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Dez desculpas esfarrapadas de quem compartilha boatos e notícias falsas

Leonardo Sakamoto

27/05/2017 19h26

Todo mundo erra. Mas há quem goste de persistir no erro, transformando a difusão de conteúdo falso na internet um hobby ou, pior, profissão. E, ao invés de admitir a falha, publicar uma correção e procurar formas de identificar o que é falso na rede, enfia a cabeça no buraco ou faz a egípcia. A maioria, quando cobrada pelos amigos, dá uma péssima desculpa, não raro com aquele tom de arrogância típico de quem sabe que fez besteira, mas não dá o braço a torcer.

As pessoas evitam compartilhar correções dos errados que elas ajudaram a divulgar por várias razões. Uma delas é que não tem como um desmentido ser mais divertido ou delicioso do que a divulgação da notícia falsa em si. Outra, é que as pessoas evitam compartilhar correções porque têm medo de sua rede de amigos passar a considerá-la uma fonte insegura de informação. Isso sem falar de que há quem compartilhe só textos com os quais concorde, sejam eles falsos ou verdadeiros.

Reuni dez desculpas esfarrapadas de quem circula boato e notícia falsa na rede. Tomei o cuidado de retirar os nomes citados. Porque vale para todo mundo, da direita à esquerda:

1) "Mas não fui eu quem disse isso. Apenas compartilhei."

2) "OK, não é. Mas bem que poderia ser."

3) "Então significa que você defende que essa turma é toda honesta, né?"

4) "Essa mulher seria bem capaz de fazer isso mesmo. Conheço esse tipo de gente."

5) "Dá um tempo! Nem cliquei no link. Só passei pra frente."

6) "O fato dessa notícia não ser verdade não significa que isso não ocorra com frequência".

7) "Você é muito inocente. Acha que as coisas não acontecem. Mas acontecem sim."

8) "Isso é censura! Vivemos num país livre, posso falar o que quiser."

9) "Mentira, eu nunca compartilhei isso!" (Logo depois de apagar a postagem)

10) "A página parecia séria. Não é possível acreditar em mais ninguém hoje em dia."

 

Sobre o Autor

É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu conflitos armados em diversos países e violações aos direitos humanos em todos os estados brasileiros. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York (2015-2016), e professor de Jornalismo na ECA-USP (2000-2002). É diretor da ONG Repórter Brasil, conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão e comissário da Liechtenstein Initiative - Comissão Global do Setor Financeiro contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Seres Humanos. É autor de "Pequenos Contos Para Começar o Dia" (2012), "O que Aprendi Sendo Xingado na Internet" (2016), entre outros.

Leonardo Sakamoto