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Haddad promete criar 8 milhões de empregos se Congresso aprovar reformas

Leonardo Sakamoto

O candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, afirmou em entrevista exclusiva a este blog, neste domingo (14), que sua meta é gerar em torno de 2 milhões de postos de trabalho por ano, totalizando 8 milhões em quatro anos, caso eleito. É a primeira vez que ele dá um número à sua promessa de empregos. De acordo com o IBGE, o país conta com 12,7 milhões de pessoas desocupadas.

Para chegar a esse montante, segundo ele, será necessário que o Congresso Nacional aprove seus projetos de mudança legislativa – uma Reforma Bancária, para reduzir os juros aos empresários, uma Reforma Tributária, para aumentar o poder de compra dos consumidores, e reverter a Emenda do Teto dos Gastos, que congelou novos investimentos do governo federal. Um caminho difícil, considerando que, se conseguir vencer Jair Bolsonaro, terá um Congresso hostil pela frente.

Sobre o governo de Nicolás Maduro, na Venezuela, Haddad afirmou que não compactua com ''nenhum regime autoritário de direita e de esquerda'' e que ''a falta de liberdade é o caminho para o inferno''. O aumento nas críticas vem alinhado com uma tentativa de criar uma ''frente democrática'' contra Bolsonaro.

Afirmou que deve procurar Ciro Gomes, assim que ele retornar ao Brasil, além de estar conversando com outras lideranças e personalidades, como o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa e o filósofo e educador Mario Sérgio Cortella. Disse que seu governo irá além do PT: ''Nós não podemos ter, hoje, o projeto de um partido, ou de uma cabeça só''.

Haddad disse que seu adversário tem responsabilidade na violência eleitoral, que deixou um morto e vários feridos pelo país. ''O que ele diz, o que ele fala e a maneira que se comporta faz diferença, no caso de uma pessoa que é referência na sociedade'', explica. ''Quando diz 'vamos metralhar petistas', ele está sinalizando o que pensa da violência. Quando diz que a ditadura errou ao só torturar as pessoas e não matar, que deveria ter matado 30 mil pessoas, sinaliza que considera a violência um instrumento legítimo de solução de conflitos.''

Criticou duramente as acusações de que teria distribuído um ''kit gay'' às escolas para influenciar na orientação sexual das crianças. ''É um desrespeito com o magistério brasileiro. Você acha que algum profissional da educação iria compactuar com uma loucura dessa? Só na cabeça de uma pessoa desequilibrada pode passar a ideia de que a escola pública se subordinaria a um projeto absurdo como o que ele descreve.''  E acusou o adversário de tentar transformar a Igreja Universal do Reino de Deus na religião oficial do Estado brasileiro.

Disse que vai colocar a Polícia Federal para combater o crime organizado nacionalmente. ''Nós temos que botar na cadeia os criminosos que colocam em risco a vida e o patrimônio das pessoas.'' E criticou a proposta de Bolsonaro de facilitar o acesso às armas: ''Você vai ter muita morte no trânsito, a tiros, vai ter muita morte entre vizinhos, a tiros, vai ter muita morte dentro de casa. O sujeito perde a paciência, tem uma arma na mão, e comete muitas vezes um homicídio.''

Solicitamos uma entrevista com o candidato Jair Bolsonaro (PSL), primeiro colocado nas pesquisas, mas ainda não obtivemos resposta.

Leia a entrevista, assista aos vídeos com trechos ou à íntegra da conversa ao final.

Vídeo – Violência eleitoral: Haddad diz que Bolsonaro tem responsabilidade

O Brasil esta vivendo uma onda de violência política. No caso mais grave, um eleitor petista foi assassinado por um eleitor de Bolsonaro, em Salvador, na Bahia, após uma discussão em um bar. Além de pessoas feridas e jornalistas agredidos. Considera seu adversário responsável por fomentar essa violência?

Sendo bem preciso para não ser irresponsável, acho que o homem público tem uma responsabilidade derivada, não é só a responsabilidade de ele próprio não agredir pessoalmente ninguém. O que ele diz, o que ele fala e a maneira que ele se comporta faz diferença, no caso de uma pessoa que é referência na sociedade. Para bem e para o mal. Quando você vai a um Estado, como ele foi ao Acre, e diz ''vamos metralhar petistas'', ele está sinalizando o que ele pensa da violência. Quando ele diz que a ditadura errou ao só torturar as pessoas e não matar, que deveria ter matado 30 mil pessoas, sinaliza que considera a violência um instrumento legítimo de solução de conflitos. Ele tem uma formação que toma a violência como instrumento de transformação da sociedade. Eu sou professor, eu tenho o oposto disso como critério. O critério do professor é o diálogo, é aprender com humildade para poder ensinar. É conviver com a diferença. Ele vê a diferença como um inimigo. Para mim, o diferente é uma oportunidade de aprender.

O PT não contribuiu com o clima de polarização que temos hoje e indiretamente com alguns desses atos? O número é bem menor, mas há registros de eleitores de Bolsonaro que também foram agredidos. Há um levantamento da Agência Pública que apontou 50 casos de violência por parte de bolsonaristas e seis contra bolsonaristas.

O importante é quais são as minhas mensagens em relação à violência. Eu tenho 18 anos de vida pública. Ele tem 28 anos no Congresso Nacional. Compara as mensagens que ele emitiu com as mensagens que eu emiti. Outro dia chegou ao meu conhecimento um discurso dele chamando Dom Paulo Evaristo Arns, ex-cardeal de São Paulo, uma das pessoas mais respeitáveis da história deste país, de ''vagabundo'' e ''picareta''. Esta manhã, algumas igrejas católicas amanheceram com a suástica pichada. Você vai falar que não tem relação uma coisa com outra. Na minha opinião, tem sim. Porque quando você cultiva esse tipo de sinal, está autorizando seus correligionários a agirem dessa maneira. Por isso que a violência do lado de lá é dez vezes maior do que a do lado de cá. Não é que não há violência do nosso lado. Mas os sinais que eu emito são as coisas mais importantes. E meu sinal é de diálogo permanente, com todas as forças políticas deste país.

Diálogo é algo que tem faltado nas eleições. Pais brigam com filhos, amigos se tornam inimigos. Se você vencer, vai governar para petistas, antipetistas e para uma multidão que está tão decepcionada com a política que quer distância de Bolsonaro e de você. Como pretende juntar os cacos de um país dividido?

Eu pretendo fazer um governo muito mais amplo. Penso que nós temos que ter o melhor do país a serviço do próximo governo para recompor esses cacos a que você se referiu. Nós não podemos ter, hoje, o projeto de um partido, ou de uma cabeça só. A gente vai ter que ampliar o diálogo, somar forças democráticas, alinhar essas forças em proveito de um projeto de reconstrução nacional. Está tudo por reconstruir, as instituições, a economia, as relações pessoais. E isso só vai se fazer com gestos e com medidas duras que precisam ser tomadas para arrumar as coisas. Medidas duras não significa não-pactuadas, significa medidas profundas que a gente possa efetivamente chegar à raiz dos problemas.

Falando em medidas e no caráter simbólico delas, o fato de sua campanha ter trocado o vermelho pelas cores da bandeira nacional é um aceno nesse sentido? 

Segundo turno é o turno da ampliação. Então, tenho procurado não só partir dos que têm compromisso com a democracia e com a causa social, como PSB, o PSOL e o PDT, Ciro Gomes, [Guilherme] Boulos e os governadores do PSB que estão me apoiando, mas também com algumas personalidades, pessoas que representam valores para a sociedade. A minha visita à CNBB [Conferência Nacional dos Bispos do Brasil] foi um gesto de que os valores vão ser cultivados, de que o diálogo vai ser mantido. O que os bispos do Brasil estão pedindo? Manter o combate à corrupção firme, fortalecer as instruções democráticas, preservar a vida, superar a violência, preservar o meio ambiente. Será que alguém discorda disso? No nosso campo não. Eu sei que meu adversário discorda. Democracia para ele não é um valor absoluto, meio ambiente para ele não é um valor absoluto, ele quer acabar com Ministério do Meio Ambiente. A superação da violência não é um valor absoluto. Mas para mim os cinco são compromissos absolutos. Então é mediante gestos dessa natureza que nós vamos ampliar.

Essa ampliação significa que Ciro Gomes, Fernando Henrique, Marina Silva, Joaquim Barbosa vão entrar na sua campanha? Circulam na internet informações com potenciais ministeriáveis do seu lado. Há alguma novidade?

Eu não convidei ninguém ainda para ministro. Mas tenho interlocução com pessoas que eu respeito. Fui falar com Joaquim Barbosa porque entendo que ele tem um serviço prestado ao país muito relevante. São 40 anos de serviço público, como membro do Ministério Público e como ministro do Supremo Tribunal Federal. Não tenho como deixar de considerar a opinião dele para uma agenda tão importante quanto a questão republicana, de combate à corrupção, do fortalecimento da democracia. Falei ontem com [o filósofo e educador] Mario Sérgio Cortella, sobre educação, dei abertura para que pudéssemos conversar depois das eleições. Quando Ciro voltar de viagem, vou procurá-lo, porque entendo que o Ciro é uma liderança preparada para ajudar Brasil a sair da crise. Independentemente da decisão dele de participar de governo ou não, é uma personalidade que eu respeito e que pode dar grandes e boas ideias para o futuro governo.

Por que as pessoas deveriam dar um voto de confiança ao PT considerando os casos de corrupção dos últimos anos e os erros do governo Dilma na condução da economia, que você mesmo reconhece? 

Entendo que o balanço dos nossos governos é muito favorável. O PT mudou a vida de metade da população brasileira para muito melhor e a outra metade para melhor. Todo mundo melhorou, mas a metade debaixo melhorou mais que a de cima. Isso significa dizer que enfrentamos o principal desafio do país que é [a geração de] oportunidades. Eu digo a você, até modéstia à parte, na condução do Ministério da Educação, fui o ministro que mais abriu oportunidades para os jovens que não podiam pagar uma faculdade, que não conseguiam ensino médio, à criança com deficiência que não conseguia escola, a mãe que não consegue colocar filho em uma creche. Então, há erros a serem salientados, eu mesmo em toda entrevista sempre reconheço que houve erros que vamos corrigir. Mas não acho que o projeto deve ser abandonado. Um projeto de Brasil mais inclusivo, mais solidário, esse projeto que esse campo representa precisa ser fortalecido e retomado. Corrigindo o que estiver errado. Estamos aí três anos com governo Temer, no que que deu?

Vídeo – ''Não compactuo com nenhum regime autoritário de direita e de esquerda''

Muitas pessoas acham que o Brasil pode virar uma Venezuela se o PT ganhar. O senhor recentemente fez críticas ao governo de Nicolás Maduro. Por que é tão difícil contrariar dogmas do partido que pararam no tempo e simplesmente encarar a realidade de que mortes pelas mãos do Estado e prisões arbitrárias são inadmissíveis?

Escrevi um livro com 26 anos de idade, em 1989, sobre a União Soviética, contra todos os regimes autoritários de esquerda. Até por pertencer ao campo progressista, achei que devia, pela paixão que tenho pela política, deixa claro no começo da minha vida pública, que eu não compactuo com nenhum regime de arbítrio, nenhum regime autoritário de direita e de esquerda. Para mim, falta de liberdade é o caminho do inferno. A liberdade é que constrói as soluções duradouras para a humanidade. Não acredito em regime de força. Meu adversário é que tem que responder à questão do porquê, até hoje, enaltece a tortura, a cultura do estupro, porque havia estupro nos cárceres da ditadura, e por que ele é tão violento na solução de conflitos, por que se recusa a promover o diálogo. Para mim regime autoritário é um regime errado de antemão. Não teria problema de questionar qualquer governo da América Latina, inclusive o dele [Nicolás Maduro].

Não teria problema de considerar a Venezuela uma ditadura?

Se tivermos que caracterizar qualquer regime de força como uma ditadura, o faremos. A questão é outra. Há uma cobiça internacional em relação à Venezuela e ao Brasil, não por causa da democracia, mas por causa do petróleo. Os Estados Unidos querem transformar isso aqui num Oriente Médio. Não podemos cair nessa armadilha. O Fernando Henrique não tomou nenhuma medida contra Venezuela, sabe o que ele fez? Compôs um grupo de trabalho de amigos da Venezuela para ajudar o país a sair das armadilhas em que ela estava colocada. Estamos num momento ruim da Venezuela e não temos que declarar guerra, nem patrocinar uma ingerência nos assuntos internos. O que nós temos que fazer? Buscar uma solução pactuada e democrática, que envolva a oposição e a situação. Minha perspectiva é não deixar um conflito armado chegar na região, não promover instalação de base militar americana em território nacional, nada de bater continência para bandeira americana – isso não é papel de alguém que almeja a Presidência da República. Nada de criar conflito armado com o vizinho depois de 140 anos de paz. Chamar as lideranças latino-americanas, os organismos internacionais, os observadores externos, chegar na Venezuela e falar ''chega, chega de morte, chega de briga, vamos ajustar um protocolo para saída da crise, de forma democrática, no qual o povo dê a última palavra''.  Acho que a liderança do Brasil é suficiente para chegar a um acordo desse tipo.

O seu adversário o acusa de distribuir um kit para que crianças aprendam a ser gays. Ele se refere ao material didático do Escola sem Homofobia. É possível fazer com que crianças se tornem gays através da educação?

Eu não sei se isso é um aspecto doentio da personalidade dele ou se é pura má fé. Por que é que ele tem tanto problema com esse assunto? Parece ser meio patológica a obsessão. Segundo, nunca foi distribuído material para criança de seis anos [como afirmam mensagens nas redes]. Terceiro, é um desrespeito com o magistério brasileiro. Você acha que pais, mães e professoras (80% da categoria é composta de mulheres), que algum profissional da educação iria compactuar com uma loucura dessa? Só na cabeça de uma pessoa desequilibrada pode passar a ideia de que a escola pública se subordinaria a um projeto absurdo como o que ele descreve. Eu não sei qual é a intenção dele, se é só confundir a opinião pública e usar a boa fé das pessoas quanto a isso. Hoje soltou um novo boato. Falou que eu sou a favor do incesto. Ou seja deu um a passo mais. O filho dele tuitou. Para mim, é uma mente doente. Eu serei o presidente de todas as religiões, de todas as crenças. Eu, ao contrário dele, não vou transformar uma única igreja, na igreja oficial do Estado, como ele pretende, um projeto de poder de uma única igreja.

E qual igreja seria?

Nós sabemos, já falei isso publicamente, mas você sabe que tem livro escrito sobre um plano de poder de uma única igreja no país que ele abraçou [o candidato já havia se referido em outras entrevistas à Igreja Universal do Reino de Deus]. Do meu ponto de vista, o Estado tem que acolher todas as crenças religiosas. Não pode ter religião oficial no Brasil. Judeus, ateus, muçulmanos, cristãos, matriz afro, todo mundo tem lugar no Brasil, é cidadão brasileiro.  E tem que receber a mesma proteção do Estado que qualquer outra pessoa. Agora, ele usa esse subterfúgio e talvez por isso fuja dos debates. Para não ter que encarar a verdade.

Falando em debates, o candidato Bolsonaro tem se negado a participar. No começou, justificou-se por questões médicas, e agora afirmou que, por questões estratégicas, não iria. Pretende pedir para que as emissoras mantenham esse espaço?

Estou participando de todos os convites de sabatinas, debates, entrevistas, estou participar de tudo porque não tenho medo.

O PT já não se negou a participar de debates?

Não me lembro de ninguém. Acho que uma vez o Lula não foi ao debate, em 2006, em uma ocasião. Mas foi nos outros, não é que não foi em nenhum. [Dilma também desistiu de ir a debates nas eleições de 2010 e 2014]. Eu acho que o Brasil merece um debate. Eu não tenho nenhum temor de debater o que quer que seja, não tenho nada esconder, tenho um projeto para o país que está sendo ampliado com a adesão de novas forças personalidades, movimento social, movimento popular. Lamento que uma pessoa fuja dessa maneira de uma discussão séria sobre o Brasil.

Vídeo – Se armar a população, você vai ter muita morte no trânsito, entre vizinhos

O Brasil teve 64 mil mortes violentas em 2017, dado do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Dessas,5.144 foram causadas por intervenções policiais e 367 policiais foram mortos. Tanto a letalidade policial quanto a morte de policiais são números grandes para qualquer país do mundo. Como pretende diminuir essas taxas?

A Polícia Federal tem que participar mais e assumir algumas responsabilidades em relação ao crime organizado. Hoje, estamos sem foco. Nós temos que botar na cadeia os criminosos que colocam em risco a vida e o patrimônio das pessoas. Homicídio, lesão corporal grave, roubo, estupro. As polícias locais têm que ter foco nisso. Prioritário. Mas, para isso, a Polícia Federal vai ter que assumir uma parte da responsabilidade, sobretudo com relação ao crime organizado. E eu entendo que os prefeitos devem participar das ações de planejamento territorial. Prefeito conhece muito a área territorial e pode ser parte da solução na formação daquilo que a gente chama de Sistema Único de Segurança Pública. Todos os estudos que me chegaram ao conhecimento sem exceção dizem uma única coisa: armar a população é retirar o Estado da responsabilidade que é dele e aumenta a violência. Você vai ter muita morte no trânsito, a tiros, vai ter muita morte entre vizinhos, a tiros, vai ter muita morte dentro de casa. O sujeito perde a paciência, tem uma arma na mão, e comete muitas vezes um homicídio. Arma na mão de policial preparado, que faz a ronda, que esteja presente, essa é a solução para a segurança.

Em seu programa de governo, fala da necessidade de retomar obras paradas, de investir no ''Minha Casa, Minha Vida'' e na Petrobras para gerar empregos. Mas não traz uma previsão. Quantos empregos pretende gerar, afinal, temos um estoque de mais de 12 milhões de desempregados, 27 milhões de subempregados e 4,8 milhões de pessoas em desalento, que desistiram de procurar emprego. E como vai apoiar o micro e o pequeno empresário, que são os grandes geradores de emprego do Brasil?

A lei mais revolucionária para apoiar o micro e pequeno empresário foi feita por nós, o Super Simples. Uma coisa de outro mundo, nem na Europa e nos Estados Unidos tem uma lei tão amigável para o pequeno e micro empresário. Outra lei importante foi a MEI, o Microempreendedor Individual. Milhões de brasileiros adotaram a MEI como forma de atuação econômica em função dos benefícios fiscais. Agora, estamos precisando de uma Reforma Bancária, para acabar com a concentração bancária e diminuir os juros para o tomador. É impossível o empresário tomar empréstimos para investir porque o lucro dele não paga o juro. Temos que viver num país em que o tamanho do lucro seja maior que o tamanho dos juros. Senão, ninguém vai investir. A segunda, é uma Reforma Tributária que aumente o poder de compra das classes média e baixa porque isso vai aquecer o mercado de consumo. E a terceira coisa é acabar com o congelamento de investimento do governo federal, com ajuda inclusive do Bolsonaro, que apoiou todas as medidas do governo Temer, e retomar as 2800 obras públicas paradas. É muita obra parada para a gente não aproveitar e dar um choque de emprego logo nos primeiros meses de governo.

Tem um número do que é possível gerar nos quatro anos de seu governo?

Em 2002, dissemos que pretendíamos gerar 10 milhões de empregos. Em oito anos, geramos 15 milhões de postos de trabalho. Em 12 anos, nós geramos 20 milhões. É possível gerar. Agora, fixar uma meta nesse contexto é mais difícil porque vai depender um pouco do Congresso Nacional. Se o Congresso Nacional aprovar até o primeiro semestre do ano que vem as reformas que estou anunciando, essa meta é absolutamente factível. Você consegue gerar dez milhões de postos de trabalho.

Então se o Congresso Nacional aprovar suas propostas, acha que viável gerar 10 milhões?

Alguma coisa em torno de 2 milhões de postos de trabalho por ano.

Vídeo – Haddad: Vamos gerar oito milhões de empregos em quatro anos

Se todas as reformas forem aprovadas, oito milhões de postos de trabalho. Você propôs mudanças na aposentadoria e seu adversário, uma Reforma da Previdência que considera a capitalização individual. Eu gostaria que você falasse sobre as suas mudanças e as propostas dele.

A proposta dele não foi anunciada, eu não sei o que é. Até outro dia ele estava apoiando o governo Temer. Ele aprovou a Reforma Trabalhista do Temer, aprovou o Teto de Gastos do Temer [que congela novos investimentos públicos por duas décadas], as reformas do Temer contaram com apoio do Bolsonaro. Ele aprovou o projeto de Lei da Terceirização. Agora está dizendo que não, que não é bem assim. Mas ele foi lá e votou. Desde o começo da campanha, no programa de governo, fui claro, disse que nós vamos começar pela reforma dos regimes públicos de Previdência, porque os governadores não conseguem hoje pagar a folha de pagamento,  quanto mais a aposentadoria. Temos que fazer um ajuste na Previdência pública e depois, ato contínuo, depois de decidido qual vai ser o critério da Previdência pública, vamos aprovar uma lei para convergência do regime geral e do regime próprio em um só regime. Aí vamos ter sustentabilidade da Previdência para sempre.

O Benefício de Prestação Continuada [pensão para idosos pobres e pessoas com deficiência, entre outros] e a aposentadoria rural não serão mexidos?

A questão da aposentadoria rural e do Benefício é um crime mexer. As pessoas estão passando necessidade, você vai tirar delas? É uma visão completamente distorcida de como fazer o ajuste das contas.

Para finalizar, gostaria de pedir para que dissesse o que o eleitor de Bolsonaro pode esperar de você, caso seja eleito?

Democracia, paz, respeito, diálogo. Tudo que eu fiz a vida inteira como ministro, como prefeito. Você não vai ver uma frase minha desabonadora de uma pessoa, desrespeitosa a um adversário. Eu respeitei todo mundo que me respeitou. E mesmo os que me desrespeitaram, ocasionalmente, eu procurei minimizar, porque sou uma pessoa do diálogo, sempre construí consensos. No Ministério da Educação, aprovei duas emendas constitucionais e mais de 50 projetos de lei, sem que um único líder partidário indicasse voto contra. Aqui na Prefeitura de São Paulo, a mesma coisa. Conseguimos aprovar, eu com 20% da Câmara Municipal, plano diretor, lei de zoneamento, código de obras, reforma tributária, leis difíceis, com diálogo, convencendo a oposição de que aquele era o caminho para a cidade. Isso é o que eu pretendo, reconstruir o país com o diálogo, sem violência. Estimular a violência é o maior erro que estamos cometendo contra esse país.

Vídeo – Íntegra da entrevista: