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Leonardo Sakamoto

Precisamos queimar cuecas em praça pública

Leonardo Sakamoto

08/03/2012 17h26

A idéia acima não foi minha, apesar de tê-la abraçado totalmente, e sim de Claudio Picazio, psicólogo, especialista em sexualidade e violência doméstica. Em uma mesa organizada pelo Fundo Brasil de Direitos Humanos, a qual tive o prazer de mediar, que reuniu a professora Eleonora Menicucci (hoje ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres), o genial cartunista Laerte e ele, no final do ano passado, conversamos sobre homofobia. Pesadelo que, assim como o machismo, conta com o homem em um papel central. De agressor, claro. Mas também de vítima. Mas não a vítima do jeito que muitos machos gostariam de imaginar.

De acordo com Claudio, o homem precisa começar a entender que tem direito ao afeto, às emoções, a sentir. Passar a ser homem e não macho.

Já atravessamos uma revolução sexual. Podemos fazer sexo de forma mais livre e com menos culpa que antes. Mas expressar nossos sentimentos é algo longe de acontecer livremente. Para Claudio, chegou a hora de passarmos por uma transformação afetiva. Em outras palavras, o homem hetero precisa fazer sua revolução masculina.

O homem é programado, desde pequeno, para que seja agressivo. Raramente a ele é dado o direito que considere normal oferecer carinho e afeto para outro amigo em público. Manifestar seus sentimentos é coisa de mina. Ou, pior, é coisa de bicha. De quem está fora do seu papel. E vamos causando outros danos no caminho: há mulheres que, para serem aceitas nesse mundo de homens, buscam nos copiar no que temos de pior.

Gostaria que o Dia Internacional das Mulheres fosse um momento para que nos déssemos conta que já passou o momento de sairmos de nossa zona de conforto e começarmos a educar nossos filhos para viverem sem medo. E não para serem inimigos de quem não tem pênis.

Só isso resolve? Não mesmo, o problema é profundo. Mas já ajuda.

Afinal de contas, o feminismo pode ser, literalmente, um pé no saco para muitos, mas não mata ninguém. Já o machismo…


(Peça da campanha do governo do Equador contra o machismo)

Sobre o Autor

É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu conflitos armados em diversos países e violações aos direitos humanos em todos os estados brasileiros. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York (2015-2016), e professor de Jornalismo na ECA-USP (2000-2002). É diretor da ONG Repórter Brasil, conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão e comissário da Liechtenstein Initiative - Comissão Global do Setor Financeiro contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Seres Humanos. É autor de "Pequenos Contos Para Começar o Dia" (2012), "O que Aprendi Sendo Xingado na Internet" (2016), entre outros.