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Leonardo Sakamoto

Ministro da Educação curte publicação com ameaça de violência a estudantes

Leonardo Sakamoto

05/08/2019 18h59

O ministro da Educação Abraham Weintraub curtiu uma postagem que ameaçou representantes de estudantes neste final de semana. Uma imagem de tacos de baseball cobertos de arame farpado com a frase "Pedindo à UNE voltar ao MEC com badernas, que há DOCINHOS para eles!!!", publicada no sábado (6), no Twitter, recebeu sua atenção e deferência.

A União Nacional dos Estudantes denunciou a postagem em seu perfil no Twitter: "O ministro da Educação curtindo publicações de ameaças à UNE e aos estudantes que estão em luta em defesa da universidade. Que absurdo, tomaremos as medidas cabíveis!".

O novo presidente da entidade e estudante de Economia na Universidade de São Paulo, Iago Montalvão, postou a imagem em sua conta no Instagram, chamando o caso de "gravíssimo". Afirmou que ele será denunciado e que "ameaças assim não podem passar impunes".

O UOL tentou contato por e-mail e telefone para pedir uma posição do ministro através da assessoria de comunicação do Ministério da Educação, mas não teve resposta até a publicação deste texto. A postagem com a foto, que originou a impressão de tela abaixo, não estava mais disponível para visualização nesta segunda (5).

A postagem acima aparecia como um comentário em uma sequência de publicações do ministro em sua conta no Twitter. Nessa thread, ele rebatia críticas que recebeu por uma declaração que deu na sexta (1), de que "a aspirina foi feita pelos nazistas". Weintraub também criticou a imprensa pelo que ele considera perseguição. Afirmou que a Bayer, empresa alemã dona da patente do medicamento, foi posteriormente parceria do nazismo.

Data de 1899 o registro do nome "aspirina" para o ácido acetilsalicílico e o início de sua venda. O uso de elementos do composto para alívio de dores é conhecido há 3500 anos. O nazismo ascendeu e tomou o poder na Alemanha na década de 1930.

Sobre o Autor

É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu conflitos armados em diversos países e violações aos direitos humanos em todos os estados brasileiros. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York (2015-2016), e professor de Jornalismo na ECA-USP (2000-2002). É diretor da ONG Repórter Brasil, conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão e comissário da Liechtenstein Initiative - Comissão Global do Setor Financeiro contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Seres Humanos. É autor de "Pequenos Contos Para Começar o Dia" (2012), "O que Aprendi Sendo Xingado na Internet" (2016), entre outros.