadem apenas imóveis e propriedades IMPRODUTIVAS e DESOCUPADAS. Ninguém vai invadir a sua casa, não, pode ficar tranquila, até porque isso é desnecessário, data a quantidade de prédios abandonados que existem por aí. Sim, eles são suficientes para abrigar a população sem teto!

  22. Isabel

    09/11/2011 09:03:44

    Prezado Wagner, você não entendeu, pelo que o texto diz, que existem prédios ociosos, abandonados e que não servem para nada além de onerar o Estado por meio de sonegação de impostos? E que, por outro lado, existem milhares, milhões de pessoas que não têm onde morar? Onde dormir? Onde se higienizar e coisas básicas desse tipo? Você acha mesmo que a LEI deve estar acima do direito que uma pessoa tem a SOBREVIVER?

  23. nuevo

    09/11/2011 08:22:38

    Nofa!Pobre?Que coiva fedida!O fentro é fó pra que é limpinho, viu?

  24. nuevo

    09/11/2011 08:18:02

    Participar de movimento social pra reivindicar um direito fundamental não é pedir nada de mão beijada.É lutar.E quem luta, muitas vezes apanha e morre.Cadê a mão beijada?Quem leva a sério o sistema é que se ajoelha e beija a mão do santo patrão e lhe pede as bênçãos, cumprindo um ritual de redenção: 8, 12h de sacrifício ao dia, por uma pequena dose de alívio mensal: o salário.Tem crédulo pra tudo.Quer trabalhar em vez de lutar?Bom proveito.O fato de algumas pessoas conquistarem por meio da luta aquilo que lhes devia pertencer desde a infância, a moradia, não inviabiliza a prática fanática do crédulo conformista.Oras, pode se ralar à vontade, ninguém vai dizer pra um trabalhador que ele não deve comprar sua casa com o que juntou de seu salário.Só não dá pra entender por que esse crédulo se incomoda com quem opta pela luta, afinal de contas moradia tem que ser oferecida, com ou sem dinheiro, com ou sem trabalho.E estou radicalizando, sou remediado, tou no último escalão da classe média, mas estou lá, nunca passei fome ou encarei subemprego. Pude ler o que a maioria não leu.Normalmente, as pessoas que participam de movimentos por reivindicação de moradia não têm esse perfil.São crédulos quanto qq trabalhador, acreditam que se ralarem muito chegarão lá.Mas já sacaram que a luta faz parte da ralação porque seus salários são baixos demais. Que se esparerem demais pra que as coisas melhorem, morrerão pagando aluguel.Sabem que, com o que ganham, o máximo que conseguirão é um barraco na favela, ficando longe do centro onde já existe água encanada e luz elétrica, segurança e condução. Tem escola perto, supermercado, hospital.E aí?Esvaziar o centro pra quê?Pra chapar ainda mais a favela?Pra afastar o cara do trabalho?Pra obrigar o cara a gastar ainda mais com a condução?Qual a vantagem?Os típicos integrantes desses movimentos são trabalhadores.Vagabundos somos nós, os que lemos o que eles não puderam ler.Com muita honra.

  25. nuevo

    09/11/2011 07:55:05

    Se o Roberto viesse agora e dissesse que eu sou o Luiz, ficaria honrado.Discordo do último comentário somente, com o resto não só concordo como aprendi muito.Se não houver organização não acontece reivindicação alguma.As ações têm que ser refletidas e planejadas, logo, se não houvesse movimentos que discutissem e coordenassem as ações, como as pessoas se juntariam ao mesmo tempo, dividindo as mesmas intenções?Não há milagres, a consciência é fruto de ações coletivas.A pergunta é: não serão os movimentos sociais tão hierárquicos e parasitários como os partidos?Os movimentos levam grande vantagem democrática sobre os partidos.A maior delas é a proximidade de seus integrantes.Se eles, ao se organizar, reproduzem hierarquias, se são mandonistas, se se institui uma cúpula que administra finanças advindas do governo... xiii... ferrou-se.Os movimentos sociais, assim como os conselhos municipais, são a grande oportunidade para as pessoas se engajarem em transformações sociais dentro de uma organização de relações HORIZONTAIS.A prática dessas relações devem ser de uma obrigatoriedade paranoica, ou o grupelho será apenas um partido, uma fábrica ou um quartel em tamanho menor.O grande número de pessoas partícipes de um movimento facilita o desenvolvimento de estruturas de controle rígidas, hierarquias.Há sempre aquela desculpa: como fazer assembleias pra tudo?, é gente demais, a coisa tem que andar...Organizações menores são mais ágeis e tendem a ser mais democráticas.Dessa forma, me parece bom o fato de que haja 14 organizações e não apenas 4. A pulverização permite maior autonomia dos grupos. Seus acordos têm maior representatividade porque tiveram de chegar até a base para sua sustentação.Dá mais trabalho se autocoordenar do que ser coordenado?Claro.Fácil é impor palavras de ordem a uma massa de manobra, assim como é fácil baixar a cabeça e aceitar imposições.Consciência dá trabalho.Quanto menor a representação, quanto maior a ação direta, melhor, mais democrático.Ao entregar seus interesses a REPRESENTANTES, a massa abre mão deles, na suposição de que uma cúpula vai defendê-los.Cúpulas são compráveis e têm seus próprios interesses.Que se desapodere o poder.

  26. JOTA CAMPO GRANDE MS

    09/11/2011 07:45:49

    Vc deve ser daqueles, que quer subir na vida e ficar igual essa burguêsia imunda!! que só se preocupa com seu umbigo

  27. nuevo

    09/11/2011 07:17:14

    E vice-versa!

  28. Cora

    09/11/2011 02:09:32

    Os imóveis devem ser destinados àqueles q arregaçam as mangas e dão a cara pra bater. Q levantam a voz e se fazem ouvir.

  29. Luciano :)

    08/11/2011 22:26:04

    Como já ressaltado no excelente texto do Sacamoto, a Função Social da Propriedade é princípio basilar do Estado brasileiro. Os prédios legitimamente ocupados claramente não dão conta de sua função social, qual seja, abrigar alguma atividade minimamente produtiva. Unindo a ociosidade dos imóveis à estratosférica soma de impostos devidos, há motivação clara pleitear a desapropriação.Quanto aos reacionarismos, só lamentos...

  30. malena

    08/11/2011 22:24:18

    Revista VEJA ??????? pelo amor de Deus

  31. malena

    08/11/2011 22:09:45

    Ainda bem existe o Est. de SP. onde não há corrupção, roubalheira. Só políticos honestos, gente trabalhadora, que tira do próprio bolso o dinheiro p/ seu partido e suas campanhas políticas. Viva SUNPAULO !!!! Viva o PSDB/DEM.

  32. felipe

    08/11/2011 21:04:04

    Coletivo de galochas: o supra-sumo da porralouquice.

  33. Cora

    08/11/2011 20:20:59

    Muito interessante o trabalho desenvolvido por seu grupo, Marina.

  34. Viviane

    08/11/2011 19:46:46

    Ingênuo faccionário. Nojinho desses tipinhos que sabem nada além do umbiguinho.

  35. Alexandre

    08/11/2011 19:45:56

    Também moro na região e também pagou aluguel e sou ABSOLUTAMENTE CONTRA a desapropriação dos imóveis para subsidiar moradia a quem quer que seja, inclusive a minha moradia.As pessoas tem que aprender a viver de acordo com o seu mérito e não contar com o subsídio do Estado em qualquer esfera.Quando o Estado subsidia a moradia de um determinado grupo acaba por criar uma casta de privilegiados, existem outras pessoas nas mesmas condições financeiras destas mas que escolhem o caminho do respeito às leis, morando em bairros mais distantes e/ou casas mais modestas mas de acordo com o seu mérito.Subsidiar moradia para quem invade o que não lhe pertence é premiar um criminoso às expensas da maioria que respeita as leis.

  36. Cora

    08/11/2011 19:33:06

    O dono do blog defende q as pessoas levantem a cabeça e defendam seus direitos.

  37. Weiss F. Odehr

    08/11/2011 19:12:39

    E que é que julga o que é demais? Você? O governo?

  38. claudio linkewitsch

    08/11/2011 19:11:41

    Muitos de nós ....Velhos.Com certeza estariamos lutando com essa gente.....Pena que acabamos como minoria.......Muitos riem quando cito Bertold Brecht......Enfim ele escolheu viver na California......

  39. Carlos

    08/11/2011 19:11:25

    Wil, Juliana e Tania Rosa.Endosso os comentários.Acrescento que povoar o centro com a população de baixa renda já mostrou desde a época da Erundina que é um tiro no pé da cidade. Em pouco tempo os prédios transformam-se em cortiços. Ninguém paga condomínio porque não sabem viver em condomínio. É cada um por si. O prédio acaba virando uma favela vertical, um novo São Vito rumo à demolição.Minha prima já fez parte de uma invasão dessas. Apesar de ter chegado em São Paulo há alguns meses, foi convidada a engrossar a horda junto com os três filhos. Portanto é meia-verdade afirmar que os invasores são 'trabalhadores que foram expulsos para a periferia'. Hoje 'trabalha' como apontadora de jogo do bicho, aquela atividade que anda de mãos dadas com a criminalidade.Fico com a sugestão da Tania.Esses imóveis deveriam ser destinados a quem realmente mora de aluguel no centro e comprove que trabalha lá em qualquer atividade legal, afastando assim os oportunistas e os falsos sem-tetos.

  40. Cora

    08/11/2011 18:43:55

    A elite brasileira não tem com o q se preocupar enquanto existir um exército de pé-rapados q aceita, incorpora e defende seu discurso elitista, concentrador de renda e preconceituoso.A elite nem se abala. Continua fazendo compras e viajando, pois sabe q seus interesses estão sendo defendidos até pelo morador da favela, q limpa sua sujeira e aceita suas esmolas com um meigo sorriso subserviente na cara.

  41. Tania Rosa

    08/11/2011 18:10:08

    Olha Sakamoto. Tambem não tenho moradia, pago aluguel, sou moradora da av. são joão, a cerca de oito amos, não invadi o apartamento de ninguem, trabalho muito para dar conta de paga-lo, então porque esses invasores não fazem o mesmo. TRABALHAR!!Sabe se invadir propriedade abandonadas, no centro virar moda aonde vamos parar!!.O que deveria se fazer é: desapropriar, reformar e dar preferencia de compra a preços baixos( pois não sou rica), a que já mora na região, ter sua casa propria, pq eles querem tudo de GRAÇA e agora ainda o querem na REGIÃO CENTRAL, isto não movimento é OPORTUNISMO, a custa de quem paga impostos e os sustenta.A PRIORIDADE DEVE SER PARA OS QUE JÁ RESIDEM E PAGAM ALUGEL!!

  42. Daniel Neves

    08/11/2011 18:08:51

    Imóveis "destinados gratuitamente"? Como assim gratuitamente? Há um problema a ser resolvido, mas não é "dando" que se resolve. As pessoas devem fazer por merecer! Devem pagar um aluguel, ainda que baratíssimo.

  43. Edi Oliveira

    08/11/2011 18:01:28

    Chorei ao ver alguns comentários por aqui. Respeito à propriedade privada? RESPEITO À VIDA PRIMEIRO!

  44. Alexandre

    08/11/2011 17:47:02

    Engraçado que esse povo só quer moradia no Centro, nada de Itaquera, Guaianazes, S. Miguel, Perus...Ninguém quer chacoalhar em um busão para ir trabalhar, aliás nem trabalhar querem, vivem do "sem terrismo" profissional

  45. Domingueiro

    08/11/2011 17:46:05

    Leio as vezes a coluna do Sakamoto para me exercitar com ponto de vista diferente do meu, etc.Mas desta vez não consegui nem terminar de ler.Enjoei no título OCUPAR É PRECISO.Parei a leitura na crítica a INTOCABILIDADE DA PROPRIEDADE PRIVADA E POSSIBILIDADE DE LUCRO.Ainda bem que vc Sakamoto não tem poder para mudar as coisas segundo suas convicções pois o resultado poderia ser uma ditadura e abuso de direitos humanos semelhante ao que aconteceu no Cambodja com o Khmer Vermelho sob os ensinamentos de Mao Tse Tung.Acho que vou desistir de ler a coluna mesmo. Talvez ano que vem...

  46. fredM.B

    08/11/2011 17:33:17

    Capitão Nascimento fez escola!!!

  47. Eduardo

    08/11/2011 17:27:56

    Mais uma vez, parabens pelo texto, muito boa a crítica!!!E não só isso né Sakamoto, pior do que resolver essa questão da moradia, é o fato de sequer enfrentá-la. Pois sabe-se com quem teremos de lidar para solucionar a questão, ou seja, por trás dessas moradas abandonadas tem-se poderosos latifundiários que não tem o menor interesse na resolução de tal déficit, pois moram em lugares confortáveis e não passam por nenhum tipo de dificuldade.Reformas sociais já!!!

  48. ROGGE

    08/11/2011 17:26:43

    Querida Marilu, como foi que soubeste que a casa do Sakamoto está abandonada? Na minha opinião, toda a propriedade deve ter uma dimensão social. Se alguém não a desfruta, ela não pode ficar inútil com tanta gente precisando desfrutá-la. O sentido de propriedade privada é legítimo, mas em termos. O que é demais não nos pertence.

  49. Denise

    08/11/2011 17:09:38

    E o cara treme de medo de ter que dividir, de perder o cantinho quente da casinha classe média dele.

  50. Juliana

    08/11/2011 16:41:08

    OK ok , todos querem moradia e os prédios do centro estão aí desocupados e podem ser úteis , além de praticidade para trabalhar ( e com isso até o transporte público ficaria menos lotado) .Mas quem vai manter água , luz , IPTU desses prédios todos ? Moro na Zona Norte e um colega que trabalha em ONG contou que no Cingapura NINGUÉM quer pagar nem o condomínio ( que é em média 50,00 por mês )...em uma das reuniões foi sugerido então que cada morador contribuísse com trabalho : todos comprariam material de construção e um pintaria , outro cortaria mato , outro colocaria lâmpadas etc ...adivinhe o que foi ouvido ? " Trabalhar de graça não"Isso pq era para ter um ambiente comum ( no qual os filhos , esposa , netos etc vivem) mais agradável .Então é fácil romancear : vamos dar apartamentos abandonados a todos , que lindoooooooooo ...e quem vai reformar ?

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